“Simancol”, o remédio ideal para relacionamentos

Um dos grandes segredos dos bons relacionamentos é o seguinte: ter coragem de estabelecer limites e discernir os limites dos outros. De amizade a casamentos, falhar neste quesito é a razão do fracasso em grande parte dos relacionamentos.

Respeite os limites de intimidade. Você não pode achar que sem conhecer uma pessoa tem o direito de falar com ela como se fosse íntimo. Até mesmo os casais deveriam saber que não tem direito de invadir a intimidade do outro sem permissão. Talvez sua esposa deteste que você entre no banheiro quando ela está lá. Não corra riscos. Fique longe.  Vem à mente um pastor amigo que me recomendou: Fabiano, jamais more na igreja ou muito perto, pois as pessoas passam dos limites. Quando falava isso ele contava que um dia acordou com um membro da igreja na porta do seu quarto: Pastor posso falar contigo? Aquela era uma cidade pequena e o pastor costumava fechar a casa sem passar a chave. O pastor respondeu: O que tu estás pensando rapaz? Como tu entras no meu quarto e na minha casa sem ser convidado? Sai já daqui que depois eu converso contigo. Talvez por essa razão o avô de minha esposa dizia: Povo pequeno, inferno grande! Faço justiça aqui: jamais tive esse tipo de problema com o povo que lidero.

Respeite os limites de generosidade. Existem pessoas que emprestam o que é seu, e são desprendidas em tudo. O que é muito bom e é uma virtude a ser cultivada por todos nós. Mas ao lado dessas pessoas crescem os tipos aproveitadores. Conheci um rapaz que era solteiro, tinha um bom emprego e era mão aberta. A rapaziada da igreja por outro lado não trabalhava, mas gostava de sair depois das reuniões. Toda vez que saiam presumiam que o rapaz pagaria a conta. Tanto foi o abuso que no final ele já se escondia e se esquivava do pessoal. Em uma ocasião um menino chegou a um comércio e ele estava no carro. O rapaz vinha comendo e falou na maior cara de pau: Fernando peguei um iogurte, paga lá pra nós. Ele sacudiu a cabeça e foi lá pagar. Quase não pude acreditar.

É como a história do empregado recém-chegado na empresa que cheio de confiança entra na sala do chefe sem bater:

- Então quer dizer que aqui é a sala do chefe?

- É, sim. Responde o chefe.

- E o senhor quem é?

- Eu sou o Fernando, seu mais novo funcionário. Gostei daqui. Confortável. Um dia ainda vou ocupar essa sala disse se recostando em um sofá confortável com as duas mãos colocadas atrás da nuca.

- Ah é? Respondeu friamente o patrão.  Só de enxerga-lo entrando e nestas poucas palavras que ouvi, percebi que esta sala não está a altura da sua ousadia. Acho que tenho um lugar perfeito para o senhor.

- Nossa, qual é? Perguntou o folgado.

- A rua.

- Mas…

 

Respeite os limites do medo. Quando era criança tinha aquele hábito sádico que parece ser um problema no DNA masculino de querer assustar as meninas. Pegava qualquer bicho que pudesse trazer a tona os gritos histéricos das meninas e me divertia muito com isso. Hoje aprendi a respeitar o medo das pessoas. Gosto de incentivá-las a vencer seus medos, e sempre explico que o crescimento vem quando deixamos de ser controlados pelo medo, mas não posso empurrar ninguém. Cada pessoa deve tomar a decisão por si própria. Há também aquelas pessoas que acham os medos dos outros absurdos, mas não conseguem pensar o quanto elas mesmas fogem dos seus próprios. Não seja mala e respeite esse limite.

Respeite os limites da ira. Segundo os estudos, chega um momento em que a pessoa irada não consegue mais raciocinar nem voltar atrás. Mas sempre existem os loucos que gostam de tirar osso da boca de cachorro faminto. Não fique provocando as pessoas quando você vê que elas já perderam a paciência. Fique na sua e espere a loucura ir embora. Depois você pode até chamar a atenção. Casais casados há muito tempo são campeões de cometerem este erro e são nessas horas que palavras cortantes são ditas, que a louça da casa é quebrada e a porta é lacrada. As mulheres de forma especial tem o costume de falar, falar e falar até o ponto em que recebem uma resposta inadequada que poderia ter sido evitada se houvesse um respeito pelo limite do outro.

Respeite os limites das brincadeiras. Isso merece um post a parte. Mas você já notou como em nossa cultura o salvo conduto para qualquer bobagem que façamos é: “eu estava brincando, meu”. Então você critica a aparência do outro: “cabeção”, “boca”, “canetinha”, “frank” e ninguém pode dizer nada. Por mais que alguém goste de brincar, todos tem um limite e é bom saber qual é. Tem pessoas sem noção do momento (gente que ri em funeral), o tipo de brincadeira (com a tragédia dos outros) e a frequência (não sabem a hora de parar). Em quase todas as situações de conversas com meus amigos vem a minha mente frases e respostas “engraçadinhas”. Tenho um filtro pelo qual passam todas elas. Essa piada tem o potencial de ferir? É conveniente? Estou diminuindo a outra pessoa?  Perco a piada mas não perco o amigo!

Respeite os limites de cansaço. Certas pessoas andam sobrecarregadas por exigências em todos os níveis de sua vida. Quando alguém diz: “estou cansado”, talvez ela esteja mesmo. Então espere o momento para pedir que ela faça aquele servicinho que você está precisando na sua casa.

Respeite os limites do perdão. Sim, há muitas pessoas que repetem os mesmos erros contra os outros em uma monotonia insuportável, e depois dizem com arrogância: “Tu tens que me perdoar”. Perdão é uma exigência de Deus para o ser humano. DAquele que ama sempre e incondicionalmente. Entre seres humanos perdão se pede não se exige. E é direito para o bem ou para o mal das pessoas concederem.

Respeite os limites do evangelismo. Sinceramente, fale para quem quiser ouvir. Jesus quando não foi bem recebido em Samaria foi embora e quando instruiu seus discípulos disse bem claro que eles entrassem para falar na casa que lhes recebesse. Ah, como teria sido diferente nossa história humana se todos soubessem respeitar os limites da fé de cada pessoa. Outro dia minha esposa recebeu uma pessoa que vinha divulgar uma fé que não aceitamos. Minha esposa disse que já era cristã e não queria conversar. Embora minha esposa tivesse dito três vezes a mesma coisa, ela fez que não ouviu. Essa atitude me fez lembrar que nós evangélicos às vezes tentamos fazer a obra do Espírito Santo. Alguns me dirão que existem igrejas que enchem seus templos com esse tipo de abordagem. E eu responderei: eu sei que tipo de fruto esse tipo de conversão dá: momentâneo, superficial e de conveniência.

Por outro lado talvez você esteja infeliz porque as pessoas estejam cruzando demais a linha e o muro invisível da sua vida. Não se sinta culpado em colocar limites. Não se deixe manipular pelo beicinho e pela ameaça. Você não precisa ser grosseiro, nem ter um acesso de fúria. Com maturidade diga as coisas como são. Assim como ensinou nosso Mestre: Seja o teu sim, sim e o teu não, não. (1)

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)    Mateus 5:37

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