Se eu pudesse viver a minha vida novamente

SE EU TIVESSE MINHA VIDA PARA VIVER NOVAMENTE

Erma Bombeck

Eu teria falado menos e ouvido mais. Eu teria convidado
amigos  para o jantar mesmo que o carpete estivesse sujo e o sofá desbotado.

Eu teria comido pipoca na sala de estar e me preocupado menos com a sujeira
quando alguém pensasse em acender a lareira.

Eu teria tirado um tempo para ouvir meu avô contar-me sobre sua juventude.

Eu jamais insistiria para que as janelas do carro ficassem
levantadas no verão, por causa do meu cabelo, que havia acabado de ser arrumado.

Eu teria acendido a vela cor-de-rosa, em forma de rosa, antes dela se desmanchar.

Eu teria me sentado no chão com meus filhos, sem me  preocupar em me sujar.

Eu teria chorado menos assistindo televisão e mais vivendo a minha  vida.

Eu teria ido para cama quando estivesse doente, ao invés de agir  como se o
mundo fosse acabar, caso eu não saísse aquele dia.

Ao invés de ficar desejando durante os nove meses de gravidez, eu
aproveitaria cada momento, pensando como a sementinha que se desenvolvia
dentro de mim, era um milagre de Deus.

Quando os meus filhos me beijassem compulsivamente, eu jamais diria,

“Mais tarde. Agora vamos lavar as mãos para jantar”.
Haveria mais “Te amo”…mais “Me desculpe”.

…mas principalmente, tendo uma segunda chance de vida, eu iria juntar
cada minuto… olhar e realmente vê-lo…vivê-lo…e nunca desperdiçá-lo.

Crédito Pessoal

Hoje pela manhã tive que levar o carro para consertar. Um problema na marcha lenta faz com que ele apague a toda hora. Procurando um profissional que pudesse me ajudar, fui conversar com um conhecido que também é cristão para que me recomendasse alguém de confiança para entregar meu carro.

A oficina que ele me recomendou, não se recomendava pela aparência suja e pelo grande número de carros sem terminar. Marquei pela manhã para levar o carro e o rapaz veio me trazer em casa. Dei a chave pra ele e enquanto ele pegava o carro com todos os documentos eu comecei a pensar nesse negócio de confiança.

Nada funciona bem nesse mundo sem a confiança. O crédulo acredita em tudo, e o cético não acredita em nada. Ambos vivem na ignorância. Nosso mundo estará em apuros se destruir a estrada sobre a qual constrói toda  civilização decente e estável: o crédito pessoal. Não estou falando financeiro, estou falando pessoal mesmo.

A semelhança da vida econômica, não é possível que qualquer comunidade ou dimensão humana se desenvolva sem crédito pessoal. Ninguém sozinho pode ter certeza de tudo, sobre tudo o tempo todo. Sempre seremos obrigados a confiar, mesmo que desconfiando.

Arthur da Távola disse que tolo não é quem confia, mas quem não valorizou a confiança. Sim, ele fala com razão, pois quem não confia não vai a lugar nenhum, não ama, não se entrega, não constrói, não edifica, não ri e não é feliz.  Prefiro ser enganado a desconfiar de todo mundo disse Roberto Marinho em um momento de grande percepção.

O passageiro que voa pelos céus desse mundo precisa confiar na empresa de companhia aérea, que tem que confiar em seus comandantes, que precisam confiar em seus copilotos que precisam confiar nos mecânicos, que precisam confiar nos fabricantes das peças de reposição. Nas palavras da Ultramen:

Um homem com palavra é um homem da verdade

É requisito básico pra personalidade

Não importa a idade, a cidade ou a nação

Respeito é herança da civilização

A confiança que agoniza, é a razão de tantos papéis, tantas assinaturas, tantos contratos, tantas fianças e tantas garantias sem fim. A confiança tem um custo elevado para quem já foi traído, foi enganado, ludibriado quando no seu coração só habitavam os bons pensamentos e expectativas. Mesmo assim não se sinta tolo por ter confiado. Você vai precisar continuar confiando se quiser viver uma vida que vale a pena. Será um caminho duro, mas o fracasso da colheita não quer dizer que as sementes não dão o seu fruto como sempre fizeram desde o começo de tudo. Mas também não faça ninguém de bobo, pois o bobo será você certamente. Você precisará que confiem em você, e se a sua semeadura for boa o fruto será dulcíssimo.

