A Fome por detrás da fome

As pessoas manifestam comportamentos típicos desde que o mundo é mundo. Os pecados não mudam nem mudarão, pois a natureza humana permanece intocada. A única metamorfose possível é quando o ser humano abre sua vida para um relacionamento com Deus. Uma inversão começa a acontecer, mesmo que lenta.

Até que isso aconteça imperam o orgulho, o pai de todos os pecados seguindo-se a ira, vaidade, preguiça, luxúria, inveja, avareza, todos se valendo da hipocrisia para esconder-se, da racionalização para justificar-se e da generalização para aliviar a culpa (todos fazem porque eu não faria).

Somos como seres humanos camadas em cima de camadas que escondem por detrás de tudo uma fome do tamanho do mundo. Como um buraco negro, devoramos o que está na nossa volta e somos devorados pelo apetite que socializa todos os seres humanos. Reclamamos dessa dura realidade quando somos vítimas, esquecemos quando somos os vilões da alma dos outros. Ah, se pudéssemos ver sem as cortinas da estética, e enxergássemos a alma das pessoas como é, seria um momento assustador contemplar as feras famintas dentro de nós.

Sistemas religiosos, econômicos e educacionais podem ser criados para pacificar a fome dos poderes deste mundo. Esses sistemas organizados maximizam o retorno de um sentido de importância e de significado, mas apesar de resultados expressivos não aliviam a ansiedade dos famintos.

Foi essa fome que moveu as pessoas da época de Jesus a segui-lo por quilômetros e arriscando sua própria segurança afastarem-se de seus lares e centros de provisão. Depois de fazer o milagre da multiplicação dos pães o evangelho de João nos diz que as pessoas começaram a esquecer da fome espiritual e focaram novamente na fome do estômago procurando novos milagres do tipo. Jesus então diz a eles que ele é o pão da vida, porque tudo que não for a presença ativa de Jesus na vida do ser humano apenas se tornará angustia e ansiedade na vida. Assim que a pessoa comerá com angústia que devora, fará sexo com desespero, se relacionará como quem se agarra a uma tábua de salvação e trabalhará como se sua identidade dependesse do seu sucesso. E você sabe entre famintos que disputam um pedaço de pão só pode haver guerra.

Jesus viu a fome por detrás da fome, por essa razão teve tanta compaixão. Nós também deveríamos ver se quisermos crescer como discípulos:

Por detrás do eterno rebelde pulsa um coração que anseia pelo amor paterno.

Por detrás do tagarela, está o anelo por conexão.

Por detrás do fanfarrão, está uma pessoa que precisa ser reafirmada.

Por detrás do intelectualismo pedante está o desejo de ser relevante.

Por detrás da superespiritualidade, está o anseio de ser importante e um sentimento de absoluta fraqueza.

Por detrás do ciúme doentio, se esconde o medo de perder.

Por detrás do problemático profissional, está a suspeita da desvalorização pessoal.

Por detrás do palhaço que faz rir, há um espinho que faz chorar.

Por detrás do ativista que só para pra dormir, há uma realidade que ele quer fugir.

Por detrás de uma boca que ameaça, está uma ferida cuja dor não passa.

Por detrás dos olhos de sôfrega luxúria que só faz desejar, jaz o desespero existencial com medo de se aniquilar.

Por detrás do pitbull valentão, há uma criança assustada procurando uma mão.

Por detrás do preguiçoso e seu eterno cansaço, se esconde o medo do fracasso.

A todos o Mestre convida para o banquete no Reino de Deus onde todos matarão a fome por detrás da fome e nunca mais oprimirão alguém.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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As bem-aventuranças do pastor idiota

Geremias do Couto, em seu blog

Bem-aventurados sois vós, “pastores idiotas”, quando fordes xingados com este epíteto simplesmente por acreditardes no que disse Jesus: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e onde os ladrões minam e roubam” (Mateus 6.9). Tal ato insano, ao invés de vos maldizer, mostra que ainda estais firmes na verdade.

