Palavra aos desanimados

“Mas os que esperam no Eterno renovam suas forças. Abrem asas e voam alto como águias. Correm e não se cansam, andam e não ficam exaustos.”

 

Final de ano, final da linha? Muita gente aproveita o clima de fim de festa nesta época para abandonar o barco. Tem gente largando seu ministério, o trabalho bem feito e as oportunidades pelas quais tanto lutaram. Em um momento de abatimento são engolidos por seu estado de alma. Alguns tragicamente estão tirando a própria a vida. Estão como Elias que após tantas vitórias, atira a toalha e clama: Basta Deus!(1)

Você quer abandonar o barco?

Talvez você deva rever suas expectativas. Expectativas são importantes, mas não podem ser muito importantes. Elas existem para serem revistas. E o crescimento vem à medida que sabemos modulá-las conforme a realidade vai nos ensinando. Talvez você esteja sofrendo porque se recusa encarar o fato que não pode mais contar com uma pessoa, que o suprimento de amor que você precisa não vai vir de onde você está olhando, que as coisas não serão tão rápidas ou fáceis conforme você imaginou. Paciência. Reveja tudo, aceite e anime-se.

Talvez você deva descansar pra valer! Quem não dá lugar ao descanso, dá lugar a doença, alguém já escreveu. Quando estamos esgotados começamos a enxergar tudo sob uma lente cinza que mata nossa esperança. Nossa objetividade morre, e qualquer movimento dos outros pode ser visto como uma confirmação que  estamos completamente abandonados. Não fique por aí como muitos que eu conheço que se orgulham de que nunca tiram férias. Para mim soa como alguém dizer: “Ninguém vai me aplaudir por eu estar me matando?”

Talvez você deva abrir seu coração para alguém! Alguns de nós somos muito fechados. Infelizmente no Brasil temos a cultura de dizer que está tudo bem, quando não está tudo bem. Os salmos deveriam nos ensinar que expor sentimentos é muito bom para a saúde emocional. Admita que você está com raiva, furioso, com medo, apavorado pois Deus já viu tudo isso em você. E veja tudo isso mudando pela graça de Deus. Só não guarde tudo para você.

Talvez você deva lembrar que Deus não te abandonou! A realidade mais incrível da graça de Deus é que a despeito de minhas reiteradas falhas e fracassos, a mão de Deus não me abandona. Seus planos continuam os mesmos!

Talvez você deva ter um ritmo saudável! Equilíbrio entre descanso e trabalho. Equilíbrio entre as várias dimensões de sua vida: espiritual, emocional, familiar, lúdica e profissional. Você está dando espaço para cada uma em sua agenda diária?

Talvez você deva cuidar com os excessos. Eles sempre nos desgastam. Às vezes nos expomos demais, às vezes falamos demais, às vezes paramos demais, às vezes acreditamos demais, às vezes investimos demais, às vezes trabalhamos demais, às vezes nos culpamos demais, às vezes queremos resolver tudo demais. Pare com isso.

Talvez você devesse trabalhar mais em equipe. Você é o tipo que dá algo para alguém fazer e logo depois retira porque não ficou como você queria? Então tenho a certeza que você está carregando o mundo nas suas costas querendo ser a orquestra toda. Chega dessa insanidade. Tolere o fato de que a maioria não é tão boa como você. Claro que isso é uma ironia.

Talvez você devesse se renovar, se reabastecer. Um congresso, oração, uma boa palavra e silêncio podem fazer maravilhas para a alma extenuada. Muitas vezes você convive com pessoas extremamente negativas e ministra a elas sem parar, mas você não precisa bancar o masoquista e ficar ali se torturando constantemente. Pessoas negativas exaurem nossas forças.  Busque novos ares.  Pessoas alegres nos fazem renovar o coração.

Talvez você devesse parar de ouvir apenas os seus críticos. Ouça quem te ama. Porque será que são necessárias mil palavras boas para apagar o impacto de uma palavra destrutiva? escreveu Philip Yancey. Chega um momento que a filtragem se faz necessária, e precisamos recapitular em nossa mente o alimento para o nosso ânimo.

