Amy Winehouse e a auto sabotagem

Quem em sã consciência deseja destruir a si próprio? Quem na busca de ser bem sucedido dá uma rasteira nas próprias pernas? Quem depois de lutar arduamente para uma conquista, quando está às portas de conseguir coloca tudo a perder? Os auto sabotadores!

Algumas pessoas que sofreram abusos de qualquer ordem, sexual, física ou psicológica acostumam-se a um aterrador estado de miséria.

Pessoas assim, estranhamente gostam de ser mal tratadas. Na verdade preferem a miséria conhecida às aventuras e possibilidades desconhecidas. Aprendi isso trabalhando com populações em extrema pobreza. Tinha certo romantismo a respeito do assunto. É difícil para um jovem simpatizante da esquerda socialista chegar a admitir como veio a acontecer comigo que a pobreza e a miséria é em certos casos uma escolha pessoal.

Você vê pessoas que são exploradas e são incapazes de reagir. Baixam a cabeça, aceitam, apenas lamentam um pouco pelos cantos e gostam de contar suas histórias tristes a quem lhes dá os ouvidos por alguns minutos. Mas tão logo são ajudadas, elas começam  a achar que a compaixão que lhes demonstram é na verdade fraqueza e então mudam o tom e a atitude e começam a ficar exigentes, revelando uma crueldade até então escondida. No fundo elas entendem que não podem ser bem tratadas.

É estranho, pode ser até politicamente incorreto falar, mas existem pessoas que se acostumam a serem escravas, e acham que o tratamento adequado que se deve lhes dar é o de escravo. Se você for uma pessoa que acredita que o certo é o que dá certo, você vai tratar essas pessoas com rigor e terá os melhores resultados. Mas se você for um discípulo de Jesus, você proclamará as boas notícias do amor incondicional de Deus, que nos tira da vida miserável, pois nunca foi seu plano para nós.

Gosto da história do cego Bartimeu. Aí está um personagem bíblico que não acreditou que o seu destino era viver mendigando a sobrevivência durante toda a sua vida. Ouso especular que muitas pessoa na época de Jesus não foram transformadas porque mesmo que recebessem a bênção da saúde, não conseguiriam viver como gente sadia pois a mente estava obstinadamente doente.

Quando Bartimeu ouviu as histórias sobre Jesus, deve ter pensado consigo mesmo:  “Se eu tiver ao menos uma oportunidade, eu vou sair dessa!” Então ele descobriu que o dia havia chegado. O Nazareno passava bem pertinho dele. “Jesus filho de Davi tem misericórdia de mim!” Se esgoelava gritando o cego até o ponto de que tudo o que se ouvia era sua voz. Jesus então pára, e o chama. “Eu já estou curado” pensou ele, e largou a capa que representava a vergonha e o peso de ser cego pelo meio do caminho. Jesus o tocou e ele foi feliz pelo meio do caminho. (1)

Por outro lado vemos Naamã, que durante anos era castigado pela maldição daquela época, a lepra, mas não conseguia ver que tinha diante de si a oportunidade da sua vida: ser curado. Ele havia se acostumado com a lepra. Não queria banhar-se no rio Jordão, porque não estava a sua “altura”. Um doente que recusa remédio. (2)

Seria aconselhável pensarmos até que ponto nós mesmo não somos auto sabotadores. Até que ponto não nos metemos em dívidas financeiras porque no fundo acreditamos que a prosperidade financeira é algo que não merecemos. Até que ponto não estragamos tudo no nosso casamento porque nos sentimos culpados por sermos felizes em meio a tanta infelicidade, até que ponto não encontramos defeitos mortais em nossa vida apenas pelo fato de não tolerarmos que afinal não possamos mais culpar a ninguém nem nos fazermos mais de vítimas.

Conheci um casal cuja vida havia sido marcada pelo ciclo vicioso do alcoolismo.  A mulher chorava e reclamava que o grande motivo da infelicidade de sua vida era o fato de que seu marido havia bebido toda vida e exposto a família a situações de grande vergonha pessoal e pública. Ela dizia que tudo que queria era ver o marido limpo e sóbrio. E então veio a boa nova, chegou o dia em que o marido abraçando a fé em Cristo, largou tudo. Só que o vício não escraviza apenas o viciado, escraviza também a mente da família do viciado, que desaprende a viver bem, e então começa como essa mulher fez, a atazanar a vida do ex viciado, expondo-o a tristeza, raiva e o stress. Condições que pavimentam o caminho de volta ao alcoolismo. E foi o que aconteceu. O marido voltou ao vício e a mulher parecia mais pacificada, pois podia lamuriar-se como antes. Hoje o marido está limpo há muitos anos, mas ela crê que lhe falta “algo”, não consegue sossegar a alma. Mas o que lhe falta é aceitar que pode ser feliz.

Sei que muitos que lêem esses relatos quase não conseguem acreditar, mas o fato é que nós muitas vezes somos os sabotadores de nossa própria alegria, por razões que precisam ser expostas e transformadas pela verdade.

Pobre Amy Winehouse, mais que o corpo, sua mente era escrava e nunca pode encontrar a saída. Ela não sabia o valor que tinha, não do talento que todos sabiam era brilhante, mas o de ser humano criado à imagem e semelhança de Deus. Pobre desta geração que segue pelos mesmos passos, e que precisa de uma etiqueta, uma marca, o álcool, milhares de plásticas para sentir-se bem consigo mesma. Que vão pelo meio do caminho tropeçando em relacionamento problemáticos, aventuras promíscuas, noitadas intermináveis  e escolhas autofágicas sem encontrar paz.

A mensagem da cruz nunca foi tão crucial: Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores. (3)

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)    Marcos 10:46

(2)    II Reis 5

(3)    Romanos 5:8

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2 pensamentos sobre “Amy Winehouse e a auto sabotagem

    • Definitivamente as pessoas não sabem ser feliz aquela vida abundante que Jesus nos oferece todos os dias,tanto os escravos como os “libertos”…

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