Não tá morto quem luta e quem peleia

Antes que a palavra bullying fosse utilizada, a realidade crua das ruas já demonstrava força na minha vida. Eu estudava frequentava a escola pela manhã, e minha mãe trabalhava de tarde e a noite na faculdade. Meu pai ficava pouco em casa e passava a maior parte do tempo conversando com os amigos uma vez que já estava aposentado.

Eu passava a maioria do tempo, solto na rua. E uma das lições que aprendi é que quem se sente forte, sempre acha que pode se beneficiar disso. Hoje tenho 1,81m de altura, mas quando criança com os meus 9 ou 10 anos, lamentavelmente pra mim e felizmente para os outros, eu era o menor de todos. Baixinho e franzino, eu procurava compensar com malandragem ao quadrado meu sentimento de inferioridade física.

Alguns daqueles momentos de tensão  são vívidos para mim até hoje. Como no dia em que em meio ao jogo de bola (no tempo em que a criançada se criava na rua e não na frente do computador) nos vimos invadidos por uma turma de meninos bem maior que nós disposta a nos “afofar” não sei bem porque razão. Só lembro que saí pela tangente sem que ninguém me percebesse, e cheguei até a minha casa em segurança, me sentindo orgulhoso de minha esperteza, enquanto os outros ficavam ali para enfrentar a situação. Só que quem foge, acaba aprendendo que a tensão nunca acaba com uma fuga.

Logo em seguida deste episódio a rivalidade entre as ruas em que morávamos só fez crescer. E para complicar nossa situação, precisávamos cruzar o território  no qual habitavam esses inimigos ameaçadores: nossos pais nos mandavam comprar leite diariamente em um bar que ficava justamente  na rua deles.

Não esqueço a bolsa verde de nylon que eu carregava. Mas também não esqueço algo que meu irmão nove anos mais velho que naquela época era um mentor para mim me disse antes de eu sair: Se alguém cercar vocês e eles forem maioria, por mais medo que vocês sentirem, se eles não tocarem vocês, não corram! Quem se acostuma a fugir, vai acabar tendo que fugir a vida inteira.

E lá fomos nós, comprar o leite, torcendo para que não houvesse ninguém na rua de cima. Só que a nossa torcida não nos ajudou em nada e acabamos encontrando nossos “rivais”. Um a um eles saíram de suas casas como que chamados a uma batalha e nos cercaram rapidamente. Sabe quando as pernas ficam bambas, e a vontade de correr toma conta da gente? Bom foi isso que me dominou naquela tarde. Rapidamente aquele pessoal nos rodeou, e começaram a desfiar seu repertório de impropérios impublicáveis. Eles gritavam nos nossos ouvidos enquanto caminhávamos em direção a bar. Chamavam-nos para a briga. Que iriam nos destruir, quebrar nossos ossos e coisas deste tipo. E eu só ouvia em minha cabeça a voz de meu irmão: “não foge”, “não foge”. E não fugi.

À medida que chegávamos mais perto do bar, mantendo o mesmo ritmo de caminhada, os gritos foram diminuindo, até cessarem por completo. Eles tinham ido embora. E ali uma lição ficou tatuada em minha alma inconscientemente: quando a guerra estourar, mantenha a posição! Não tolero em mim qualquer abandono do meu posto. Se entender que Deus me quer em um lugar, nada me moverá dali.

Todo dia precisamos enfrentar algum tipo de intimidação. Pessoas, situações e os agentes das trevas desejam encher nossa alma de medo, pois o medo nos transforma em pessoas facilmente manipuláveis. Veja como a intimidação acontece nas páginas da Bíblia:

Acabe tenta colocar rótulos em Elias. Queria calar sua voz profética.

“É você mesmo, perturbador de Israel”. I Reis 18:17

Mical manifesta desprezo por Davi. Queria roubar sua espontaneidade.

“Como o rei de Israel se destacou hoje, tirando o manto na frente das escravas de seus servos, como um homem vulgar.” II Samuel 6:20

Golias ridicularizou a Davi. Queria destruir sua fé simples.

“Por acaso sou um cão, para que você venha contra mim com pedaços de pau”   I Samuel 17:43

Jezabel fez ameaças a Elias. Queria fazê-lo fugir.

“Que os deuses me castiguem com todo o rigor, se amanhã nesta hora eu não fizer com a sua vida o que você fez com a deles.” I Reis 19:2

Neemias recebeu falsas profecias. Queriam distraí-lo.

“Percebi que Deus não o tinha enviado, e que ele tinha profetizado contra mim porque Tobias e Sambalate o tinham contratado.” Neemias 6:10-13

Ben-hadade usou de autoritarismo com o rei de Israel – queria dominá-lo.

“A sua prata e o seu ouro são meus, e o melhor de suas mulheres e filhos também.”    I Reis 20:3.

As vezes a intimidação se mostra  óbvia, mas outras bem sutil. É preciso discernimento. Ora seja o que for que você enfrente, não permita que quem quer que seja, lhe roube a consciência. Não fuja de ninguém. Mantenha sua posição. Não esqueça: quem se acostuma a fugir, não estará presente na hora mais decisiva de sua vida! “Não tá morto quem luta e quem peleia!”

Um abraço quebra costelas

O discípulo gauderio.

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2 pensamentos sobre “Não tá morto quem luta e quem peleia

  1. Olá Gaudério,
    Sou gaúcho, 10 anos fora dos pagos, atualmente em Petrolina-PE e gostei muito do texto. Primeiro me chamou atenção o tema “Não tá morto quem peleia”. Quando li me identifiquei. Fui assim também, tive de enfrentar meus medos sem fugir, infelizmente não tive mentor, a vida foi minha escola, e isso mais tarde me mostrou que mesmo sem eu dar-me conta Deus esteve comigo em cada peleia e quando dei-me conta que Deus estava comigo, na conversão, então soube que cada situação em minha vida Deus quer que eu enfrente e não fuja, tanto que parafraseando o “Não ta morto quem peleia” eu pensei em algo assim: “eu meu mundo só os fortes sobrevivem, eu sobrevivi.” E é isso, relamente foi muito boa a indicação do seu blog. Vou ler outros artigos seus.
    Um abraço irmão.

    • Oi Angelo!
      Que alegria receber teu comentário. Posso imaginar a saudade que sentes do Rio Grande. E que satisfação em ouvir o que Deus está fazendo em tua vida. Que Deus continue te dando muita coragem para peleia. Um abraço quebra costelas.

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