Bem-aventurados sois vós, “pastores idiotas”, que não sucumbistes aos “encantos” da teologia da prosperidade por compreender que “os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína” (1 Timóteo 6.9). Não vos entristeçais, nem penseis que estais sozinhos. Há muitos outros “idiotas” convosco, inclusive o apóstolo Paulo.

Bem-aventurados sois vós, “pastores idiotas”, por não vos curvardes aos arautos que vos maltratam em virtude de crerdes que aos ricos deste mundo a Palavra de Deus ordena: “Não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas” (1 Timóteo 6.7). Tal maldição é, na verdade, um reconhecimento de que pondes a vossa confiança não nas riquezas desta vida, mas na abundância que vos é dada para a glória de Deus.

Bem-aventurados sois vós, “pastores idiotas”, que resistis aos apelos dos que vos querem enredar com o brilho do ouro que perece, porque vós bem sabeis que é vosso dever continuardes a ensinar às suas ovelhas “que façam o bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis” (1 Timóteo 6.18). Saibais que outros “pastores idiotas” iguais a vós foram já recebidos na glória e aguardam o precioso galardão.

Bem-aventurados sois vós, “pastores idiotas”, porque não perdestes a visão da semeadura e, por isso mesmo, sabeis que não se ganham almas com o glamour das riquezas humanas, mas com a sementeira do evangelho. Sem esquecerdes da advertência da parábola do semeador, que diz: “Os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera” (Mateus 13.22).

Bem-aventurados sois vós, “pastores idiotas”, por não perfilardes o triunfalismo da pregação humanista, centrada no homem, que enriquece a quem prega e defrauda a quem ouve. Ainda que vos pareça estardes “fora do modelo contemporâneo”, alegrai-vos porque continuais apegados ao modelo bíblico, que diz: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gálatas 6.14).

Bem-aventurados sois vós, “pastores idiotas”, que embora injuriados pela vossa pregação “arcaica”, ainda carregais no bolso do vosso coração a credencial de servo do Altíssimo, enquanto alguns já a trocaram pelas credenciais de semideus, arrogante e soberbo e usam-na ao sabor das circunstâncias para se locupletarem em cima da lã de suas ovelhas.

Bem-aventurados sois vós, “pastores idiotas”, que, enquanto alguns voam os céus do mundo em modernos jatinhos, trafegam as grandes avenidas em luzentes automóveis e se deleitam nos mármores de grandes mansões, o vosso prazer é estar junto das ovelhas, alegrardes com elas e, se preciso for, dar por elas a vossa própria vida. Não vos esqueçais que outros “idiotas” iguais a vós se encontram já no Reino do Pai.

Bem-aventurados sois vós, “pastores idiotas”, que preferis o “prejuízo” da coerência, da fidelidade a toda prova aos princípios imutáveis da Palavra de Deus, do que sucumbirdes – ainda que tentados – às lentilhas que se vos oferecem para amenizar eventuais necessidades imediatas. Mais vale o pão dormido da consciência tranquila do que os banquetes da consciência aprisionada.

Bem-aventurados sois vós, “pastores idiotas”, pelo modo como sois tratados por amor do nome do Senhor e por não vos enredardes pelo brilho passageiro da glória humana. Não sois melhores por isso, mas também não sois piores. Todavia, enchei o vosso coração de alegria porque o vosso nome faz parte da galeria dos heróis da fé que professam somente a Cristo e têm Deus como o bem maior da vida. Tende como lema o que Paulo ensinou: “Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos” (Filipenses 4.4).Assina um “idiota” como todos vós.

