A ditadura da maioria

Êeeeeh! Oh! Oh!

Vida de gado

Povo marcado, Êh!

Povo feliz!…

Essa música do Zé Ramalho  é do início dos anos 80 e  retornou a cena no meio dos anos 90 e como toda boa música, consegue falar a diferentes gerações sem perder a força, pois trata de temas universais.

O tema em questão é a tendência humana de viver governado pela massa, pelo que todo mundo faz. O ser humano gosta de imitar, e a imitação mais óbvia é a da maioria. Até porque quem exercer sua liberdade de ser diferente da maioria será castigado em diferentes níveis em uma sequência perversa: questionamentos, críticas fortes, ridicularização, isolamento e até perseguição.

Vejam como isso funciona em dois momentos bem corriqueiros. As pesquisas eleitorais demonstram que um determinado candidato está na frente por uma larga margem. Então aquele que iria votar em uma terceira força aparentemente derrotada na pesquisa, desiste a fim de não “perder a eleição”. Em outro cenário temos aquelas pessoas que deixam de escolher o tipo de música que gostam (embora com o advento da internet tenham toda liberdade de escolher o que ouvir), para optar por seguir “as paradas de sucesso”, aquilo que todos estão escutando. Nos dois casos se abre mão da consciência e da liberdade de escolha, respectivamente, em função da ditadura invisível da maioria.

A imposição de pensamentos, comportamentos e atitudes em massa não chegam por acaso. Existem lideranças políticas e religiosas, detentores do poder econômico, e líderes que estão interessados em comportamentos massivos e não críticos.

Na sociedade que vivemos a ditadura da maioria tem pelo menos três pilares: a moda, a propaganda e autoimagem fraturada.

A moda pode impor vestimentas que achamos ridículas e até incoerentes com nosso estilo de vida. E ai de quem se atrever a não andar na moda. Pense em como você trata uma pessoa que não anda na moda: como uma pessoa desconectada, inferior ou até como pobre coitada. Ora, a moda encontra outras áreas onde estende suas garras, sempre com uma lógica: precisamos nos adequar ao que está sendo feito, porque é o que está se fazendo!

A propaganda tem interesse em promover comportamentos consumidores em massa pois eles significam lucros na estratosfera. A propaganda através da insistência, talento e criatividade repete tanto um conceito que de repente estamos reproduzindo sem qualquer consciência uma ideia destrutiva.

A autoimagem fraturada é usada quando ouvimos: mais de um milhão de pessoas não podem estar erradas! Então nos sentimos incapazes de questionar aquilo que os números parecer apoias. Mas não há segurança nos números.

A  Bíblia  adverte:

“Não acompanhe a maioria para fazer o mal. Ao testemunhar num processo, não perverta a justiça para apoiar a maioria”(1)

A figura humana que se levantava contra a ditadura da maioria tinha um nome: profeta. Mais do que um vidente ele era uma instituição ambulante contra o abuso instalado e tornado costume.

Observando a Jesus nos evangelhos e a vida cotidiana, notamos que a multidão é sujeita alterações de humor e gostos drásticos. Em um momento rende-se em louvores a Jesus em outros se levanta violentamente contra ele. Em outro momento glorifica ladrões como Barrabás em outros declara Jesus como rei.

É muito fácil se render a voz do povo. Somos capazes de nos viciar na aprovação da maioria. É impressionante o que pessoas normais são capazes de fazer escondidas por detrás da multidão. Podem matar e torturar. Quem já foi a um estádio de futebol que o diga. Estar entre a multidão pode se tornar um álibi para desculparmos nossas maldades: todo mundo faz. Mas não é esse o critério de Jesus. Em vários momentos o vemos rejeitando a aprovação e a avaliação que a multidão faz dele. Ele não se engana. Ele sabe.

Em um momento emblemático, ele se vê abandonado pela multidão que o seguia após uma pregação dura. Ele se volta aos seus discípulos e pergunta: Vocês não querem ir também? E Pedro responde com uma frase profunda: Para onde iremos se tu tens as palavras da vida eterna. O discípulo precisa dar as costas para multidão a fim de seguir a Jesus. Jamais se deixe levar pelo sórdido pensamento de que Deus está do lado da maioria.

Sim como discípulo sou chamado ao custoso  trabalho, de utilizar a inteligência que Deus me deu para tomar decisões de acordo com a verdade. Sou chamado a usar a liberdade dos filhos de Deus para me posicionar contra a turba enlouquecida. Sou chamado à busca da justiça a luz do evangelho. Sou chamado a ficar sozinho a fim de permanecer fiel aquele que nos chamou.

Que a voz de Deus fale mais alto na vida dos seus discípulos, do que os gritos da multidão.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)    Êxodo 23:2

2 pensamentos sobre “A ditadura da maioria

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