Não existe maior alegria do que poder viver relacionamentos de confiança. É o maior elogio que podemos dar e receber. Não permita que os cínicos que não acreditam em mais nada nem ninguém determinem seu caminho daqui para frente.

Jesus com a pureza da confiança intocada apesar da mácula da traição, recebe o traidor  com o coração desarmado e o chama de amigo. É com esse coração que quero morrer, porque morrer assim é viver.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

O Quarteto Formidável

O quarteto formidável de nosso tempo se chama: beleza, inteligência, dinheiro e posição. São os valores que se sustentam por si mesmos, e não precisam de explicação. Todos eles têm um forte apelo sexual tanto feminino como masculino.

Pesquisas demonstram que mulheres e homens bonitos se dão bem na vida. Quando fazem uma entrevista de emprego, quando pedem uma ajuda, ou até quando passam o golpe do vigário, são em geral beneficiados naturalmente por seus interlocutores. Todos nós descrevemos uma bruxa má com o máximo da feiura. Até o próprio Satanás sabe que precisa vestir-se de “anjo de luz” a fim de enganar.

Aqueles que não foram dotados de beleza extraordinária procuram em seus bolsos existenciais o segundo ente desse quarteto, a inteligência. Vasculham em si mesmo onde podem ser bons, especialistas, talvez indispensáveis. Quando acham também são bem tratados, convidados para as festas legais e lembrados em momentos de deferência.

O dinheiro, ah, o dinheiro fala. É uma entidade com vida própria. Não é como muitos pensam neutro. Não, ele tem poder corruptor. Uma vez que você disponha dele, você dita as regras do jogo, se assim quiser. Faz os outros correrem atrás de você. Com ele até o Ronaldinho Gaúcho fica bonito.

Como última coluna de valorização você pode ter a sorte de com muito jogo de cintura e astúcia chegar a algum cargo eletivo, ser chefe ou ainda alcançar um título universitário. Ser mestre e doutor aos olhos humanos conta muito, qualquer ser humano normal vira semideus.

Agora se você for bonito, inteligente, rico e tiver posição, entre as mulheres você será chamada de “Diva” e entre os homens de “o cara”. Sua cotação no mercado vai à estratosfera.

Não há nada errado com o quarteto formidável, apenas o terrível fato que eles sirvam de valores absolutos de identidade e valor. Se eles definirem importância e dignidade, minha vida definhará pela angústia e agonia conforme os anos vão passando e eu veja cada um deles sendo ameaçados por outros mais bonitos, mais astutos, inteligentes e de olho na minha posição.

É fácil entrar no jogo do quarteto formidável. Às vezes nos surpreendemos sendo opressores  de outros, quando estamos em posição de patrão. Empregados que reclamam de patrões exploradores, comumente quando em posição de freguês, oprimem quem lhes atende assumindo uma postura superior. Fazem irrefletidamente exatamente aquilo que mais odeiam em seus chefes. Outras vezes desconfiamos de quem vem pela rua em nossa direção apenas pelo fato de ser feio. Em algumas circunstâncias rimos de piadas sem graça apenas por que quem as contou tem muito dinheiro. É, o dinheiro faz rir a muita gente.

Gostaria de dizer que nas igrejas não é assim, mas em uma parcela muito grande delas onde as pessoas são disciplinadas publicamente você verá como governa paralelamente o quarteto formidável do sistema. O que significa dizer que quem é feio, limitado, pobre e sem posição, passará pela humilhação de confessar seus pecados diante de todos. Mas se você for bonito, se tocar no grupo de louvor com destaque, e se for o filho do pastor, ou representar uma fatia significativa da contribuição da igreja, pode esquecer o cajado da liderança não lhe alcançará. O máximo que levará será uma carraspana.  Já vivenciei situações deste tipo e sei do que falo.

