Sobrevivência Espiritual

Você precisa viver. Você precisa trabalhar. Tem gente que depende de você.

Você se esforça para fazer um bom trabalho.

Você chega na hora.

Você respeita a hierarquia.

Você procura melhorar cada dia mais.

Você abre mão de tudo para agradar seu patrão.

Abdica de horas livres, de momentos em família.

Cada ano que passa você entrega mais horas ao seu trabalho.

Se você não fizer isso você será um homem morto. Despedido. É o que você pensa.

Afinal é a sua SOBREVIVÊNCIA.

Nesse mesmo mundo você precisa sobreviver espiritualmente.

E o mundo é  um deserto espiritual.

O deserto não poupa ninguém, nem de dia nem de noite. Não há alimento. Só há calor insuportável e frio congelante.

Tudo anda contra você.

Você não vai encontrar estímulos para continuar firme.

Não seja tolo.

O sistema repete até a náusea a mesma ladainha. Na propaganda, conversa entre amigos, companheiros de trabalho, direta e indiretamente. Sutil e descaradamente.

Eles dizem:

É importante o que você aparenta não o que você é! Simplesmente aparente. Seja um ator.

Seja esperto, conquiste, ganhe, ajunte, proteja.

Faça o que o seu desejo manda, corra atrás, anseie, angustie-se, não dê descanso a si mesmo, questione tudo e a todos menos a seus desejos. Eu quero então eu devo.

Você consegue ouvir os aplausos lá fora? Sabe quem eles estão aplaudindo?

A Senhora Extravagância. Ela desfila cada dia uma nova bizarrice enquanto todos aplaudem cada vez mais. A Senhora Bondade não tem lugar nesse desfile.

Mas esperem Dona Luxúria também está sendo recebida calorosamente. Ela vende de tudo para todos, ela tem o toque de Midas. Tudo que ela coloca sua mão vira ouro.

Junto com ela vem Doutor Desbocado. Ele amaldiçoa, reclama, duvida e fofoca. O séquito os persegue. O barulho é ensurdecedor.

Você não acha nada estranho tudo isso?

Não parece tudo loucura? Não lhe deixa perturbado?

Você consegue ainda ouvir a voz de Deus?

Você está cuidando da alma? Você está abrindo mão de tudo para poder sobreviver?

Você ainda sente aquele antigo desejo de ouvir a Palavra pura e simples?

Você se identifica com quem ama a Jesus?

Jesus é alguém em quem você pensa quando vai fazer qualquer coisa ou tomar alguma decisão?

Há culto na sua vida, além da música do domingo?

Se não, você é um homem morto e não sabe.

Lute pela sobrevivência, e não se faça de vítima das circunstâncias.

Não te micha tchê.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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Batalhas Inúteis

A vida é uma batalha, segundo a definição de Paulo.

Guerreamos em diferentes direções. Contra nós mesmos, contra o sistema e contra as forças do mal.

Mas nem toda batalha devemos entrar. Precisamos  aprender a ter foco. O foco concentra nossas forças. É como se algumas pessoas vivessem por aí dando tiros de espoleta para todo lado, e outras guardando granadas para poderem enfrentar inimigos poderosos.

Saul fez isso. Enquanto escolheu comprar briga com Davi, que era um inimigo inventado pela sua mente doente, perdeu a batalha contra os poderosos filisteus conforme descrito no livro de I Samuel.

Existe uma série de batalhas inúteis que nós também perdemos nosso tempo. Eis aqui algumas para você pensar.

Inimigos imaginários. Nossos medos criam fantasias. Será que as pessoas que você pensa que estão tentando te prejudicar são mesmo seus inimigos? Não será que aqueles que você pensa que podem destruir você não são pessoas que só querem te ajudar. Ouça a pessoas de reconhecida sabedoria pra saber se você não está surtando.

Proteger nossa reputação. Essa certamente é uma disciplina difícil de aprender nessa vida, mas vale a pena. Aqui somos desafiados a confiar inteiramente no poder soberano de Deus sobre nossas vidas. Saul não conseguiu colocar a mão em Davi, apesar da campanha de difamação que ele fez correr em Israel, simplesmente porque Deus não quis. Assim é conosco. Não tente sair por aí desmentindo boatos que se espalham virulentamente. Seja simples e fale a quem lhe perguntar. Siga seu caminho de honestidade e caráter que aquilo que você é será no tempo certo gritado do alto dos montes. Já fui vítima de uma campanha de difamação que prometia acabar com meu futuro, meus colegas me desprezavam e desconfiavam da autenticidade do meu chamado. Escolhi gastar minhas energias em cuidar do meu coração e chegou um dia em que todos perceberam que eu não era o bicho papão que todos foram ensinados que eu era.

