Da terra do nunca para a terra prometida

Vemos hoje surgir um tipo diferente de homem. Como jamais tenhamos visto antes. O metrossexual, o homem sensível, o menino dócil e adaptado ao sistema como nenhum outro. Claro que isso é tendência, e não generalização. Robert Bly, chama de “macho frouxo”, o que em minha opinião é a melhor definição.

A situação começa a mudar pra os rumos da masculinidade quando vemos surgir na década passada dos sessenta a revolução sexual, onde o amor livre levou toda a cultura ocidental a uma desagregação familiar. Grande parte das famílias hoje é liderada por mulheres, as que não são, o são de fato, pois os homens desgastados por uma rotina intensa e uma competição selvagem não encontram tempo para serem pais, e legarem aos seus filhos homens a necessária “energia masculina”. Os divórcios em geral configuram pais saindo de casa e mães assumindo os filhos. Dificilmente você verá os homens dessa geração lutando pela guarda dos filhos.

Em função dessa situação vemos a formação dos homens hoje carecendo da presença de outro homem, o que é fatal para o chamado e a vocação masculina.

Antes que qualquer pessoa me acuse de homem de Neandertal, apresso-me a dizer que acho o machismo, uma caricatura da masculinidade, da mesma forma que o feminismo acaba sendo para as mulheres. Um homem “machão” nega uma realidade que Deus colocou dentro de todo o ser humano: os sentimentos e a sensibilidade. Quando o homem nega essa realidade ele imerge em um processo de autodestruição. Como discípulos de Jesus, vemos a Jesus como a referência máxima de masculinidade, e nele não habita nem o machão nem o “macho frouxo”. No entanto é preciso dizer que os homens estão fugindo do seu chamado divino.

Outro dia conversava com uma adolescente sobre Olimpíadas escolares, e perguntava entusiasmado sobre como estavam os jogos, pois na época em que estava no ensino médio, esse era um tempo de frisson para nós, e ela fez uma declaração que me surpreendeu:

– Os meninos não querem mais saber dos jogos na escola, porque não querem ficar fedorentos, suarem ou correrem o risco de se machucarem.

Esse é o homem formado a partir da ausência paterna. Um homem sem coragem pessoal para os desafios mínimos da existência. São homens que estranham qualquer coisa que não seja prazerosa, confortável e animadora.  São homens criados a sombra de suas mães, sem contarem com o equilíbrio da presença paterna. As mães formam a afetividade e os pais legam a firmeza e a coragem.

A propósito de exemplificar o que digo  dou o exemplo do menino que se machuca durante um jogo de futebol com os amigos. Quando chega em casa a mãe limpa o ferimento, acaricia o filho e fala: pobrezinho, não vai mais jogar futebol com teus amigos. Quando topa com o pai o filho ouve: limpa isso, e volta para o jogo. As duas realidades são importantes para formação, mas nossos homens tem tido somente a primeira e por isso hoje estão tão frágeis e suscetíveis.

Em um retiro de jovens que participei na última semana em Florianópolis, conversava com os homens sobre esse tema, quando um dos participantes já com os seus 34 anos, compartilhou sua experiência no quartel. Ele dizia:

– Tenho percebido a mudança na atitude dos homens nos últimos anos. Até certo tempo, quando os soldados eram confrontados e chamados atenção e o superior gritava como é tradicional no exército: Pede pela mãe! O soldado mordia o lábio e aguentava firme. De uns tempos para cá, a atitude mudou radicalmente, agora o jovem homem formado na barra da saia da mãe grita chorando na primeira confrontação: – Eu quero a mãe. Algo impensável no passado.

Além disso, temos o fenômeno da metrossexualidade como falamos no início: as mulheres ensinadas por suas mães  sobre a  truculência masculina, exigem deles cada vez mais uma aparência semelhante a delas: unhas pintadas, corpo sem pelos e sobrancelhas bem feitas. Os homens embarcam sem nenhuma dificuldade, pois eles mesmos guardam dentro de si um sentimento de desprezo sobre a figura masculina. É comum vermos homens mais refinados intelectualmente proclamarem a superioridade feminina. Via de regra eles submetem-se a suas companheiras e buscam inconscientemente mulheres semelhantes a suas mães.

Esse ressentimento pode ser constatado facilmente nas novelas, filmes e produções que formaram nossa cultura pós-moderna. O homem é descrito como um tipo egoísta, fraco e mau caráter. Para mim a propaganda da Tigre, na qual o homem vai dizendo o que fazer ao construtor e a mulher atrás decidindo o que realmente será feito, descreve bem a imagem masculina cultivada por homens e mulheres desse tempo. Homer Simpson também é um personagem paradigmático. Ali não vemos apenas diversão e humor, mas também uma ideia de homem. Leia alguns trechos da “sabedoria de Homer”:

Oh meu Deus, alienígenas espaciais! Não me comam! Eu tenho uma mulher e filhos! Comam eles!

Ora seu grande…! E precisa de algum motivo para que eu estrangule você! Eu vou te dar um jeito…!

Eu tenho três filhos e nenhum dinheiro, por que não posso ter nenhum filho e três dinheiros?

Bart! Com 10 mil dólares, seremos milionários! A gente poderia comprar várias coisas úteis, como o amor!

Crianças, vocês tentaram e falharam miseravelmente. A lição que aprenderam é: nunca tentem.

A culpa é minha, e eu coloco em quem eu quiser.

Calebe e Josué contra os 10 espias enviados a Canaã, são o exemplo bíblico do confronto dessas duas mentalidades: Terra do nunca x Terra prometida.(1) Israel ainda pensando como escravo luta para assumir sua masculinidade castrada pelo Egito, e Calebe assumindo seu chamado: “Subamos e tomemos posse da terra. É certo que venceremos!”

Minha palavra às mulheres, ao enfraquecerem a figura masculina diante dos filhos homens, vocês os enfraquecem e seu potencial para fazerem a diferença na sociedade.

Minha palavra aos homens: é tempo de sairmos à busca de nossa identidade perdida. De olharmos para as Escrituras e para Jesus e começarmos a unir os pedaços de nosso chamado para sermos homens.

Minha palavra aos líderes, é tempo  de resgatarmos a Jesus como homem forte, que tendo se entregado a morte por nós, não deixou de ser firme, duro e direto quando foi necessário.

Minha palavra aos jovens homens em formação: saiam da barra da saia da mãe e se unam a outros homens que temem a Deus e olham para Jesus.

Peter Pan, teu tempo acabou!

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

 

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3 pensamentos sobre “Da terra do nunca para a terra prometida

  1. Até de longe vocês conseguem ser uma baita benção!!!

    Artigo simplesmente maravilhoso, vale muito a pena para homens e mulheres que irão casar, são casados ou namorados!!

    E até mesmo para os solteiros… desgrudem da barra da saia da mãe e bora jogar futebol de pé no chão na rua do Sr Mário, brincar de esconder até altas horas, pular o muro da vizinha pra pegar a bola que caiu no quintal, jogar taco, etc. Momento nostalgia para muitos!!!

  2. Agora entendi pq o Renato não me obedece mais. Hehehehe. Brincadeira, muito bom o texto Pastor Fabiano, com certeza vc é uma benção em nossas vidas e na vida dos jovens que lá estavam.

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