Síndrome de Highlander

Dinossauros como eu que habitaram a terra nos anos 80 lembram o filme Highlander estrelado por Sean Connery e Christopher Lambert. Nos filmes alguns guerreiros sobrenaturais  habitavam a terra, no entanto só um deles podia sobreviver. A tarefa de cada um deles era aniquilar os outros até que só um permanecesse . Há vinte e cinco anos nos bastidores de igrejas e conhecendo os intestinos de muitas instituições posso dizer que uma porção de líderes é tentada por esse diabólico princípio. São líderes cuja insegurança dominou seus pensamentos e ações e não conseguiram mais ver ninguém ao seu redor florescer sem tentar puxar o tapete ou prejudicar com maquiavélicas armações. É a Síndrome do Highlander.

Dois dos principais líderes de Israel também sofreram com insegurança:

Saul dizia:

“Acaso não sou eu um benjamita, da menor das tribos de Israel, e não é o meu clã o mais insignificante de todos os clãs da tribo de Benjamim?”

I Samuel 9:21; 10:22.

Davi dizia algo semelhante:

“Quem sou eu, e o que é minha família ou clã de meu pai em Israel, para que eu me torne genro do rei?”

I Samuel 18:18; 24:14.

Todos sofrem com insegurança. De uma maneira ou de outra.

Como aprendi que o poder se aperfeiçoa na fraqueza, vou admitir, sofri muito com insegurança, e ainda sofro. Todas as vezes que preciso ministrar a Palavra sinto o peso da responsabilidade e um frio na barriga que ameaça me arruinar. Em razão de ter começado tudo muito cedo, minha capacitação sempre foi questionada. Cheguei no seminário com 17 anos, era o aluno mais novo que havia. Para completar o quadro ostentava uma voz grave que as vezes escorregava e traía minha adolescência em final de carreira. Acrescentado a isso um “bigode” daqueles que todos dão aqueles conselhos infames do que fazer para crescer.

Lembro que comecei no ministério de tempo integral com 22 anos e já naquele tempo aconselhava pessoas com problemas familiares  com seus quarenta e tantos anos. Em uma ocasião uma pessoa me perguntou: Fabiano, o que tu fazes durante todo o dia na igreja? Ao que respondi: Aconselhamento. Com indisfarçada cara de deboche e um sorrisinho maroto ela me perguntou novamente: Quantos anos tu tens? E eu respondi: 22. Ela sorriu novamente e completou: Aconselhamento, com 22 anos? E não seguiu a conversa. Eu não respondi nada, me despedi e  saí dali lutando com meus pensamentos de insegurança.

Quando assumi a liderança da igreja que hoje pastoreio, lembro de ser chamado pejorativamente por um líder mais tradicional de “pastor da geração coca-cola”.

Mas quando olho para a Palavra e vejo a vida de Saul e Davi, e suas mesmas lutas contra a insegurança me pergunto o que fez com que eles tivessem destinos diferentes. Os dois foram ungidos por Deus mas Saul teve um final decadente enquanto Davi foi lembrado como “o homem segundo o coração de Deus”. A Saul vemos os soldados  abandonando em um momento de crise, já a Davi vemos seus soldados cruzando um caminho perigoso só para trazer a água da porta de Belém que ele ansiava beber.(1)

A diferença entre eles vim a perceber residia no lugar onde eles colocavam seus olhos. Saul continuou olhando para si mesmo e lambendo suas feridas, por isso feriu a todos os que estavam ao seu redor. Davi olhou para a unção de Deus sobre sua vida e foi uma bênção para sua nação. A unção  significa duas coisas: identidade e propósito. Quando alguém é ungido, essa unção quer dizer que a pessoa pertence a Deus e é escolhida para um propósito específico. Nenhum ser humano pode mudar isso! Nem Deus muda isso pois a Palavra me diz que o dom e a vocação de Deus são irrevogáveis.(2)

No entanto permanece minha liberdade nesse assunto: posso viver tentando compensar minha insegurança quando sou questionado ou me sinto incapaz ou posso lembrar que Deus me escolheu e capacitou e nada vai mudar isso. Essa é a diferença entre quem se torna uma bênção e entre quem se torna um Saul na vida dos outros.

Mas será que eu sou um ungido de Deus? Sabe o que a Palavra me diz? Todos fomos ungidos!(3) Descubra seu chamado e lembre-se que ele é pura graça de Deus. Para o seu bem e para o dos outros também. Quando medito sobre isso peço a Deus que eu como líder jamais venha levantar a mão contra um ungido de Deus, que Ele possivelmente colocou ao meu lado para me ajudar  de maneiras impensadas. Deus me livre de profanar a sacralidade do chamado de Deus em qualquer pessoa. Amanhã escreveremos mais sobre isso.

O discípulo gaudério.

(1)II Samuel 23:15

(2)Romanos 11:29

(3)II Coríntios 1:21

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2 pensamentos sobre “Síndrome de Highlander

  1. Fabiano. Excelente texto. Muito bom mesmo!
    Eu tive o privilégio de acompanhar, em parte, o começo do teu ministério nesta época que tu cistas no texto. Realmente quando Deus levanta uma pessoa, não há nada que possa impedir o seu crescimento, a não ser ela mesma. Me alegro por que tu escolheu fazer como Davi e não como Saul: “Davi olhou para a unção de Deus sobre sua vida e foi uma bênção para sua nação” assim tu fizeste. Um grande abraço! Peralta

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