Não brinque com o desânimo, ele parece inofensivo mas pode trazer grandes males. Leve a sério o que você leu e pense nisso.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Discípulos de Jesus no Universo XXI- Parte Final

Continuação da palestra ministrada no 13º Congresso de Jovens da Família em Itaara.

Marcas do discípulo:

Equilíbrio.

O extremismo é a fonte de injustiça, violência, burrice e divisões em nosso mundo. Como Jesus o discípulo está em busca do balanceamento perfeito. Entre o natural e o sobrenatural, sem vício e sem ascetismo, nem ingênuo nem malandro, confrontando o pecado, mas misericordioso, orando e agindo, nem tagarela nem mudo, de fé e de obras, entre o trabalho e o descanso, nem luxo e nem lixo, sem bajular nem desprezar, respeitando carismas e a comunidade.

Disciplina.

“O autossacrifício é o caminho – o meu caminho – para que vocês descubram sua verdadeira identidade. Qual é a vantagem de conquistar tudo o que se deseja, mas perder a si mesmo?” (1) Disciplina é a arte de fazer o que eu não quero a fim de alcançar aquilo que eu quero. É o triunfo do propósito sobre o instinto. Nada grande ou significativo é feito nesse mundo se não houver disciplina. Recebemos isso de nossos pais. Mas se não entendemos a importância, precisamos aprender no discipulado. É como o time do Barcelona. Aquele show de futebol não acontece por acaso e nem só pela reunião de grandes talentos. É preciso disciplina para nunca dar chutões e sempre olhar e buscar alguém para passar a bola. Quem joga futebol sabe. Da mesma forma o discípulo disciplina seus pensamentos, seu temperamento, seu corpo para que ele seja instrumento do bem. Ele canaliza seu poder energia como o laser, e se torna um instrumento poderoso.

Prestação de contas.

Jesus enviou seus discípulos, mas pedia deles o relatório do que haviam feito. Nada acontecia sem supervisão (2) A razão número 1 para que a corrupção endêmica de nosso país continue a existir é que não há auditoria sobre quem trata com o dinheiro. Isso nos ensina que a falta de prestação de contas afrouxa a fibra moral do ser humano pelo pecado que nele habita. Ora, o discípulo não é ingênuo e sabe que é pecador também e que é bem capaz de fazer tudo aquilo que lhe horroriza nas pessoas. Por esse entendimento ele presta contas de sua vida constantemente em todas as áreas. Ele submete sexualidade, dinheiro, família, mente, físico ao escrutínio sério para que possa evitar que o mal se assenhore de sua vida. Como disse o pastor Abe Huber: “quem confessa tentação, acaba não confessando pecado”. O que é infinitamente melhor.

Obediência.

“O pastor passa pela porta. O porteiro abre a porta para ele, e as ovelhas reconhecem sua voz. Ele chama as ovelhas pelo nome e é o guia delas. Quando estão fora do aprisco, ele as conduz, e elas o seguem, porque conhecem sua voz.” (3)

Obediência é descartar o que há de pior no “eu”.

Negar a si mesmo. E abraçar ao outro.

Negar que eu sei o melhor para minha vida. E receber a Palavra que me sustenta.

Negar que eu sou o centro do Universo. E me render em adoração àquele que reina para sempre.

Negar que o meu conforto é a coisa mais importante deste mundo. E sacrificar tudo em função do chamado de Deus.

Missão impossível e arriscada.

“Mantenham-se alertas. Eu os estou incumbindo de um trabalho perigoso. Vocês serão como ovelhas correndo no meio de um bando de lobos, portanto chamem atenção para vocês. Sejam espertos como a serpente, mas inofensivos como as pombas.”(4) O discípulo está consciente de que as grandes coisas que Deus faz acontecem quando ele se dispõe a sair de sua área de ação confortável. Os milagres e a presença de Jesus foram prometidas sob condição de que nós fôssemos. Há um segredo perfeito para destruição de uma comunidade de discípulos: koinonite. É aquela atitude avestruzesca de se voltar exclusivamente para as reuniões agradáveis e previsíveis de nossas comunidades e não se voltar para o mundo e seus desafios e perigos. Progressivamente a comunhão fica vazia, e a falta de desafios vai trazendo a monotonia que leva a mesquinhez e ao atrito constante. Ficar vivo entre lobos e transformar lobos em ovelhas, eis o nosso chamado.

