A Igreja Evangélica não ganhou o direito de falar para os homossexuais

Acompanho com interesse a questão homossexual na mídia. Me parece óbvio que os homossexuais estão bem articulados, representados em cada esfera da sociedade. A principal emissora do país não deixa que esqueçamos o debate um minuto sequer. De outro lado o não menos articulado grupo evangélico liderado por Silas Malafaia faz uma campanha que mobiliza a maioria das pessoas de confissão evangélica. Em uma demonstração de força um post da revista Veja recebeu milhares de respostas como jamais vi, de pessoas cristãs condenando a agenda homossexual. Eis aí uma batalha política, que me parece as vezes ter mais a ver com medição de forças do que com relevância para sociedade. Muito barulho para pouco resultado. Por que digo isso? Duas razões: primeiro, nenhum homossexual deixará de ser homossexual pelo fato do pastor Silas e os evangélicos conseguirem restringir o avanço da PL 122 e nenhum pastor evangélico poderá ser forçado a celebrar casamentos gays no Brasil. Afirmo isso porque o abster-se da prática do homossexualismo é uma questão de fé, e fé não se impõe com leis. Leis protegem a fé, mas não geram fé. Quanto a celebração de casamentos homossexuais a lei já prevê liberdade de culto como cláusula pétrea da sociedade, só em um golpe de estado qualquer pessoa poderia ser obrigada contra sua consciência celebrar tais casamentos. E quem se atreveria em sã consciência a querer obrigar alguém a fazê-lo? Não no Brasil, onde a tolerância sempre foi marca registrada. O que eu vejo nisso tudo é a estratégia do bode na sala. Toda vez que os raposas velhas da política brasileira querem o apoio evangélico para qualquer um de seus interesses eles ameaçam com a lei a favor dos homossexuais e do aborto então os evangélicos ficam dispostos a assinar o que for para poderem garantir sua agenda. Haja visto que o projeto de lei tramita na câmara desde 2006. Golpe velho, tiram o bode da sala e todos ficam contentes de novo.

Mas o que mais importa nessa questão toda, é como nós evangélicos tratamos os homossexuais. Vamos falar a verdade,confessar e nos arrependermos em nossa prática pastoral: nós não amamos os homossexuais! Quando eles chegam na maioria de nossas igrejas nós ignoramos suas dificuldades. Vejam o que já presenciei e vivi de perto como líder:

1. Negamos a realidade, fazemos de conta que não existe. Evitamos conversar ou dialogar. Temos a impressão de que se deixarmos as coisas como estão elas se “ajeitarão” sozinhas.

2. Declaramos a pessoa como endemoninhada. São feitas sessões de libertação expulsando o demônio do corpo da pessoa. Na minha experiência e de muitos outros que tratam a questão, a esmagadora minoria das pessoas que estão na prática homossexual são casos de possessão demoníaca.

3. Simplificamos declarando o problema como simples perversão.

4. Tentamos resolver as coisas na base da rejeição deixamos a pessoa a míngua sofrendo com a indiferença surda, esperando que isso opere uma mudança.

5. Apelamos para a violência. Como um “bagual” meio xucro, damos tapas nas costas dos efeminados e mandamos que eles caminhem como homens. Cremos que na base do laço, tudo vai se encaixar.

6. E por último, mas da pior forma possível, procuramos “preservar” as famílias de nossa respeitável igreja do contato com pessoas assim e quando algum homossexual declarado chega em nossa comunidade nós dizemos a ele, que não estamos preparados para recebê-lo.

Não bastasse tudo isso ainda temos a coragem de nos unirmos a um movimento que diz que “ama os homossexuais mas odeia o pecado do homossexualismo”. Eu não posso deixar de dizer que isso é uma cara de pau muito grande. Só teremos direito de proclamar a verdade depois de muito amar os homossexuais como amamos tantos outros tipos de pecadores. E muito amar é algo que está realmente distante de nossas comunidades. Se por ignorância, limitação eu não quero afirmar categoricamente. Mas que não é amor o que vejo a minha volta, isso tenho certeza!