Encruzilhada

O coração do homem é uma eterna encruzilhada.
O dia é uma encruzilhada.
A eternidade se divide diante de nossos olhos a todo segundo.
Nunca dê a batalha por vencida, nunca.
Nunca veja a derrota como definitiva.
O que foi pode ser de novo, ou não.
Os lados da moeda podem mudar a todo o momento.
O que é bom pode ficar ruim.
O que é ruim pode ficar bom.
Essa terrível liberdade está em nossa alma.
Quem acreditava que as nuvens “eram de algodão” pode agora acreditar que são apenas ferro, fogo e fumaça.
Quem fala demais, pode falar a verdade.
Quem elogia, pode criticar sem critério.
Quem inveja, pode aprender a admirar.
Quem admira pode acabar na podridão da inveja.
Quem cuida pode virar ciumento.
Quem é ciumento pode apenas cuidar.
Quem é sensível pode se tornar melindroso.
Quem é tolerante, pode apenas ter virado um preguiçoso! Não pensa, não age.
Quem é excelente, pode se tornar escravo do perfeccionismo.
Quem é econômico, pode virar um mesquinho.
Quem é sério demais pode se transformar em um símbolo de sinceridade.
Quem é bem humorado pode acabar perdendo o bonde do compromisso.
A manipulação pode transformar-se em criatividade.
Seus piores males podem se tornar sua principal arma.
Mas seu tiro também pode sair pela culatra.
Quem está na sua volta, é assim também.
O vício que você mais odeia pode mostrar algo bom algum dia.
Nessa corda bamba caminhamos descuidados
Só com a graça como certeza.
Um abraço quebra costelas.
O discípulo gaudério.

Uma palavra pessoal do gaudério

Esse blog tem sido uma das grandes alegrias de tantas coisas que eu faço na minha vida. Dá um trabalho significativo de pesquisa e criatividade, mas também traz um retorno muito grande. O retorno são as pessoas que são edificadas, as mentes que são abertas e os redirecionamentos de vida. Você conhece gente que não imaginaria que pudessem chegar até aqui. Pessoas com convicções diferentes de vida, de outras partes do mundo e de recantos longínquos no nosso país, distantes do pampa gaúcho onde vivo.
O que quero dizer é que se você tem sido beneficiado regularmente pela palavra que lê aqui no blog quero pedir que você ajude a divulga-lo fazendo três coisas simples:
1.    Envie o endereço do blog para sua lista de e-mails.
2.    Compartilhe aquilo que foi útil do blog para você no Facebook.
3.    Retuíte o que você entende que pode ser bom para os outros.
O discípulo gaudério agradece.

O discípulo e suas decisões

Quando o assunto é decisões todo mundo tem um jeito de toma-las. Existem vários tipos:

  1. Aquelas pessoas que simplesmente se escondem e choram sem tomar qualquer atitude.
  2. Aquelas que evitam os amigos para não ouvirem o que não querem ouvir, e procuram pessoas que lhes dirão o que é mais cômodo fazer aliviando-lhes a consciência.
  3. Aqueles que não fazem nada e deixam que alguém com mais coragem tome a decisão por eles, e então dizem tacitamente que “foi feita a vontade de Deus”.
  4. Aqueles que fazem aquilo que sentem vontade de fazer no momento, sem qualquer critério.
  5. Aqueles que sempre procuram ganhos pessoais.

Independente dos critérios, a maioria das pessoas, na maior parte do tempo sabe o que deve fazer.

Assim é que se somos discípulos de Jesus estaremos orientados para fazer o que tem que ser feito.

O discípulo não pode agir motivado pelo medo de errar, mas se movimentar pelo desejo de fazer a coisa certa, fazer o bem para a maioria das pessoas através de suas ações. Agir pelo medo de errar é ser motivado pela culpa, e a culpa essencial foi removida na cruz, o que resta agora é escolhermos entre a vontade de Deus e a desobediência.

Sim, se você é discípulo de Jesus…

Faça o que tem que ser feito, mesmo quando não tem vontade de fazê-lo. É o que muitas vezes fiz em minha vida. Em muitos momentos as dificuldades e obstáculos se acumulavam e se sucediam com uma frequência desanimadora. A vontade que eu tinha era fugir, mas não fugi, levantei quando queria ficar deitado, preguei quando queria ter calado, aconselhei e ouvi quando o que eu mais precisava era ser ouvido, orei por outros quando queria chorar e me lamentar, ensinei quando não entendia nada. Foi uma viagem longa, mas eu sei que valeu a pena. Sei que um dia as coisas poderão tornar a ser assim, então ouço uma voz que me diz:  faça o que tem que ser feito.

