Ah! Bruta flor do querer

Abridores de Poços

Gosto muito de observar culturas. Cada uma tem algo a nos ensinar. É importante que tenhamos uma compreensão equilibrada nesse olhar atento. Um dos princípios que rege minhas observações é a convicção de que cada cultura tem valores que promovem a vida e valores que promovem a morte. Nenhuma cultura está livre disso. Fugir disso é ser refém das demonizações e divinizações de culturas, coisas que só nos desviam como discípulos do sempre necessário discernimento. Via de regra a cultura que domina o mundo acaba sendo vista como uma referência para todas as outras. Assim é que os americanos exportam para o mundo sua língua, seus livros e seu estilo de vida, da mesma maneira que fizeram Inglaterra, França, Roma e Grécia em outros tempos. Até mesmo a teologia vem no pacote. Nossos problemas dentro da cultura evangélica com a sexualidade vieram de uma visão legalista dos missionários  a respeito da questão. Nossa escatologia elege o anticristo de acordo com o inimigo número 1 dos americanos. Já foi a Rússia, agora são os muçulmanos e dependendo da questão geopolítica serão outros. Nossa visão política segue a mesma linha. Aqui como lá, somos politicamente de direita conservadora e elegemos os mesmos cavalos de batalha: o aborto e a questão homossexual. A corrupção que drena 35% dos recursos públicos raramente compõe a agenda evangélica.

Apesar disso, tenho admiração por um aspecto da cultura americana que contrasta com a cultura do brasileiro: o empreendedorismo. Essa iniciativa e orientação de buscar começar novas empresas, colocar visão em ação e trabalhar para o estabelecimento de algo novo. Enquanto o brasileiro de forma geral sonha com a carteira assinada e com um emprego público no qual não precise se preocupar com a luta diária pela sobrevivência. Creio que como discípulos de Jesus deveríamos aprender algo disso para nossa vida. Jesus me diz que devo crer na providência de Deus para mim.  Se eu creio nessa máxima de Jesus, devo aceitar para minha vida um pouco mais de riscos do que estou acostumado a tomar.

Sou informado pela Palavra que Isaque o patriarca era um homem empreendedor. E não poderia ser diferente, pois a subsistência de sua família dependia de suas iniciativas. As civilizações se estabeleciam em torno de uma fonte de água. A Mesopotâmia onde os principais reinos antigos cresceram é por seu nome uma região “entre rios”, o Tigre e o Eufrates. Quando a Bíblia nos diz que ele abre poços significa que ele está buscando se estabelecer em um lugar, pois a água era o ponto de partida para a construção da vida. Na luta pela vida vemos Isaque enfrentando pessoas invejosas e circunstâncias que lhe fechavam as portas da subsistência e bem estar. Aprendo importantes lições para mim e quero compartilhar com você:

Não se ressinta do fato de você estar sempre lutando, essa é a natureza da vida aqui. Deste lado do céu, toda acomodação traz consigo a deterioração ou a corrupção.

Sempre haverá fontes de subsistência (pessoal, espiritual e financeira) para aquele que crê! Nós cavamos os poços, mas é Deus que dá agua. Há pessoas que ficam psicologicamente dependentes de pessoas, lugares e empresas. Quando a fragilidade dessas coisas se manifesta, elas perdem o rumo. É correto amar uma pessoa, mas é nocivo fazer dela a razão de nossas vidas. Nenhuma pessoa consegue carregar esse fardo. É saudável apreciarmos a empresa onde trabalhamos, mas não é sábio acreditar que uma empresa é uma família. Não é. É bom amarmos o lugar onde servimos a Deus, mas não é saudável acreditar que não há vida fora dali. Ou que sem nós não funcionará.  É bom lembrarmos tempos de grande bênção em nossa vida, mas é terrível para nossa alma ficarmos preso a algum tempo no passado como se a presença de Deus estivesse congelada ali. Não espere que Deus aja sempre da mesma maneira. Tenha coragem de no momento em que alguém ou algo fechar seus antigos poços em qualquer nível da sua vida, de abrir outros poços. Não permita quem quer que seja escravize tua mente.

