O que nunca lhe disseram sobre o amor

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Amar. Verbo que procura o bem da outra pessoa.
É um caminho de vida. Que orientará nossas máximas e mínimas decisões.
Ou é o amor, ou o caixão antecipado. Zumbi. Morto vivo.
E como é doce ouvir todo mundo falando bem do amor, do pregador ao apresentador de televisão.
Vim aqui para desarrumar essa alegre unanimidade.
Vim falar do lado B do amor conforme visto na vida do nosso Senhor Jesus.
Quatro faces que precisamos lembrar para vivermos sem chororô.

1. Quem ama se decepciona.
A coisa mais difícil dos casamentos é vencer o luto das expectativas desfeitas no primeiro ano.
Você nunca imaginou que sua esposa acordaria com aquele cabelo de quem levou um choque na tomada.
Você nunca pensou que criar filhos envolveria noites acordado, fraldas cheias de cocô, e que eles tomassem rumos que você não sonhou para eles.
Seria perfeito se não fizéssemos tantas expectativas, mas o fato é que fazemos.
E quem faz expectativas, sempre se decepciona. Eu disse sempre.
Nossas expectativas são fruto de uma sede que temos por amor infinito, que só se encontra na casa do Pai. Mas insistimos em encontra-lo em cônjuges, igrejas, pastores e melhores amigos.
Se não aceitamos a decepção, nos recolhemos a casa da amargura e não saímos mais de lá pelo resto da vida. Nossas expectativas são um peso insuportável e idolatria da pior espécie.
Aprenda a amar. Vença a decepção.

2. Quem ama, é amador e jamais será profissional.
O amor que damos e recebemos é obra de principiante. É uma construção recente que precisamos consultoria para seguir em frente.
Por isso que todo o relacionamento é também um aprendizado onde encontramos em contato com nossa pobreza e nossa riqueza pessoal. E raramente essas duas coisas combinam com a outra pessoa.
Quando dois medos iguais se encontram é um Deus nos acuda.
Pense no medo de ser traído. Os dois se entregam e se fecham em constante desconfiança sobre o que está acontecendo do lado de lá. Confio desconfiando. Falo, mas faço verificação.
Até o ponto da ruptura e da entrega é uma longa caminhada.

3. Quem ama, sangra.
Seus amigos e parceiros atravessarão longos vales. E se você se importa estará perto deles participando dos seus sofrimentos. Você sangrará junto com eles. Não poderá rir totalmente porque uma parte sentirá dor. Às vezes não haverá muito o que fazer a não ser estar presente e orar.
A perda do controle faz a situação se tornar uma assombração paralisante.
Faz dois anos que um casal de nossa igreja descobriu que seu jovem filho estava com câncer.
Durante esses anos oscilamos, talvez sem que eles soubessem o tanto que foi, junto com eles nos nossos estados anímicos. Ficamos esperançosos, estivemos angustiados, choramos escondido, oramos intensamente, perdemos a esperança, recuperamos a esperança.
Até que na semana passada nossa comunidade pode celebrar uma boa notícia em tantos meses de dor.
A luta não terminou, mas derrubamos um grande oponente. Estamos mais perto.
Sangramos muito, mas estamos mais humanos e crentes.

4. Quem ama, se encolhe.
A cama de casal talvez seja a melhor metáfora do que eu quero dizer.
Precisei aprender a dormir com minha esposa. Eu era um esparramado.
Todo espaço que eu recebia eu ocupava. Nós somos assim.
Mas para amar, você precisa se encolher para que o outro possa continuar próximo de você.
Ou talvez ir embora, como quando com 17 anos eu deixei minha casa, sem que meus pais tentassem me impedir, para nunca mais voltar e estudar teologia.
Se Deus não se restringisse, não poderia existir eu.
Se você não se controla, não sobra sorvete para os outros.
Se você não cala a boca e escuta, nunca haverá diálogo.
Se você não faz o que os outros gostam de fazer, acabou-se a amizade.
Se você não abre mão do restaurante todo dia, não há dinheiro para o inglês do filho.