Faça o que tem que ser feito, mesmo que suas motivações sejam questionadas. Quando Paulo começou a pregar o evangelho, nem mesmo os apóstolos acreditavam em sua conversão e mudança. Depois de longo tempo em comportamentos que não nos recomendam é normal sermos questionados, mas isso não deve tirar o foco do chamado de Deus para nós. Não temos promessa de sucesso, apenas de companhia. “Eis que estou com vocês sempre” disse Jesus. Então não se ressinta para que você não se arrependa amanhã.

Faça o que tem que ser feito, mesmo que não haja ninguém para constrangê-lo.  C. S. Lewis comprometeu-se durante a guerra a cuidar da mãe de um colega de trincheiras se sobrevivesse a primeira guerra. Quando sobreviveu a guerra e seu colega morreu era o momento de assumir uma tarefa de grande custo pessoal, o que ele fez levando a senhora para morar em sua própria casa e cuidando-a até o final de sua vida.

Faça o que tem que ser feito, mesmo que todos a sua volta não estejam fazendo mais. Uma lenda antiga conta que um homem se pôs no meio de uma cidade e começou a denunciar os desmandos e corrupções que eram realizadas nela. Ele fez isso ano após ano, até que alguém curioso de ouvir as denúncias se repetir sem que houvesse qualquer mudança no comportamento dos moradores da cidade perguntou ao homem: Porque você continua falando contra o mal dessa cidade se ninguém muda? Ao que o homem replicou: Se eu parar de falar, foram eles que me mudaram!

Faça o que tem que ser feito, mesmo que você não veja resultados. Segundo a filosofia pragmática que predomina nossa sociedade tudo deve ser julgado segundo os resultados imediatos. Jeremias o profeta não pensava assim. Ministrou ao povo de Judá durante quarenta anos a mesma mensagem sem, contudo conseguir evitar que seu povo viesse a ser escravizado pela Babilônia de Nabucodonozor. Um completo fracasso! Mas na história de Deus Jeremias é um dos grandes que devem servir de inspiração para nós. Deus procura fidelidade os resultados são consequência, ou não.

Faça o que tem que ser feito, sem pensar nas consequências. Foi o que fez Dietrich Bonhoeffer quando a salvo do nazismo morando nos EUA, voltou para sua terra para ser uma voz e uma presença atuante contra o nacional socialismo de Hitler, embora soubesse que isso pudesse lhe custar a vida, como de fato custou.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Um Espinho na Carne

No meio da floresta, perto do vilarejo de Aladi em Nagercoil, na Índia, eis que se ouve:

– Aaaaaaaaaaaaaaaaaai! Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai!!

Elizabeth Geikie, uma bela mulher de olhos azuis e pele morena, vinda de Dundee, Escócia, saiu de sua cabana de taipa para ver de onde esse barulho aterrorizante estava vindo e descobriu que vinha da trilha que conduzia para onde ela estava morando.

Logo, um grupo de homens de Aladi estava se aproximando de sua cabana. Eles carregavam um homem, que era a causa de todo aquele barulho. Primeiro, Elizabeth pensou que ele estivesse maluco e os moradores da vila o estavam trazendo para atormentá-la. Ela esperava ansiosamente enquanto o grupo parava em frente à sua cabana e deitaram o homem aos pés dela.

Um dos homens do grupo disse:

– Tem alguma coisa errada com esse homem e nós não sabemos o que fazer.

Em pouco tempo, Elizabeth percebeu que o homem não estava louco, mas estava gemendo por conta de uma dor torturante. Mas, de onde vinha essa dor? Teria ele comido algo venenoso ou sido picado por alguma cobra? Ela se ajoelhou e começou a examinar seu corpo em busca de indícios de causas da dor. Foi então que ela percebeu que o pé esquerdo dele estava inchado. Ela o tocou e o homem deu outro grito aterrorizante de dor. Cuidadosamente, ela examinou o pé dele de cima a baixo até encontrar a razão de todo aquele sofrimento: um pequeno ponto se projetando da planta do pé. Era o final de um grande e profundo espinho.

