Discípulos de Jesus no Universo XXI

Palestra proferida no 13º Congresso de Jovens da Família de Deus.

Não há lugar no evangelho para observadores curiosos, ou somos discípulos ou não somos nada. Mas é preciso também servir sua geração.  Não fomos chamados para ser um ajuntamento de gente que acredita em Deus sem consequência na vida.  Em meio a esses dois chamados, de ser discípulo e servir nossa geração, quero primeiro mostrar alguns estilos de vida dentro da igreja hoje que não condizem com aquilo que Deus espera de nós e apontar quais são as marcas dos discípulos conforme o evangelho, para termos um impacto no nosso tempo.

Os tipos mais comuns de nossa fauna eclesiástica:

Há o tipo caçador.  São aquelas pessoas que chegam a igreja, porque estão procurando uma menina ou um menino legal para casar. A razão de estarem ali tem a ver com o fato de saberem que na igreja eles têm maiores possibilidades de encontrar alguém legal e com princípios, o que definitivamente está cada vez mais raro. Os caçadores chegam com um radar e tudo o que eles fizerem será para “tomar posse da bênção”.  É preciso dizer a estes que: igreja não é zona de caça. Não é um lugar para você encontrar um rapaz ou uma menina bem comportados para você casar.

Há o tipo artista. Ele acha que a igreja é o palco para a exposição dos seus dons. Mesmo que tenhamos espaço para o exercício de ministração dos dons espirituais, não podemos pensar  que o grande negócio de Deus é torna-lo famoso e que vitória é quando todos estão batendo palmas para o seu ministério.  Quando eles acham que falta atenção, vão buscar em outra freguesia. Igreja não é palco. Não para nós. Os holofotes são para Deus.

Há o tipo  cliente. Esses estão procurando uma igreja que satisfaça todas as suas expectativas. E isso não se restringe a igrejas neopentecostais. É o espírito que governa muitos que frequentam igrejas, uma após a outra. Querem uma igreja com um pastor que fale bonito e pouco, com banheiros cheirosos e ar condicionado. Uma igreja ao gosto do cliente. Estes jamais serão discípulos porque não entendem que igreja não é supermercado de bênçãos, nem prestadora de serviços espirituais.

Há o tipo  playboy.  São aqueles que gostam de junção, mas não gostam de comunhão. Gostam de eventos, mas não de compromisso. Gostam de barulho, mas não gostam de dia a dia. Gostam de multidões, mas não gostam de gente. Gostam de espetáculo, mas não de renúncia. Discípulos? Assim, nunca serão! Igreja não é parque de diversões.

Há o tipo alienado.  Esse vive um projeto de monasticismo urbano. Poderia permanecer a vida inteira dentro da igreja cantando, dançando e estudando a Bíblia. Para eles o templo é um lugar onde podem ficar livres dos perigos do mundo. Estes precisam entender que igreja não é esconderijo secreto.

Há o tipo competidor. O competidor está sempre disputando algo dentro da comunidade. A atenção do pastor, um posto importante de liderança ou a atenção prioritária de todos. Essa pessoa tem problemas de DNA. Demasiada Necessidade de Aparecer. E não importa a razão. É o velho “falem mal, mas falem de mim”. Essas pessoas exaurem as energias da liderança, mas nunca se vê mudança efetiva neles. Eles gostariam de ter um “Personal Pastor” só para eles. Se tiverem dinheiro, podem até conseguir. É preciso dizer a eles que igreja não é arena esportiva.

Há os ninjas. Esses são os que se encheram do pecado na igreja. Eles já são segundo dados do IBGE mais de 4 milhões.  Em geral são intelectuais cuja soberba os colocou acima dos outros.  São tão espirituais que acham que igreja é apenas uma comunidade invisível. Platônicos até a medula. Não lembram  que na maioria das vezes em que o Novo Testamento se refere a igreja está falando de uma comunidade local e visível. Igreja não é filme de Hollywood  onde há heróis solitários e que resolvem tudo sozinho. O testemunho que a igreja dá no mundo é em conjunto.  Os lobos adoram uma ovelha solitária, porque elas são presas fáceis. Estão feridas, são orgulhosas e autossuficientes.

Há o soldadinho de chumbo. Tem gente que pensa que andar em um só coração como a igreja primitiva significa que todos tem que ter a mesma estética e aplicarem os princípios bíblicos da mesma maneira e falarem sobre as mesmas coisas. Levam a metáfora do exército de Cristo longe demais. Que equívoco. Unidade não é uniformidade. Que o diga a turma que Jesus escolheu:  um esquerdista (Simão o Zelote),  um situacionista (Mateus o publicano), classe média (pescadores), ladrão (Judas Iscariotes). Que o diga a igreja primitiva em Antioquia com seus dirigentes oriundos  dos mais diferentes panos de fundo. Igreja é o encontro dos diferentes.

Há os ideologizados.  Esses fazem da política um instrumento para a evangelização. Creem que  os poderes constituídos podem e devem ajudar a igreja na sua tarefa de evangelização. Estão constantemente tentando aproximar os poderes espirituais com os poderes deste mundo. Eles ainda não entenderam que o evangelho não precisa da política. Mas a política quando vê qualquer movimento que possa mexer com as multidões se aproxima, e finge crer assim como o faz com todos os outros movimentos. A associação com os poderes constituídos traz a doce ilusão de que a cidade, o estado e o País estão submissos a Deus. Esquecem que quem se dobra a Deus é o coração humano, e ninguém faz isso por ninguém.

Cada uma dessas opções precisa ser confrontada e chamada à conversão para o caminho do discipulado conforme Jesus.

A quem servir o chapéu, é hora de mudar.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s