A Morte de Uma Ilusão

A morte de uma ilusão pode nos parecer o fim do mundo. E será para aqueles que  a morte e a ressurreição de Cristo não tem qualquer significado existencial. Para aqueles que a situam como fato religioso a ser lembrado. Mas em Cristo abre-se uma porta de vida e compreensão e os fatos da nossa vida ganham novo significado.

A maioria de nossas ilusões são na verdade autoproteções criadas pelas nossas inseguranças. Lutamos com toda força de nosso ser para mantê-las, nos enganando e permitindo que mentiras óbvias se estabeleçam como verdade inabalável. Até que um dia a vida grita na alma: o rei está nu!

“Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada no nosso corpo. Pois nós que estamos vivos, somos sempre entregues à morte por amor a Jesus, para que a sua vida também se manifeste em nosso corpo mortal.”

Todos aqueles que passaram por uma grande transformação em suas vidas na Bíblia, não o fizeram sem antes passarem pela morte de uma ilusão:

Para Paulo foi a ilusão da justiça daquilo que ele havia transformado em uma causa de vida. Ele era um homem intenso cuja vida tinha significado na luta para manter o judaísmo puro. Então a realidade de Jesus se impôs com força inquestionável. Paulo mais tarde faz uma declaração ousadíssima e perigosa para ele: o passado é esterco comparado com a realidade de Cristo. Eu mesmo abracei a causa do esquerdismo como esperança de mudança para o país. Aprendi com muita dor que política partidária jamais mudará qualquer coisa, a não ser que ela já esteja no povo como consciência e exigência organizada.

Para Pedro foi a ilusão de sua própria força. Levado sempre pela energia essencial do seu ser Pedro se destacava onde fosse. Não tinha medo do trabalho. Falava o que pensava. Sobrevivia porque se impunha as forças do caos. Confiava que aquilo que havia decidido fazer faria. Uma ilusão que o levava a fazer declarações pomposas: Todos, menos eu! Todos estes podem te negar, mas eu jamais farei tal coisa. Então veio a verdade: ele era fraco. E com sua fraqueza o choro que mais tarde Jesus mesmo secou reafirmando que ainda tinha planos para ele: Apascenta minhas ovelhas.

Para Jó foi a ilusão de uma vida sem solavancos. O crente comum crê (da mesma forma como também acreditei) que é abençoado quando é livre de todo problema, quando tem força, quando há pessoas ao seu redor, quando há abundância e quando há respeito entre seus pares. Jó acreditava nisso tudo como absoluta demonstração de que Deus estava com ele.

O drama de Jó foi o drama da existência humana religiosa. Dos falsos amores, que não são direcionados a pessoa mas ao que ela representa. Da falsa compreensão de que em uma existência com Deus certas coisas não podem acontecer. Do engano de que Deus media seu amor através das coisas que nos dá e não direta e pessoalmente.

Para Oséias foi a ilusão de que o amor sempre seria pago com amor. Não deve existir nada mais arrasador que descobrir que o amor de nossa vida não é aquilo que gostaríamos que fosse. Que esteve nos braços de outra pessoa. Que foi capaz de jogar no lixo o mais precioso que entregamos a ela: nosso coração.

Para Jonas foi a ilusão de pensar que o amor de Deus era tribal. Foi um susto quando ele descobriu que Deus não anda de acordo com os interesses políticos de conforto e auto exaltação do seu povo. Ele descobriu que o amor de Deus era muito maior, e o Seu plano insuperavelmente abrangente até para as cabeças mais abertas.

Para Sansão foi  a ilusão de achar que teria o favor de Deus não importando o que acontecesse. Quem pensa que a graça significa que faremos qualquer coisa sem sentirmos a consequência do mal ainda não entendeu nada. Graça não é graxa diria Caio Fábio. E bem aprendeu Sansão quando brincou de ciranda cirandinha com o mal.

Esses são os momentos em que a vida pode ganhar pelo poder de Jesus um novo significado. Muito maior, mais amplo. Onde podemos descobrir uma vida muito maior que só poderia se manifestar através de uma morte.