Elizabeth foi até sua cabana e apanhou seu “kit” médico de primeiros socorros, mas, dentro dele, havia apenas vaselina, sulfato de magnésio e óleo de rícino, porém, não encontrou o fórceps que precisava para arrancar o espinho do pé daquele homem Era teria de improvisar.

Para o nojo daqueles que estavam ao redor, Elizabeth se ajoelhou, inclinou-se para frente e pôs os lábios contra o pés sujo e calejado daquele homem. Então, ela encaixou se dente tal como um gancho em volta do final do espinho que s projetava para fora, e, vagarosamente, ela moveu sua cabeça para trás. Pedaço por pedaço, o profundo espinho começou a sair do pé até sua cabeça sacudir para trás, arrancando-o fora por inteiro. Imediatamente, o homem deixou escapar um grito de alívio na medida em que sua dor começava a diminuir.

Com o espinho arrancado, Elizabeth banhou o pé com óleo de coco e então envolveu com um curativo à base de fios de linha. Em seguida, o homem e o grupo que o trouxe desapareceram tão rápido quanto tinham chegado.

No dia seguinte, o grupo de homens estava de volta. Dessa vez, eles não traziam consigo nenhuma outra pessoa ferida. Ao contrário, eles queriam respostas:

– Por que é que você, uma mulher branca, queria salvar a vida de um homem, colocando os seus lábios – que é a parte mais sagrada do corpo – contra o pé dele – que é a parte do corpo mais desprezível?

Ela respondeu:

– Porque meu Deus, que ama e valoriza todos os homens, pediu a mim que fizesse isso.

Essa tinha sido a porta de entrada pela qual Elizabeth Geikie tinha estado orando e, em pouco tempo, aqueles homens estavam clamando para conhecer mais sobre o Deus dela.

Primeiro, o homem de cujo pé ela tinha arrancado o espinho, juntamente com sua esposa, tornaram-se cristãos. Em breve, outros da vila seguiram o exemplo deles, até que o núcleo de uma pequena congregação tinha sido formado.”

Extraído do livro: Sopa,sabão e salvação – A história de William Booth.  Janet & Geoff Benge

Tira Gosto

Extrato do Livro: A Graça de Deus e o Homossexual que mora ao lado – Allan Chambers e a Equipe de Liderança do Ministério Exodus  International. Paginas 156 e 157.

“A princípio, deixe-me fazer uma pergunta: você ou sua igreja já pensaram na comunidade assumidamente gay como um grupo de pessoas não-alcançadas? Se sua denominação é como muitas, existe o Domingo de Missões em que diferentes missionários, que alcançam o mundo, visitam a congregação, falam na escola dominical e pregam. A meta, normalmente, é honrar o Senhor por sua obra, e informar a congregação sobre como os recursos estao sendo utilizados e arrecadar mais fundos para esses projetos. 

Certa missionária e o fulano, também missionário virão e falarão sobre o choque cultural que viveram e sobre como superaram por meio do aprendizado da humildade e do serviço. Eles explicarão que até a missionária tem um novo piercing no lóbulo da orelha pra indicar ao resto da tribo que é casada. 

No tocante a povos e culturas, compreendemos a necessidade de aprender a língua, os costumes, as normas sociais e as expectativas culturais. E, naquilo que não comprometer o evangelho, tentamos adaptar e honrar as tradições. 

Todavia, por que as igrejas raramente apoiam um missionário na cultura gay? Por que quase nunca existe um representante de ministério voltado aos homossexuais no domingo de missões? 

Por que tão poucas denominações estão fazendo algo pró-ativo para alcançá-los e apoiar aqueles que estão tentando causar algum impacto?

Suponho que seja porque não vejam a comunidade assumidamente gay como uma verdadeira subcultura – semelhante as que se fundamentam em raça, status econômico, localização, etnia ou religião.

Essa é uma noção que eu gostaria de ver transformada. Uma subcultura é definida como “um subgrupo cultural diferenciado por status, histórico étnico, residência, religião ou outros fatores que, de forma prática, unificam o grupo e influenciam coletivamente cada membro”. São os outros fatores que, de forma prática, unificam e caracterizam a comunidade gay como um grupo de pessoas não-alcançadas. “

O Fracasso da Febem

Fonte: Zero Hora

ZH revela o destino de 162 adolescentes que foram internos da antiga Febem há 10 anos Diego Vara/

 

Reportagem revela o destino de 162 adolescentes que foram internos da antiga Febem há 10 anos.