O grau em que isso é doença ou virtude, fica na conta do aprendizado de cada um.
Mas temos um Mestre sensacional.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Não permita que o bem que há em ti adoeça!

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Que sua vontade de ajudar não se transforme na louca tentativa de solucionar o problema de todos.

Que a tua capacidade de se maravilhar pela excelência alheia não se transforme em inveja amarga.

Que a tua mansidão não perca o rumo e se transforme em paz ao custo da consciência.

Que a tua coragem não te transforme em cachorro louco, brigando com tudo e com todos. Nem toda guerra é sua guerra.

Que a tua cultura e instrução não perca o senso de serviço, e vire puro esnobismo.

Que tua capacidade de amar não perca o foco, e seja puro narcisismo.

Que teus questionamentos necessários, não percam de vista a fronteira da confiança, e deixem você à deriva em um mar de incertezas.

O discípulo gaudério.

Jesus é muito mundano para a igreja

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Paulo e Davi, são dois pastores evangélicos até a medula. Eles clamavam constantemente a Deus: queremos ver a Jesus.

Repetiam-se orações em seus lábios:

Mostra-nos a Jesus.

Queremos ver tua face.

Faz nos contemplar tua glória.

Um dia, em meio a essa santa obsessão eles foram levados em sonho aos tempos bíblicos.

Logo perceberam onde estavam e puderam ver face a face as ações de Jesus, sem os filtros das tradições e falsa familiaridade.

– Veja, disse Paulo a Davi. Ele bebe vinho! Não é suco de uva. E ainda por cima na frente de todos! (1)

– Davi, no mesmo espírito respondeu: Ainda se fizesse escondido vá lá. Mas para todo mundo ver! Dá uma olhada nessa festa. Não tem políticos, não tem homens de Deus. E quanto palavrão sai dessas bocas. Hum, e a música não toca um louvor!

Logo em seguida foram levados a outra cena:

Ali viram um Cristo sério, preocupado e indignado.

Ouviram-no falar diante de gente bem vestida, que demonstravam conhecer bem a Bíblia, esbravejando: (2)

– Raça  de víboras!

Davi não se conteve e observou:

– Nossa que forte! Acho que ele pegou um pouco pesado. Esse pessoal é da alta. Poderiam trazer um dízimo abençoado para o avanço da obra.

Paulo complementou:

– Que barbaridade. Desse jeito ele vai jogar no lixo seu futuro ministerial. Ninguém que levanta a mão contra os ungidos do Senhor pode ficar em pé.

Imediatamente o Espírito os levou para o jardim do Getsêmani.

O ambiente estava carregado e depressivo. A face de Cristo impregnada de uma angústia aterradora para eles. (3)

– Que é isso meu Deus. Reunião de líderes nessa “vaibe” não dá. Comentou Davi.

– Quem tem Deus, tem que sorrir. Ser forte. Ele está pedindo ajuda. Pedindo oração, quando deveria impor as mãos sobre eles. Vai jogar sua autoridade no lixo.

Quando deram por si, acordaram novamente no ano de 2016. Quase não puderam acreditar, quando se encontraram novamente e lembravam do mesmo sonho.

– Deus respondeu nossa oração Davi. Ele nos mostrou a Jesus.

– É verdade Paulo. Um pouco diferente do que imaginava. Esperava um pouco mais de glamour. Algo mais apocalíptico.

– Só que eu achei aquelas histórias muito esquisitas Davi.

– Mas elas estão todas relatadas nos evangelhos Paulo. Precisamos falar ao nosso povo.

– Eu sei, mas se nossas igrejas vissem realmente tudo aquilo não aceitariam. Nem eu estou conseguindo engolir. Esse Jesus é muito mundano para a nossa amada igreja evangélica!

– O que faremos então? Vamos abandonar o barco?

– Vamos passar longe dos evangelhos. Façamos um Cristo mais aceitável, a nossa imagem e semelhança!

E nos céus ecoou: Nunca os conheci!

Quem lê entenda.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

  1. Mateus 9:9; 11:18
  2. Mateus 23
  3. Mateus 26:36

A alma evangélica é infantil demais

“O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para o outro…”

Efésios 4:14

O evangelho nos ensina que não devemos ser crianças, mas que precisamos ser como crianças para entrar no Reino dos céus. (1)

O quê?!