Você está chorando? Decepcionado com alguém ou consigo mesmo? Não se desespere, não há nenhuma crise para Deus. Ele já conhece tudo que você experimenta como surpresa e perplexidade. Ele está determinado a transformar tua ilusão perdida e construir algo novo baseado na verdade. A verdade liberta das ilusões da nossa existência e estabelece um novo e firme fundamento.

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério.

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Na leveza de uma pandorga ao vento

Hoje adulto, descobri que tive uma infância incrível, cheia de experiências fundamentais para um montão de coisas boas que fazem parte de mim.

As estações de nossa vida de menino eram deliciosas. Havia tempo de tudo. Ah! Como era gostoso fazer carrinho de lomba,  jogar bolinha de gude,  pescar na sanga perto de casa,  jogar botão, e os jogos de mesa como o  banco imobiliário. Mas uma das estações que mais me causam nostalgia até hoje, é o tempo da pandorga.

Aprendi a fazer pandorga com meu irmão  mais velho. Ele fazia com excelência. Nunca atingi o nível de construção dele. Mas aprendi a fazer uma pandorga que pudesse voar. É difícil explicar qual a sensação, mas sempre que me lembro, os olhos marejam de uma emoção que não sei dizer o que é.

Lembro de dois detalhes importantes sobre pandorgas.  Primeiro ela só sobe se houver vento. Por mais que se corra, não se faz a pandorga voar. É totalmente inútil e cansativo tentar fazê-la subir sem vento. Mas depois que ela voa, é muito simples.

Segundo é que a direção da pandorga depende totalmente da direção do vento. É necessária uma interação da natureza e a gente.  Não posso escolher para que lado ela vai.

Soltar pandorga tem tudo a ver com a vida espiritual. A Bíblia diz que o Espírito Santo é como o vento: indomável e imprevisível. Se quiser andar com Deus preciso dessa humildade, disponibilidade e flexibilidade para ver minha vida levada e levantada pelo vento de Deus.

Igrejas morrem quando não são mais sensíveis as mudanças do vento. Quando transformam organismo em organização. Quando tentam dar manivela no Espírito Santo. Quando as reuniões de liderança decepam novas direções com a frase mortal para o crescimento: nos nunca fizemos isso antes. Quando se apegam a programas antigos, que não funcionam mais. Quando a linguagem não diz mais nada e as palavras antigas comunicam o oposto do que se quer dizer. Quando a liderança não cresce pessoalmente e o pastor é a imagem de um museu, e a pregação tem cara de comida requentada.

Quando há mais de quinze anos cheguei à igreja que hoje pastoreio tive de encarar o fato de que ela estava em processo de morte. Após esforços gigantescos na busca de uma nova realidade, eu disse para Deus: Senhor quero uma igreja viva. Não importa o que seja necessário. Muda essa realidade. Estou disposto a pagar o preço. Quatro meses após essa oração, as dores de parto começaram, e duraram uns longuíssimos 10 anos ate que pudéssemos ver algo novo nascendo de fato.

Hoje ainda continuo fazendo perguntas que me forcem a mudar para melhor. Será que estamos sendo relevantes? O que posso aprender daqueles que nos criticam?

Para alguns parece ser mais fácil perder a fé do que mudar um costume.  O professor  ateu de C. S. Lewis guardava após muitos anos o costume presbiteriano de vestir-se aos domingos pela manhã com uma roupa própria de ir à igreja.

Líderes que falam dia após dia, deveriam ser capazes de reinventar-se periodicamente para continuarem comunicando o imutável evangelho. “A minha teologia eu escrevo a lápis” dizia o professor Hans, em suas aulas. Tomo o conselho para mim. Deus é muito grande para que qualquer teologia pessoal possa compreender.

Uma vida de obediência e oração nos levará a reescrever muitas coisas que dissemos.  Pessoalmente a noção de um Deus cujos atos podem ser explicados detalhadamente já não faz parte de minha vida. Deus não cabe na lógica humana. Jesus é a encarnação do paradoxo.

Casamentos também entram em colapso quando engessam. Uma estagnação confortável vai assolando a relação dia a após dia. Ninguém muda e ambos se criticam.  É preciso se incomodar com o que está ruim. Um nível saudável de descontentamento conosco mesmo deve ser cultivado.