Tentar mudar alguém. Se já é difícil mudarmos qualquer hábito em nossas próprias vidas o que se dirá de entrarmos em uma batalha para mudarmos a vida de outra pessoa. Vejo mulheres que se determinam a mudar o marido em uma insistência obsessiva e vice-versa, para verem o cônjuge cada vez mais resistente. O que acontece é que as pessoas só mudam quando querem, não quando nós decidimos. O único que podemos fazer quanto a essa questão é dar consciência e subsídios e nada mais. Não sei se conheço algo que possa exaurir mais uma pessoa do que querer assumir a responsabilidade de mudar alguém. Quem trabalha com pessoas com comportamentos compulsivos como viciados pode durar pouco se tomar a responsabilidade da mudança em suas próprias mãos.

Gastar tempo em projetos que não tem aprovação de Deus.  Você tem certeza que aquilo que você tem estabelecido como meta é algo que se possa dizer digno de Deus? Você tem uma palavra específica de Deus que lhe dá segurança do que está fazendo? Há ainda um erro relacionado a esse que é o que se chama de montar em cavalo morto. São estratégias de trabalho que não estão funcionando mais, mas que nós queremos mantê-las porque foram importantes em um momento significativo da nossa história.  Se não funciona mais abandone. Uma delas é a escola dominical. Com o crescimento das cidades e a carga de trabalho aumentada é difícil envolvermos as pessoas no domingo pela manhã que acabou se tornando o único dia da semana em que elas podem estar em casa e descansarem um pouco mais (pelo menos no Rio Grande do Sul). Não vamos abandonar o estudo da Bíblia mas vamos encontrar uma nova estratégia.

Perder tempo com problemáticos profissionais. Essas são pessoas que amam ter problemas, são masoquistas e não querem outra vida. Estão viciadas, e querem chamar nossa atenção apenas. São aquele tipo de pessoa que nos chama no meio da noite, choram, pedem conselhos vez após vez, mas não colocam nada em prática, pois o que eles querem mesmo é a nossa presença. O pior é que à medida que você responde a seus apelos eles se tornam cada vez mais exigentes e insatisfeitos. Não entre nesse jogo inútil.

Insistir em um trabalho que não combina com meus dons. Chega um momento da vida que precisamos discernir entre aquilo que eu faço bem e aquilo que eu gostaria de fazer bem. Para alguns esse pode ser um momento doloroso. Um de meus antigos amigos, quando era jovem estava fazendo um teste para o coral da igreja, e recebeu essa sentença dura mas verdadeira: Meu irmão, é bom que tu procures outra coisa para fazer, pois se tem uma coisa que tu não nascestes pra fazer é cantar! Foi difícil para ele ouvir mas acabou fazendo bem.

Partidarismo. São afinidades que se tornam motivo de soberba. Em muitas igrejas que possuem diversos grupos de louvor  vemos uma competição surda entre os membros das diversas bandas. Tudo porque não há uma visão de equipe e de corpo. Então surgem as comparações que se tornam em orgulho que se torna em hostilidade. Em outros lugares vemos as pessoas levando ao extremo sua identificação com um pregador.  Agressões e defesas ardorosas se levantam de lado a lado desviando as pessoas das verdadeiras batalhas. Isso é verdadeiro em qualquer dimensão da vida: trabalho, universidade ou vizinhança. Qualquer afinidade pode virar hostilidade. Cuidado.

Provar algo para alguém que duvidou de mim.  De repente alguém lhe chama de covarde porque você não retribuiu uma ofensa ou não fez retaliação. Essas pessoas te chamam de frouxo e coisas desse tipo. Você vai entrar nesse jogo só para mostrar a todos que é forte? Você acha isso sábio? Quem você é está escondido em Deus e é tudo que importa. Faça a coisa certa e esqueça.