Jesus disfarçou-se de feio, simples, pobre e sem nenhuma posição. Ele sabia o quão cruel e superficial se torna a vida apoiada em tais fundamentos. Só o verão também aqueles que descingidos dos valores desse mundo o servirem desinteressadamente conforme ele revelou no evangelho. Ele nos diz que continuará escondido atrás do nu, do esfomeado, do preso e do sem posição. (1)

Embora Jesus não levasse em consideração os valores de nosso mundo, devemos ser justos em dizer que ele também não os transformava em muralhas para se achegar. Assim é que quando o time dos judeus pensava que Jesus só gostava de pobre, ele dá um drible em todas as expectativas e vai até a casa de Zaqueu o publicano, rico, corrupto, entreguista e em sua casa declara em alto e bom som: hoje houve salvação nessa casa. Conversa com o interessado fariseu Nicodemos  sem azedumes, e a outro mestre da lei diz que ele não estava longe do Reino.

Ele sempre enxergava para além das capas humanas definidoras de identidade, e via em todo tipo de ser humano a escondida, mas sempre presente imagem de Deus. Deu atenção ao feio leproso, e curou mendigos. Convidou a todos para o banquete de amor no Reino de Deus.

Deus nos ajude a sermos a igreja do sujo, e do limpo, do feio e do bonito, do rico e do pobre do bem colocado e do sem posição, e tenhamos os olhos de Jesus que conseguia enxergar corações mais do que rótulos.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)    Mateus 25:31

Paternidade Espiritual

Mentor, discipulador, líder são algumas das palavras utilizadas para a indispensável tarefa de cuidar de outra vida. De todas prefiro “paternidade espiritual”. Há muitos órfãos espirituais vítimas de abandono emocional de seus líderes e pais naturais. Essa lacuna a igreja deveria estar preenchendo através de uma ênfase mais forte na necessidade de sermos e de termos um relacionamento de paternidade espiritual.

Quando entramos neste assunto, enfrentamos duas resistências muito comuns e uma delas plenamente justificável. A primeira é o abuso do conceito “paternidade espiritual”. Figuras de autoridade em um tempo como o nosso causam calafrios em muitas pessoas. Os abusos são evidentes, e como colocou um colega pastor temos cinco Pês problemáticos: Professores, Pais, Policiais, Políticos e Pastores. Megalômanos de plantão, utilizam essa ideia como instrumento de controle e proeminência sobre outros. Alguns já entendendo que não lhes cabe mais nenhum título, descaradamente se autodenominam “patriarcas”, a semelhança de antigas vaidades católicas como a história do sumo pontífice, chamado de “papa”. Mas como dizia o provérbio latino “o abuso não cancela o uso”. Não deixaremos de nos referir a um ensino bíblico só porque existem pessoas dele se aproveitando, assim como não deixamos de enviar nossos filhos à escola porque existem professores incompetentes.

Alguém também certamente me fará recordar das palavras de Cristo no evangelho: “A ninguém na terra chamem ‘pai’, porque vocês só têm um Pai, aquele que está nos céus.” (1) Mas aqueles que leem o contexto destes versos entendem claramente que Jesus estava se referindo a títulos que promovem hierarquias e vaidade pessoal e não ao trabalho fundamental de cuidado de vidas que propomos nesta postagem. Você pode falar de pai como um título e pode falar de pai como uma função. É neste último sentido que fazemos referência.

A segunda resistência que enfrentamos, é a cultura individualista que fomos educados. A dimensão comunitária da vida é desencorajada de todas as formas. Uma das frases que mais escuto na igreja é: “ninguém tem nada que ver com minha vida”. Quem assim pensa encontra dificuldade no casamento, em manter amizades e vivendo em comunidade.   Essas mesmas pessoas desmentem suas palavras quando passam por necessidades físicas ou emocionais e procuram ajuda. Assim é que quem nos ama tem sim muito que ver com nossa vida.