Sim você leu certo.

Como crianças na simplicidade, na espontaneidade, na abertura para o novo e aventura, mas não mimadas, distraídos com questões sem importância.

Lamentável, estamos invertendo tudo.

Desde que me conheço por cristão, a igreja evangélica se vê entretida com infantilidades.

Gastando pólvora em chimango. Perdendo tempo, e vendo o diabo onde ele não está, ou vendo em todo lugar, menos no lugar certo.

O diabo é velho e inteligente. Nós ficamos velhos e continuamos ingênuos.

Anos 80, as igrejas lutavam com questões como colocar bateria nos cultos, tocar música rock, e falar mal do boneco fofão que assolaria a cristandade brasileira para sempre! Enquanto isso perdíamos uma geração de jovens, ou estragaríamos a cabeça de quem permaneceu com legalismos improdutivos e caducos.

Anos 90, as igrejas combatiam a dança, porque o mundo entraria na igreja. Os “bananas de pijamas” e os filmes da Disney eram então o flagelo. Palestras e vídeos eram vendidos aos borbotões para os lares dos crentes. Enquanto isso a teologia da prosperidade entrava pela porta da frente das igrejas. Dançamos com Mamom e encontramos justificativas bíblicas.

O século XXI chega e a preocupação da igreja evangélica é impedir que os jovens usem piercings e tatuagens. Apesar de lermos a Bíblia todos os dias (será?), não conseguimos fazer a reflexão sobre o que caducou do Antigo Testamento e o que permanece.

Há pouco tempo, a Peppa Pig era uma ameaça a infância das crianças porque seu nariz se assemelhava a um pênis! Teve gente que conseguiu essa façanha. Freud explica.

Acreditamos em qualquer sensacionalista que traga uma informação tipo “teoria da conspiração”. Não verificamos fontes nem procedência das informações.

Enquanto isso falsos profetas, bispos, apóstolos, e patriarcas, vestindo ternos elegantes, falando linguagem empresarial ostentando e seduzindo o povo, não ouvem uma palavra de denúncia dos acovardados líderes que olham para eles com indisfarçada inveja e cobiça!

Como bem diagnosticou Ronaldo Lidório: nos últimos trinta anos a igreja evangélica trocou a santidade pela prosperidade.

Exemplo perfeito do que é engolir camelos e coar mosquitos. (2) OU se preferir brigar pelo banal e esquecer o essencial.

Cadê nossa preocupação com missões mundiais?

Onde está nosso compromisso com a igreja que sofre?

Onde estão nossas boas obras de amor em um país desigual?

Parem caçadores de demônios.

Leiam mais a Bíblia que carregam.

Vejam os temas que preocupavam os profetas, e verdadeiros apóstolos. Olhem para o Jesus nos evangelhos e vejam suas inquietações.

Estamos desperdiçando energia preciosa dando socos no ar.

E agora tenho que receber correntinha com informações sobre o jogo do “Pokémon Go”.

Pokemóns são demônios? Por favor, irmãos, vocês são mais inteligentes do que isso.

Acho até bom que as crianças possam pelo menos sair de casa e se mexerem em lugar de mofarem em quartos escuros. Profetadas são o verdadeiro mal.

Vamos ser adultos. Crentes, mas não crédulos. Vamos crescer para dentro!

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério

(1) Mateus 18:4 e Efésios 4:14

(2) Mateus 23:24

Não relaxe

“Quem relaxa em seu trabalho, é irmão do que o destrói. ”

Provérbios 18:9

Os melhores homens não são derrotados pelos pecados mais óbvios.

Eles estão preparados para monstros terríveis, vigílias prolongadas, florestas ameaçadoras e noites frias.

Eles já têm no seu portfólio batalhas épicas e inesquecíveis.

Podem testemunhar o poder de Deus para preparar para guerra, fazer brotar água no deserto, derrubar gigantes com uma pedra certeira, derrotar um povo e receber provisões na boca de um corvo.

Mas as vitórias homéricas, cegam para as grandes ameaças.

