Um Espinho na Carne

No meio da floresta, perto do vilarejo de Aladi em Nagercoil, na Índia, eis que se ouve:

– Aaaaaaaaaaaaaaaaaai! Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai!!

Elizabeth Geikie, uma bela mulher de olhos azuis e pele morena, vinda de Dundee, Escócia, saiu de sua cabana de taipa para ver de onde esse barulho aterrorizante estava vindo e descobriu que vinha da trilha que conduzia para onde ela estava morando.

Logo, um grupo de homens de Aladi estava se aproximando de sua cabana. Eles carregavam um homem, que era a causa de todo aquele barulho. Primeiro, Elizabeth pensou que ele estivesse maluco e os moradores da vila o estavam trazendo para atormentá-la. Ela esperava ansiosamente enquanto o grupo parava em frente à sua cabana e deitaram o homem aos pés dela.

Um dos homens do grupo disse:

– Tem alguma coisa errada com esse homem e nós não sabemos o que fazer.

Em pouco tempo, Elizabeth percebeu que o homem não estava louco, mas estava gemendo por conta de uma dor torturante. Mas, de onde vinha essa dor? Teria ele comido algo venenoso ou sido picado por alguma cobra? Ela se ajoelhou e começou a examinar seu corpo em busca de indícios de causas da dor. Foi então que ela percebeu que o pé esquerdo dele estava inchado. Ela o tocou e o homem deu outro grito aterrorizante de dor. Cuidadosamente, ela examinou o pé dele de cima a baixo até encontrar a razão de todo aquele sofrimento: um pequeno ponto se projetando da planta do pé. Era o final de um grande e profundo espinho.

Elizabeth foi até sua cabana e apanhou seu “kit” médico de primeiros socorros, mas, dentro dele, havia apenas vaselina, sulfato de magnésio e óleo de rícino, porém, não encontrou o fórceps que precisava para arrancar o espinho do pé daquele homem Era teria de improvisar.

Para o nojo daqueles que estavam ao redor, Elizabeth se ajoelhou, inclinou-se para frente e pôs os lábios contra o pés sujo e calejado daquele homem. Então, ela encaixou se dente tal como um gancho em volta do final do espinho que s projetava para fora, e, vagarosamente, ela moveu sua cabeça para trás. Pedaço por pedaço, o profundo espinho começou a sair do pé até sua cabeça sacudir para trás, arrancando-o fora por inteiro. Imediatamente, o homem deixou escapar um grito de alívio na medida em que sua dor começava a diminuir.

Com o espinho arrancado, Elizabeth banhou o pé com óleo de coco e então envolveu com um curativo à base de fios de linha. Em seguida, o homem e o grupo que o trouxe desapareceram tão rápido quanto tinham chegado.

No dia seguinte, o grupo de homens estava de volta. Dessa vez, eles não traziam consigo nenhuma outra pessoa ferida. Ao contrário, eles queriam respostas:

– Por que é que você, uma mulher branca, queria salvar a vida de um homem, colocando os seus lábios – que é a parte mais sagrada do corpo – contra o pé dele – que é a parte do corpo mais desprezível?

Ela respondeu:

– Porque meu Deus, que ama e valoriza todos os homens, pediu a mim que fizesse isso.

Essa tinha sido a porta de entrada pela qual Elizabeth Geikie tinha estado orando e, em pouco tempo, aqueles homens estavam clamando para conhecer mais sobre o Deus dela.

Primeiro, o homem de cujo pé ela tinha arrancado o espinho, juntamente com sua esposa, tornaram-se cristãos. Em breve, outros da vila seguiram o exemplo deles, até que o núcleo de uma pequena congregação tinha sido formado.”

Extraído do livro: Sopa,sabão e salvação – A história de William Booth.  Janet & Geoff Benge

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