A busca do sentido da vida

 (palestra ministrada no evento Be Yourself)

As leis da física nos ensinam que a vida tende ao caos, e quanto mais me empenho em dar sentido a vida mais caos e desorganização eu crio. O Eclesiastes diz que Deus colocou a eternidade no nosso coração, o desejo da ordem e do sentido. Creio que isso representa nossa vida. Nossa existência é a história da busca por um sentido. Aqueles que entendem que não há esperança de sentido no caos, simplesmente se entregam a projetos autodestrutivos como as drogas. Por mais que a sociedade nos incentive a um estilo de vida McDonalds (seu copo, seu hambúrguer, suas batatas fritas) nosso coração nos impele na busca por transcendência, algo maior que nós mesmos.

Aqueles que por instinto acreditam em um sentido buscam em pelo menos 4 formas populares. Poderíamos falar de outras mas vamos falar das principais:

Romance: a esperança e o desejo de viver um grande amor. Isso parece coisa de mulher, mas não é. Os barbados também choram e se emocionam com uma boa comédia romântica e escondem suas lágrimas atrás de um copo de cerveja. Se você der uma observada vai ver que a maioria das músicas românticas são composições de homens para as mulheres. Hoje em dia essa opção parece cada vez mais desgastada.  Veja só o desenvolvimento: cortejar, namorar, paquerar, flertar, ficar e agora “pegar”. Fizeram uma pesquisa com meninos e meninas perguntando o porquê desse comportamento, e o que se descobriu? Ambos deram uma resposta semelhante: não dá para confiar nos homens e nas mulheres hoje em dia. O que aponta para o fato de que as pessoas continuam sedentas de intimidade.  A grande esperança de grande parte da sociedade continua sendo encontrar um grande amor e assim trazer sentido a vida. A partir daí se constroem os vampiros e os sanguessugas, o perfil ideal dos crimes passionais cada vez mais comuns. Saiba quando o romance dá sentido a vida, ele se torna um deus, e quando é deus, ele é o diabo!

Política: “Meus heróis morreram de overdose, meus inimigos estão no poder” Meu irmão era filiado ao PSB e fez campanha para vereador. Também integrou em meados dos anos 80 um jornal de viés esquerdista em Bagé. Na mesma toada eu fui daqueles que fizeram campanha para Lula em 1989. Cantei junto com Djavan e Chico Buarque “olê olê olá Lula Lula. Lula lá, brilha uma estrela, Lula lá meu primeiro vota prá fazer brilhar nossa estrela. Eu chorava de emoção sonhando em mudar o país. Nos anos seguintes votei só em candidatos do PT para toda e qualquer eleição. Chegando ao século 21, mensalão, reformas adiadas e políticas sociais pífias. Então tristemente tive que cantar Pula lá, Pula dessa estrela.  Talvez a política partidária seja o óculos e o prumo com o qual você julga e enxerga a vida. Quando é assim enxergamos a vida assim: quem está comigo está certo, tem a cabeça aberta, e entende como é a realidade, quem não está é obtuso, está errado e não entende nada. Nós somos os mocinhos e eles são os vilões. Embora não seja alienado, tenho convicção de que uma mente encadeada pela política com muita facilidade oprimirá seu próximo ou violará sua consciência. Quando a política se torna um deus na nossa vida, ela é o diabo.

Universidade: O ensino superior me ajudou a abrir os olhos para um montão de coisas que eu ainda não entendia. Sempre tive uma inclinação para ler e questionar, mas devo confessar que fui acometido da síndrome do novato na universidade. O ensino superior no Brasil é além de todas as coisas maravilhosas uma fonte de vaidade. Lembro que com as notas e os desempenhos promissores no Seminário e o elogio dos professores eu me achei a última bolachinha do pacote e ao mesmo tempo em que estudava sobre Deus, estava pelo meu próprio orgulho vazio espiritualmente. Descobri por experiência própria que o conhecimento infla, envaidece e nos faz criar elites, mas não enche nossa alma. É como a tentação do Éden: sereis conhecedores do bem e do mal. Atrelada a busca de conhecimento vem a promessa: sereis como Deus. E é precisamente assim que aquele que adora no templo do conhecimento se sente: um pequeno deus. E não é preciso dizer como age um homem com complexo de Deus. Universidade é bom, mas quando é deus é o diabo.

Futebol: o estádio de futebol é cada dia mais um templo e menos um local de entretenimento. Levam-se para lá todas as esperanças e expectativas e alegria e leva-se dali frustrações, conflitos que não acabam com o apito final da partida. Vejo no Uruguai como o futebol tem sido usado para elevar a autoestima daquele país que outrora foi a Suiça da América Latina, mas agora luta para manter-se em pé com apenas 3 milhões de habitantes. Ao mesmo tempo me impressiono com o fanatismo que cresce celeremente desafiando a sociedade civil. Há pouco tempo atrás em uma fila para assistir Pelotas x Grêmio  vi a insensatez das provocações, da cabeça quente por tão pouca coisa. Apesar de termos já visto suficientes tragédias nos campos de futebol tenho a impressão de que não aprendemos. Minha opinião é que a razão disso é que o futebol virou uma religião, um deus, e o futebol quando se torna deus também é o diabo.

Cada uma destas dimensões são tentativas de dar sentido a vida. De colocar ordem no caos.

Cada uma delas funcionam bem como coadjuvantes em nossas vidas, jamais como protagonistas. Jesus veio até a terra, e foi mais do que tudo um mestre da vida. Sua proposta é de que cada um de nós se torne um templo ambulante cujo o anseio feroz por transcendência seja saciado nEle. Como disse Chesterton: O cristianismo não foi experimentado e abandonado por ser impossível, mas foi considerado impossível e jamais experimentado.

Meu convite a você  é que hoje comece uma peregrinação em direção a um novo sentido da vida.

Eu creio que se você procura a verdade, ela vai te encontrar. Então abra sua cabeça hoje. Se você veio até aqui hoje é porque algo o intriga sobre as questões espirituais. Aconselho a você três coisas:

Comece a ler os evangelhos por você mesmo.

Faça perguntas.

Ore onde quer que você esteja abrindo-se para Deus. Sem qualquer compromisso institucional abra seu coração para que Deus te conduza nessa jornada. Como disse alguém: nossas mentes são como paraquedas só funcionam quando estão abertas.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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