A Grande Chance Ao Seu Redor

A maioria das pessoas fica esperando por uma grande oportunidade na vida. Essa espera tira o discernimento para as oportunidades agora. O treinador de basquete multicampeão John Wooden costumava dizer aos seus jogadores durante os treinamentos: faça do seu dia uma obra prima.

A internet, por exemplo,  oferece a todos ocasião de termos o acesso ao melhor de tudo que é construído pelo talento humano em relação a música, vídeo e literatura. E o que acontece é que as pessoas gastam 70 a 80% desse tempo com a tecnologia curtindo vídeos do “pintinho piu” e assemelhados, pornografia e piadas de gosto duvidoso. As pessoas podem ler a Ultimato e preferem ver a Caras!

Acorde!

Quem perde amizades pode na verdade abrir os olhos para ver que há mais gente boa no mundo do que imagina nossa mente limitada.

Quem perde a visão, pode aguçar o ouvido.

Uma parada inesperada pode ser uma inesperada revolução no modo de pensar.

Jesus no evangelho de Lucas faz alguns comentários sobre a perda de oportunidades:

“Um pregador mais importante que Jonas está aqui, e vocês ficam exigindo ‘provas’”. (1)

“Muitos profetas e reis teriam dado a vida para ver o que estão vendo e ouvir o que vocês estão ouvindo, mas não tiveram essa oportunidade.” (2)

Aquela gente não conseguia perceber que algo muito especial estava acontecendo porque esperavam a bênção de acordo com a fantasia do seu coração.

Pois é gente,  da mesma forma grandes possibilidades estão na nossa mão agora, mesmo que o pecado assedie como nunca e encontre potencializações na área do marketing e da mentira especializada. Em nossas mãos temos:

  1. As promessas magnificas de Jesus que diz que se crêssemos de verdade faríamos  as mesmas obras que ele fez e ainda maiores.
  2. O poder do Espírito que foi derramado e do qual temos tanto quanto buscamos para nossa vida.
  3. A presença permanente de Jesus enquanto estivéssemos envolvidos em sua missão.

Às vezes eu vejo gente boa, deplorando o que os fajutos e espertalhões fazem em nome de Deus e em busca de dinheiro e tenho a impressão que essa gente tem perdido a garra no meio do lamento e não enxergam que os campos estão preparados para colheita. Eu não perco meu tempo, quero aproveitar as oportunidades que esse tempo me entrega nas mãos. Quem for de Deus, a seu tempo se juntará aos que são do evangelho, afinal todos acabam encontrando o que procuram. Foi isso que Jesus disse. Nessa certeza oro para que você abra também os seus olhos.

Você tem lamentado ou enxergado as oportunidades?

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)    Lucas 11:31,32

(2)    Lucas 10:23,24

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Você se acha um messias?

O messianismo é a bondade que adoeceu e se tornou egocêntrica. Não deseja mais ver aos outros bem, mas se sentir bem a custa da contemplação narcisista da sua própria bondade. Quem trabalha com pessoas diariamente e ouve seus problemas corre o risco de se deixar levar por essa corrupção da bondade. Pastores como eu e profissionais da saúde da alma, caminham nessa linha fina que separa bondade e messianismo. É bom aprender como João que disse: “Eu não sou o Cristo”. O peso do mundo em seus ombros vai lhe matar. E vai matar quem está na sua volta, porque todo messias que não seja Jesus que era humilde e manso, tem um que de doença e tirania.

Leia os sintomas e pense!

Você tenta resolver todos os problemas das pessoas? Talvez você esteja sendo pretensioso afinal você não tem resposta pra tudo.

Você não consegue viver e celebrar enquanto há alguém sofrendo no mundo? Creio que basta dizer que Jesus não fez isso. Ele recebe a unção com um caro perfume cujo valor poderia alimentar a muitos pobres, mas ele faz sem drama.