E não existe ameaça mais insignificante do que o relaxamento.

Há uma expressão comum entre nós: relaxamento natural.

Somos tomados lentamente pela convicção que os avanços, os progressos a vida espiritual equilibrada chegam naturalmente nesse mundo de ervas daninhas, espinheiros e ruínas.

É a derrota que vem de dentro para fora.

O homem que orava intensamente pedindo sabedoria e graça já não mostra a dependência de antes, preferindo a agitação da adrenalina.

O líder que cuidava de cada pessoa ouvindo, interessando-se e aconselhando, apenas entrega tudo na conta do sucesso que passou.

O pregador da palavra fresca agora requenta pensamentos surrados e experiências antigas, quando não toma emprestado o machado de outrem, mais frequentemente do que deveria.

O marido da palavra escolhida, do momento preparado, de olhos faiscante, agora sem ajuda dos hormônios dos três primeiros anos, é prisioneiro da rotina modorrenta e previsível.

Então o mal, entra, permanece e mata.

Como Davi que não foi para a guerra, subitamente nos sentimos vulneráveis e a mercê das forças que guerreiam contra nossa alma.

As paixões atacam sem defesa.

O relaxamento nos destruiu em silêncio.

E desse lado do céu, todo relaxamento será castigado.

Não canse de cuidar de si mesmo e dos outros.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

 

Ver de perto e ver de longe

Não se perca nos detalhes. Eles dizem alguma coisa, mas estão longe de dizer tudo.

Você precisa ter visão panorâmica.

Ver de longe. A proximidade as vezes cega.

A vida familiar é a principal vítima da falta de perspectiva. Embora não seja a única.

Os irmãos de Jesus e o povo de Nazaré, custaram a ver a Cristo como o Homem.

Afinal, haviam jogado bolinha de gude com ele, andado de carrinho de rolimã, soltado pipa no outono e visto ele tirar um tampão do dedo jogando futebol em uma sexta-feira de verão escaldante.

Eles andaram tão perto dele, que nem perceberam sua grandeza.

Às vezes a família é a última fronteira do reconhecimento.

Astigmatismo puro.

Enxerga-se maravilhas na casa do vizinho, enquanto o diamante bruto está apenas alguns metros de distância.

Você pode azedar por falta de perspectiva.

Alguns precisam perder tudo para entender que tinham tudo.

A batalha dos ajustes cotidianos, das negociações por espaço, das implicâncias viciosas, da resposta automatizada pode esconder a contrapartida do cuidado, da preocupação, do serviço mútuo, da companhia silenciosa, da história construída.

Você briga com seu marido e joga no holofote da alma aquela hostilidade de hoje de manhã. Você é tomada pelo pensamento: ele é um homem tosco!

Naquela manhã, você teve um curto-circuito mental, e esqueceu que na noite anterior, ele foi buscar um cobertor porque você estava com frio, e trouxe o medicamento para sua dor de cabeça.

Mas sua mente congelou. Ele agora é apenas um brucutu.

Sequestrados pela ira, nós não queremos os argumentos da razão e da sabedoria. Precisamos legitimar a raiva. Ter a certeza de que estamos certos.

Então um dia você soma essa playlist do dia a dia e conclui: esse casamento foi um erro!

Isso mataria qualquer relacionamento, pois a verdade é que não somos uma coisa só, somos muitos, no mesmo dia.

Sou forte para dizer não a um filho, e fraco para andar de avião.

Sou capaz de discernir problemas das pessoas, mas completamente descapacitado para me localizar em qualquer cidade.

Sou gentil pela manhã, e uma patrola pela tarde.

Como serei visto? Como verei as pessoas?

É preciso escolher ver de perto e ver de longe! Para ver toda a história.

O mesmo Pedro que faz a confissão teologicamente correta: “Tu és o Cristo, filho do Deus vivo. ”  É o mesmo que diz a Jesus: “Não conheço esse homem”.

Quem é o verdadeiro Pedro?

Jesus sabia que eram os dois.

Foi isso que possibilitou que ele se tornasse o grande líder dos apóstolos após a ressurreição.