Amor

“Ame o Senhor seu Deus… Ame o próximo como a você mesmo.” (5)O amor é chave com a qual o discípulo interpreta as ordens que recebe de seu Mestre. Ele sabe que as palavras que recebe são vida. É assim também que ele faz decisões e discerne os caminhos ainda não percorridos. Ele se pergunta: Qual seria o caminho do amor aqui? Essa é inclusive a sua identidade diante de Deus. Por estar em Cristo ele pode receber as palavras ditas a Jesus no momento do seu batismo como ditas a ele: “Este é o meu Filho, escolhido e marcado pelo meu amor, a alegria da minha vida” (11) Sou a alegria de Deus. Que palavra!

Ora se alguém se intimidar com essa lista, saiba que tudo começa com o coração de aprendiz, o resto a graça de Deus vai conduzindo e fazendo crescer.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)     Lucas 9:25,26

(2)     Lucas 10

(3)     João 10:2,3

(4)     Mateus 10:16

(5)     Mateus 22:37

 

 

Dicas da Palavra para um Natal Tranquilo

Tempo de Natal, é tempo de depressão para alguns e tempo de excesso para outros. Nenhumas dessas alternativas nos interessam. A celebração do nascimento de Jesus tem muito para nos deixar em paz e alegres:

1. Lembre antes de qualquer coisa que não há verdadeiro banquete na mesa se não há primeiro banquete na alma. Nem só de pão vive o homem, mas da Palavra de Deus. Uma alma alimentada pelas palavras da vida e que come com gratidão desfruta e come como nenhum rei jamais fez nesta vida. A vida abastecida na alma tem sabor em todas as coisas boas de Deus inclusive um prato de vegetais conforme escreve Salomão. (1)

2. Presenteie com sentido, não por pressão. Não há nada de errado com presentear quem se ama. Só não seja refém de motivações erradas, que possivelmente levarão a complicações para o seu bolso. Tem gente que presenteia para impressionar, por sentimento de culpa ou por costume mesmo, quando o sentido para o discípulo é o amor.

3. Planeje suas compras antes de sair. O impulso está do lado dos vendedores. Eles querem que você decida no momento e não pense. Para prevenir-se planeje. Tudo que não é colocado na ponta do lápis acaba fugindo do controle, e tudo que foge do controle traz muitas dores de cabeça. Ao vermos todo mundo comprando ao nosso redor, temos a ilusória sensação que os comportamentos massivos dão de que tudo é possível, mas não é.  Então, nunca compre sem contabilidade.

“Esforce-se para saber bem como suas ovelhas estão, dê cuidadosa atenção aos seus rebanhos, pois as riquezas não duram para sempre, e nada garante que a coroa passe de uma geração para a outra.” (2)

4. Encontre maneiras criativas de presentear. Algo que fazemos com as próprias mãos sempre é uma boa pedida. Envolve mais o coração, o que é sempre bom. Uma comida, uma roupa, uma bijuteria personalizada é algo bem legal para se pensar.

“E Jônatas fez um acordo de amizade com Davi, pois se tornara o seu melhor amigo. Jônatas tirou o manto que estava vestindo e o deu a Davi, com sua túnica, e até sua espada, seu arco e seu cinturão.” (3)

5. Lembre-se que a grande alegria do Natal são seus relacionamentos, aproveite o tempo e cultive-os.

“É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se!” (4)

6. Alegre-se com aquilo que você tem, em lugar de lamentar o que não tem.

“Melhor é contentar-se como o que os olhos veem do que sonhar com o que se deseja. Isso também não faz sentido; é correr atrás do vento.”(5)