Você acredita que é o único que se importa com a vida dos outros? Elias também pensava isso e dizia que restava ele somente, e Deus lhe fez lembrar que havia ainda sete mil como ele em Israel. Os decepcionados com a igreja só olham para televisão e os gatunos falando em nome de Deus, mas esquecem dos muitos que são sérios e não se curvam a Baal.

Você se sente amargurado porque ninguém faz o que você faz? Lembre-se que o seu chamado pode não ser o do outro. Que é só abrir os olhos para ver que a sua igreja, a sua organização, o seu ministério são muito pequenos para englobar os grandiosos e misteriosos caminhos do Reino entre os homens.

Você se ressente quando alguém tenta cuidar da sua vida e fazer você descansar. Valorize, pois Deus está falando com você.

Você despreza as férias até porque tem tanta gente passando mal que você não tem o direito de descansar. Saiba que você vai morrer e o mundo continuará seu curso.

Você está sempre reclamando que está sozinho para fazer tudo. Talvez você devesse se analisar. Qual o impacto da sua liderança para os outros?

Você não aceita a ajuda porque ninguém está no nível que você acha que dever ter. ? Talvez você devesse baixar um pouco seus padrões e ser menos crítico. Conheço pastores que reclamam não ter ajuda, mas são críticos devastadores. Como poderão mobilizar voluntários com tanto azedume?

Você tem uma antipatia no coração por todos quantos em algum nível se envolvem tentando lhe ajudar a cumprir suas tarefas?

Você enxerga a todos como um bando de coitados, vítimas das circunstâncias. Saiba que essa não é a verdade toda. Muita gente também sofre porque escolhe o sofrimento. Às vezes é bom deixa-las que enfrentem a consequência de suas escolhas para que possam crescer. Todos somos vítimas e vilões de nossa história. Quem aprender isso vai crescer bastante.

As pessoas podem fazer o que quiser com você desde que deixem escorrer algumas lágrimas? Você sabe que é explorado pelos malandros e espertalhões, mas mesmo assim se sente realizado. Quem é sábio sabe que nem toda lágrima é sincera, que muito choro às vezes é manipulação. Sabe também que nem toda ajuda, ajuda. E que às vezes é necessário “ser cruel para ser bom”.

 

Na esperança que estes falsos messias a espreita caiam por terra:

 

O discípulo gaudério.

 

Instruções de sobrevivência para quem está no deserto

Existem momentos na vida que a gente tem a impressão que abriram as portas do inferno e todo o mundo parece despencar na nossa cabeça. Os crentes chamam esses momentos de deserto, outros chamam de “a noite escura da alma”, e outros de vale da sombra da morte. O fato é que todo o chão que nos mantém seguros parece se abrir embaixo de nossos pés ameaçando nos engolir. Algumas pessoas caem em profunda depressão, outros passam por períodos intensos de dúvidas e certas pessoas são até acometidas de enfermidades que parecem não ir embora. Parece que os inimigos se acumulam, os obstáculos se multiplicam e tudo é um parto para acontecer. O livro de Jó foi escrito para nos mostrar que a fé embora triunfante também vivencia seus momentos menos gloriosos neste lado do céu. Nestes períodos é que são arquitetados os alicerces de nosso futuro espiritual. É bom ficar ligado. Quero compartilhar dez instruções de sobrevivência que eu aprendi:

1. Não procure soluções mágicas. Nesses períodos sempre aparecem os bem e os mal intencionados querendo que você vá a algum lugar, faça algum tipo de oração, conheça uma pessoa incrível que vai abrir a chave da resposta fácil. Não se enrede com isso.

2. Ore do jeito que você consegue. Mesmo que seja só gemer na presença de Deus. Ele entende.

3. Desabafe com alguém experiente que não vai ficar dando sermão em você.

4. Não seja criança com aquele papo de “eu não aceito”, pois o que você precisa é aceitar e aguentar.

5. Não fique procurando alguém ou algo para colocar a culpa. Você pode magoar alguém muito importante nesse período e alguém bem próximo. Em geral o pastor, a igreja, e os pais são os favoritos para levarem a responsabilidade.