Lembro da passagem no evangelho de João(1) acerca do encontro de Jesus com a prostituta e seus acusadores. O pecado de prostituição poderia ser comparado hoje ao pecado de homossexualismo (fazendo diferença entre prática e impulso). A comunidade religiosa da época de Jesus quer resolver todo o assunto na pedra. Jesus não faz nenhuma condenação à prostituta e faz com que todos os presentes pensem como gostariam de ser tratados quando algum dos seus pecados fosse descoberto. Ele blinda a prostituta com sua pergunta e a acolhe. Demonstrando uma aceitação desconcertante para a  religião Ele diz que não a condena e só depois diz: Vá e não peques mais.  Parece claro para mim que nós estamos invertendo as coisas em nossas igrejas. Quando oferecermos essa aceitação, proteção e integração que Jesus fez, só assim poderemos ensinar a última parte.

Sinceramente, digo a todos: não faço parte dessa luta que pela linguagem e atitude pessoal é para mim, uma luta cheia de ódio. Não faço parte da turma de Silas e companhia. Sei que muitos até deixarão de ler o blog depois disso, porque infelizmente quem domina microfones diante da televisão já é visto como digno de ser ouvido. Nosso caminho é do Nazareno. E o seu caminho é o do amor. É só comparar para ver e tudo ficará claro.

Quem tem ouvidos para ouvir ouça.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1) João 8

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9 pensamentos sobre “A Igreja Evangélica não ganhou o direito de falar para os homossexuais

  1. Bah compañero!!!! Totalmente de acuerdo. Desearía saber si ese Sr. Malafaia denuncia los corruptos empresarios que no pagan sus impuestos y le financian el programa. ¿Acaso el pecado no es el mismo? Parece que ese señor clasifica los pecados. Misericordia!!!!Ciertamente la iglesia no está preparada para abordar el tema de la homosexualidad. ¡Felicitaciones desde Uruguay¡

  2. nada a declarar!! uma bençao total este texto!! e visivelmente guiado pelo Espìrito de Deus!! estes dias discuti com um cristao/evangélico por esse mesmo tema, onde ele defendía as atitudes do Sr Malafaia…eu acho que na realidade nao passa de demagogia…mas..cabe ao Senhor julgar…a nossa tarefa é ouvir de Deus realidades como esta que acabei de ler…e transmitir aos outros o que foi aprendido…UM ABRAÇO de volta e meia!!!!

  3. Gosto da maneira ousada e convicta como escreve !! Parabéns !Continue assim, registrando o que muitos precisam conhecer. Com admiração e respeito, uma abraço forte. Anna

  4. Hola , La verdad muy interesante y muy cierto… No tengo nada contra el pastor: Silas Malafaia ya que creo que es un gran predicador y si esta donde esta es por que Dios lo permite , pero eso no quiere decir que no pueda estar equivocado en algunos conceptos como lo aquí hablado .
    La verdad es muy importante entender y analizar todos los puntos y ser totalmente sinceros, y si lo somos nos daremos cuenta que el tema en cuestión es un dolor de cabeza para todas las iglesias, ya que tenemos muchos prejuicios y debemos comenzar a orar y comenzar a tomar una actitud diferente para poder producir un cambio.
    Desde ya muchas gracias por artículos como este. Un llamado a la conciencia de los cristianos !! Muchas bendiciones y un fuerte abrazo , saludos desde la ciudad de Rivera – Uruguay =)

  5. A verdade sempre é chocante quando encarada como ela é. Já fui criticada por ter a mesma opinião, mais do que concoradar ctgo, é tambem uma certeza, de que o que nós como igreja que falamos em nome de Deus devemos pregar é o amor e não o julgamento. O pecado de cada um, não é assunto nosso, a propagaçao da salvaçao atraves da cruz sim.

  6. Esta foi a primeira vez que li um texto – escrito por um evangelico – sobre este assunto onde não me senti em nada desrrespeitado por ser homoafetivo. Realmente você soube demonstrar o conhecimento verdadeiro que possui em torno do que tem como sagrado, expondo algo tão polemico atualmente, de uma forma respeitosa e digna. Não vejo problema nenhum na existencia de uma Fé que me veja como um “pecador”, sei que o Pai que me criou, me criou assim e perfeito por quê algo com isso eu devo ter de aprender. Todos devemos caminhar lado a lado, para o bem. Apenas encontramos formas diferentes de andar. Paz e Luz a ti.

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