Se as pessoas florescerão ao seu redor ou não, dependerá da sua capacidade de ver de perto e ver de longe.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

 

 

Cuidado, o pecado enlouquece!

Hábitos pecaminosos de pensamento levam a mente para a prisão.

Há uma fartura de doenças mentais diagnosticadas e tratadas quimicamente.

E a inteligência destes tempos parece querer indicar a todos que há uma pílula mágica para resolver qualquer problema.

Antes da química deve vir a responsabilidade pessoal. O cuidado com a maldade pessoal que pode crescer em nós.

Tome como exemplo o ciúme, tão comum entre apaixonados. Se acolhido no coração sem um enfrentamento poderoso com a verdade da Palavra, se aquerenciará, e dominará o órgão da imaginação para o mal.

Sempre haverá no ciumento uma percepção distorcida dos fatos. No começo será apenas ciúmes, no final paranoia total, privando do contato com a realidade.

Dê razão a suas manias. Pare de ir a lugares porque elas não tem lugar ali, brigue com as pessoas que afrontam esse modo de  viver, transforme-as num fator inegociável de sua vida. Você verá que seu mundo e sua mente se reduzirá ao tamanho delas.

Não sou um obscurantista, que desconhece que algumas questões químicas no cérebro podem afetar o comportamento, mas minha prática de aconselhamento também me leva a crer, que os hábitos de pensamento podem ser a origem dos desequilíbrios no funcionamento da mente.

A responsabilidade pessoal tem sido evadida mais frequentemente do que deveria com o escudo do conceito de “doença”.

O primeiro capítulo do livro de Romanos, diz que o fato do homem rejeitar o conhecimento de Deus, (inclua nisso a consciência do bem e do mal, e a percepção de uma ordem fora de si mesmo) o coloca em um estado mental em que os pensamentos se tornam “fúteis”. Tolos. Sem fundamento na realidade.

Resumo da ideia: a maldade leva a demência.

O orgulho o maior de todos os pecados, compartilhado por todos, como um problema crônico que contamina nossas melhores intenções, nos retira da realidade pura e simples e nos coloca no mundo da fantasia, onde podemos tudo, temos direito a tudo, não precisamos de ninguém e os outros não tem importância.

Veja o orgulho do caso Nabucodonosor, veja Napoleão sem conseguir ver o óbvio, que o inverno da Rússia mataria 90% do seu exército. Observe Hitler repetindo o erro 100 anos depois e me diga se o pecado não obscurece a mente.

Observe o materialismo, nos convencendo que o bastante, nunca é o bastante.

Apesar do verniz de civilidade e tecnologia no século 21, não conseguimos disfarçar nossa doidice demonstrada nos arroubos de violência dessensibilizada que transforma o corpo sagrado de outro ser humano em apenas um pedaço de carne.

Por essa razão a Bíblia trata o mal com tanta seriedade.

Somos seres inclinados a insanidade mental.

Cuide seus pensamentos.

Para a glória de Deus, para o bem da sua mente.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Bloqueios à sexualidade masculina sadia

Palestra ministrada na reunião de homens do dia 19/05/2016

A sexualidade sadia deve ser marcada por três valores: alegria, limites e respeito.

A alegria é um valor óbvio. Já que a sexualidade humana se distingue da dos animais por ser uma fonte de prazer, não apenas de reprodução.

Limites são necessários para que o prazer sexual não se transforme em obsessão como é comum acontecer. Basta observar o consumo compulsivo de pornografia na internet.

Respeito porque a sexualidade não é apenas sobre “eu” mas sobre “nós”.

A sexualidade masculina tem suas particularidades e queremos ver questões que afetam a saúde integral do homem. Vejamos.

O primeiro bloqueio é o fato dos homens não falarem sobre sua sexualidade. Mulheres desde cedo consultam ginecologistas e falam com maturidade de sua sexualidade, por sua vez o homem só vai ao urologista quando as coisas estão saindo do controle. A sexualidade masculina em nossa sociedade é um instrumento de afirmação sobre o outro. Disputa-se quem tem o pênis maior, quem “pega mais mulheres”, quem tem esposa fiel e quem é “corno”. Assim cria-se o ambiente para que os problemas se mantenham debaixo do tapete e sem reflexão adequada.