Um dia falei com o zelado de um dos prédios onde morei. Ele era jovem, mas era muito explorado pela patroa. Seus horários de trabalho praticamente não tinham limites. Ele cuidava os prédios e também fazia trabalho de pedreiro, marceneiro e faxineiro. Incentivei-o a preparar-se para outra coisa e procurar novos ares, “abrir novos poços”. Alguns meses depois ele decidiu seguir meu conselho. Quando foi acertar as contas com a patroa, ela disse uma palavra que acabou se assenhoreando da alma dele: “Tu vais acabar voltando para cá. Não vais conseguir nada lá fora!” Seis meses depois com alma de escravo, ele voltou conforme a mulher havia dito.

Ora, Jesus nos libertou para sermos escravos somente da sua Palavra que é instrumento de libertação. Portanto creia, aqueles a quem Deus ensinou a abrir fontes, jamais terão falta de suprimento. Pare de pensar na bênção de Deus de modo fixo. Se for tempo de se mover, mova-se em fé, pois você encontrará poços que só estão esperando você abrir.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

A Galeria da Fama dos Céus

 

A fama deveria ser o subproduto de um trabalho bem feito. Nunca, jamais deve ser um objetivo. Quando ela se torna um objetivo em qualquer âmbito de trabalho, conspira contra a excelência.

Um texto dos evangelhos é especialmente intrigante: Jesus fala que muitos que profetizam, realizam milagres e curas um dia chegarão ao céu e não serão conhecidos por Deus. (1) O texto sugere que pela prática do mal, essas pessoas desenvolveram uma vida dupla: um ministério humanamente frutífero, mas uma alma vazia. Que coisa terrível, não ser conhecido por aquele que sabe todas as coisas!

Não é pecado ser famoso! Poderá acontecer como consequência de um trabalho bem feito e uma série de circunstâncias inexplicáveis. Mas é preciso ser dito a luz do texto do evangelho que muitos famosos na terra não serão famosos no céu.

A fama pela fama é levada a máxima potência no Big Brother. Parentes, e amigos próximos de dirigentes e atores da TV Globo se reúnem em um ambiente fechado levados pelo desejo de serem famosos. Pessoas ao redor do globo fazem as coisas mais estranhas como preparar um hambúrguer de 75 kg, e deixar crescer os pelos das orelhas (eca)  com o único desejo de constarem no livro Guiness dos recordes. Músicas de gosto duvidoso, com letras surreais sustentam toda uma indústria que se alimenta desse desejo humano de ser “conhecido”.

Jesus já identificava esse desejo nas pessoas. Ele fala de práticas legítimas da vida espiritual que perdem seu sentido e  proveito quando são feitas a partir da motivação de serem reconhecidas pelos homens. Orações bonitas, jejuns sacrificiais e esmolas generosas caem por terra quando visam  aprovação e o reconhecimento humano. Nenhum ser humano está isento desta tentação. Em todos os âmbitos devemos responder a pergunta: realizarei um bom trabalho, mesmo sabendo que não levarei o crédito por ele?

Quando estava saindo da adolescência tinha o objetivo de ser um ministro famoso. Não é preciso dizer que esse alvo perverteu meu ministério. Logo em seguida a vaidade e o orgulho falavam mais alto do que a voz de Deus. Aprendi a duras penas que nossa alegria deve ser mais simples: a alegria de estar fazendo a vontade de Deus.

Jesus nos diz que quem é presa do desejo de ser famoso, já recebeu sua recompensa humana e, portanto está fora da partilha da maior recompensa que é aquela que vem diretamente de Deus.(2) Ele aponta que o caminho para o discípulo é de entender que em cada instante ele desfila diante dos céus e do inferno com sua alma nua. Ele está diante da “Plateia do Um”.(3) Essa perspectiva de vida não deve sair de nossa mente jamais, transformando o desejo de fama diante dos homens em desejo de ser famoso nos céus. Fechando nossa boca para o autoelogio, tirando-nos das disputas internas de igreja que em sua maioria são motivadas pelo desejo de reconhecimento.