Agências para eclesiásticas procuram sobreviver do passado porque perderam a capacidade de entender e adaptar-se a mudanças. Não percebem que os esforços para continuar a ser relevante devem ser constantemente avaliados.

“Planeje surpreender-se”  ouvi em um filme.

Planejamento de um discípulo de Jesus que não está aberto a mudanças radicais é na verdade plane-jumento. Veja como Jesus é flexível no seu dia a dia. Ele conversa com quem não tinha marcado hora. Deixa-se surpreender pela fé de um centurião e de uma mulher estrangeira sem deixar de ser uma pessoa de propósitos. Assim que ao longo dos anos mantenha uma leveza diante  de Deus que te possibilite ser levado por seu Vento e veja por você mesmo como manter uma pandorga com vento dá menos trabalho e muito mais alegria.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Qualquer semelhança…

Um homem chegou em casa, vindo do trabalho, e encontrou seus três filhos brincando do lado de fora, ainda vestindo pijamas.
Estavam sujos de terra, cercados por embalagens vazias de comida entregue em casa.
A porta do carro da sua esposa estava aberta.
A porta da frente da casa também.
O cachorro estava sumido, não veio recebê-lo.
Enquanto ele entrava em casa, achava mais e mais bagunça.
A lâmpada da sala estava queimada, o tapete estava e enrolado e encostado na parede.
Na sala de estar, a televisão ligada aos berros num desenho animado qualquer, e o chão estava atulhado de brinquedos e roupas espalhadas.
Na cozinha, a pia estava transbordando de pratos; ainda havia café da manhã na mesa, a geladeira estava aberta, tinha comida de cachorro no chão e até um copo quebrado em cima do balcão.
Sem contar que tinha um montinho de areia perto da porta.
Assustado, ele subiu correndo as escadas, desviando dos brinquedos espalhados e de peças de roupa suja.
“Será que a minha mulher passou mal?” ele pensou.
“Será que alguma coisa grave aconteceu?”
Daí ele viu um fio de água correndo pelo chão, vindo do banheiro.
Lá ele encontrou mais brinquedos no chão, toalhas ensopadas, sabonete líquido espalhado por toda parte e muito papel higiênico na pia.
A pasta de dente tinha sido usada e deixada aberta e a banheira
transbordando água e espuma.
Finalmente, ao entrar no quarto de casal, ele encontrou sua mulher ainda de pijama, na cama, deitada e lendo uma revista.Ela olhou para ele, sorriu, e perguntou como foi seu dia. Ele olhou para ela completamente confuso, e perguntou que diabos havia acontecido em casa, por que toda aquela bagunça?
Ela sorriu e disse:
– Todo dia, quando você chega do trabalho, me pergunta:
“- Afinal de contas, o que você fez o dia inteiro dentro de casa?”
-“Tá, e daí ?”
-“Bem… hoje eu não fiz nada, fofo !”

Movimentos Decadentes da Igreja

Igrejas também morrem. Quando lemos as advertências de Jesus para as sete igrejas do Apocalipse não podemos fazer outra coisa que não seja nos identificarmos com suas realidades espirituais. Aquelas igrejas não existem mais. Morreram de dentro para fora. Apesar do triunfalismo para quem a cegueira é conveniente, precisamos dizer que caminhamos em uma linha fina, e é fácil nos desviarmos para a direita e para a esquerda. Ignorar isso é caminhar para o abismo.

Vejamos o que Jesus disse a algumas delas:

“Tens fama de estar vivo, mas estás morto.”

“Estou a ponto de vomitar-te”

 “Abandonaste teu primeiro amor”

 “Eis que estou à porta e bato…”

A mais surpreendente para mim, é esta última. Utilizávamos este texto para evangelizar no começo dos anos 80, e se não me engano ainda é utilizado.  Parece que Jesus está pedindo passagem ao coração de alguém que não crê. Mas a realidade é bem mais assustadora. Ele está pedindo para entrar na igreja. Sim, conforme o Apocalipse, igrejas podem colocar Jesus porta afora. Repetindo o que  Israel fez quando sacrificava animais em seu templo enquanto o Cordeiro de Deus chegava em Jerusalém montado em um jumento.

Observando a igreja, a Palavra e a história é possível perceber movimentos decadentes das instituições que nascem como fruto do sopro de Deus, que acabam  tendo fama de vivas, mas mortas de fato.