As Escrituras nos trazem alguns textos que apontam para a necessidade de paternidade espiritual:

“Embora possam ter dez mil tutores em Cristo, vocês não tem muitos pais, pois em Cristo Jesus eu mesmo os gerei por meio do evangelho. Portanto suplico que sejam meus imitadores.” (2)

“Meus filhos, novamente estou sofrendo dores de parto por sua causa, até que Cristo seja formado em vocês.” (3)

“Pois vocês sabem que tratamos cada um como um pai trata seus filhos…” (4)

“…fomos bondosos quando estávamos entre vocês, como uma mãe que cuida dos próprios filhos…” (5)

É pensamento comum que o crescimento pessoal e espiritual acontece apenas com informação. Então enfatizamos a pregação como instrumento único de crescimento, quando o exemplo de Jesus nos ensina que o crescimento acontece a partir de relacionamentos de cuidado e amor. Nesse relacionamento de cuidado e amor então a informação tem o impacto e lugar que deve ter.

Podemos ver uma série de momentos na Palavra em que relacionamentos de paternidade espiritual geraram resultados impressionantes. São eles: Moisés e Josué, Elias e Eliseu, Davi e Salomão, Barnabé e Paulo, e Paulo e Timóteo para citar apenas alguns.

Quais os benefícios da paternidade espiritual?

O primeiro benefício é um nível de vida mais alto. Não é por acaso que a Escritura nos relata que Eliseu após haver andado com Elias, foi capaz de realizar duas vezes mais do que o próprio Elias. A porção dobrada de poder veio não de um evento como equivocadamente supomos, mas de uma caminhada ao lado do profeta. Sozinhos nosso ego se infla, nos consideramos melhor do que os outros e como a psicologia já nos ensinou, ficamos cegos para uma série de problemas. A melhor pessoa para nos dizer algo é alguém que exerça um relacionamento de mentoria, que esteja interessada em cuidar de nossa vida sem nos controlar. Claro que não podemos querer que tudo seja perfeito logo de início, mas precisamos caminhar em direção ao ideal cada ano de nossa vida de fé. É o que temos feito em nossa comunidade. Ninguém é obrigado a ser discipulado, mas todos são encorajados e ensinados que esse é o caminho do crescimento.

O segundo benefício é um modelo de vida.  Estamos por natureza procurando modelos para nos espelharmos. Você aprende por experiência, que é um método bem doloroso, você aprende por reflexão, que exige muito pensamento, e você aprende por imitação, que é acessível e claro. Todos esses métodos devem estar presentes para uma formação completa. Pessoas cujo projeto de vida é serem imitadoras de Cristo, nos ajudarão como nenhum outro programa na igreja será capaz na jornada de caminhar com Cristo. (6)

O terceiro benefício é proteção espiritual. Quando falo de proteção tenho em mente a cegueira que carregamos em relação a nós mesmos. No momento em que posso ser questionado e perguntado sobre minha vida, uma série de padrões de pensamento e comportamentais são identificados trazendo a tona mentiras que solapam meu crescimento. Também penso na intercessão de Cristo por Pedro,(7) que o livrou das garras do inimigo. A oração de um “pai espiritual” pode significar uma vantagem decisiva na batalha espiritual. Além disso, em um relacionamento dessa qualidade a confissão, uma prática esquecida nos dias de hoje pode trazer cura para aqueles que lutam com os mesmos problemas durante anos e não conseguem se libertar, por não conseguirem se livrar da culpa e por não terem a quem prestar contas. Tenho visto jovens e adultos serem libertos de problemas financeiros, sexuais e emocionais persistentes pelo fato de poderem abrir o coração sem que ninguém os condene, mas os desafie a viver conforme o evangelho.

O quarto benefício é afeto. Ontem assistia a um documentário sobre o fenômeno do boxe: Mike Tyson. Ele foi descoberto por um descendente de italianos que se tornou na motivação pessoal de superação no esporte para ele. Dele Mike Tyson recebeu a atenção paterna que jamais teve. Para sua tristeza esse homem morreu quando ele ainda tinha 19 anos deixando uma lacuna emocional na sua vida. Quando foi o campeão mais jovem dos pesos pesados o grande lamento de Mike Tyson foi de que ele não estivesse ali para assisti-lo. A história dele é a história de muitos em nossas igrejas, que serão mudadas dramaticamente, se os homens e mulheres de Deus encararem o desafio de saírem de seus interesses individuais e investirem sua vida em derramarem seu afeto e o amor em outras pessoas em nome de Jesus. Todos precisamos de pessoas que se aproximem e digam que acreditam em nós e no potencial que Deus colocou em nossas vidas.

