Os desafios do individualismo a vida do discípulo

Uma forma prática de morrer para mim mesmo

O individualismo é uma filosofia de vida que domina nossa sociedade ocidental. Ela se resume a máxima: “eu não me meto na vida de ninguém, e ninguém se mete na minha vida”. Isso pode ser destrinchado de forma prática nas seguintes frases:

Não me peça nada emprestado que eu não peço nada emprestado para você.

Não invada meu espaço físico, que eu não chego perto de você também.

Não pergunte como eu estou, que eu também não pergunto para você.

Use seus fones de ouvido, que eu uso os meus.

Tudo é individualizado. Seu som.  Sua própria hora de comer. Os sonhos são apenas projeções do ego individual sem qualquer interesse coletivo.

Em razão disso também é cada vez mais difícil se viver em comunidade. As pessoas vão perdendo as habilidades básicas de relacionamento que nossos avós dominavam. Você passa por um adolescente de 25 anos (sim, a adolescência tem ido até essa idade) que acordou mal humorado e ele te deixa no vácuo sem te cumprimentar. Então nos surpreendemos como podem se tornar best-sellers  livros que  dizem lugares comuns do tipo: “Diante do sofrimento alheio, não reaja com superioridade ou arrogância”, como se fosse um grande insight.

As brincadeiras dos anos pré vídeo game desenvolviam nas crianças a noção de trabalho em equipe. Era quase impossível divertir-se sem companhia. Mas hoje um adolescente pode mofar dentro de um quarto escuro isolado de todos e imerso no mundo de um daqueles jogos eletrônicos.

Assim é que você constrói tudo ao seu gosto, do computador ao sanduíche. E o assunto pode chegar até a igreja ao gosto do cliente. Há uma porção de pessoas que estão em crise porque não acham um lugar para congregar por essa razão. Elas acham muito normal deixar de ir a uma igreja por que:

Não gostam como o pastor se veste.

O encontro da igreja é longo demais.

Falam sobre o dízimo.

Descobrem que as pessoas são falhas.

Vida espiritual ao gosto do  cliente não combina com vida de discípulo, pois vida de discípulo pressupõe a prática da obediência.

Embora a cultura não nos estimule, a Palavra nos descreve a obediência com tintas extremamente estimulantes e que deveriam nos cativar.  Os discípulos de nossos dias foram convencidos que ela é um exercício tolo de curvar o eu a vontades arbitrárias de uma divindade caprichosa. Mas não é não.

Vejamos então:

1.      A obediência é descrita como festa.

“Se vocês se dispuserem a obedecer, irão festejar como reis. Mas se forem obstinados, morrerão como cães.” (1)

Alguns se orgulham tolamente de não obedecerem a nada nem ninguém.

2.      A obediência é descrita como um banho.

“É melhor não conhecer o caminho de Deus que andar nele e depois retornar, repudiando a experiência e o mandamento santos”. Eles comprovam o provérbio: “O cachorro volta ao seu vômito”; ou este: “O porco lavado procura a lama.” (2)

Todos falam dos custos da obediência, mas esquecem dos custos da desobediência que são mais altos ainda. Que desgraça para a vida ansiar por bons relacionamentos e ver seus desejos legítimos serem sabotados pelo egocentrismo. Que tragédia querer ser generoso e ver todos seus anelos dominados pela avareza.

3.      A obediência é descrita como o ato de colocar algo ruim para fora.

“O cachorro volta ao seu vômito”. (3)

4.      A obediência é descrita como a libertação da escravidão.

“Não há dúvida que Deus chamou vocês para uma vida de liberdade. Mas não usem essa liberdade como desculpa para fazer o que bem entendem, pois, assim acabarão destruindo-a.” (4)

5.      A obediência é descrita como plantar uma árvore a beira das águas.

“Pelo contrário, você vibra com a Palavra do Eterno, você rumina as Escrituras dia e noite. Você é como uma árvore replantada no Éden, dando frutos novos a cada mês. Que nunca perde suas folhas e que está sempre florescendo.” (5)

Por detrás da obediência estão duas verdades fundamentais: a morte do eu e a fé. Só quem crê obedece, só quem obedece crê realmente. Por lógica podemos também afirmar que todo o pecado é de certa maneira uma forma de incredulidade. De duvidar da bondade e da provisão de Deus para nós.

Além dessa dificuldade, quando decidem fazer o que deve ser feito os discípulos acabam enredados em obediências malandras como segue:

1. Obediência demorada. Faraó é um exemplo de advertência repetida. Dez vezes pra ser mais exato. Quanto mais demorada for a obediência, mais demorada será a bênção a ela vinculada.(6)

2. Obediência parcial. Saul é orientado por Deus a destruir completamente seus inimigos, mas ele queria ficar com os despojos. É aquele tipo de pessoa como um pregador que conheci que vivia de qualquer jeito e quando tinha alguma campanha para fazer tirava uma semana para se “santificar” e  poder fazer seu trabalho, ou como aquele que só “acerta” sua vida para poder tomar santa ceia. (7)

3. Obediência mal humorada. É aquele tipo de atitude que embora faça o correto, fica lembrando com saudades aquilo que fazia no passado. Acha que obedecendo está perdendo algo, quando na verdade está ganhando.(8)

4. Obediência inconstante. Esses são aqueles que estão bem quando tudo está bem, mas nossa fidelidade a Deus é requerida quando o bicho pega. Quando estamos irados, sofrendo ou com medo. É como dizia um ministro que quando caiu em desgraça pública, “só levantava porque tinha que levantar”. (9)

5. Obediência de aparência. São os atores de altas performances cúlticas. Que vestem a roupa certa, fazem a coreografia certa, mantém a atitude certa nos momentos considerados sagrados pela comunidade cristã: os encontros. Estes já receberam recompensa. (10)

Então não se engane, morda o beiço, e experimente a Deus como nunca antes através da obediência consciente.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1) Isaías 1:19

(2) II Pedro 2:20-22

(3) Idem.

(4) Gálatas 5:13,14

(5) Salmos 1:2,3

(6) Êxodo 5-11

(7) I Samuel 15:17

(8) II Reis 5:11,12

(9) I Reis 11:1-5

(10) Atos 5

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