6. Continue a fazer o bem a quem precisa de você. Embora pareça que não dá, você pode fazer desse um sacrifício vivo ao Senhor.

7. Lembre que Deus não se explica, nem cabe nas lógicas humanas. Se coubesse não seria Deus. Parafraseando Elie Wiesel: Um crente pode ser contra Deus, a favor de Deus, mas jamais sem Deus.

8. Não tome decisões sob o frio da noite desértica. Em geral essas decisões tresloucadas trazem arrependimentos futuros.

9. Não se refugie nos antigos pecados de estimação para aliviar a dor. Isso é corcovear contra as esporas: só traz mais dor. Boa parte do nosso crescimento tem a ver com suportar a dor valentemente.

10. Abra a torneira das lágrimas e chore a vontade. Não tenha vergonha de dizer que está doendo. Não tenha medo de quem te deseja o mal. Tenha coragem de ser plenamente humano.

Depois disso você nunca mais será o mesmo. Sua palavra fará sentido a quem vive a dor como o arroz e feijão de cada dia e sua presença será mais presença do que nunca. Na esperança de que tenha lhe ajudado:

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

August Landmesser: um homem só com sua consciência

Por Elizabeth Flock no Washington Post.

Traduzido por F. B. Goulart

Estamos na Alemanha Nazista em 1936, e uma multidão de pessoas tinha se ajuntado para o lançamento de um navio de treinamento da marinha. Enquanto centenas respondiam em uníssono a saudação nazista, um homem permaneceu com seus braços cruzados e os olhos torcidos a quem estava comandando a saudação.

Esse homem não foi identificado até o ano de 1991 como August Landmesser, um trabalhador da Blohm + Voss construtora de navios em Hamburgo, por uma de suas filhas, depois que ela viu a foto em um jornal alemão.

Essa semana, a foto ressurgiu depois que um blog que havia sido lançado para facilitar os esforços em aliviar o impacto do terremoto no Japão e posterior tsunami, compartilhou-a em sua página no Facebook. Junto com o texto, a foto tem aproximadamente 25.000 compartilhamentos.

Landmesser aparentemente tinha uma razão bem pessoal para não repetir a saudação.

Acredita-se que ele tenha sido um membro do partido Nazista de 1931 a 1935, e foi mais tarde expulso do partido por casar com um mulher judia, Irma Eckler, de acordo com Fasena, um sítio educacional no campo de concentração Nazista em Auschwitz.

Depois que ele criou duas filhas com Irma, ele foi enviado para prisão por “desonrar a raça”. Acredita-se que Irma tenha sido detida pela Gestapo na prisão policial de Fuhlsbüttel em Hamburgo. Suas filhas foram separadas.

Landmesser foi libertado da prisão em 1941 mas logo foi convocado para servir na guerra. E mais tarde foi declarado perdido em ação e dado como morto.

Em 1996, uma das filhas de Landmesser, Irene, escreveu a história da família na Alemanha, dizendo esperar compartilhar a história de como sua família tinha sido separada.

Dezesseis anos mais tarde, aquela história está se espalhando pelo Facebook, graças ao hábito dentro da Internet de redescobrir tesouros históricos. Muito como o renovado interesse da semana passada em uma carta de um ex-escravo de 1865 ao seu senhor, a resposta a lição fotográfica de Landmesser, fala  alto para uma audiência virtual faminta por histórias de heroísmo moral.