Esta é a história de 162 vidas que se cruzaram em Porto Alegre, há 10 anos, em uma das mais conturbadas casas da então Fundação Estadual do Bem-estar do Menor (Febem), hoje Fase. Nesta reportagem, ZH revela o destino desse grupo de adolescentes cujos delitos os reuniram em 1º de janeiro de 2002 na Comunidade Socioeducativa (CSE).

A casa é considerada a de perfil mais complexo da Fase, pois reúne principalmente os adolescentes autores dos atos infracionais mais graves e que são mais velhos — de 18 a 21 anos.

O destino dos 162 adolescentes, uma década depois daquela internação, poderia ser contado só em números. Eles falam por si:

135 foram presos sob suspeita de terem cometido crimes;
114 foram condenados;
55 estão presos;
48 morreram.

A maioria dos mortos foi executada a tiros antes de completar 25 anos, vítimas de vinganças ou de cobranças ligadas ao tráfico. Deixaram como herança para famílias cercadas pela violência pelo menos 17 filhos órfãos de pai. As histórias de esperança são escassas. Dos 114 ex-internos vivos, apenas dois não voltaram a ter seus nomes registrados em ocorrências policiais ou em processos criminais.

Mais do que estatísticas, o levantamento de ZH expõe rostos e trajetórias de jovens que, em muitos casos, foram vítimas antes de se tornarem infratores. Nascidos em berços pobres, forjaram a personalidade, os valores e os limites — ou a falta deles — em ambientes insalubres, lares marcados por brigas domésticas e separações conjugais, ausência de figura paterna, desemprego e abuso de álcool e de drogas. Foi o terreno fértil para cultivar a revolta, afastá-los dos cadernos escolares e torná-los presas da criminalidade.

Um cenário cujo caminho natural foi a internação na Febem, instituição que fracassou em sua meta de ressocialização para mais de uma centena deles.

A Febem virou Fase em maio de 2002 com nova proposta de tratamento a adolescentes infratores. Mas não sumiu por completo. Ainda habitam suas unidades práticas da antiga cultura de atendimento a internos, como o excesso de medicação para acalmá-los e agressões.

O retrato feito nesta reportagem mostra que, para este grupo de jovens, a fundação não conseguiu intervir em uma realidade na qual família e escola já haviam falhado. Dos 162 adolescentes, 127 tiveram mais de uma internação ou passagens tumultuadas por agressões a outros internos ou a monitores.

— Durante anos, enquanto fui monitora, me arrependi de ter entrado (na fundação). Diante dos nossos olhos tem um celofane, e tu enxergas o mundo colorido. A Fase te arranca isso. Fica tudo preto e branco — interpreta Débora Perin, hoje coordenadora jurídica da Fase.

Pelo menos 114 daqueles 162 adolescentes voltaram às ruas formados no crime. Antes com rostos e nomes protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) — que proíbe a identificação de menores de 18 anos que cometam atos infracionais -, ganharam destaque no noticiário policial. Inscreveram em seus currículos crimes de repercussão. Mataram policiais e crianças, integraram quadrilhas, roubaram carros e assaltaram bancos.

O que, então, em meio a tantas tragédias de responsabilidades coletivas, resgatou poucos deles do abismo da delinquência? O amor dirigido a uma mulher, a um familiar ou a Deus está presente nas histórias de superação que ZH descobriu nesse périplo em busca de ex-internos da CSE. Quem teve chance de estudo e de trabalho também pode emergir do mergulho na criminalidade.

Um drible nada fácil para meninos que conheceram a violência cedo, como vítimas e como algozes.

