Você é um tribalista?

Com a diversificação cultural advinda da progressiva globalização do mundo somada a desagregação das famílias e intensa urbanização, nossa sociedade viu emergir as chamadas tribos urbanas.

As tribos funcionam como fontes de identificação: você gosta do que eu gosto, você pensa como eu penso, você vê o mundo como eu  vejo. A identificação pode se dar pela apreciação de um mesmo tipo de música: emos, metaleiros , pagodeiros. Por política: esquerdistas, tucanos. E ainda intelectual: universitários, clubes de leitura. Identificação através dos esportes: torcidas organizadas. Sem falar nas religiosas.

As tribos também funcionam como proteção a quem se sente meio órfão em meio a tanto abandono. Em um momento mais sombrio elas podem servir como álibi para a catarse violenta dos medos e neuroses coletivas que enfrentamos no dia a dia.

A tendência é que essas tribos se tornem lugares fechados, roubando a capacidade de reflexão e discernimento. Quando fechados em uma tribo podemos nos tornar cegos para nossos problemas e limitados em nossas potencialidades. Isso se torna mais diabólico quando a identificação dá lugar ao orgulho. Orgulho coletivo somado a frustração pessoal tem o potencial de fomentar a violência contra outros grupos  que compartilham outra forma de identificação.

É impossível não pertencer a  alguma   tribo. Quem não fizer parte pode começar uma nova tribo: a dos sem tribo.

Como vivemos e transitamos todos os dias entre uma tribo e outra, precisamos aprender com Jesus como viver com sabedoria nesse caleidoscópio cultural.

A Bíblia me diz que: “Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós”(1), isso significa dizer que Jesus abandonou a “tribo celestial” e veio andar em meio a um ambiente cultural partido em muitos pedaços. No seu tempo havia, fariseus, saduceus, essênios, herodianos, escribas entre tantas outras turmas. Mas sou informado pelo evangelho que Ele amou ao mundo como um todo, e não só alguns. Por essa razão se quero ser discípulo de Jesus devo aprender como Ele andou em toda essa diversidade.

Aprendo com Jesus que o evangelho tem algo a dizer como desafio e elogio a toda tribo. Cada grupo esconde dentro de si carências e doenças que precisam ser desafiadas pelo evangelho. Pertenço a uma tribo religiosa urbana: os evangélicos. Está na moda bater nos evangélicos, o que pode ser bom quando for verdadeiro.  Não me sinto na obrigação de defender os evangélicos. Defendo o evangelho. No entanto é injusto dizer que tudo está mal na construção evangélica. Embora muita coisa possa estar mal. Devo dizer que no dia em que decidi seguir a Jesus em um momento de crise pessoal foi a ajuda de uma comunidade solidária e acolhedora que fez toda diferença em minha vida. E sei que muita gente poderia dizer o mesmo. Mas também lembro que as críticas mais duras de Jesus, foi para  comunidade religiosa do seu tempo. Portanto como discípulo sei que devemos ser alvos tanto do elogio como do desafio.

Aprendo com Jesus que não devo tentar negar minha realidade histórica. Ele assumiu a sua história. Quando lemos a genealogia de Mateus, vemos gentios, prostitutas e gente de mau caráter. Olhando para Jesus, percebo que ele apesar de ser Deus não negou, nem rejeitou sua realidade e tribo histórica, mas alicerçado na eternidade e naquilo que viu e ouviu do Pai, Ele toma a herança histórica positiva do seu povo, e a partir disso se torna um profeta no meio deles.

Aprendo com Jesus que se quero segui-lo devo ser um cidadão do mundo capaz de dialogar com todos sem perder a cabeça com quem quer que seja. Preciso ter a  segurança de quem recebeu o evangelho e está alicerçado nele e não temer questionamentos ou diferenças. Ele conversa com mulheres, dialoga com um samaritana, toca um leproso, visita um publicano com a mesma naturalidade com a qual fala a judeus de sinagoga.

Aprendo com Jesus a estar a aberto para ser ensinado e surpreendido com a bondade e a virtude que vem de outras fronteiras. Nunca sabemos onde Deus está fazendo a sua obra. Sou informado pelo livro de Atos que Paulo ao conversar com os gregos e falar de sua idolatria é capaz de enxergar a obra de Deus sendo feita na cabeça destes pagãos através da revelação do “Deus desconhecido”(2). Não precisamos levar Deus a lugar nenhum, pois Ele já está em cada lugar fazendo livremente sua obra. Só precisamos descobrir em que pé está a sua obra.

Entenda sua realidade e perceba o quanto sua percepção da vida está condicionada e limitada pela “turminha” com a qual você se move se identifica. Entenda quais são as verdades das quais você está sendo privado no seu pequeno mundo. Pergunte-se: até que ponto estou fechado para a realidade maior da vida. Até que ponto  não sou  escravo das expectativas da minha turma?

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)    João 1:14

(2)    Atos 17:23

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