Culto ao trauma de existir

Caio Fábio
O CULTO AO TRAUMA DE EXISTIR!
Certas realidades da vida — e aqui falo das implacáveis, e, portanto, inevitáveis —, são as mais qualificadas expressões e ilustrações do significado do autoengano humano conforme sua atual construção na alma humana.
Por exemplo, todos os seres humanos cedo sabem que um dia irão morrer!…
Hoje, no entanto, tal certeza não existe como admissão natural; posto que exista de modo psicologicamente e subjetivamente negado para grande parte das pessoas no mundo urbano/moderno/ocidental.
De fato, no passado, logo, logo se sabia… Sabia-se que nossos avós morreriam, ou que tendo sido antes importantes para a família, já se tinham ido…, e isso antes mesmo que chegássemos a nascer; assim como também se sabia depois de uns poucos anos — e apenas se a morte prematuramente não impusesse tal realidade à consciência da criança como fato/perda… — que nossos pais também haveriam de um dia morrer; o mesmo acontecendo a todos os demais seres humanos… E assim era pelo menos em tese […], em razão de que as pessoas tratavam o morrer com familiaridade simples quando ele acontecia […], especialmente se seguisse o fluxo natural dos anos; ou seja: na velhice.
Além disso, as crianças eram expostas aos funerais, os quais, quase sempre, aconteciam no ambiente da casa, para o qual todos os parentes e amigos vinham […] a fim de velarem e reverenciarem aquele ente amado que partira. Desse modo, pelo menos do ponto de vista da admissão da realidade da morte, as crianças e os adultos estavam muito mais preparadas do que hoje para a inevitabilidade da morte.
Sim; poder-se-ia sofrer, mas sabia-se que era assim mesmo que as coisas eram…; poder-se-ia evitar tais conversas, em algumas famílias, mas não se criava uma fuga temática deliberada de tal realidade; posto que todos soubessem que morrer era inevitável; embora, na pratica, a alma, na maioria das vezes, vivesse sem contar com aquela possibilidade como risco aflitivo do cotidiano.
Do mesmo modo se sabia que os filhos iriam crescer e partir; e, em algumas culturas, havia data predeterminada para que isto acontecesse; e, quando o partir não significasse uma grande mudança geográfica, seria minimamente uma mudança de status em relação aos pais; posto que chegasse a hora do filho [a] tornar-se adulto para si mesmo e para o mundo. Em muitos casos tal tempo de emancipação inevitável, implicava em passar a morar longe; e todos estavam cônscios de que assim seria; embora, na maior parte das famílias, especialmente as mães buscassem viver sem muito pensar naquele dia, até que ele chegasse… Todavia, em geral, não havia nenhum trauma que se chamasse natural em relação a essa sequencia da vida.
Adoecer também era parte simples do existir; em qualquer tempo, idade ou fase da vida. Do mesmo modo em que se sabia que filhos poderiam “não se criar”, e, assim, morrerem prematuramente. Era normal ouvir-se de pais que haviam gerado 12 filhos, mas que apenas oito haviam “se criado”; posto que os demais tivessem morrido antes da hora, fosse por doença, acidente ou qualquer outra forma de intervenção da existência.
As mortes do avô ou da avó, por mais saudosos que se tornassem, também era parte da hora, do tempo, da estação; ou seja: do fluxo natural da existência.
De umas décadas para cá, no entanto, tem-se tentado afastar o fato da morte da percepção de todos, especialmente das crianças e adolescentes; posto que morrer, ainda que seja um fenômeno inevitável, tenha se tornado, psicologicamente, objeto de uma atitude de evasão quanto à inclusão da sua realidade como fato simples, natural e inerente ao mero existir.
O que se nota é que o fenômeno urbano [com suas complexificações], associado ao culto à psicologia do trauma da alma, fez com que todos esses temas sejam tratados em estado quase permanente de autoengano em todas as famílias e almas humanas.
Prova disso é o modo como se trata o assunto quando alguém fala em morte. Sim, logo alguém diz: “Vira essa boca pra lá!”; ou, então, se questiona com reprovação: “Que papo é esse?”; e se houver criança presente no ambiente, inevitavelmente alguém ou muda de assunto com um olhar civilizado de reprimenda a quem introduziu o tema; ou mesmo diz aos pequeninos: “Não ouçam o que ele [a] está dizendo; ele [a] está brincando!
Ora, a morte não tem que ser tratada com indiferença jamais, mas com naturalidade sempre; mesmo a morte que aconteça como um acidente ou um anacronismo; posto que existir é estar dentro do ambiente da possibilidade frequente do morrer…
Entretanto, não é mais assim; sendo esta a razão pela qual as pessoas fiquem tão devastadas ante a morte.