O primeiro movimento decadente de uma igreja é quando ela se move da paixão por Jesus para a paixão pela instituição e ou Personagem. Creio que daí decorrem os outros movimentos decadentes dos quais escreveremos.

Ora, muitos se preocupam com a sobrevivência da igreja, mas segundo o próprio Jesus, não há porque se preocupar. Deveríamos nos preocupar em permanecer na sua essência que é Jesus. Quando ele diz: “Edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” ele quer dizer que todo o movimento que dEle viver, cuja essência for seu exemplo, cujos objetivos forem o Seu Reino, cujo estilo de vida for o Seu, nunca de nenhuma forma morrerá.

Se você observar o lugar onde Jesus estava quando proferiu essa palavra era Cesaréia de Filipe. Não foi coincidência não. Tinha uma razão de ser. A cidade ficava na base de um penhasco de onde havia água fluindo. Durante  certo momento do ano, na base do penhasco a água jorrava da boca de uma caverna. Os pagãos da época de Jesus acreditavam que os seus deuses se recolhiam ao mundo subterrâneo durante o inverno e retornavam a terra durante a primavera. Eles viam a água como símbolo do mundo subterrâneo e acreditavam que seus deuses viajavam através daquelas cavernas. Para a mente pagã a água e a caverna formaram uma porta para o mundo subterrâneo. Literalmente “Portas do Inferno”. A fim de atrair a volta de seu deus Pan cada ano os moradores de Cesaréia de Filipe envolviam-se em práticas repulsivas que incluíam prostituição e relações sexuais entre humanos e bodes. Um judeu devoto jamais pensaria em chegar naquele lugar. Mas Jesus chegou para demonstrar de forma contundente que o Reino com Ele avançaria, em qualquer lugar.

Mas o que acontece com frequência é que sutilmente, sem abandonar o Senhor, Senhor, as pessoas mudam seus afetos. Apaixonam-se pela instituição. Lembro-me de um indivíduo que vi com uma camiseta que dizia em letras garrafais “Sou …” e o nome da denominação que ele fazia parte. Na parte de baixo da camiseta em letras pequenas, quase ilegíveis: “Disse Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” Era só uma camiseta, mas dizia muito.

Faço parte de uma mesma denominação há 25 anos, mas não beijo a camisa. Sei que com o tempo, os delírios megalômanos podem tomar conta de qualquer instituição. Vejo a todo o momento pessoas participando de igrejas apenas porque elas representam uma grife. Elas têm orgulho de dizer onde estão. Essa atitude é o começo do fim. Nenhum afeto pode sequer competir com os afetos de uma comunidade pelo Senhor Jesus. Mas o que acabamos ouvindo é: “ninguém tem a visão que nós temos”, “vejam o trabalho incrível que nós fazemos”, “orgulho de ser…”. O pior de tudo é que quanto maior se torna uma instituição, maior é a tendência de que se torne uma máfia religiosa. As instituições mais organizadas que conheci estão afundadas na burocracia e na luta de facções internas, mas ninguém larga o osso. Vendo isso, olho com ceticismo essas construções e procuro sempre a simplicidade. Sei que posso ficar assim também.

Alguns se apaixonam por líderes carismáticos. Em geral são lugares em que todos procuram ser uma cópia do líder em tudo. Aparência, jeito de falar. O líder recebe adoração e não recusa. Os títulos se atropelam. Cada dia aparece um novo. Então basta um deslize do líder para que a vida espiritual de muitos venha abaixo. Ou então a opressão se torna tão massacrante que as pessoas não aguentam mais e ficam vacinadas contra tudo e contra todos. Mas que fé é essa? Em Jesus? Não, o final da história mostra o tanto que estavam alicerçados no personagem e não no Cristo.

O que há de mais precioso na igreja é a presença de Jesus. Não há nada na igreja, humanamente falando, que o mundo não faça melhor. Eles têm música de mais qualidade, recursos abundantes, prédios melhores. E nem deveríamos nos preocupar com isso. Quem sai atrás de mais talento, mais dinheiro e mais estrutura para medir forças com o mundo acaba perdendo sua essência.