Cair no agrado de todos. Quem quiser agradar a todo mundo jamais agradará a Deus. Quem quiser agradar a todo mundo, jamais será fiel a si mesmo. Quem quiser agradar a todo mundo será um fracasso perfeito. Por melhor que sejamos ou bem intencionados  sempre enfrentaremos antipatias gratuitas. É bom se acostumar e ter paz com Deus. O fato de que as pessoas não gostem de nós não significa que Deus não goste ou não se agrade de nós.

Querer o coração de alguém que não nos ama. Pessoas obsessivas encasquetam com alguém e  não tem paz enquanto aquela pessoa não lhes retribui. Conheci um rapaz que enquanto a menina que ele amava não casasse com ele não descansou. Conseguiu o que queria, mas pagou um preço altíssimo de desprezo no casamento. Como diria o Herbert Vianna: “Se você me quer eu te quero se não eu não me desespero. Afinal eu respiro pelos meus próprios meios afinal eu vivo enquanto espero.”

Picuinhas caseiras. Casais sem discernimento podem acabar brigando pelas coisas mais triviais e sem sentido. Roupas que são arrumadas de forma diferente, volume da televisão, horário do jantar e até mesmo por quem usa primeiro o computador. Não caia nessas armadilhas tão corriqueiras e que acabam desgastando nossos relacionamentos familiares.

Fique livre para discernir na sua vida outras batalhas inúteis, e fuja delas para que todo o  seu potencial guerreiro esteja a disposição de guerras que valem a pena ser peleadas.

De um gaúcho que não foge de uma boa peleia tchê.

O discípulo gaudério.

O lugar errado para impostores

O amor é cego, mas o casamento abre os olhos.

Anônimo

Viajo pela internet procurando subsídios para uma aula sobre liderança, até que caio em uma página sobre mentoria. No artigo uma pergunta de autoconhecimento salta da tela do computador:

Sua família reconhece a autenticidade de sua espiritualidade?

Na comunidade onde sou líder espiritual, as pessoas me veem diariamente chegando em seus quartos de hospital, suas camas de  enfermidade, empacotado em um paletó para celebrar casamento, estendendo as mãos sobre a cabeça delas em oração para rogar por seus problemas, ouvem-me dando instruções, orientando liderança em alguma palestra inspirada e ensinando sempre. Normal nada de estranho, é meu chamado e função que faço com alegria. A imagem que se forma a partir desse trabalho e funções que desempenho pode ser do tipo:

O pastor é um cara sempre disponível quando a gente precisa!

O pastor sempre tem uma palavra boa para nos dar.

Como o pastor é encorajador!

Nunca vejo meu pastor de mau humor.

Pastores nunca estão em crise, sempre em Cristo!

O pastor está sempre certo.

Como ele nos ouve com atenção.

Fecho meus ouvidos, mudo a cena.

Entro em minha casa agora e a pergunta reveladora que faço:

Família, vocês acham que sou isso tudo mesmo?

Estou convencido que eles são realmente as pessoas ideais para checarem a autenticidade de minha espiritualidade, para prepararem minha vida (e eu a deles) para qualquer embate externo e público.

Na vida exterior o que faço, meus títulos definem minha vida, mas na família o que realmente importa é quem sou! Minha esposa e filhos depois de vários anos não ficará impressionada com citações inteligentes, com os livros que leio ou os artigos que escrevo. O que realmente importa para eles é o essencial da vida e do evangelho: como demonstro meu amor.

Na vida exterior posso por conveniência me esconder por detrás de uma camuflagem de autoridade ou zombaria, mas na família todas as pretensões são desmascaradas com uma frase ou olhar que dizem tudo em pouco tempo e espaço.  Quando a família fala, o fanfarrão cai por terra. Se aquilo que dizem por aí de mim não confere com o que minha família experimenta no dia a dia, sou um ator de quinta categoria.

No mundo exterior quando alguma coisa me incomoda, fico indiferente, demito se sou o patrão, me afasto ou fujo, mas na vida em família  preciso enfrentar o problema, agarrar o touro pelas guampas.  Nunca sou tão confrontado com meu pecado como quando estou com meus filhos e esposa. Eles não tem medo de perder minha afeição, sabem que é um dever que tenho com eles, então se sentem a vontade para apontar quando falo e não faço, quando sou egoísta ou pretensioso.  Lá fora posso impressionar com meu desempenho porque seleciono o melhor do melhor de mim, aqui dentro acontece a revelação total. Na família serei visto mal cheiroso, perdendo a cabeça, em situações ridículas,  mal produzido e tentando fazer o que não sei, em suma, em minha humanidade plena.