Hoje, o que se vê para todos os lados, são casais em tratamento de depressão grave até anos depois de terem perdido um filho que nem chegou a nascer… E se tiver nascido e sido levado na infância, o trauma para alguns pais parece ser de um poder tão devastador que, para alguns casais, não existe nem mesmo mais a possibilidade de que eles vivam juntos como casal […] em razão da morte do filho [a] que lhes era comum. Então, divorciam-se em face da morte!
Em uma escala não tão abrangente ou generalizada — porém muito presente na classe média e entre os ricos — está a realidade de que os filhos vão crescer e sair de casa. Assim, com o prolongamento dos cursos acadêmicos obrigatórios, adia-se como se pode tal realidade, a qual, no passado, até em razão dos estudos se impunha cedo na existência.
O fato existencial simples é que a psicologia e a urbanidade com seus complexismos […] desenvolveram um processo de evasão humana de tais naturais fatos do existir.
A Psicologia enfraqueceu a alma humana com o seu culto profissional ao trauma como um poder devastador a ser “tratado”, “trabalhado”, “classificado”; e [ou] devidamente “medicado” e “processado”.
Já a Urbana/Modernidade — com seus recursos médico/hospitalares, ou mesmo com os meios científicos de prolongamento da existência — sendo isto também vinculado a uma grande expectativa redentiva e salvadora que se atribui à ciência médica —, desenvolveu uma expectativa falsa sobre a vida; de um lado hipertrofiando o significado traumático das perdas como traumas, e, de outro lado, pela mesma razão, fragilizando de modo horroroso a alma humana para tais enfrentamentos naturais; os quais, mais cedo ou mais tarde, sejam inevitáveis.
A realidade simples é também esta: a humanidade que tem acesso aos meios de comunicação e aos recursos da modernidade […], existe em estado de alienação e autoengano sobre o significado natural da morte, da saída dos filhos de casa, do desenvolvimento natural dos filhos; e, portanto, existe em estado de culto ao trauma; e mais do que isto: em estado de fuga ou de tratamento da dor…
Assim, até a menstruação da mulher se tornou algo novo para o mundo, para a família, para as dinâmicas relacionais do casamento, etc… — depois que a TPM se tornou um direito minimamente semanal ao surto e ao descontrole justificado.
O mesmo se pode dizer da aposentadoria; a qual, no passado, era ambicionada e almejada como premio ao envelhecimento; tempo no qual se curtia o ócio do lazer como coroamento do trabalho de toda uma existência; mas que, hoje em dia, chega como punição pelo envelhecer; e isto não pela alegria de trabalhar, mas como pânico da velhice e da morte; ou até como perda de significado social que o “estar na ativa” supostamente confere como status na modernidade des-significada de sentidos mais profundos de ser para a alma humana.
Também existe em tal pacote traumático a negação do envelhecimento, o qual se busca adiar ou mesmo nem nele pensar, mediante “cirurgias plásticas”, ou através da negação da idade, ou da adolescentização da velhice; fato este [o envelhecimento] que produz a assustada fragilização psicológica dos mais civilizados […] ante os agentes naturais da existência [agora interpretados como traumas]; o que produz gerações cada dia mais antinaturais frente aos fatos sabidos e simples da vida.
Como já disse antes a impressão que me dá por vezes ao atender e ouvir as pessoas, e também ao observar aquilo que as “traumatiza” de modo “devastador”, é que estamos como que vivendo numa espécie de existência de game, de jogo de computador, de uma busca permanente de uma vida de desenho animando, ou mesmo de um mundo ao estilo cibernético do “Ambiente Second Life”.
A constatação que daí decorre implica também na observação do enfraquecimento da alma humana; cada dia mais despreparada para lidar com os fatos da existência sem transformá-los em “trauma devastador”.
Viver, cada vez mais, implica em existir em crise de tudo e com trauma de quase tudo!
Isto porque, além do culto ao trauma [legado da Psicologia], existe-se também em estado de negação da natureza das coisas […]; bem como, do mesmo modo, vive-se em estado de imersão na existência sem nenhuma graça de transcendência, o que faz com que a morte e os demais fatos simples da vida, sejam tratados o tempo todo como crises traumáticas hipertrofiadas.
Ora, a gente vê pessoas sendo tratadas psicologicamente quanto à morte ou o sumiço de cães domésticos, de pets familiares, e de quase tudo que, estado vivo, possa morrer ou desaparecer. Tamanha é a banalidade de tal estado de fragilidade!
