Jesus a encarnação do paradoxo – Parte Final

Esse post é continuação do post de ontem. Por favor leia primeiro aquele para poder entender este.

2º Paradoxo: Jesus era reflexivo sem deixar de ser ativo.

Vemos que tudo que Jesus faz é a partir do seu entendimento da vontade de Deus. Ele não se move a manivela. Não está debaixo da pressão. Já desde o começo do seu ministério quando o diabo lhe propõe atalhos para o coração do homem Ele rejeita contundentemente esse caminho. E o faz a partir da Palavra de Deus. Por outro lado ele não transforma sua reflexão em covardia. Seu momento de retiro não é um escape, não é uma proteção para se tornar um crítico infecundo do sistema. Muitos intelectuais da fé, transformaram nas palavras de Spurgeon, seu escritório no castelo do covarde. Ele não se furtava da briga diária. Enfrentava perguntas e as respondia. Era desafiado, apertado, perturbado, e interrompido como qualquer pessoa. Suas mãos estavam sujas de trabalho, seu rosto molhado de suor.

3º Paradoxo: Jesus era forte sem perder a doçura.

Fui ensinado muitas vezes que um seguidor de Jesus deveria ser absolutamente dócil e não questionar nada daquilo que lhe propunham. Aceitar o que diz o patrão, o professor e o policial. Não questionar autoridades, pois essa era a vontade de Deus. O Jesus dos evangelhos não era assim. Vemos que Ele não teme autoridades, e as questiona quando vê algo que não se coaduna com o propósito de Deus. Não é um anarquista ressentido que gosta de ver o circo pegando fogo, mas sabe botar o dedo na ferida. Quando Herodes o manda sair de seu território, Ele o chama de raposa e diz que vai ficar mais dois dias. Quando sua mãe lhe pressiona para agir, Ele diz que sabia a hora de fazer tudo. No entanto ninguém poderia ser mais doce do que Jesus. Ao leproso que há anos não sabia o que era ser tocado, Ele estende sua mão e o toca antes de purificá-lo, e declara sua vontade: Quero, seja limpo. À prostituta, diante dos olhos da comunidade religiosa que o questiona, Ele honra publicamente. Você teria coragem de fazer o mesmo? Contrastando com os líderes da igreja que até medo de mulheres têm. Aos seus discípulos de pés poeirentos das estradas da Galiléia,Ele sem nenhuma cerimônia passa a lavar. Imagino a cena repetidas vezes na minha cabeça e me prostro em corpo e alma diante dEle. A Pedro que depois de três anos sendo treinado, falha clamorosamente no momento decisivo, Jesus chama de volta para o seu meio e reafirma três vezes na presença de todos sem nenhum ressentimento pessoal: apascenta os meus Cordeiros!

4º Paradoxo: Jesus manifestava poder sobrenatural sem deixar de ser humano.

Desconfio de qualquer espiritualidade que queira produzir super homens de Deus. Isso não existe. É uma impostura gritante. Olhar para Jesus desfaz essa falcatrua.O diabo lhe propõe o espetáculo como um meio para alcançar as multidões. Jogar-se do alto de um monte e  ser sustentado por anjos seria um espetáculo digno de David Copperfield, e teria um apelo brutal sobre a multidão. Quantos pregadores sem o poder que Jesus tem, usam esse expediente para obter a atenção das multidões, agindo como estelionatários. No entanto Ele não trabalha no atacado. Ele toca cada pessoa e interage com elas. Sua motivação em todos os momentos de cura é o amor. Jamais o faz por exibicionismo. Quando alguém quer provas e demonstrações de poder, ele descarta prontamente: a uma geração incrédula nenhum sinal lhe será dado a não ser o de Jonas.  Nunca recebe oferta pelo que faz. Zaqueu dá seus bens aos pobres, e o leproso leva sua oferta ao sacerdote. Comove-se com a atitude perseverante da mulher siro-fenícia que suporta o silêncio e o ser chamada de cachorrinha. Exulta diante da fé das pessoas. Surpreende-se. Ele não faz de si mesmo um personagem. Não banca o misterioso. Ele lamenta com dor profunda o afastamento de Jerusalém do amor de Deus. Ele se compara com a galinha que quer juntar os pintinhos debaixo de suas asas. Humanamente sobrenatural e sobrenaturalmente humano.

 

5º Paradoxo: Jesus exercia poder para servir, sem jamais se servir do poder.

Os chamados homens de Deus tem jeito de servo? Jesus era o máximo exemplo do serviço. Ele não faz exigências de superstar. Um conhecido pregador brasileiro faz exigências dignas de um show do Luan Santana: hotel cinco estrelas, e uma oferta mínima de 70.000 reais. Quem contrata tem tanta culpa quanto quem cobra! Jesus não faz exigências de números mínimos para ministrar. Ele vai a pequenas aldeias. Aliás, se fosse interessado em projeção teria começado seu ministério em Roma e não em Nazaré. Ele faz o mar calar,  mas se dispõe a ouvir desaforos dos homens. Ele abre os ouvidos dos surdos, mas permite que os incrédulos se fechem para Ele. Ele faz os cegos verem, mas permite que quem não quer ver continue cego. Ele recebe adoração, e também recebe a zombaria. Ele revela sua glória na transfiguração, mas convida seus discípulos para o duro caminho da cruz. Ele que poderia derrotar seus inimigos com sua destra de justiça, se submete a injustiça dos homens para salvá-los.

6º Paradoxo: Jesus amava as pessoas, mas não se movia pelo aplauso dos homens.

 Ele vê a dor da multidão e sua falta de liderança servidora, no entanto no momento  que qualquer pregador deste mundo se sentiria na glória, ele prega uma palavra impopular e todo povo vai embora, sem medir consequências ele vai ainda mais fundo e pergunta aos seus discípulos que restaram: Vocês também não querem ir? Jesus não ficava deslumbrado com os ajuntamentos ao seu redor, Ele sabia que as multidões tinham um coração volúvel!

7º Paradoxo: Jesus foi o único santo, mas tinha preferência por pecadores assumidos.

Ele nunca foi chegado a reuniões cheias de pose. Simpatizava com pessoas que perdiam tudo, a não ser o desejo de o conhecerem. Ali entre eles, nem sequer um traço de condenação, mas aceitação total e irrestrita. Ele inverte a lógica da religião: o puro contagia os impuros.

8º Paradoxo: Jesus foi o único Messias, mas confiou todo poder e autoridade aos Seus discípulos.

O líder natural reúne todos os poderes em sua mão. Briga para se manter no topo. Discerne seus inimigos potenciais. Ataca-os. Herodes é a antítese de Jesus. Até matar seus filhos matou, para impedir que seu poder fosse tocado. Sabendo de sua morte iminente, lança uma ordem para o assassínio de todos os seus inimigos conhecidos para que não houvesse alegria no dia de sua morte. Mas Jesus diz que os Seus discípulos poderiam, se cressem, fazer obras maiores que as dEle. Ele dá poder a eles, confia que eles serão como Ele.

Por essas razões e pelo fato de um dia esse Jesus, se importar com aquele guri de Bagé assustado e desesperado, é que sou definitivamente seguidor d’Ele. Nenhuma instituição, personagem ou pessoa tem ou terá meu afeto como Ele. Sou Teu meu Jesus. Obrigado por aceitar esse gaudério.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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