A família é bênção porque é o lugar errado para impostores. Talvez por isso as pessoas estejam fugindo do casamento e dos filhos. Não é o casamento que está falido, são as pessoas que estão falidas.

Três princípios para toda vida funcionar melhor e que aprendi (de verdade) em casa.

Perdão. Se você ver uma família feliz, não se engane. Isso não acontece por acaso. Não é  porque eles não se magoam, mas porque se perdoam. Sem perdão nenhuma família funciona! É bem mais difícil perdoar aqueles que amamos.

Diálogo. Com minha mulher eu aprendo a arte de fazer acordos para seguir em frente. Sem acordos a vida não funciona.  Só que em família são acordos sem imposições unilaterais. Imposições unilaterais geram resultados de curto prazo em casa.

Humildade. Pessoas que estão sempre certas não tem futuro na família, pois pessoas perfeitas são insuportáveis. Devo confessar que a singela frase: Eu estava errado!  Queima em minha boca. É fundamental, mas são necessários vários minutos de luta com minhas racionalizações, orgulho e desculpas antes de pronunciá-la timidamente. A razão é que em casa eu recebo as avaliações mais realistas possíveis. Ninguém terá cerimônia para apontar coisas do tipo: tu já percebestes como tu criticas constantemente a tudo? Tenho verdadeira gratidão porque o pessoal lá de casa sabe me colocar no lugar quando estou me achando, eles são os meus pés no chão.

Jamais cesso de ficar impressionado que aquilo que fazemos lá fora tem pouco ou limitado impacto no coração daqueles que nós mais amamos.

Se você acha que não, preste atenção no testemunho da nora de Moody o evangelista famoso do século XIX:

“Ah, sim, senhor Moody tinha um temperamento explosivo, porém a lembrança mais agradável de meu marido e de Paul em relação ao pai é a das vezes em que ele perdia a paciência com os filhos, e, depois que estes iam dormir, ouviam aqueles passos pesados se aproximando. O senhor Moody entrava no quarto deles, colocava a mão na cabeça de cada um e dizia: ‘Quero que me perdoem, não foi isso que Cristo ensinou’. Para os filhos, essa foi a maior prova de atitude cristã vista por eles.” (1)

Quer saber se você cresceu espiritualmente?

Sua família comentou como você mudou?

Não? Então esquece.

Sim, aprenda que  a vida começa e termina na família.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério

(1) Moody, uma biografia – John Pollock. Páginas 352,353

Analfabetismo bíblico um problema ainda sem solução

O problema

A maioria das pessoas de nossas igrejas não sabem nada da Bíblia.

As poucas pessoas que leem a Bíblia, não sabem saborear a Palavra. Só conseguem perceber o que a letra lhes diz, não conseguem ver as milhares de imagens que elas evocam. Se uma imagem vale por mil palavras, na Escritura, uma palavra vale por um milhão de imagens. A imagem está enclausurada, é projeto finalizado. Uma palavra rola, bate e volta e sempre faz algo diferente em cada um. Ela é livre, surpreendente. Mas poucos sabem disso.

Os reformadores se empenharam em devolver a Bíblia ao povo na sua língua, mas parece que apesar do esforço o povo não tem aproveitado o privilégio que repousa debaixo de suas axilas.

A Bíblia se tornou um livro encantado, feito ídolo. Alguns usam para poder correr com o carro, pois se a Bíblia estiver ali pode garantir uma boa viagem. Outros a deixam aberta para espantar os demônios que povoam a casa, outros colocam debaixo do travesseiro para poderem dormir sem sobressaltos. Ler que é bom, nada.

Lembro de uma história de Tyndale, que encerrou uma  demorada e acalorada discussão sobre a natureza da ceia simplesmente perguntando  aos seus interlocutores:

– Vocês sabem onde se encontra o texto sobre a Ceia nas Escrituras?

Após retrucarem, e resistirem a pergunta eles finalmente admitiram:

– Não sabemos.