Devo também acrescentar que a caracterização do Bulling faz com que crianças hoje fiquem mais traumatizadas por outras crianças na escola do jamais antes. Sim, pois, em todas as épocas, crianças foram molestadas e chateadas por outras crianças nos ambientes públicos ou escolares. Hoje, porém, tal importunação ou violência — das quais na minha geração quase ninguém escapou, mas passou por elas quase sempre sem trauma —, demanda assistência especializada e tratamento prolongado; não que o Bulling não tenha que ser enfrentado mesmo e com energia; porém, não com a superlativização do seu significado psicológico enfraquecedor e inevitavelmente traumatizante; evitando-se assim o direito traumático que se oferece à criança chateada ou incomodada por tal desconforto ou agressão.
O fato é que a alma humana, mesmo sendo sensível ao extremo, no passado era muito mais forte do que hoje — prova disso é que as grandes evoluções da filosofia, da teologia e da psicologia aconteceram no tempo em que tudo o que hoje é “trauma” […] não passava apenas da categoria de fatos naturais da vida.
A alma precisa ser sensível sem ser frágil. Sim; a sensibilidade da alma não tem que ser sinônimo de fraqueza da alma!
As almas mais poéticas, mais filosóficas, mais psicológicas, mais sensíveis que já passaram pela História Humana, foram também as mais fortes […]; e, paradoxalmente, as mais expostas à dor, ao trauma, e à percepção como experiência do desconforto.
Na Bíblia o maior exemplo disso são os salmistas, os profetas e os apóstolos, os quais, submetidos a toda sorte de perdas, traumas e privações, tornaram-se, toda-via, os seres mais fortes que já se conheceu ante a face da morte, das perdas, dos traumas, das angustias, dos desprezos, das rejeições, dos desconfortos e dos anacronismos e casuísmos da existência.
O fato é que este mundo de fugas da realidade e de falta total de naturalidade ante a natureza natural das coisas [perdoe a redundância deliberada nas palavras usadas], acrescido da morte da transcendência do ser e do espírito, tornou-se um ambiente humano traumatizado pelo efeito do autoengano que trata a existência como se ela fosse um game, ou um desenho animado, quando seus personagens não morrem de fato, ou que, quando morram, a gente possa simplesmente reiniciar o jogo […]; posto que “game over” não significa jamais que o jogo acabou mesmo.
Estou escrevendo isto num domingo de manhã, depois de acordar lembrando-me do tempo que uma hora dessas a minha casa estava cheia de falas e conversas de filhos, e que o almoço seria uma algazarra de brincadeiras e conversas; sendo que hoje, com um dos meus filhos no céu, e os demais todos adultos, a casa está vazia, mas meu coração está também sem nostalgia; ao contrário, está grato pela verificação de que todos eles se tornaram o que nasceram para ser; ou seja: entes separados de mim, que me amam, mas que vivem de si mesmos, enquanto em tenho a chance de envelhecer em estado de contentamento e aproveitamento desta nova estação da minha existência.
E mais: estou feliz também com o fato de que nenhum deles seja frágil ou traumatizável por qualquer coisa ou realidade natural da vida. Nenhum deles é invulnerável, porém, também, graças a Deus, nenhum deles está despreparado para os fatos simples, possíveis e naturais do existir, como a morte dos pais, dos avós, de filhos [não sem dor e dor], dos amigos; e, também, não sem a consciência de que a vida seja assim mesmo!…
Fugir de buscar que assim seja […], não tratando tudo com naturalidade, cria o autoengano da imortalidade, a síndrome do ninho vazio, o culto ao trauma, e todas as formas de fragilidade que somente tornam a existência, paradoxalmente, um viver de muito mais dor em face da negação do que seja simples e natural […], e até implacável; ou seja: ante tudo aquilo que se busca negar!
A Bíblia nos ensina com simplicidade na história de Jó que até o que seja de-mais, não seja insuportável; embora nos ensine no mesmo lugar que quase insuportável seja ter que tratar com os amigos que não lidem com os anacronismos e inexplicabilidades dos fatos cruentos e possíveis da existência […], insinuando eles, os tais amigos, traumaticamente, que cada um dos fatos precise de uma explicação.
No filme “O Auto da Compadecida” [O Auto da Compadecida (filme) – Wikipédia, a enciclopédia livre ] um dos personagens repete constantemente a mesma frase a fim de explicar o inusitado da existência; frase essa que, de fato, deveria ser parte não do nosso simplismo, mas da simplicidade do nosso existir.
A declaração é esta:
Ah! Eu não sei como é que foi… Eu só sei que foi assim!
Ora, viver em Deus demanda esta declaração como fato simples da fé confiante. Afinal, o que passar disso é loucura; posto que de fato eu não saiba como as coisas são, e, na maioria das vezes nem mesmo o seu por quê […]; embora, pela fé, com tranquilidade, eu saiba que elas foram como foram; e, por-tanto, pronto; e, por-tanto, basta!…
Foi Jesus Quem disse a Pedro: “O que eu faço não sabes agora, compreenderas depois…”.