O segundo bloqueio é confundirmos desejo com desempenho. O fato de querermos fazer sexo todos os dias não indica que estamos sendo bons para nossa companheira. Às vezes há mais afobação do que realização na cama. O homem se sente macho por desejar, e não por satisfazer sua esposa. Isso se torna um tiro pela culatra pois destrói o desejo da esposa.

O terceiro impedimento são as questões do trabalho. Frustração em alcançar os objetivos da carreira levam a perda do desejo sexual. Fracasso e convivência em um ambiente humilhante que anula a capacidade de contribuir e ter iniciativa tiram do homem seu sentido de competência o que perpetuado pode ser levado para a cama.

O quarto impedimento são as experiências passadas no desenvolvimento da sexualidade. Sobre isso já foram escritos livros e mais livros, mas no aconselhamento pastoral duas questões são muito comuns de atrapalhar a vida sexual presente: obsessão pelo sexo anal e masturbação compulsiva. A obsessão pelo sexo anal se desenvolve especialmente pelas experiências de infância e adolescência onde meninos tem experiências com meninos da mesma idade o que lhes desenvolve um gosto pela penetração anal. Isso em si já é um problema, mas abandonada a prática do passado, o prazer desenvolvido se transfere para a vida a dois. E 90% das mulheres não gostam de sexo anal o que acaba sendo fonte de intensos conflitos.

A masturbação compulsiva, é uma atividade narcisista que só tem em conta o prazer próprio e não do outro. Sendo o sexo sadio uma experiência a dois, o homem que tem esse histórico acaba não raro por lutar com a ejaculação precoce, pois não aprendeu a esperar, apenas a buscar prazer para si.

O quinto impedimento, é que não procuramos conhecer os gostos de nossa esposa. Sem feedback ninguém cresce. O orgulho do macho diz que ele deve saber o que sua esposa gosta na cama, então ele acaba por não a ouvir. E quando ela demonstra desinteresse ele se ressente. É interessante verificar que estudos demonstram que homens que ajudam suas mulheres  nas tarefas domésticas tendem a ter mais sexo! Fica a dica.

O sexto impedimento são os jogos de poder. Em um momento histórico de oposição ferrenha do machismo e feminismo, os jogos de poder acabam por travar uma sexualidade rica. Onde há luta pelo poder não pode haver sexo bom, pois o sexo é entrega total.

O sétimo impedimento é o ambiente religioso opressivo. Onde a vida do cristão é repleta de regras, e tudo que ele veste, faz ou gosta é considerado pecado, o sexo se torna uma usina de taras ou é carregado de uma falsa culpa.

O discernir dessas dificuldades devem nos conduzir a uma trilha diferente que represente um arrependimento de caminhos que levam a morte.

O Deus que colocou Cantares nas Escrituras quer abençoar nossa vida sexual também. Vamos deixar Ele nos ajudar.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Carta aberta as mães pós-modernas

Mãe, não entregue seus olhos nas mãos do seu filho, para que ele veja por você.

Esses olhos já viram muita coisa que talvez leve muito tempo para que essa criança chegue a enxergar.

Não, o fato de ele mexer nessas geringonças tecnológicas com a habilidade que um craque domina uma bola, não faz dele um gênio e muito menos um sábio capaz de navegar através da vida sem sua colaboração.

Ele é surpreendentemente inteligente, mas também carrega a tolice da ingenuidade. Precisa de alguém que grite em sua consciência como um potente alto falante a realidade dolorida.

Eu sei que você não suporta ver aqueles olhos marejados por qualquer razão, mas não esqueça que foram as lágrimas que irrigaram as mais arraigadas lições que você aprendeu. Isso não mudou, apesar do modelo de celular mudar de seis em seis meses.

Não acredite cegamente em tudo que ele diz. Faça auditorias surpresas. Sim, a despeito de toda abertura que você fez depois da ditadura dos seus pais, ele ainda encontra motivos para mentir.