7. Lembre-se que o aniversariante é Jesus.

“Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.”(6)

8. Proponha-se a não gastar tudo que recebe.

“Na casa do sábio há comida e azeite armazenados, mas o tolo devora tudo o que pode.” (7)

9. Coloque um freio nos prazeres. Cuidado com o espírito de vale tudo, de compensação.

“Quem se entrega aos prazeres passará necessidade” (8)

10. Aproveite a lembrança do texto bíblico que proclama “paz aos homens” e vá  consertar seus relacionamentos quebrados.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

 

(1)    Provérbios 17:1

(2)    Provérbios 27:24,25

(3)    I Samuel 18:3,4

(4)    Eclesiastes 4:9,10

(5)    Eclesiastes 6:9

(6)    Isaías 9:6

(7)    Provérbios 21:20

(8)    Provérbios 21:17

Como ter um feliz infarto!

Texto atribuído a Ernesto Artur

1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são secundárias.

2. Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder também aos domingos.

3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para casa e trabalhe até tarde.

4. Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem.

5. Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias, conselhos e aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões, simpósios etc.

6. Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranqüila. Pelo contrário, não perca tempo e aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes..

7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Afinal, tempo é dinheiro.

8. Nunca tire férias, você não precisa disso. Lembre-se que você é de ferro. (e ferro , enferruja!!. .rs)

9. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para ver se nada está errado. Delegar é pura bobagem; é tudo com você mesmo.

10. Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego e pintar aquela dor de estômago, tome logo estimulantes, energéticos e anti-ácidos. Eles vão te deixar ‘tinindo’.

11. Se tiver dificuldades em dormir não perca tempo: tome calmantes e sedativos de todos os tipos. Agem rápido e são baratos.

12. E por último, o mais importante: não se permita ter momentos de oração, meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida. Isto é para crédulos e tolos sensíveis.

Repita para si: “Eu não perco tempo com bobagens” … e tenha um feliz infarto!!!!

 

Participe da nossa enquete sobre o Festival Promessas!

Vitórias na luta contra o crack: Missão Cena já recuperou 130 dependentes

O pastor João Carlos Batista: paciente trabalho de corpo a corpo no coração da Cracolândia

Pedro Henrique Araújo, na Veja SP

Cerca de 500 pessoas invadem a pista na Rua Helvétia, entre as alamedas Cleveland e Dino Bueno, nos Campos Elíseos. Todas viciadas em crack. Portando pequenos cachimbos, a maioria age em ritmo acelerado e tem as pupilas dilatadas. Entre os que fumam a droga ao ar livre, há uma mulher aparentando estágio avançado de gravidez. São 8 horas da noite e a Cracolândia funciona literalmente a pleno vapor. Muitos ficam dentro dos “mocós”, como são chamadas as casas abandonadas da região que eles invadem. Alguns buracos nas paredes abrem caminhos escuros, estreitos e malcheirosos — e neles se escondem mais usuários em meio a ratos, baratas e a todo o lixo acumulado.

João Carlos Batista, de 45 anos, mais conhecido como João Boca, líder da Missão Cena (Comunidade Evangélica Nova Aurora), anda por ali como se estivesse no quintal de casa. Ele visita o local diariamente há quinze anos. Aproxima-se dos “noias”, faz brincadeiras, dá conselhos e os convida a frequentar um abrigo da igreja localizado na Luz. Segundo seus cálculos, 15% das abordagens têm final feliz, o que teria resultado na recuperação de 130 dependentes até hoje. “Parece pouco, né?”, diz o pastor. “Mas é muito por se tratar desse tipo de tóxico. Quando um cara termina os nove meses do nosso tratamento, tenho quase certeza de que não voltará para cá.”

