Batalhas Inúteis

A vida é uma batalha, segundo a definição de Paulo.

Guerreamos em diferentes direções. Contra nós mesmos, contra o sistema e contra as forças do mal.

Mas nem toda batalha devemos entrar. Precisamos  aprender a ter foco. O foco concentra nossas forças. É como se algumas pessoas vivessem por aí dando tiros de espoleta para todo lado, e outras guardando granadas para poderem enfrentar inimigos poderosos.

Saul fez isso. Enquanto escolheu comprar briga com Davi, que era um inimigo inventado pela sua mente doente, perdeu a batalha contra os poderosos filisteus conforme descrito no livro de I Samuel.

Existe uma série de batalhas inúteis que nós também perdemos nosso tempo. Eis aqui algumas para você pensar.

Inimigos imaginários. Nossos medos criam fantasias. Será que as pessoas que você pensa que estão tentando te prejudicar são mesmo seus inimigos? Não será que aqueles que você pensa que podem destruir você não são pessoas que só querem te ajudar. Ouça a pessoas de reconhecida sabedoria pra saber se você não está surtando.

Proteger nossa reputação. Essa certamente é uma disciplina difícil de aprender nessa vida, mas vale a pena. Aqui somos desafiados a confiar inteiramente no poder soberano de Deus sobre nossas vidas. Saul não conseguiu colocar a mão em Davi, apesar da campanha de difamação que ele fez correr em Israel, simplesmente porque Deus não quis. Assim é conosco. Não tente sair por aí desmentindo boatos que se espalham virulentamente. Seja simples e fale a quem lhe perguntar. Siga seu caminho de honestidade e caráter que aquilo que você é será no tempo certo gritado do alto dos montes. Já fui vítima de uma campanha de difamação que prometia acabar com meu futuro, meus colegas me desprezavam e desconfiavam da autenticidade do meu chamado. Escolhi gastar minhas energias em cuidar do meu coração e chegou um dia em que todos perceberam que eu não era o bicho papão que todos foram ensinados que eu era.

Tentar mudar alguém. Se já é difícil mudarmos qualquer hábito em nossas próprias vidas o que se dirá de entrarmos em uma batalha para mudarmos a vida de outra pessoa. Vejo mulheres que se determinam a mudar o marido em uma insistência obsessiva e vice-versa, para verem o cônjuge cada vez mais resistente. O que acontece é que as pessoas só mudam quando querem, não quando nós decidimos. O único que podemos fazer quanto a essa questão é dar consciência e subsídios e nada mais. Não sei se conheço algo que possa exaurir mais uma pessoa do que querer assumir a responsabilidade de mudar alguém. Quem trabalha com pessoas com comportamentos compulsivos como viciados pode durar pouco se tomar a responsabilidade da mudança em suas próprias mãos.

Gastar tempo em projetos que não tem aprovação de Deus.  Você tem certeza que aquilo que você tem estabelecido como meta é algo que se possa dizer digno de Deus? Você tem uma palavra específica de Deus que lhe dá segurança do que está fazendo? Há ainda um erro relacionado a esse que é o que se chama de montar em cavalo morto. São estratégias de trabalho que não estão funcionando mais, mas que nós queremos mantê-las porque foram importantes em um momento significativo da nossa história.  Se não funciona mais abandone. Uma delas é a escola dominical. Com o crescimento das cidades e a carga de trabalho aumentada é difícil envolvermos as pessoas no domingo pela manhã que acabou se tornando o único dia da semana em que elas podem estar em casa e descansarem um pouco mais (pelo menos no Rio Grande do Sul). Não vamos abandonar o estudo da Bíblia mas vamos encontrar uma nova estratégia.

Perder tempo com problemáticos profissionais. Essas são pessoas que amam ter problemas, são masoquistas e não querem outra vida. Estão viciadas, e querem chamar nossa atenção apenas. São aquele tipo de pessoa que nos chama no meio da noite, choram, pedem conselhos vez após vez, mas não colocam nada em prática, pois o que eles querem mesmo é a nossa presença. O pior é que à medida que você responde a seus apelos eles se tornam cada vez mais exigentes e insatisfeitos. Não entre nesse jogo inútil.

Insistir em um trabalho que não combina com meus dons. Chega um momento da vida que precisamos discernir entre aquilo que eu faço bem e aquilo que eu gostaria de fazer bem. Para alguns esse pode ser um momento doloroso. Um de meus antigos amigos, quando era jovem estava fazendo um teste para o coral da igreja, e recebeu essa sentença dura mas verdadeira: Meu irmão, é bom que tu procures outra coisa para fazer, pois se tem uma coisa que tu não nascestes pra fazer é cantar! Foi difícil para ele ouvir mas acabou fazendo bem.

Partidarismo. São afinidades que se tornam motivo de soberba. Em muitas igrejas que possuem diversos grupos de louvor  vemos uma competição surda entre os membros das diversas bandas. Tudo porque não há uma visão de equipe e de corpo. Então surgem as comparações que se tornam em orgulho que se torna em hostilidade. Em outros lugares vemos as pessoas levando ao extremo sua identificação com um pregador.  Agressões e defesas ardorosas se levantam de lado a lado desviando as pessoas das verdadeiras batalhas. Isso é verdadeiro em qualquer dimensão da vida: trabalho, universidade ou vizinhança. Qualquer afinidade pode virar hostilidade. Cuidado.

Provar algo para alguém que duvidou de mim.  De repente alguém lhe chama de covarde porque você não retribuiu uma ofensa ou não fez retaliação. Essas pessoas te chamam de frouxo e coisas desse tipo. Você vai entrar nesse jogo só para mostrar a todos que é forte? Você acha isso sábio? Quem você é está escondido em Deus e é tudo que importa. Faça a coisa certa e esqueça.

Cair no agrado de todos. Quem quiser agradar a todo mundo jamais agradará a Deus. Quem quiser agradar a todo mundo, jamais será fiel a si mesmo. Quem quiser agradar a todo mundo será um fracasso perfeito. Por melhor que sejamos ou bem intencionados  sempre enfrentaremos antipatias gratuitas. É bom se acostumar e ter paz com Deus. O fato de que as pessoas não gostem de nós não significa que Deus não goste ou não se agrade de nós.

Querer o coração de alguém que não nos ama. Pessoas obsessivas encasquetam com alguém e  não tem paz enquanto aquela pessoa não lhes retribui. Conheci um rapaz que enquanto a menina que ele amava não casasse com ele não descansou. Conseguiu o que queria, mas pagou um preço altíssimo de desprezo no casamento. Como diria o Herbert Vianna: “Se você me quer eu te quero se não eu não me desespero. Afinal eu respiro pelos meus próprios meios afinal eu vivo enquanto espero.”

Picuinhas caseiras. Casais sem discernimento podem acabar brigando pelas coisas mais triviais e sem sentido. Roupas que são arrumadas de forma diferente, volume da televisão, horário do jantar e até mesmo por quem usa primeiro o computador. Não caia nessas armadilhas tão corriqueiras e que acabam desgastando nossos relacionamentos familiares.

Fique livre para discernir na sua vida outras batalhas inúteis, e fuja delas para que todo o  seu potencial guerreiro esteja a disposição de guerras que valem a pena ser peleadas.

De um gaúcho que não foge de uma boa peleia tchê.

O discípulo gaudério.

2 pensamentos sobre “Batalhas Inúteis

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