Na esperança do nascimento de muitos pais e mães espirituais:

O discípulo gaudério.

(1)    Mateus 23:9

(2)    I Coríntios 4:15

(3)    Gálatas 4:19

(4)    I Tessalonicenses 2:11

(5)    I Tessalonicenses 2:7

(6)    I Coríntios 11:1

(7)    Lucas 22:31

Pais influenciam comportamento sexual das filhas

Publicado originalmente no New York times, via IG
Decisões sexuais da menina são influenciadas pelo pai, afirmam pesquisadores

“Quando se trata de garotas e suas decisões sexuais, a influência paterna realmente é importante”, afirma o escritor Bruce J. Ellis, da Universidade do Arizona, em uma publicação universitária.

Ellis e outros pesquisadores analisaram 59 pares de irmãs em famílias onde os pais se separaram e o pai foi embora de casa e 42 pares de irmãs de famílias onde os pais continuavam juntos.

Sexo sem camisinha
Os pesquisadores descobriram que meninas viveram em ambiente com pais com boas habilidades paternas eram menos propensas a desenvolver um comportamento sexual arriscado. Enquanto que as meninas que viveram com pais com pouca habilidade, mostravam um comportamento sexual mais arriscado. “Descobrimos que não importava o quanto cada filha tinha vivido ao lado do pai, e sim o que o pai fazia enquanto estava presente”, afirma Ellis.

O estudo observou ainda que no caso das irmãs de pais divorciados, a mais velha passava uma média de sete anos a mais vivendo com o pai do que a irmã mais nova.

Comportamento sexual de risco inclui fazer sexo sem camisinha, ter vários parceiros sexuais, fazer sexo enquanto estava alcoolizada ou drogada e ficar grávida antes dos 19 anos.

O Estilo de Vida de Peter Pan

Continuando nosso assunto do último post, sobre a resistência de nossos jovens em deixarem de ser moleques e se tornarem homens, queremos detalhar o estilo de vidas de quem vive na terra do nunca, e desafiar aos que leem a desafiarem outros a deixarem de serem moleques. Nas palavras de Paulo: “Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Depois que me tornei homem, fiz desaparecer o que era próprio da criança”. (1)

Todas as sociedades antigas possuíam ritos de passagem, cerimônias que comunicavam para a comunidade e para o jovem que ele deveria ter outra atitude na vida e assumir responsabilidade por suas decisões. Entre os judeus, havia a prática do Bar Barakah, cujo significado é filho da bênção. Na cerimônia os pais liberam o filho para idade adulta. O que impressiona é a idade com que era celebrada: 14 anos.  O rito reconhece a importância de encorajar os meninos a se tornarem homens, o que definitivamente é uma carência da sociedade hoje. Nele os pais brindam ao filho a confiança necessária para adentrar a vida adulta com seus desafios e aventuras.

A responsabilidade de levar um jovem a essa transição deveria ser de outro homem. Uma mulher jamais deve fazê-lo, porque não tem os recursos para tanto. Em geral, a mulher irá acolher, proteger e inconscientemente tentar manter seu menino sempre ao alcance dos seus olhos. É muito comum vermos as mães sabotarem o processo de maturidade de seus filhos, manipulando situações para que eles permaneçam bebendo de sua fonte.

A primeira coisa a ser feita, é discernir como é a vida do menino que não quer crescer. É o que tentaremos fazer, descrevendo alguns comportamentos padrões. Talvez esse post possa se tornar o começo do seu Bar Barakah:

1. O homem moleque permanece dependente dos pais. A dependência pode ter níveis diferentes, pode ser financeira, pode ser emocional ou ainda espiritual. Um jovem que é sustentado pelos pais depois de haver crescido e ter oportunidade de trabalhar ainda habita a terra do nunca; ou ainda aquele que mora com os pais mas não ajuda em nada. Outros não conseguem tomar decisões sozinhos, e  entregam a responsabilidade para os pais. Muitos descansam espiritualmente no vigor de fé daqueles que os geraram, deixando que eles orem e se preocupem pela saúde espiritual da família. Vi filhos se levantarem espiritualmente apenas quando o pai morreu, e não há mais possibilidade da dependência existir. Vi homens que deixaram suas mães ditarem os rumos do seu casamento, trazendo um conflito permanente entre nora e sogra.