O trabalho de João Boca faz parte de um circuito de intervenções de entidades dos mais variados tipos, de ONGs a igrejas, que vem colhendo vitórias no combate ao crack na cidade. Suas experiências são valiosas no momento em que se prepara uma grande investida para tentar debelar essa chaga devastadora. No início do mês, a presidente Dilma Rousseff anunciou um investimento de 4 bilhões de reais em programas voltados ao tratamento médico dos dependentes, à prevenção do consumo e à repressão ao tráfico. Desse montante, cerca de 500 milhões de reais serão destinados ao estado de São Paulo. “Apesar da boa intenção, sou cético quanto aos resultados, pois é a terceira vez que o governo federal lança um plano do tipo nos últimos anos”, afirma um dos maiores especialistas no assunto, o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Usuários perambulando no centro: a droga é negociada e consumida à luz do dia

Usuários perambulando no centro: a droga é negociada e consumida à luz do dia

A Unifesp abriga vários projetos importantes ligados a esse universo. Iniciativa que se tornou referência no tema, o Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) funciona há 25 anos e propõe uma abordagem de redução de danos. Os pacientes são orientados a diminuir a quantidade e a frequência de uso do crack, ainda que com a substituição da droga por outras mais leves, como a maconha. Embora seja polêmico, o método vem apresentando resultados. Uma pesquisa do núcleo acompanhou durante um ano cerca de cinquenta viciados submetidos a essa terapia. Num primeiro momento, quase 70% trocaram o crack pela maconha. “Depois de um período, eles acabaram abandonando tudo e ficaram limpos”, conta Dartiu Xavier da Silveira, um dos coordenadores do estudo.

Um trabalho com foco semelhante é utilizado no atendimento da É de Lei, ONG localizada na Rua 24 de Maio, no centro. Seu presidente, o psicólogo Bruno Ramos Gomes, de 29 anos, vai três vezes por semana à Cracolândia para divulgar o serviço. Por ano, ele recebe cerca de 700 pessoas que desejam se tratar. O objetivo do grupo não é extirpar o uso de substâncias ilícitas, e sim que o dependente químico domine o seu vício. “Um terço dos que atendemos consegue retomar a vida, e isso já é uma vitória muito importante”, diz Gomes.

Na visão dos especialistas, o chamado processo de ressocialização, no qual o usuário abandona o cachimbo e a turma do crack para se concentrar em outros interesses, é uma etapa crucial no processo de cura. O Projeto Quixote, preparado para receber crianças e adolescentes, incentiva os participantes a integrar oficinas de arte, oferecendo cursos de grafite e hip-hop, entre outros. “Muitas vezes, a droga é o meio que a pessoa encontra para tornar um pouco mais suportável o ambiente onde vive”, explica o psiquiatra Auro Lescher, coordenador da entidade. “Quando ela descobre uma porta de saída para o vício, estamos mais próximos da recuperação.” No Quixote, as famílias dos dependentes são chamadas a participar de algumas das etapas do trabalho. Nos últimos doze meses, 209 dependentes passaram por ali. Desse total, 58 voltaram para casa e retomaram a rotina escolar.

Entre os projetos que oferecem estrutura clínica para o processo de desintoxicação, um dos mais importantes é o Serviço de Atenção Integral ao Dependente (Said), no bairro de Heliópolis, na Zona Sul. Surgida através de uma parceria entre o Hospital Samaritano e a Secretaria Municipal da Saúde, a iniciativa completou um ano em agosto. O programa cuida do usuário em tempo integral, por no máximo três meses. Durante esse período, oferece atendimento odontológico, quadras poliesportivas, oficinas, aulas, terapia individual e em grupo. Já foram realizadas mais de 500 internações, 65% delas relacionadas ao crack. Mesmo depois de passarem por clínicas de tratamento, os ex-usuários sabem que se afastar do inferno implica uma batalha diária, quase sem fim. Exemplo disso é a história do ajudante-geral Rogério Ribeiro de Mello, de 48 anos. Ele fumou as pedras por quase um ano. Perdeu casa, carro e emprego, além de ter chegado a ficar preso por suspeita de tráfico. Abandonou o crack no fim de 2009. “Cada dia que acordo bem é uma conquista”, comemora.

fotos: Mario Rodrigues

Discípulos de Jesus no Universo XXI – parte dois

Palestra ministrada no 13º Congresso de Jovens da Família em Itaara.

