As Armadilhas do Sucesso


“Existem duas coisas terríveis na vida de um homem: uma é não conseguir o que buscou, a outra é alcançá-la”.

Todos nós queremos ser bem-sucedidos. Acredito que só alguém de alguma forma doente diria: “quero fracassar”. É claro que é importante entender duas coisas a respeito do sucesso: que ele significa coisas diferentes para cada pessoa. Por exemplo: o sucesso de Jesus foi entregar sua vida por nós, o sucesso de um líder de excelência é treinar a outros líderes de excelência.

A outra coisa que precisamos entender a respeito do sucesso é que ele não está isento de perigos, não significa que tudo está bem conosco. O problema é que esses perigos são invisíveis e inaudíveis e por isso tanto mais terríveis.

Lendo a minha Bíblia eu encontro uma história de sucesso que me ajudou entender esse princípio. Trata-se do Rei Uzias. Ali leio que Uzias foi prosperado por Deus de uma maneira visível: venceu muitas batalhas, fortificou-se grandemente, ampliou a base econômica de Judá e foi beneficiado por isso. No entanto cometeu erros que vejo repetirem-se em minha vida e na de meus colegas que são:

1. Esquecemos o que causou o nosso sucesso.

Pior do que não saber por que fracassamos é não saber por que triunfamos. Quanta ação bonita de Deus vi começar com  pouca gente, na simplicidade, evangelizando e se humilhando diante de Deus, “ralando o joelho” para buscar a presença de Deus  e logo depois se deteriorar em uma organização que tem nome de quem vive mas está morta! Começa com aquela voz doce e venenosa que  costuma  nos seduzir sussurrando em nosso ouvido: “olha como tu és especial, ninguém consegue as coisas que tu consegues, ninguém faz como tu fazes”.  Seguem-se depois as lutas de poder, as máfias religiosas, a busca da reputação. Esquecemos do que nos trouxe até ali. Então lembrem-se: Deus não está comprometido com organizações mas atraído por corações dispostos a viver com Ele. Nem tão pouco Deus se compromete a proteger nossa reputação falsa. O que não tem o Espírito de Deus, já morreu.

2. Cremos que estamos acima dos princípios de Deus.

Eu costumo ficar impressionado como grandes figuras do nosso meio evangélico podem ser tão arrogantes com seus pares. Como podem ser tão exigentes, grosseiros e desconsiderados pelo simples fato de que seu nome tem apelo junto às massas. Cuidado se você tem sido bem sucedido naquilo que se propôs fazer para o Senhor, não pense que você está acima dos princípios de Deus. Não pense que você fará o que quiser e não haverão consequências. O fruto da nossa semeadura carnal pode demorar a vir, mas virá. Vamos manter nossa posição.

Recordo do que contou um pastor  companheiro de luta na cidade de Pelotas quando viu Deus usar os homens de sua igreja: ele foi a cada um deles e olhou nos olhos deles e disse:

-Devolve essa glória para Deus. Meu conselho: da próxima vez que ver Deus lhe usar, olhe no espelho e diga a si mesmo: Devolve essa glória para Deus.

3. Retiramos o freio da língua.

Cuidado com o que você fala. Eu sempre digo a nossa equipe de liderança que o orgulho é irmão da burrice. E ele é. Quando o orgulho do sucesso nos toma, emitimos opiniões precipitadas sobre nossos companheiros, julgamos atitudes impensadamente, falamos de coisas que não entendemos e machucamos muita gente. É impressionante o que fez o mesmo Uzias, tomando a liberdade de dar uma de sacerdote quando a sua função era ser rei.

4. Cercamo-nos apenas de gente que pensa como nós.

Devo dizer que muitas vezes circulo em sites cujo pensamento é bem diferente do meu. Alguns artigos que leio me irritam a ponto de ferver meu sangue, mas determinei em meu coração não fugir das palavras que desafiam o que penso, pois entendo que a verdade não pode ser destruída. Não sou dono da verdade e entendo que preciso ser desafiado para crescer. É bom não nos fecharmos no nosso mundinho. É bom conversarmos com pessoas que são um universo diferente do nosso pensamento e estilo de vida. É bom estarmos em lugares onde não somos “a última bolachinha do pacote”. Habituado a ser preletor em congressos, é fácil ficar mal acostumado a receber elogios e tapinhas nas costas. Uma atitude como essa nos ajuda a manter a sobriedade.

5. Esquecemos quem nos ajudou a chegar onde chegamos.

Há um paradigma nesta vida: ninguém constrói qualquer coisa significativa sozinho. Os jornalistas e a mídia gostam de eleger heróis solitários, mas essa não é a verdade. Quando o Brasil saiu da fila de 24 anos esperando para ganhar uma copa do mundo, ouvi um apresentador dizer: “Em 94 Romário ganhou sozinho a Copa do Mundo”.  Esse é um bom exemplo do que não devemos fazer. Reconhecer e honrar quem nos ajudou é uma excelente receita para sermos honestos com o nosso passado e sábios para o futuro. Deus nos guarde do sucesso!

O discípulo gaudério.

 

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