O que Jesus nos revela é que aqueles que vivem de coração para Deus, já são reconhecidos e queridos. Fazem parte daquela nuvem de testemunhas que viveram sua vida para Deus em meio a um ambiente em que servir a Deus não era nada popular. Sim, se sua vida é assim você é famoso nos céus e temido no inferno, pois os espíritos malignos conheciam a Paulo, e também sabem quem nós somos. “Sou o que sou diante de Deus e nada mais” escreveu Francisco de Assis.

Quando o bicho pegar, e as situações desta vida lhe fustigarem a alma, você permanecerá inabalável, pois não construiu sua vida espiritual em cima da areia do desejo de ser famoso. Jamais pense que Deus será cúmplice daquele que quiser viver de outra forma.

O tempo passará e você crescerá, pois vive sustentado pelas recompensas do Pai que enche da Sua graça aqueles que edificam sua vida longe dos holofotes religiosos. Que a sua meta possa ser um dia fazer parte da galeria da fama de Deus. Quero ouvir de Jesus: que bom te ver de novo por aqui!

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)     Mateus 7:22,23

(2)     Mateus 6:1-18

(3)     Termo cunhado pelos puritanos americanos.

Os sábios do Talmude e o caminho da gratidão

“a única teologia verdadeira é aquela que agradece.”

Anônimo

Citações do Talmude nos mostram que a espiritualidade de um judeu piedoso tinha como principal característica a gratidão. Tudo o que desfrutamos requer uma bênção diz o Talmude.  Veja alguns exemplos:

“Se um homem construía uma casa, ou comprava algo novo ele dizia: ‘Bendito é aquele que tem nos trazido até esse momento’. Se alguém via um lugar onde grandes milagres haviam acontecido na história de Israel, se dizia: ‘Bendito é Aquele que neste lugar realizou milagres em favor de nossos antepassados’. Em resposta a uma estrela cadente, ao relâmpago, a tempestade ou um tremor de terra, se dizia: ‘Bendito é Aquele cuja força enche o universo.”

Mesmo quando  recebiam más notícias eles costumavam responder: “Bendito é Aquele que é juiz fiel.” Ainda mais surpreendente é a bênção proferida quando eles iam urinar: ‘Bendito é Aquele que formou o homem em sabedoria e criou nele numerosos orifícios e cavidades. É revelado e sabido diante do trono da Tua glória que se até mesmo um deles fosse aberto ou se até mesmo um deles fosse fechado, seria impossível existir e permanecer diante de Ti.’ (1)

Textos como estes nos lembram da orientação de Paulo que dizia: Em tudo dai graças. (2) Já no Antigo Testamento os salmos nos instruem: Bendiga ao Senhor a minha alma! Não esqueça nenhuma de suas bênçãos!(3) Somos chamados a uma vida de sóbria gratidão. A vida de um discípulo não é euforia, mas uma alegria serena que permeia até mesmo a tristeza, na confiança da condução firme de Deus.

O pai de um dos meus professores de seminário quando era questionado sobre como estava, costumava responder com uma frase objetiva e profundamente teológica: Melhor do que eu mereço!

Pensar desta maneira certamente cutuca o velho homem  dentro de mim. Nasci com uma tendência para resmungar e reclamar maior do que a maioria. E sei que a raça a que pertenço e você provavelmente (a raça humana é claro) é inclinada a se preocupar com seus direitos. Fomos ensinados a batalhar por eles, o que eu acho uma ótima ideia, mas que em geral vem sendo abusada. Quando pensamos em nossa posição neste universo, o único que se pode dizer é que não há o que se reclamar. Nossa liberdade criou esse mundo que vivemos. Nossas escolhas nos trouxeram até aqui. Agora também temos a liberdade de criar um novo mundo dentro e a partir de nós através da  gratidão.

Você foi aquinhoado com dons. Veja a si mesmo tendo o privilégio de impactar vidas através dos seus serviços, em diferentes escalas. Sempre que quiser você pode fazer as pequenas coisas que qualquer um pode, mas que fazem toda diferença: abrir portas, encorajar, carregar bolsas e por aí vai.