2. O homem moleque não assume  compromisso com nada. Você já viu a dificuldade dos homens em darem sua palavra e se agarrarem a ela? É comum de uma criança. Crianças não sustentam sua palavra. São pessoas que nem mesmo em um emprego conseguem permanecer porque não se pode contar com eles nos momentos mais decisivos. São aqueles que farão apenas o que foi assinado e reconhecido em cartório.

3. O homem moleque quer viver para se divertir. Diversão é algo importante, mas existem homens que não têm tempo para nada em família.  Só que encontram tempo para sair com os amigos, jogar futebol, assistir televisão e tudo mais. Os compromissos com o Reino sempre ficam abaixo da diversão. O homem menino foge da raia quando o assunto fica difícil.

4. O homem moleque quer se servir de todas as mulheres. Pois tem fixação no relacionamento com sua mãe. Muitos escolhem suas esposas por terem semelhanças básicas com suas mães. Mas deveriam passar dessa fase! Eles comportam-se como meninos quando não assumem sua responsabilidade de resolver conflitos no lar e são os primeiros a se emburrar; exigem de sua família sem dar exemplo de entrega; quando entregam a responsabilidade de todas as decisões para a esposa. Esse homem tem dificuldade de aceitar que no relacionamento homem mulher existem duas taças a tomar: alegria e sacrifício. Ele precisa saber que:

Casamento não é casa de recuperação de gente doente.

Casamento não é pensão para uma pessoa ter lugar para morar

Casamento não é casa da mãe de uma criança mimada e irresponsável.

Casamento não é certidão de casamento como carta de propriedade.

Casamento não é licença para infernizar a vida de outro ser humano.

Casamento não é casa de alívio das tensões sexuais.

5. O homem moleque quer em tudo ser agradado. Por isso tem dificuldade em se comprometer com a realização de grandes empreendimentos. Nele não habita a capacidade de sacrifícios dado o fato de que está acostumado a ser paparicado.

6. O homem moleque quer ser temido. Uma criança que foi muito assustada na infância tem o desejo de passar uma imagem forte e inabalável. Mas um homem de Deus não pode ceder à tentação de impor medo, pois Deus nos chamou ao caminho do amor.

7. O homem moleque critica tudo, mas não resolve nada. Pela própria covardia este homem tem medo de arcar com as consequências de suas decisões, então ele resolve não tomar decisão alguma para permanecer na confortável posição de crítico do estado de coisas em todo lugar aonde vai. Porque é preciso ter peito para mudar.

8. O homem moleque tem problemas gigantescos para trabalhar debaixo de autoridade. Quando tem talento para liderança torna-se tirano da alma dos seus subordinados, quando não tem não se adapta na escola, na igreja ou no trabalho.

Um homem assim:

Não tem amigos, só tem comparsas.

Não conhece a paz.

Não tem honra quando alguém não está por perto.

Não conhece o máximo prazer de amar verdadeiramente uma mulher.

A você que chegou até aqui e tem o desejo de mudar recomendo os seguintes caminhos:

Admita que você tem agido como um moleque.

Não julgue o universo masculino e o seu papel pelo que você vivenciou com seu pai.

Pare de culpar outras pessoas pela situação de sua vida.

Procure a companhia de uma comunidade estável de parceiros de caminhada. Isso parece óbvio, mas não é. A vida virtual tem feito de muitos um personagem cibernético vivendo em um universo fora da realidade e absolutamente individualizado.

Ache um discipulador homem, que possa ajuda-lo no processo de maturidade. Sobre isso falaremos no próximo post.

Na esperança de um novo amanhecer para os homens dessa geração:

O discípulo gaudério.

(1)    I Coríntios 13:11