O Quarteto Formidável

O quarteto formidável de nosso tempo se chama: beleza, inteligência, dinheiro e posição. São os valores que se sustentam por si mesmos, e não precisam de explicação. Todos eles têm um forte apelo sexual tanto feminino como masculino.

Pesquisas demonstram que mulheres e homens bonitos se dão bem na vida. Quando fazem uma entrevista de emprego, quando pedem uma ajuda, ou até quando passam o golpe do vigário, são em geral beneficiados naturalmente por seus interlocutores. Todos nós descrevemos uma bruxa má com o máximo da feiura. Até o próprio Satanás sabe que precisa vestir-se de “anjo de luz” a fim de enganar.

Aqueles que não foram dotados de beleza extraordinária procuram em seus bolsos existenciais o segundo ente desse quarteto, a inteligência. Vasculham em si mesmo onde podem ser bons, especialistas, talvez indispensáveis. Quando acham também são bem tratados, convidados para as festas legais e lembrados em momentos de deferência.

O dinheiro, ah, o dinheiro fala. É uma entidade com vida própria. Não é como muitos pensam neutro. Não, ele tem poder corruptor. Uma vez que você disponha dele, você dita as regras do jogo, se assim quiser. Faz os outros correrem atrás de você. Com ele até o Ronaldinho Gaúcho fica bonito.

Como última coluna de valorização você pode ter a sorte de com muito jogo de cintura e astúcia chegar a algum cargo eletivo, ser chefe ou ainda alcançar um título universitário. Ser mestre e doutor aos olhos humanos conta muito, qualquer ser humano normal vira semideus.

Agora se você for bonito, inteligente, rico e tiver posição, entre as mulheres você será chamada de “Diva” e entre os homens de “o cara”. Sua cotação no mercado vai à estratosfera.

Não há nada errado com o quarteto formidável, apenas o terrível fato que eles sirvam de valores absolutos de identidade e valor. Se eles definirem importância e dignidade, minha vida definhará pela angústia e agonia conforme os anos vão passando e eu veja cada um deles sendo ameaçados por outros mais bonitos, mais astutos, inteligentes e de olho na minha posição.

É fácil entrar no jogo do quarteto formidável. Às vezes nos surpreendemos sendo opressores  de outros, quando estamos em posição de patrão. Empregados que reclamam de patrões exploradores, comumente quando em posição de freguês, oprimem quem lhes atende assumindo uma postura superior. Fazem irrefletidamente exatamente aquilo que mais odeiam em seus chefes. Outras vezes desconfiamos de quem vem pela rua em nossa direção apenas pelo fato de ser feio. Em algumas circunstâncias rimos de piadas sem graça apenas por que quem as contou tem muito dinheiro. É, o dinheiro faz rir a muita gente.

Gostaria de dizer que nas igrejas não é assim, mas em uma parcela muito grande delas onde as pessoas são disciplinadas publicamente você verá como governa paralelamente o quarteto formidável do sistema. O que significa dizer que quem é feio, limitado, pobre e sem posição, passará pela humilhação de confessar seus pecados diante de todos. Mas se você for bonito, se tocar no grupo de louvor com destaque, e se for o filho do pastor, ou representar uma fatia significativa da contribuição da igreja, pode esquecer o cajado da liderança não lhe alcançará. O máximo que levará será uma carraspana.  Já vivenciei situações deste tipo e sei do que falo.

Jesus disfarçou-se de feio, simples, pobre e sem nenhuma posição. Ele sabia o quão cruel e superficial se torna a vida apoiada em tais fundamentos. Só o verão também aqueles que descingidos dos valores desse mundo o servirem desinteressadamente conforme ele revelou no evangelho. Ele nos diz que continuará escondido atrás do nu, do esfomeado, do preso e do sem posição. (1)

Embora Jesus não levasse em consideração os valores de nosso mundo, devemos ser justos em dizer que ele também não os transformava em muralhas para se achegar. Assim é que quando o time dos judeus pensava que Jesus só gostava de pobre, ele dá um drible em todas as expectativas e vai até a casa de Zaqueu o publicano, rico, corrupto, entreguista e em sua casa declara em alto e bom som: hoje houve salvação nessa casa. Conversa com o interessado fariseu Nicodemos  sem azedumes, e a outro mestre da lei diz que ele não estava longe do Reino.

Ele sempre enxergava para além das capas humanas definidoras de identidade, e via em todo tipo de ser humano a escondida, mas sempre presente imagem de Deus. Deu atenção ao feio leproso, e curou mendigos. Convidou a todos para o banquete de amor no Reino de Deus.

Deus nos ajude a sermos a igreja do sujo, e do limpo, do feio e do bonito, do rico e do pobre do bem colocado e do sem posição, e tenhamos os olhos de Jesus que conseguia enxergar corações mais do que rótulos.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)    Mateus 25:31

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