Você experimenta todos os dias doses generosas de diferentes prazeres. Pense no prazer estético ligado a visão: esculturas, pinturas e a natureza nos proporcionam diariamente um show gratuito. Pense no prazer dos cheiros: um perfume, o cheiro de frutas sem nem mencionar a comidinha caseira na hora do meio dia. Pense no tato: o toque de quem nos ama, o abraço do amigo. Pense na música e suas harmonias, quantas vezes a música foi o seu refúgio nos dias difíceis, como também foi para mim. Lembre-se também das palavras que em momentos inspirados lhe sustentaram a vida. Pense na experiência de saborear um churrasco suculento, a massa dos domingos, a enorme variedade de pizzas. Não posso me esquecer da experiência prazerosa que une todas estas que é comer uma manga. Meu Deus, muito obrigado. A dor só é tão terrível porque o prazer já foi  inebriante.

Lembre as pessoas que te ajudam diariamente, sem nada falar. Lembre quem cozinha pra você, quem dirige o ônibus que você vai até o trabalho. Pense nas pessoas que limparam os ambientes que você visitou hoje. A maioria deles perfumados e brilhando. Somos rápidos pra reclamar, deveríamos ser rápidos em agradecer.

A gratidão é o antídoto certo contra o egocentrismo, a vaidade e a arrogância. É o sinal de que outras virtudes espirituais estão presentes em nossas vidas. Humildade, compreensão da graça, discernimento espiritual e mente renovada.  Por outro lado todo pecado que cometemos é em certo sentido derivado da ingratidão. Vou tomar a inveja como exemplo: aquele que não suporta o sucesso alheio é porque não consegue ser grato por aquilo que Deus lhe deu.

A gratidão nos prepara para enfrentarmos os duros embates da vida. Jó em um momento de perda dilacerante pronunciou quase que como uma adoração: ‘O Senhor o deu, o Senhor tomou. Bendito seja o nome do Senhor.’ (4)

Uma mente ingrata gera aquele pensamento da lei de Murphy: tudo que pode dar errado dará. Vê o mundo em tons cinzas. Veja a Murphologia aplicada:

Nada é tão fácil quanto parece, nem tão complicado quanto a explicação do manual.

Tudo leva mais tempo do que qualquer tempo de que você dispõe.

Se você perceber que há quatro maneiras de uma coisa dar errado, e driblar as quatro, uma quinta maneira surgirá do nada.

Toda solução cria novo problema.(5)

A gratidão se alicerça na soberania de Deus que diz que a despeito da fúria do universo, Deus conspira a nosso favor através de cada circunstância.

A gratidão faz bem a saúde, e aos relacionamentos. Ninguém aguenta uma pessoa constantemente reclamando. É um fardo pesado ter alguém repetindo o bordão daquele desenho animado dos anos 80: ó dia, ó vida, ó azar.

Talvez o maior desafio de nossa gratidão para com os outros é no momento em que elas nos decepcionam. Nestas horas nossa tendência é achar que tudo o que aquela pessoa fez está manchado para sempre. Mas não deveria de ser assim. Você mesmo não gostaria que alguém desfizesse tudo o que de bom você fez por uma única falha. Não é justo.

Meu conselho a você é que abrace a linguagem da gratidão e todas as coisas terão novo gosto, cores e sons.

A propósito, obrigado por ter me acompanhado até o fim.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)    New light on the difficult words of Jesus – David Bivin. Páginas 44,45

(2)    I Tessalonicenses 5:18

(3)    Salmos 103:2

(4)    Jó 1:21

(5)    A completa lei de Murphy – Arthur Bloch

Mal Acostumado

Existem coisas com as quais jamais podemos nos acostumar…

Você se acostuma com o barulho e acaba achando o silêncio ensurdecedor.

Você se acostuma a ouvir só a sua voz e acaba pensando que tem sempre a razão.

Você se acostuma a correr o tempo inteiro que acaba dormindo quando para.