Nele, que não nos criou para chorar além da bem-aventurança dos choros de consolação,

Os altos custos do isolamento para a espiritualidade

Gostaria de dizer que essa onda de gente sem igreja que anda por aí falando mal  dos evangélicos no atacado e no varejo são em sua maioria profetas que se libertaram da religião e que entenderam a revolução do evangelho e que vão fazer um grande impacto na vida de muita gente. Gostaria, mas não é o que percebo. Xingar a religião está se tornando um hábito não entendido pela maioria. Algo como falar mal dos políticos corruptos, mas fazer “gato” na TV a cabo e energia elétrica.  As pessoas acreditam que a religião está nas formas e não no coração. Então se mudam as formas, mas o coração não muda. Saíram da religião, mas a religião não saiu deles. Não se reúnem mais em templos, porque Deus não habita em templos. Como se Deus habitasse em casas! Na verdade o que Jesus nos diz é que Deus age em nós quando nos reunimos (independentemente do lugar) debaixo da autoridade da sua palavra para nos ajudarmos mutuamente a vivermos uma vida de discípulos de Jesus.

Ora, o que eu vejo disfarçado de revolução é o surrado individualismo ocidental. Cada um por si e Deus por todos. Ninguém se meta na minha vida, porque da minha vida cuido eu! Mas para a amargura de muitos devo escrever que não é esse o plano de Jesus. A vida do evangelho é vivida em comunidades. Comunidades imperfeitas, que se amam, e se perdoam, mas ainda assim comunidades. A carta de coríntios é escrita a uma comunidade, a de romanos, aos gálatas, dos tessalonicenses, aos efésios só para citar algumas. Não há registro de qualquer projeto de vida cristã no NT que possa ser vivido no isolamento confortável do individualismo ocidental.