Apresentando as marcas do discípulos ontem, hoje e sempre:

Uma atitude de aprendiz, sempre.

“Venham a mim! Andem comigo e irão recuperar a vida. Vou ensiná-los a ter descanso verdadeiro. Caminhem e trabalhem comigo! Observem como eu faço!” (1) Esse é o significado da palavra discípulo. Alguém que jamais se vê como formado, que assume que não tem todas as respostas, que tem uma atitude de curiosidade, que faz perguntas, que tem humildade para reconhecer que não sabe os porquês de muitas questões. Mas também significa alguém que pensa a vida a partir daquilo que ensinou Jesus. Aqueles que mantém essa atitude de coração, jamais lhe faltarão aprendizados e bagagens para poder compartilhar aonde vai. O discípulo está constantemente observando seu Mestre, incorporando no seu jeito o estilo do Mestre. Não está preocupado em ser original, mas em ser autêntico.

Vida de oração.

“Mestre, ensina-nos a orar.” (2) Quem não ora, faz a declaração mais prática de ateísmo que se possa fazer. Quem não ora faz confissão com a vida das convicções escondidas de seu sentimento de autossuficiência e independência. Os discípulos viam a oração tão presente na vida de Jesus que pediram que os ensinasse a orar. Eis aí uma matéria que treinamentos de liderança passam por alto, ignorando o fato de que a oração foi parte essencial da vida de Jesus. Ele ora antes de escolher seus discípulos, antes de desenvolver seu ministério  com as multidões, ensina extensamente sobre oração, ensina inclusive a enfrentar o mal pessoal através da oração, interrompe o fluxo de trabalho para se reabastecer, ora em meio as angústias da morte iminente. Ao contrário da maioria dos ministros que conheço Jesus intensificava sua vida de oração a medida que o ministério se tornava mais exigente. Só quem dá as costas ao egocentrismo consegue orar, só quem fecha a alma para as demandas do curso deste mundo consegue permanecer em oração. Esse é o caminho do discípulo.

Disposição para andar na contramão.

“Considerem-se abençoados sempre que forem agredidos, expulsos ou caluniados para me desacreditar… E os céus aplaudem, pois sabem que vocês estão em boa companhia. Meus profetas e minhas testemunhas sempre enfrentaram essa mesma dificuldade.”(3) O discípulo foi chamado para ser um crítico do sistema. Não se sente confortável sobre como as coisas andam.  Discerne o sistema em sua própria vida. Sabe que quem está confortavelmente estabelecido é porque já foi engolido por sua maldade. Não se deixa levar pelas aparências, não procura a glória da boca dos homens. O discípulo entende que o mundo não é um lugar geográfico, mas um estado de alma. Também não fica refém de um estado de mal humor que o faz estar contra tudo e contra todos. Não é aquele tipo que “faz tudo que o mundo faz, só que com 10 anos de defasagem.” Seu estilo de vida é integrado sem ser assimilado.

Serviço aos outros.

“Então, se eu, o Mestre e Senhor, lavei os pés de vocês, lavem também os pés uns dos outros. Estabeleci um padrão aqui.” (4) O discípulo está empenhado em fazer a vida dos outros a sua volta melhor através do seu serviço. Ele não espera um grande palco para fazer sua função, nem um grande momento, nem uma grande visão. Ele simplesmente serve as pessoas onde está. Ele é um servo no lar quando deixa de ser exigente dos seus direitos, ele é um servo na escola quando ajuda seus colegas a ser bem sucedidos, ele é um servo no trabalho quando resiste o espírito de competição acirrada para se tornar um companheiro de verdade. Ele não escolhe posições para perseguir onde está simplesmente faz o que lhe vem a mão para fazer.

Fã de Jesus.