Que Deus nos guarde de expulsarmos a Jesus de nossas igrejas.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Estratégias de adolescente

Sobram (todos sabem) aos adolescentes a energia e a determinação para irem atrás do que querem. Por isso é bom não dar moleza! Sim. Nós pais somos encarregados de dar limites.

Ouvir um não é fundamental para nossos filhos.

O não os prepara para a vida. Porque você sabe, as frustrações não serão poucas e é bom eles estarem treinados para lidarem com elas.

O não faz com que o sim se torne ainda mais delicioso. A espera e a expectativa prepara o coração do ser humano para desfrutar de forma mais intensa o que ele deseja.

O não por mais que eles odeiem admitir, envia a mensagem de que nós nos importamos com eles. Embora lute contra os limites, o adolescente anela por alguém que se importe o bastante para colocar limites.

Mas o adolescente não se dará por vencido. Se você não tiver inteligência e discernimento será levado por aquela explosão de hormônios ambulante chamada filho.

Para vencer nesse campo de batalha (rs) é preciso conhecer nossos adversários. Conheçam agora algumas de suas estratégias:

1. Batei, batei, batei e dar-se-vos-á. Estratégia bíblica, mas no caso nada divina, de encher os tubos dos pais até eles cansarem de dizer não e então dizerem sim. Aguente firme é só o princípio das dores. Quando essa não funciona vem a próxima.

2. Paladinos da justiça: aqui eles se tornam um pouco mais sérios e apelam para o senso de justiça que habita qualquer pai normal. Isso não é justo! dizem eles tentando mover com o nosso senso de culpa. Alguns pais se tornam reféns desse estratagema por estarem negligenciando tempo de qualidade ou por não conseguirem acompanhar os padrões insanos de consumo de nossos dias.

3. Mendigos de rua: aqui eles perdem a dignidade, se atiram no chão prometem beijar seus pés só pra conseguirem o que precisam e querem! As mães são mais suscetíveis a esse comportamento. A imagem do filho implorando pode ser insuportável, mas lembre-se é só uma atuação.

4. O velho e bom beicinho: aqui eles se fingem de magoados, aviltados humilhados pelos vilões que são os pais. Para vencer esse estágio de manipulação, o melhor que você pode fazer é ignorar. Não fique na volta implorando pra ele voltar a falar. Uma hora eles cansam. Não se entregue você está quase chegando ao fim.

5. Se fingir de morto: então eles surgem com essa: se fazem de doentes de uma enfermidade qualquer. Absolutamente cansados. Desolados, incapazes de qualquer coisa, desmotivados para vida, pois necessitam… Bem, você sabe o que eles pediram.

Qualquer semelhança com sua vida familiar não é mera coincidência.

Se você chegou até aqui, ainda mantendo o “não” inicial, parabéns. Seu filho tem uma grande probabilidade de ser uma pessoa bem sucedida nos relacionamentos e na vida.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

O Mala Gospel

O mala gospel é o chato da igreja. Alguns chamam de legalista. É aquele tipo que acha que o projeto de vida de Jesus para a vida é atazanar a vida dos outros. O mala crente não se sente bem consigo mesmo e portanto não quer que os outros se sintam bem também. Ele vê no evangelho um instrumento de tortura psicológica sádica. Ele ama ser um estraga prazeres. Quanto mais conhecimento da Bíblia tiver um mala gospel pior ele será. Ele terá uma resposta biblicamente embasada para cada coisa que você disser e sempre terá um versículo que condena aquilo que você está fazendo.

O mala gospel vê a vida cristã como uma série de regras a serem cumpridas. Então, seu principal assunto é o que o crente pode e o que o crente não pode. Só que surpreendentemente ele esconde dentro de si os pecados contra os quais mais combate. Sua luta é uma maneira de esconder suas taras e loucuras. Se você ver alguém fazendo cavalo de batalha a respeito de algum pecado específico na sua congregação, não tenha dúvida, essa pessoa esconde o que denuncia.

O mala acredita possuir as chaves do céu e do inferno. Ele costuma dizer convicto “esse já tá queimando”, “esse outro está na glória”. Ele esquece que ninguém pode ser dono da verdade, pois a verdade é Jesus e ninguém pode se apropriar de Jesus. Nós somos dEle.

