O Bumerangue

Se eu pedir para você dizer um defeito de cada uma das pessoas que o rodeiam neste momento que você lê este texto? Quanto tempo você demora?

Se eu pedir para você falar uma virtude destas mesmas pessoas?

É mais difícil ou mais fácil?

Sua resposta pode dar indicações de como andam seus relacionamentos.

O princípio de honrar as pessoas é o segredo de uma comunidade que se ama e cresce no amor. Qualquer comunidade, diga-se de passagem.

Podemos discordar honrando.

Podemos romper honrando.

Podemos elogiar desonrando.

A honra é um profundo respeito ao ser humano. É não perder a compostura em relação ao outro jamais.

Atos de desonra desencadearam um ciclo perverso de destruição na família de Davi e toda a nação de Israel e fazem o mesmo conosco também.

Davi adultera com Bate-seba, desonra sua família, a nação e um guerreiro de primeira linha do seu exército.

Amnom desonra sua irmã estuprando-a.

Absalão desonra Amnom matando-o vingando o estupro da irmã.

Davi desonra Absalão ignorando a dor e o conflito dentro de seu coração.

Absalão desonra a Davi rebelando-se em nível nacional contra a liderança do pai.

Joabe desonra a Davi desobedecendo uma ordem clara para preservar seu filho Absalão.

A honra acontece dentro do coração que reconhece independente da nuvem do pecado que se mostra na maior sujidade possível, a sacralidade do outro que convive conosco, e que dá passos mesmo que tímidos em direção a uma vida abundante conforme proposta por Jesus.

Um falso conceito de motivação julga que a crítica estimulará o crescimento. Mas a crítica desonrosa não motiva nada, a não ser a vingança. (1)

Reconhecer quando as pessoas estão crescendo, era uma prática de Jesus. Ele elogia Pedro quando faz uma afirmação cheia de discernimento, ele reconhece a fé de um centurião, ele vê grandeza na fé da mulher siro-fenícia, ele chama seus discípulos de amigos.

Da mesma forma nossos filhos poderiam crescer mais se pudessem ver reconhecidos seus esforços em mudar. Os pais poderiam ser estimulados pelos filhos se eles não se fizessem constantemente de vítimas. Um ambiente de trabalho seria cheio de motivação se o patrão não sonegasse o reconhecimento.

Sempre fui muito inquieto na escola. Tinha dificuldades de sentar na cadeira, dificuldade que ainda permanece comigo. Conversava o tempo inteiro e tirava notas apenas para poder passar de ano. Um dia quando comecei a sétima série decidi mudar. Mas por minha ficha suja no passado, cada esforço meu era ignorado pelos professores, mas cada recaída em algum comportamento negativo era condenada com veemência. Não é difícil adivinhar qual foi a minha reação no meio do ano: voltei a ser o velho bagunceiro de sempre. Da mesma forma pessoas que perseguem a excelência em qualquer nível acabam desanimando pela falta de honra em seus esforços. Dê uma boa reputação as pessoas, dizia Fred Smith.

Não é sábio honrar a tolice, a teimosia, ou a canalhice. Mas podemos honrar os passos a frente  do tolo, do teimoso e do canalha. A crítica pode se tornar um vício imperceptível e pernicioso. Respondemos ao mínimo movimento com um resmungo, um descontentamento ou com uma busca em nossos registros negativos. Quem quer que se deixe dominar por esse estado de espírito, certamente encontrará motivo para desonrar as pessoas. Mas também terá colocado uma tranca em sua mente.

Há também em nosso meio aqueles indivíduos metidos a intelectuais que são apenas bombardeiros amargurados que estão cegos para o bom o bonito e o ético no outro. Como se ver algo bom nas pessoas fosse um sinal de debilidade mental.

No último capítulo de sua carta aos Romanos, Paulo dá um exemplo vívido de como devemos tributar o devido respeito àqueles que andam junto conosco. Estamos falando do apóstolo, um homem que era uma “usina de dons”, empreendedor, capaz de grandes realizações, mas que não se esquecia daqueles que contribuíam com as pequenas coisas ao seu redor.

Ele é pessoal. Cita o nome das pessoas. Nomes bem estranhos, diga-se de passagem.

Ele é específico. Ele diz claramente aquilo que era digno de nota em cada pessoa.

Ele faz publicamente. Toda comunidade pode reconhecer o bom exemplo daquelas pessoas.

Ele não faz ressalvas. Tem gente que não sabe elogiar, sem dizer um mas…  A Tatiane fez um excelente trabalho, mas poderia ter começado a ajudar antes.

Ele é sincero e por isso mesmo afetuoso.

Na verdade é preciso humildade para honrar. Quando respeito alguém além de mim mesmo presto homenagens que reconhecem que não sou o centro de tudo que é bom e louvável no Universo.

É preciso ser generoso para honrar. Valorizar cada pequeno passo das pessoas.

É preciso abrir mão da perfeição.

É preciso ter um coração bondoso.

É preciso ter um olho atento aos detalhes.

E há muitas maneiras de se fazer isso:

Através de um bilhete de encorajamento.

Sendo pontuais. Quem chega atrasado se acha superior aos demais.

Respeitando a esfera de autoridade dos outros.

Pedindo permissão para usar o que não nos pertence.

Não rotulando. Rótulos empobrecem a grandeza de um indivíduo.

Estando presente em momentos importantes. Tristes e alegres.

Cumprimentando. Ato simples que as gerações recentes tem esquecido.

Aproveitando o que outros  tem a nos ensinar. Jesus não teve a atenção que deveria em sua terra e por isso mesmo não fez muitos milagres. Muitas comunidades não veem um avivamento porque não sabem valorizar o que tem.

E tantas outras que você vier a descobrir.

Tendo tudo isso posto, nunca é demais dizer que apesar da honra ser um bumerangue, ela não é algo que se pede ou que se busca para nós mesmos é algo concedemos aos outros.

Então não espere mais, comece agora mesmo.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)    Mateus 7:1-3

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