O que faz um fã? Sabe tudo sobre a pessoa que é alvo de sua admiração. Imita a pessoa em tudo o que puder. Seus olhos estão atentos. O discípulo tem a convicção que Jesus é a pessoa mais interessante que já habitou esse planeta. Como Pedro ele diz: “Senhor para onde iríamos? Só o senhor tem as palavras de vida verdadeira, de vida eterna. Já decidimos segui-lo de fato e acreditamos que és o Santo de Deus”.(4) Ele gosta dos evangelhos porque ali vê corporalmente a síntese humano divina de tudo o que ele crê. Ele busca prioritariamente o entendimento do evangelho. Tudo que ele faz está submetido a isso. Todas as outras paixões: clubísticas, afetivas, políticas foram colocadas de joelhos diante de Jesus. O discípulo chegou ao entendimento de que Jesus é a pessoa mais inteligente, prática e realista que já existiu. Embora haja uma convicção muda dentro das igrejas de que ele veio falar de bonitos ideais, que são impraticáveis na vida real. Martin Luther King entendeu isso e deu um nó na sociedade racista dos EUA. O próprio Gandhi antecedeu a ele nessa crença quando declarou: “aceito o vosso Cristo, mas rejeito vosso cristianismo”.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)    Mateus 11:28,29

(2)    Lucas 11:1

(3)    Mateus 5:12

(4)    João 13:13

(5)    João 6:68,69

 

O que reaprendi com o Barcelona de Messi

Nunca na minha vida assistindo futebol (o que não é pouco se eu disser que são trinta anos de aficionado), vi um time jogar como esse Barcelona de Messi. Você também não? Se alguém me apresentasse um conceito de futebol do técnico Pepe Guardiola, eu diria que não era possível. Talvez ele seja e pense como aquele personagem do diálogo de Matrix:

– Não podemos fazer isso, ninguém jamais fez!

– É por isso mesmo que vai funcionar!

Encerrado o jogo eu me coloco a pensar do futebol para a vida, pois o futebol é fascinante justamente porque é um microcosmo da vida. Dez lições eu reaprendo quando vejo o Barcelona jogar:

Quando observo esse time jogando da mesma forma não importando o adversário, eu digo a mim e aos outros: seja fiel a você mesmo não importa quem esteja diante de você, grande ou pequeno.

Quando admiro o fato de eles passarem a bola de pé em pé sempre, eu penso comigo: sempre é possível encontrar ajuda quando a gente não olha para um lado só.

Quando percebo que eles jamais dão chutões para aliviar a pressão, recordo a verdade: reagir por instinto sempre traz os problemas de volta para nós rapidinho.

Quando observo surpreendido craques milionários marcando como se fossem volantes precários, sou confrontado com a realidade de que talento nunca é o suficiente para marcar história, é preciso sacrifício pessoal.

Quando contemplo um time que busca a vitória a todo momento do primeiro ao último minuto, lembro que apesar de todos os meus fracassos passados e lutas pessoais com o pecado, devo manter vivo meu espírito de luta.

Quando sou confrontado com o fato de que o Barcelona conquista suas vitórias sem ser desleal, sem bater nem tampouco agredir, recordo que não preciso intimidar ninguém para liderar ou fazer bem meu trabalho.

Quando observo que eles não dão espaço algum em nenhum lugar do campo, e que os adversários simplesmente perdem o tino, lembro que se eu não permitir, o mal jamais me dominará.

Quando vejo eles manterem uma posse de bola de 73% contra um time cheio de promessas como o Santos ou recheado de craques como o Real Madrid, lembro que se eu focar minha vida e minha ação naquilo que é mais importante as outras coisas vem com a naturalidade dos gols iminentes do Barça.

Quando leio e escuto todos os cronistas do mundo celebrando em uníssono esse time “de outro mundo” como fala o Maurício Noriega do Sportv, lembro que a excelência não carece de defesa ou explicações. Ela impõe-se por si só.

E finalmente então quando analiso o meu próprio deslumbramento ao escrever um post como esse, lembro da verdade irretorquível: todos caem! Mike Tyson, o Titanic, Muhammad Ali, a Alemanha de Hitler, a Assíria de Senaqueribe, a Babilônia de Nabucodonosor, o Império Romano, os EUA no Vietnã, o Brasil na copa de 50 e… ah claro, o Barcelona de Messi.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.