O mala gospel não admite diversidade. O que é bom para um crente, é bom para todos. O que é ruim para um é ruim para todos. A consciência pessoal é algo que inexiste para ele. O que sim deve haver na cabeça dele é uma consciência coletiva que é determinada pelo seu entendimento de como devem ser as coisas.

O mala gospel se especializa em tudo que seja  visível. Ele será um dizimista fiel. Levantará as mãos na hora certa durante o culto. Será amoroso com sua família enquanto estiver no templo e dirá: a paz do Senhor, aleluias e glória a Deus a todo momento. Mas a família e os filhos, estão esperando o momento para dar o grito de liberdade.

O problema maior é quando ele se torna sanguinário. Ele é do tipo que dá pressão no pastor para cortar cabeças daqueles cuja vida ele já flagrou em falta na sua ronda diária. Interiormente ele desfruta sadicamente das repreensões que são dadas a outros. Quando tem dinheiro e consegue comprar a consciência do líder da igreja, prepare-se para a nova inquisição. Cada nova empreitada da igreja contará com suas generosas doações, não sem que ele possa impor seus projetos.

O mala gospel dá opinião onde não foi chamado, e se incomoda onde há muito riso. “Os cristãos precisam encarar a vida com mais seriedade” diria ele. Vou apresentar dois deles.

Pedro Pedreira um presbítero de uma famosa igreja da cidade descobriu pessoalmente o adultério do seu pastor. Investigou, encontrou provas, convocou a comunidade e depôs o seu pastor. Com a sanha de um juiz rigoroso, estabeleceu respeitabilidade para a comunidade novamente. Mas o que ninguém sabia era que ele há muito tempo tinha um caso e uma filha fora do casamento.

O Pastor Tenório Terrível, ordena a todos os membros de sua igreja, que não vejam televisão. Aquela caixa do diabo tem que ser jogada fora. Ninguém obedece, mas todos fingem que obedecem. Cada um aprendeu as manhas desse jogo doido, e colocaram suas televisões estrategicamente escondidas nos seus armários de modo que quando alguém da igreja chega, é fácil fechar rapidamente. Eles fingem que obedecem e o pastor finge que acredita.

Sempre me perguntei como as pessoas conseguem andar em comunidades controladoras. E ouvi de alguns que certas pessoas precisam de um tipo de comunidade reguladora para suas vidas. Pensando sobre isso, cheguei à conclusão que essas comunidades são na verdade o oposto do evangelho. Fomos chamados para a liberdade de consciência e para Jesus o que não é feito com o coração e na consciência de sua Palavra não tem valor.

Mas o legalismo é sedutor. Os gálatas haviam recebido dádivas imensas através do evangelho, mas logo foram nas palavras de Paulo enfeitiçados pelos legalistas. Por quê?

1. Expiação da culpa – tantas pessoas presas a uma vida libertina, carregadas de culpa entendem que precisam expiar sua culpa passada através de um estilo de vida severo e ascético. Precisariam crer no poder do sangue de Jesus.

2. Orgulho – a possibilidade de fazer parte de uma elite, na qual se pode fazer a separação de “nós” e “eles” sempre se faz sedutora para maior parte das pessoas.

3.  Autoestima pobre – pessoas cujo  pano de fundo de vida, os fez acreditar que são lixo e desprezíveis, aceitam tacitamente serem tratados como tal por seus líderes. Passando a doentiamente entenderem como um tratamento justo e adequado. Além de nutrirem uma admiração por eles ligando truculência a poder espiritual.

4. Desejo de controle – com regras claras fica mais fácil saber quem está ou não está. O ser humano deseja segurança e o controle traz uma falsa segurança de que tudo está debaixo de regras claras.

Ecoam as palavras do apóstolo:

“De fato, vocês suportam até quem os escraviza ou os explora, ou quem se exalta ou quem lhes fere a face. Para minha vergonha, admito que fomos fracos demais para isso!”

II Coríntios 11:20,21

“Ó gálatas insensatos! Quem os enfeitiçou? Não foi diante dos seus olhos que Jesus Cristo foi exposto como crucificado?”

Que as seduções do legalismo encontrem nossos ouvidos fechados.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.