Você se acostuma a falar no Facebook e acaba ficando sem palavras quando olha no olho.

Você se acostuma com a violência de sua cidade e acaba abraçando a lei do mais forte.

Você se acostuma com criança dormindo na rua e acaba achando que é decoração urbana.

Você se acostuma com o Latino e acaba cantando junto.

Você se acostuma com jamais ver uma árvore e acaba pensando que elas impedem o progresso.

Você se acostuma em não ter contato algum com os animais e acaba esquecendo-se de onde vem o leite que você toma.

Você se acostuma a usar as palavras pra ofender e acaba achando esnobe quando alguém fala direito.

Você se acostuma a ver as pessoas sofrendo e acaba se contentando com não ter sido a bola da vez.

Você se acostuma com os políticos roubando no atacado e acaba achando que pode roubar no varejo.

Você se acostuma com a frieza das pessoas, e acaba sendo frio com elas também.

Você se acostuma com o Gugu e o Faustão, e acaba rindo de quem ri da sua cara.

Você se acostuma a ver as pessoas se separando, e acaba pensando que é a saída mais fácil para o seu casamento.

Você se acostuma a ver pessoas se agredindo, e acaba não se importando de viver odiando os outros.

Você se acostuma com as traições, e acaba desaprendendo a graça de chorar.

Você se acostuma a cobiçar o que é dos outros, e acaba esquecendo do bem que o rodeia.

Você se acostuma com as manipulações religiosas, e acaba perdendo a fé sem deixar a religião.

Você se acostuma com o caos ao seu redor, e acaba pensando que você é que é louco por se importar.

Você se acostuma com a mediocridade, que acaba fazendo um trabalho meia boca.

Você se acostuma a viver em pé de guerra, que acaba pensando que o diálogo é para os fracos.

Você se acostuma a dever pra todo mundo e acaba pensando que quem não faz é que é trouxa.

Você se acostuma a ver a todos descrendo que acaba se perguntando se você que crê é normal.

É… você se acostumou…

você não mudou…

O mundo mudou você.

Você acha que o normal é a lei da natureza. Irrevogável

E então…

Torna-se cúmplice.

Enquadra quem não se enquadra.

Mas Jesus ensinou você que o normal não é norma.

Chamou pra ser inconformado.

Voz que clama no deserto.

Caminhante da contramão.

Rebelde no sistema.

Que não se acostuma nunca.

Porque ouve o Reino pedindo passagem do coração de Deus para o mundo!

Mostrando com “imaginação profética”

novos céus e nova terra.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Ignorância

O Pastor foi visitar a classe da escola bíblica infantil para avaliar o aprendizado dos alunos e fez uma pergunta para eles:

Quem derrubou o muro de Jerico’?
Um aluno timidamente se levantou no fundo da sala e disse meio trêmulo:

Não fui eu não, Pastor.
O Pastor meio que constrangido, depois procurou a professora da classe em particular e começou expondo sua preocupação, mas ela o interrompeu e disse de pronto:

Pastor, eu acredito no garoto, ele não teve nada haver com esse incidente…
O Pastor, desconversou e ficou mais preocupado ainda. No gabinete, encontrou o tesoureiro da junta paroquial e contou o que tinha acontecido na classe da escola bíblica quando perguntou se alguém sabia quem derrubou o muro de Jerico’.

O tesoureiro, com a mão na cabeça, com o semblante preocupadíssimo, disse aflito:

Precisamos descobrir, Pastor, porque a igreja esta sem dinheiro em caixa para pagar qualquer reparação desse muro…

Celebrando o Evangelho Na Mesa de Refeições

Um dos maiores sintomas de colapso da família é o fato de não sentarem juntos para fazerem as refeições. Quero desafiar hoje os discípulos de Jesus a fazerem como ele, e utilizarem suas refeições como momentos de celebração intencional. Não permita que o sistema retire de você esse ato sagrado de compartilhar refeições.