Poucos líderes estão preocupados em curar essa ignorância. A velha escola dominical não tem mais nenhum paralelo na rotina da igreja. Parece até que a leitura das Escrituras não faz mais parte da essência nem mesmo da vida de um pastor. O ativismo que nos faz produzirmos programações em série, também nos roubou o tempo com a palavra. Nas próprias programações, o tempo para escutar foi reduzido, e é difícil conseguirmos ouvir algo consistente, razão pela qual os pregadores televisivos, falsos profetas, e embusteiros  levam o coração e o bolsos das pessoas.

Como se tudo isso já não fosse suficiente as forças das trevas fazem um eficiente trabalho nos meios educados afastando as pessoas da Palavra sob o argumento de que ela é matéria para ignorantes e no meio das pessoas simples convencendo-as de que só os intelectuais podem entender a Palavra.

Pregação fraquinha

Tudo sobe ou desce de acordo com a liderança é o lema de John Maxwell. E também a chave para entendermos o analfabetismo bíblico de nossas igrejas. Precisamos reforçar nossos púlpitos. Jesus transformou a água em vinho e nós retribuímos o milagre transformando o vinho novo da palavra em água, declarou profeticamente Michael Green.

Falta integridade. Quando a necessidade de sobrevivência tem prioridade número 1 na vida de um homem de Deus, eis aí um homem inofensivo ao reino das trevas, e um excelente parasita eclesiástico. Quem vendeu a alma aos donos de igreja acaba não tendo nada o que dizer.

Falta arte. Quando lemos as Escrituras, vemos os homens de Deus usando todos os recursos disponíveis para comunicar a Palavra. Eles usam símbolos visuais, aforismos, histórias, perguntas e dramatizações para despertarem as pessoas. Tudo isso leva tempo, o que parece não ter mais, nossa agenda. Ezequiel para tomar apenas um exemplo, rapa seu próprio cabelo e o divide em três partes, soltando uma parte dentro de Jerusalém, outra fora dos muros e outra ao vento para dramatizar a palavra de Deus ao povo. Deveríamos fazer o mesmo quando ocupamos o precioso tempo no domingo.

Falta tempo. Os líderes substituíram seu tempo com as Escrituras por busca de comida requentada. Rezam por cartilhas de visões prontas e roubam seus oráculos de outros profetas, sem verificar se o profeta é falso ou não. Então acabam errando duplamente sendo papagaios e falsos. No começo apostólico os líderes foram enfáticos em esclarecer ao povo que se dedicariam a oração e a Palavra.(2)

Falta profundidade. Conhecimento dos ambientes e contextos, conhecimento de si mesmo e conhecimento dos problemas que afligem as pessoas.

Falta simplicidade. Sempre amei as palavras. Vem de família. Apreciava cada nova palavra aprendida e gostava de utilizar logo em meu vocabulário. Sei que parecia metido, e às vezes eu era mesmo.

Junto com essa paixão veio também um efeito colateral, se posso chamar assim: uma tendência ao academicismo. Quando comecei a estudar homilética com o professor Itamir em 1990, usei em uma de minhas pregações a palavra “sorumbático”  que logicamente nenhum de meus colegas entendeu, o que me rendeu muitas críticas. “Você usa palavras de difícil entendimento” e “Poderia ser mais simples”, “Tem futuro mas vai ter que melhorar o vocabulário”. É o que tenho tentado fazer até hoje lembrando da dura advertência de Martinho Lutero:

“Malditos sejam todos os pregadores que na Igreja visam as coisas elevadas e complexas e negligenciando a salvação dos pobres e iletrados, procuram a sua própria honra e louvor e portanto procuram agradar a uma ou duas grandes personalidades. Quando prego, desço bem ao fundo.”

Admiro aqueles que produzem conhecimento com o objetivo de gerar vida. Para servir e não para exibir-se. Mas tenho mais zelo ainda em fazer a mensagem do evangelho clara e límpida.

Como ler

Deveríamos ler com mais variedade.

Deveríamos ler com mais intensidade. Totalmente presentes. Sem fazer outra coisa junto. Deixando que as palavras nos moldem.

Deveríamos ler sabendo que o  resumo do roteiro já foi dado por Jesus: a Bíblia é a história de amor de Deus pelo ser humano. É Deus se aproximando de nós em um movimento constante e ininterrupto.

