O Mala Gospel

O mala gospel é o chato da igreja. Alguns chamam de legalista. É aquele tipo que acha que o projeto de vida de Jesus para a vida é atazanar a vida dos outros. O mala crente não se sente bem consigo mesmo e portanto não quer que os outros se sintam bem também. Ele vê no evangelho um instrumento de tortura psicológica sádica. Ele ama ser um estraga prazeres. Quanto mais conhecimento da Bíblia tiver um mala gospel pior ele será. Ele terá uma resposta biblicamente embasada para cada coisa que você disser e sempre terá um versículo que condena aquilo que você está fazendo.

O mala gospel vê a vida cristã como uma série de regras a serem cumpridas. Então, seu principal assunto é o que o crente pode e o que o crente não pode. Só que surpreendentemente ele esconde dentro de si os pecados contra os quais mais combate. Sua luta é uma maneira de esconder suas taras e loucuras. Se você ver alguém fazendo cavalo de batalha a respeito de algum pecado específico na sua congregação, não tenha dúvida, essa pessoa esconde o que denuncia.

O mala acredita possuir as chaves do céu e do inferno. Ele costuma dizer convicto “esse já tá queimando”, “esse outro está na glória”. Ele esquece que ninguém pode ser dono da verdade, pois a verdade é Jesus e ninguém pode se apropriar de Jesus. Nós somos dEle.

O mala gospel não admite diversidade. O que é bom para um crente, é bom para todos. O que é ruim para um é ruim para todos. A consciência pessoal é algo que inexiste para ele. O que sim deve haver na cabeça dele é uma consciência coletiva que é determinada pelo seu entendimento de como devem ser as coisas.

O mala gospel se especializa em tudo que seja  visível. Ele será um dizimista fiel. Levantará as mãos na hora certa durante o culto. Será amoroso com sua família enquanto estiver no templo e dirá: a paz do Senhor, aleluias e glória a Deus a todo momento. Mas a família e os filhos, estão esperando o momento para dar o grito de liberdade.

O problema maior é quando ele se torna sanguinário. Ele é do tipo que dá pressão no pastor para cortar cabeças daqueles cuja vida ele já flagrou em falta na sua ronda diária. Interiormente ele desfruta sadicamente das repreensões que são dadas a outros. Quando tem dinheiro e consegue comprar a consciência do líder da igreja, prepare-se para a nova inquisição. Cada nova empreitada da igreja contará com suas generosas doações, não sem que ele possa impor seus projetos.

O mala gospel dá opinião onde não foi chamado, e se incomoda onde há muito riso. “Os cristãos precisam encarar a vida com mais seriedade” diria ele. Vou apresentar dois deles.

Pedro Pedreira um presbítero de uma famosa igreja da cidade descobriu pessoalmente o adultério do seu pastor. Investigou, encontrou provas, convocou a comunidade e depôs o seu pastor. Com a sanha de um juiz rigoroso, estabeleceu respeitabilidade para a comunidade novamente. Mas o que ninguém sabia era que ele há muito tempo tinha um caso e uma filha fora do casamento.

O Pastor Tenório Terrível, ordena a todos os membros de sua igreja, que não vejam televisão. Aquela caixa do diabo tem que ser jogada fora. Ninguém obedece, mas todos fingem que obedecem. Cada um aprendeu as manhas desse jogo doido, e colocaram suas televisões estrategicamente escondidas nos seus armários de modo que quando alguém da igreja chega, é fácil fechar rapidamente. Eles fingem que obedecem e o pastor finge que acredita.

Sempre me perguntei como as pessoas conseguem andar em comunidades controladoras. E ouvi de alguns que certas pessoas precisam de um tipo de comunidade reguladora para suas vidas. Pensando sobre isso, cheguei à conclusão que essas comunidades são na verdade o oposto do evangelho. Fomos chamados para a liberdade de consciência e para Jesus o que não é feito com o coração e na consciência de sua Palavra não tem valor.

Mas o legalismo é sedutor. Os gálatas haviam recebido dádivas imensas através do evangelho, mas logo foram nas palavras de Paulo enfeitiçados pelos legalistas. Por quê?

1. Expiação da culpa – tantas pessoas presas a uma vida libertina, carregadas de culpa entendem que precisam expiar sua culpa passada através de um estilo de vida severo e ascético. Precisariam crer no poder do sangue de Jesus.

2. Orgulho – a possibilidade de fazer parte de uma elite, na qual se pode fazer a separação de “nós” e “eles” sempre se faz sedutora para maior parte das pessoas.

3.  Autoestima pobre – pessoas cujo  pano de fundo de vida, os fez acreditar que são lixo e desprezíveis, aceitam tacitamente serem tratados como tal por seus líderes. Passando a doentiamente entenderem como um tratamento justo e adequado. Além de nutrirem uma admiração por eles ligando truculência a poder espiritual.

4. Desejo de controle – com regras claras fica mais fácil saber quem está ou não está. O ser humano deseja segurança e o controle traz uma falsa segurança de que tudo está debaixo de regras claras.

Ecoam as palavras do apóstolo:

“De fato, vocês suportam até quem os escraviza ou os explora, ou quem se exalta ou quem lhes fere a face. Para minha vergonha, admito que fomos fracos demais para isso!”

II Coríntios 11:20,21

“Ó gálatas insensatos! Quem os enfeitiçou? Não foi diante dos seus olhos que Jesus Cristo foi exposto como crucificado?”

Que as seduções do legalismo encontrem nossos ouvidos fechados.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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