Uma das provas mais incontestáveis do significado que tem uma refeição compartilhada é o fato de que você não consegue permanecer em uma mesa junto com uma pessoa que você está em pé de guerra. É quase insuportável, salvo se você tem um nível estratosférico de hipocrisia e fingimento na veia, compartilhar uma comida e  brigar. Note que quando alguém se desentende na mesa, a primeira reação é levantar-se e ir embora.

Em alguns momentos de nosso ministério da igreja, tivemos pessoas que contestavam o sucesso de algumas programações dizendo: Esse pessoal vem só pra comer, se não tivesse comida não viriam. Eu ficava um pouco constrangido com essa realidade, mas observando os evangelhos mais atentamente, e a Bíblia como um todo nós vemos que as refeições compartilhadas têm um significado naquele tempo e hoje também que transcende as questões de subsistência.

1. Quebra barreiras construídas. Baixa a guarda de todos. Quando Jesus disse a Zaqueu que iria ficar na casa de Zaqueu, Ele fala mais ao povo e a Zaqueu do que qualquer sermão poderia comunicar. Em alto e bom som Ele diz: Assim como tu estás aberto para mim Zaqueu, eu também estou aberto para ti. Você quer quebrar as barreiras que existem entre você e alguém mais? Convide para uma refeição em sua casa, e veja o que acontece.(1)

2.  Aprofunda relacionamentos. É em um banquete que o fariseu conhece o jeito de Jesus ser. Sua curiosidade é atiçada e ele convida Jesus para sua casa. Lá a graça escandalosa de Deus se revela sem pudores: uma prostituta redimida chora aos pés de Jesus e a grosseria do fariseu e é exposta. (2)

3. Estabelece um clima de alegria, propício para piadas e o contar de histórias.(3) Após uma reunião séria o gelo se quebra em meio a uma boa comida.

4. Comunica amor a quem é recebido. Uma refeição só pela refeição manda uma mensagem de amor inesquecível. (4)

5. Sela o fechamento de compromissos mútuos. Jesus sai da casa de Zaqueu proclamando a todos que aquele homem havia entrado no Reino, e ele por sua vez demonstra ter entendido a mensagem do Senhor, e tudo começa com uma refeição. (5)

6. Lembra-nos do dia em que tudo será pra sempre alegria.(6)

7. Estimula o abrir do coração. (7)

8. Preparar comida para outros nos faz confiantes na provisão de Deus e desenvolve em nós o espírito de servo.

9. Proporciona oportunidade para um ensino de qualidade. (8)

10. Comunica perdão. Depois da ressurreição Pedro estava destruído pela negação contundente que fez de Jesus. Ele acreditava que não havia mais lugar para ele entre os discípulos. O que Jesus faz para restaurá-lo. Jesus chama a Pedro para comer. Ali o perdão fica gravado para sempre no coração de cada discípulo.(9)

Wolfgang Simson disse: “Segundo a fé cristã, a Ceia do Senhor é uma refeição substancial com significado simbólico e não uma refeição simbólica com significado substancial.”

Por todas essas razões quero estimular você a fazer de cada refeição uma Santa Ceia. Sim, uma oportunidade para celebrar o evangelho em toda a sua riqueza de significados.

Que tal um churrasco para começar?

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

 

(1) Lucas 19:1-10

(2) Lucas 7:36-50.

(3) Lucas 14:15.

(4) Lucas 14:12-14 e Mateus 9:9-14

(5) Lucas 19:1-10

(6) Lucas 14:15-23

(7) Lucas 22:7-38.

(8) Lucas 14:1-10

(9) João 21

Contradições da Juventude!

E impossível tomar decisões e querer ficar com tudo. Quem decide diz sim a alguma coisa e não para outras.

Esse é o problema com essa geração. Fica em cima do muro com esperança de ter tudo. De-cisão. Cisão igual a ruptura.

Querem casar e continuar vivendo vida de solteiro!

Querem ser pais, mas não querem cuidar dos filhos!

Querem viver um grande amor, mas não querem se comprometer!

Querem Deus, e viver para enriquecer!

Querem prosperar, mas não querem trabalhar!

Falam com convicção, mas não querem pensar!

