A Fome por detrás da fome

As pessoas manifestam comportamentos típicos desde que o mundo é mundo. Os pecados não mudam nem mudarão, pois a natureza humana permanece intocada. A única metamorfose possível é quando o ser humano abre sua vida para um relacionamento com Deus. Uma inversão começa a acontecer, mesmo que lenta.

Até que isso aconteça imperam o orgulho, o pai de todos os pecados seguindo-se a ira, vaidade, preguiça, luxúria, inveja, avareza, todos se valendo da hipocrisia para esconder-se, da racionalização para justificar-se e da generalização para aliviar a culpa (todos fazem porque eu não faria).

Somos como seres humanos camadas em cima de camadas que escondem por detrás de tudo uma fome do tamanho do mundo. Como um buraco negro, devoramos o que está na nossa volta e somos devorados pelo apetite que socializa todos os seres humanos. Reclamamos dessa dura realidade quando somos vítimas, esquecemos quando somos os vilões da alma dos outros. Ah, se pudéssemos ver sem as cortinas da estética, e enxergássemos a alma das pessoas como é, seria um momento assustador contemplar as feras famintas dentro de nós.

Sistemas religiosos, econômicos e educacionais podem ser criados para pacificar a fome dos poderes deste mundo. Esses sistemas organizados maximizam o retorno de um sentido de importância e de significado, mas apesar de resultados expressivos não aliviam a ansiedade dos famintos.

Foi essa fome que moveu as pessoas da época de Jesus a segui-lo por quilômetros e arriscando sua própria segurança afastarem-se de seus lares e centros de provisão. Depois de fazer o milagre da multiplicação dos pães o evangelho de João nos diz que as pessoas começaram a esquecer da fome espiritual e focaram novamente na fome do estômago procurando novos milagres do tipo. Jesus então diz a eles que ele é o pão da vida, porque tudo que não for a presença ativa de Jesus na vida do ser humano apenas se tornará angustia e ansiedade na vida. Assim que a pessoa comerá com angústia que devora, fará sexo com desespero, se relacionará como quem se agarra a uma tábua de salvação e trabalhará como se sua identidade dependesse do seu sucesso. E você sabe entre famintos que disputam um pedaço de pão só pode haver guerra.

Jesus viu a fome por detrás da fome, por essa razão teve tanta compaixão. Nós também deveríamos ver se quisermos crescer como discípulos:

Por detrás do eterno rebelde pulsa um coração que anseia pelo amor paterno.

Por detrás do tagarela, está o anelo por conexão.

Por detrás do fanfarrão, está uma pessoa que precisa ser reafirmada.

Por detrás do intelectualismo pedante está o desejo de ser relevante.

Por detrás da superespiritualidade, está o anseio de ser importante e um sentimento de absoluta fraqueza.

Por detrás do ciúme doentio, se esconde o medo de perder.

Por detrás do problemático profissional, está a suspeita da desvalorização pessoal.

Por detrás do palhaço que faz rir, há um espinho que faz chorar.

Por detrás do ativista que só para pra dormir, há uma realidade que ele quer fugir.

Por detrás de uma boca que ameaça, está uma ferida cuja dor não passa.

Por detrás dos olhos de sôfrega luxúria que só faz desejar, jaz o desespero existencial com medo de se aniquilar.

Por detrás do pitbull valentão, há uma criança assustada procurando uma mão.

Por detrás do preguiçoso e seu eterno cansaço, se esconde o medo do fracasso.

A todos o Mestre convida para o banquete no Reino de Deus onde todos matarão a fome por detrás da fome e nunca mais oprimirão alguém.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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