Abridores de Poços

Gosto muito de observar culturas. Cada uma tem algo a nos ensinar. É importante que tenhamos uma compreensão equilibrada nesse olhar atento. Um dos princípios que rege minhas observações é a convicção de que cada cultura tem valores que promovem a vida e valores que promovem a morte. Nenhuma cultura está livre disso. Fugir disso é ser refém das demonizações e divinizações de culturas, coisas que só nos desviam como discípulos do sempre necessário discernimento. Via de regra a cultura que domina o mundo acaba sendo vista como uma referência para todas as outras. Assim é que os americanos exportam para o mundo sua língua, seus livros e seu estilo de vida, da mesma maneira que fizeram Inglaterra, França, Roma e Grécia em outros tempos. Até mesmo a teologia vem no pacote. Nossos problemas dentro da cultura evangélica com a sexualidade vieram de uma visão legalista dos missionários  a respeito da questão. Nossa escatologia elege o anticristo de acordo com o inimigo número 1 dos americanos. Já foi a Rússia, agora são os muçulmanos e dependendo da questão geopolítica serão outros. Nossa visão política segue a mesma linha. Aqui como lá, somos politicamente de direita conservadora e elegemos os mesmos cavalos de batalha: o aborto e a questão homossexual. A corrupção que drena 35% dos recursos públicos raramente compõe a agenda evangélica.

Apesar disso, tenho admiração por um aspecto da cultura americana que contrasta com a cultura do brasileiro: o empreendedorismo. Essa iniciativa e orientação de buscar começar novas empresas, colocar visão em ação e trabalhar para o estabelecimento de algo novo. Enquanto o brasileiro de forma geral sonha com a carteira assinada e com um emprego público no qual não precise se preocupar com a luta diária pela sobrevivência. Creio que como discípulos de Jesus deveríamos aprender algo disso para nossa vida. Jesus me diz que devo crer na providência de Deus para mim.  Se eu creio nessa máxima de Jesus, devo aceitar para minha vida um pouco mais de riscos do que estou acostumado a tomar.

Sou informado pela Palavra que Isaque o patriarca era um homem empreendedor. E não poderia ser diferente, pois a subsistência de sua família dependia de suas iniciativas. As civilizações se estabeleciam em torno de uma fonte de água. A Mesopotâmia onde os principais reinos antigos cresceram é por seu nome uma região “entre rios”, o Tigre e o Eufrates. Quando a Bíblia nos diz que ele abre poços significa que ele está buscando se estabelecer em um lugar, pois a água era o ponto de partida para a construção da vida. Na luta pela vida vemos Isaque enfrentando pessoas invejosas e circunstâncias que lhe fechavam as portas da subsistência e bem estar. Aprendo importantes lições para mim e quero compartilhar com você:

Não se ressinta do fato de você estar sempre lutando, essa é a natureza da vida aqui. Deste lado do céu, toda acomodação traz consigo a deterioração ou a corrupção.

Sempre haverá fontes de subsistência (pessoal, espiritual e financeira) para aquele que crê! Nós cavamos os poços, mas é Deus que dá agua. Há pessoas que ficam psicologicamente dependentes de pessoas, lugares e empresas. Quando a fragilidade dessas coisas se manifesta, elas perdem o rumo. É correto amar uma pessoa, mas é nocivo fazer dela a razão de nossas vidas. Nenhuma pessoa consegue carregar esse fardo. É saudável apreciarmos a empresa onde trabalhamos, mas não é sábio acreditar que uma empresa é uma família. Não é. É bom amarmos o lugar onde servimos a Deus, mas não é saudável acreditar que não há vida fora dali. Ou que sem nós não funcionará.  É bom lembrarmos tempos de grande bênção em nossa vida, mas é terrível para nossa alma ficarmos preso a algum tempo no passado como se a presença de Deus estivesse congelada ali. Não espere que Deus aja sempre da mesma maneira. Tenha coragem de no momento em que alguém ou algo fechar seus antigos poços em qualquer nível da sua vida, de abrir outros poços. Não permita quem quer que seja escravize tua mente.

Um dia falei com o zelado de um dos prédios onde morei. Ele era jovem, mas era muito explorado pela patroa. Seus horários de trabalho praticamente não tinham limites. Ele cuidava os prédios e também fazia trabalho de pedreiro, marceneiro e faxineiro. Incentivei-o a preparar-se para outra coisa e procurar novos ares, “abrir novos poços”. Alguns meses depois ele decidiu seguir meu conselho. Quando foi acertar as contas com a patroa, ela disse uma palavra que acabou se assenhoreando da alma dele: “Tu vais acabar voltando para cá. Não vais conseguir nada lá fora!” Seis meses depois com alma de escravo, ele voltou conforme a mulher havia dito.

Ora, Jesus nos libertou para sermos escravos somente da sua Palavra que é instrumento de libertação. Portanto creia, aqueles a quem Deus ensinou a abrir fontes, jamais terão falta de suprimento. Pare de pensar na bênção de Deus de modo fixo. Se for tempo de se mover, mova-se em fé, pois você encontrará poços que só estão esperando você abrir.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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