Sempre que prego e escrevo procuro trabalhar de tal forma que minhas palavras façam cócegas na alma dos que ouvem e leem para buscarem a fonte de onde vem minhas reflexões e pensamento. Quanto mais liberto dos meus trapos de tradições mortas e ideologizações vazias, tanto mais é o impacto na vida das pessoas. As vezes de ira, as vezes de amor, mas jamais indiferença.

Uma dica pessoal

Nossa proximidade nos levou a superficialidade. Uma pesquisa nos EUA apresentou um texto de Paulo e a maioria acreditou que pertencia a Martin Luther King e George W. Bush. Para romper com essa indesejada ignorância deveríamos procurar sempre uma versão nova que nos ajudasse a acordar novamente para a realidade impactante das Escrituras.

É o que faz a editora Vida em um brilhante trabalho de tradução  da tradução de Eugene Peterson, a Mensagem. Eu que já recomendei a NVI amplamente, recomendo agora também essa versão. Com introduções que primam pela objetividade e simplicidade, um plano visual prazeroso e um texto que reflete a ideia dos autores em uma linguagem acessível, essa versão veio para ficar e ajudar nosso povo a se alfabetizar.

Minha filha, uma iniciante na leitura da Bíblia, após a checagem de um trecho disse: Puxa, que impactante! E eu pensei comigo: É isso! Esse é o poder da palavra, muitas vezes escondida em nossa verbosidade.

Deixo para vocês quatro extratos e o desejo de uma boa refeição:

De onde vêm todas as guerras e conflitos que assolam o mundo? Vocês acham que acontecem sem razão? Raciocinem. As guerras acontecem porque vocês exigem: “é do meu jeito ou nada feito”. E para terem o que querem lutam com unhas e dentes. Vocês desejam o que não têm e são capazes de matar para consegui-lo. Invejam o que é dos outros e chegam a apelar para violência. Tiago 4:1,2

Quem come o pão ou bebe do cálice do Senhor de modo desrespeitoso é como a multidão que zombou do Senhor e cuspiu nele no momento de sua morte. I Coríntios 11:27

Vocês estão aqui para ser luz, para trazer as cores de Deus ao mundo. Deus não é um segredo a ser guardado. Vamos torna-lo público, tão público quanto uma cidade num plano elevado. Se faço vocês portadores da luz, não pensem que é para escondê-los debaixo de um balde virado. Quero posicioná-los onde todos possam vê-los. Agora que estão no alto do morro, onde todos conseguem enxergá-los, tratem de brilhar! Mantenham sua casa aberta. Que a generosidade seja a marca da vida de vocês. Mostrando-se acessíveis aos outros, vocês motivarão as pessoas a se aproximar de Deus, o generoso Pai do céu.  Mateus 5:14-16

Guarda-me dos pecados tolos, de pensar que posso assumir teu trabalho.

Então começarei o dia banhado de sol, com a sujeira do pecado removida. Essas são as palavras da minha boca, as quais vou degustando enquanto oro.  Salmos 19:13,14

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério

Sintomas de que você está entrando em crise com sua mortalidade

  1. Você começa adiar aquele necessário check up médico dizendo: Eu estou bem. Ou você…

2.  Não para de ir ao médico a procura de sinais de falência no seu organismo vivo (por enquanto) chamado corpo.

3.  Você não coloca a idade nem data de nascimento no perfil do Facebook e outras redes sociais.

4.  Você pergunta costumeiramente as pessoas: Que idade que você me dá?

5.  Você se cansa em atividades com pessoas mais jovens mas faz questão de afirmar que não está cansado.

6.   Você tolera qualquer ofensa menos que lhe chamem de “tio” ou “tia”.

7.  Você começa a pensar e falar  mais do que o normal em “aposentadoria”.

8.  Seu aniversário deixou de ser uma data querida para se tornar um momento de lamento.

9.   Você tenta se vestir igualzinho ao seu filho ou filha.

10.  Você arranca cabelos brancos diante do espelho ou lamenta porque não pode mais arrancá-los pois doutra forma ficará careca.

11.   Você muda de assunto quando se fala em morte.

12.   Você evita ir à casa de pessoas enlutadas.

13.   O seu sonho de consumo é uma cirurgia plástica.

14.  Você fala com amargura indisfarçada da juventude.

15.  Você começa a acreditar que a ciência encontrará a fonte da juventude muito em breve.

16. O Photoshop se torna o seu programa de computador favorito.

17.  Você fica intrigado e corre para ler um post com esse título.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.