Reclamam do mundo, mas não fazem nada para mudar!

Querem opinar sobre tudo, mas não querem que opinem sobre eles!

Querem independência, mas sustentados pelos pais!

Tem todos os canais de comunicação possíveis, mas carecem de relacionamentos profundos!

Se dizem independentes, mas seguem todas as cartilhas da moda!

Nesta vida é necessário dizer uma série de nãos para poder dizer um grande “sim”.

Decida-se, saia do muro!

Um abraço quebra costelas.

O discipulo gaudério.

 

Mentiras que os nossos filhos ouvem

Existem pelo menos três tipos de pais:

Pais Atemorizados: eles têm medo do filho. Enxergam o desafio de criar seu filho como algo acima do que eles podem realizar e veem seu filho como uma bomba relógio prestes a explodir. Em geral, são reféns das manipulações do filho.

Pais Românticos: eles idolatram o filho. Enxergam seu filho como fruto da imaculada conceição e romantizam tudo que ele faz. Acham o filho incapaz de fazer o mal. A realidade da pecaminosidade latente não se aplica a ele.

Pais conscientes: eles sabem que precisam domar a fera e estimular o potencial dentro do seu filho. Estes devem estar conscientes que criar filhos é entrar em uma batalha espiritual que não é vencida apenas com oração, mas também com educação. Precisam mostrar aos seus filhos que há uma luta entre verdade e mentira em jogo todos os dias. E que o maior perigo para o coração deles são as mas companhias, não o colega da esquina mas sim os companheiros mentirosos da  propaganda, internet e mídias em geral.

Eis aqui as seis principais mentiras:

1. Quanto mais coisas você tiver mais feliz você será. Não é preciso dizer que esse pensamento gera um buraco negro consumista que não se satisfaz jamais. Mostre isso ao seu filho.

2. Não conte com ninguém para lhe ajudar, trabalhe sozinho. O individualismo exacerbado nessa ideia desenvolverá uma pessoa que expandirá seu ego indefinidamente até que não haja possibilidade de convivência pacífica com qualquer outro ser humano. Por que será que as estrelas de Hollywood não conseguem ter relacionamentos duradouros?

3. Consiga tudo o mais rápido que puder. As vezes me admiro da frustração que vejo em tantos jovens, que tendo tudo o que precisam, se sentem absolutamente incapazes de enxergar isso. Outro dia um amigo próximo estava insatisfeito porque recém estava terminando sua casa própria aos 23 anos. Quem não entende a lei do processo faz duas coisas na vida: vive descontente e atropela os outros sem piedade.

4. Vença não importa o que for preciso. Aqui a ética é jogada por terra como empecilho a vida. Como li em uma entrevista da Veja: os sete pecados capitais são a chave para vencer na vida. Então fofoca, mentiras, trapaças, desonestidades no varejo e no atacado são lançadas como instrumento de crescimentos. Não é preciso dizer que nossos líderes políticos foram criados nesta mentalidade perniciosa.

5. Violência é divertido. Que tipo de vídeo game seu filho está jogando? Que tipo de filme você curte. Violência parece divertido até que não sejamos vítimas. Você gosta de ser roubado? Abusado? Surrado? Acho que não, então caia na real, e ajude seu filho a cair também. Existem coisas com as quais não podemos nos acostumar nunca.

6. Busque o prazer sempre e evite a monotonia. É o velho hedonismo do qual já falamos aqui no blog.

Embora nossos filhos nos ensinem como mexer no computador, telefone celular e outras parafernálias pós-modernas, não devemos presumir que eles também devam nos ensinar como viver. Essa é a tarefa dos pais. Nós somos a sabedoria, a experiência de vida e a ética que eles precisam em suas vidas. Você é o grilo falante que Deus colocou na vida deles. Diante disso não deixe de fazer o seguinte pelo seu filho:

Desmascare as ideias que estão sendo comunicadas a ele.

Demonstre a consequência nociva dessas ideias para a vida dele.

Aponte o caminho de vida do evangelho.

E não esqueça que essa peleia não termina nunca, até o dia da Redenção.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.