Dois Imperadores na Minha Vida

Dois imperadores lutam para dominar a vida humana. Um se chama: Instinto e o outro Princípio.
Quem obedece ao Instinto tem sua vida marcada pela confusão, instabilidade, sentimento de culpa, mágoas. Esse Imperador é um tirano e não aceita o adiamento de suas ordens. Quem rendeu o território de sua alma a ele, não será capaz de dar direção a sua vida, estará sempre insatisfeito, mesmo obedecendo.
O imperador chamado Princípio tem fala firme, mas não gritada. Quando desobedecido, chama a atenção com tranquilidade quase que imperceptivelmente.  Aqueles que vivem sob seu governo encontram  paz de espírito, a estabilidade, a coerência e a consciência limpa embora não vida fácil.
A regra máxima do Instinto é faça o que você tiver vontade, agora. A lei fundamental do Princípio é: faça o que tem que ser feito. Todos admiram publicamente o Princípio, mas em sua maioria vivem sob o governo do Instinto. Cada decisão a que sou exposto ouço os dois falando em meu ouvido.
Quando alguém me fere, o Instinto me diz: fere de novo e com mais força, enquanto o Princípio me diz: perdoa conforme foste perdoado.
Quando estou em meio a um ambiente onde todos perdem a paciência, o Instinto grita: solta os freios e vai conforme a corrente, enquanto o Princípio sussurra: mantém tua posição sem retroceder.
Quando uma mulher que não é a minha me assedia e me convida para fantasias de amores, o Instinto pula ao meu redor ordenando: não perca a oportunidade, enquanto o Princípio traz a minha memória a aliança que fiz a dezoito anos atrás.
Quando sinto sono e  preguiça no meu corpo, o Instinto argumenta que ninguém deve fazer o que não tem vontade, enquanto o Princípio me mostra que eu fui chamado a servir através do exemplo dAquele que lavou os pés poeirentos de uns judeus galileus.
Quando tenho fome depois de ter comido o suficiente e não sei se avanço no segundo prato, o Instinto me faz ver que eu já faço muitos sacrifícios na vida (embora não lembre quais) para não me dar essa concessão, enquanto o Princípio simplesmente diz: basta, é o suficiente.
Quando encaro um povo ano após ano, semana após semana falando a eles sobre a Palavra de Deus, o Instinto me mostra que pode ser bom para o meu bolso, saúde emocional pessoal e dos meus filhos, posição na denominação se eu falar o que todos querem ouvir, enquanto o Princípio me mostra cenas de um passado distante no qual eu chorava diante do chamado de Deus e dizia que seria fiel a ele e a Palavra.
Quando recebo ordens legítimas de alguém que está acima de mim, mas que eu não gosto, o Instinto olha bem nos meus olhos  e diz: ninguém manda na sua vida cara! Enquanto o Princípio me diz: obedeça que vai fazer bem para sua alma.
Quando meus filhos desobedecem teimosamente, o Instinto me manda repetir palavras que ferem a identidade deles e aliviam minha tensão, enquanto o Princípio  me mostra que posso ser firme sem perder a cabeça.
Quando vejo algum colega bem sucedido, muito mais do que eu, o Instinto justifica meu sentimento de inferioridade dizendo que ele não foi honesto, que foi beneficiado, que não é fiel, enquanto o Princípio me manda cuidar de minha própria vida e me alegrar.
Quando a vida se torna inexplicável, cheia de perplexidade e dolorida o Instinto me diz que a fé é uma estupidez, que ninguém presta e que devo voltar ao velho caminho enquanto o Princípio me manda esperar e ficar firme, pois a vida é grande demais para alguém tão pequeno quanto eu poder entender completamente.
O Instinto está sempre conversando comigo que não há ninguém maior do que eu nesta vida, enquanto que o Princípio me diz que há alguém que é Legislador nesse mundo e que é Mestre da vida.
Depois de muito tempo observando as pessoas que conquistaram minha admiração, as que fizeram a minha vida melhor, consigo perceber um fio que as liga e coloca na mesma família: elas viveram debaixo do Império do Princípio. Minha mãe, minha esposa, professores, Caio Fábio, Bonhoeffer, Martin Luther King, C.S. Lewis e Spurgeon. Alguns embora mortos ainda falam.  Obrigado a todos vocês nuvem de testemunhas que me inspiram.
Um abraço quebra costelas.
O discípulo gaudério.