Às vezes não quer ver você exasperada por situações perigosas, outras vezes quer apenas espaço, e às vezes acha que você não entende nada mesmo.

Por favor, também não entregue suas mãos em serviço escravo para ele. Eu garanto que ele vai detestar o fato de ter sido aleijado na sua total capacidade de se virar.

E por favor suba naquele pedestal da sala de sua casa e tire seu filho dali. É um peso insuportável para ele carregar. Aceite que ele é humano. Não o faça prisioneiro dos seus sonhos carentes. Ele pode se matar para realizar, talvez mentir para você ficar feliz e pior ainda poderá chutar o balde mesmo, só para poder experimentar a liberdade. E isso vai doer demais.

Ah, não dispute queda de braço com seu filho. Isso não é um jogo de poder. Ele é melhor do que você nisso, lhe sobra tempo e energia. A palavra é como semente. Deixe ela morrer. Deixe. O broto vai nascer por si só.  Não é preciso acrescentar “eu tinha razão” e o “eu disse”. Pode matar como veneno.

Depois de ter feito tudo isso, aceite que o melhor é sempre insuficiente para os filhos em certa época da vida. Seja apenas escrava da sua consciência diante de Deus, não da aprovação do seu filho. Mães carentes podem acabar fazendo muito mal. Cuide-se antes de cuidar.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Trocação com o Todo-poderoso (1)

Jacó era um cara ambicioso. Como todo ambicioso, era capaz de sacrificar sua dignidade para realizar o desejo do coração. Aproveitou-se de um momento de fraqueza do irmão, conspirou com sua mãe para enganar o pai e recebeu a bênção irrevogável que o levaria a prosperidade.

“Que as nações o sirvam, e os povos se curvem diante de você.

Seja senhor dos seus irmãos, e curvem-se diante de você os filhos de sua mãe. ”(2)

Quando apaixonado por Raquel, trabalhou 14 anos pelo direito de casar-se com ela. Trabalhava de sol a sol para acumular rebanhos numerosos e uma geração abundante de filhos: os símbolos antigos de um homem bem-sucedido.

Seu conhecimento de Deus era de segunda mão: chamava-o “Deus de meus pais”.

Mas havia uma passagem do Jaboque. Um acerto de contas no meio da vida.

Deus tinha um plano com ele, e ele tinha um plano para Deus. De coadjuvante, é claro.

Desses dois projetos de vida opostos nasceu uma trocação na madrugada.

Deus é soberano. Ele definiu as regras da vida. Tem direito de Criador. Meu universo minhas regras, é o que diz as Escrituras ao longo de suas páginas.

Entre seus decretos está a liberdade humana. Essa liberdade arriscada fez com que o verso “quando o homem viu que não podia dominá-lo” pudesse ser entendido. Jacó tinha uma vontade de ferro, de aço. Então Deus levou-o ao limite. Deus fez doer, como só ele sabe fazer. Um golpe certeiro de hapkidô divino. A articulação da coxa.

Você deve estar pensando que Jacó era muito cabeça dura. Mas você também é. Somos todos cheios de planos. Planos claros e escondidos, com uma coisa em comum: são sagrados para nós.

Temos um terror de que Deus se interponha em nossas metas. Mas ser derrotado por Deus é a maior vitória que um homem pode ter. Deus tem um plano cósmico, e tenta nos incluir nele. Nós temos sonhos miseráveis de consumo, títulos honoríficos, medalhas e tal.

Ouvia depoimento de treinador de atleta olímpico: eles preferem ganhar uma medalha usando o doping, mesmo que tenham que morrer nos próximos cinco anos pelo uso de substâncias tóxicas. Somos capazes de tudo por tão pouco.

Mas o Senhor não se rende a nossa pouca ambição. Insiste em nos chamar para mais. E precisa tocar na articulação da nossa coxa como último recurso.

Somos levados ao limite.

Limite da humilhação, limite da decepção, limite do fracasso, limite do choro.

Esses são momentos definidores de uma mudança de rumo.

Ou eu mudo para sempre ou eu paraliso para sempre.

A escolha é nossa.

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério

(1) Gênesis 32:22-31

(2) Gênesis 27:29