Quem anda sozinho, anda em perigo. Sansão é um personagem que se assemelha a muitos desse tempo: tinha um chamado de Deus, queria trazer libertação para o seu povo e tinha um dom muito especial. No entanto escolheu andar sozinho. Desconexo do seu povo como um campeão da justiça. Ele andava em perigo e não sabia. Mas se sentia como um Messias que vinha para resolver o problema das pessoas. Só que a solidão de Sansão o tornou vulnerável ao engano, orgulho e um prato ideal para seus inimigos. Muitos são os males da espiritualidade solitária para nós também:

1. Nos convencemos de que ninguém enfrenta os mesmos problemas que nós. Ficamos com a sensação de que somos uma anomalia humana e então nos fechamos cada vez mais nos mais variados disfarces.

2. Começamos a culpar os outros projetando nosso isolamento na conta deles. Não estou sozinho pensamos, o fato é que ninguém me quer. Achamos que o problema que tivemos com uma pessoa na verdade é um problema com todo mundo.

3.  Acreditamos que ninguém pode nos entender a não ser aqueles que compartilham de nossa particular elucidação.

4. Acabamos reféns do orgulho entendendo que não há ninguém tão bom, sensível, perceptivo e visionário quanto nós! Em suma, ninguém presta, só nós mesmos. Intelectuais e gente de grana são os mais propensos a beberem dessa água.

Essa atitude mental tem um custo elevado para alma. Tem consequências silenciosas, mas profundas em nossa espiritualidade:

Pequenos deslizes se enraízam e se tornam vícios. Pecados de estimação. O que hoje é insignificante com o acumular dos dias se torna em uma perniciosa árvore do mal.

Tornamo-nos arrogantes sem que ninguém venha nos confrontar. E é só ver como reagimos se alguém questiona o que dizemos para ver o tamanho de nossa soberba.

Começamos a nos afastar dos amigos verdadeiros e nos ajuntamos apenas com cúmplices.

Nossas feridas se aprofundam sem que possamos ter um bálsamo. A ira que transborda em palavras e atitudes só faz provar que algo sangrando dentro de nós.

Ora andar sozinho é uma escolha do coração. Você pode estar em uma célula, sempre em família, participar de vários eventos cristãos e mesmo assim optar por esconder seus dramas, lutas pessoais e alegrias verdadeiras. Só você diante de Deus pode saber qual o projeto que tem andado. Nossa obediência e desobediência são conhecidas realmente no trono de Deus. Não se defenda, apenas pense nisso.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Ser ignorado dói, mesmo por um estranho

Publicado originalmente no Diário da Saúde via Pavablog

Inclusão pelo olhar

Sentir-se como parte do grupo é algo crucial para a experiência humana.

Todas as pessoas sentem-se estressadas quando são deixadas de lado.

Por outro lado, essa “inclusão social” parece ser algo extremamente sutil.

Pesquisadores descobriram que a sensação de inclusão pode vir de algo tão simples quanto um olhar, mesmo vindo de um estranho.

Poder do olhar

Os psicólogos documentaram há tempos que as pessoas que se sentem conectadas a outras sentem-se mais felizes.

O que o Dr. Eric Wesselmann, da Universidade Purdue (EUA) queria saber era o que é minimamente necessário para que uma pessoa sinta-se conectado a um grupo.

Os experimentos mostraram que não é necessário nem mesmo sorrir para que o outro sinta-se incluído no grupo: basta um olhar.

O oposto também é verdadeiro: para fazer uma pessoa sentir-se ignorada, basta “passar os olhos” em sua direção como se ela não estivesse lá.

Conexão humana

O que mais impressionou nos experimentos é que as pessoas relataram estar se sentindo deixadas de lado mesmo por grupos com os quais elas não queriam nenhum contato – na simulação, a Ku Klux Klan.

“Essas pessoas que você não conhece, mas que passam por você e olham como se você fosse puro ar, têm pelo menos um efeito momentâneo,” diz o pesquisador.

“O que nós achamos mais interessante sobre isso é que agora podemos realmente falar do ‘poder da conexão humana’. Ele parece ser um fenômeno muito forte,” conclui Wesselmann.