O que não ler

Delfim Netto tinha uma biblioteca com 250 mil livros.
Doou- os, todos, à USP.
Era o maior acervo particular do Brasil, quase só obras de economia, história, filosofia e geografia.
Pouca coisa de literatura.
Óbvio, ninguém lê 250 mil livros.
Se você ler um livro por dia, serão 365 por ano, 36.500 em cem anos.
Delfim Netto está com 82 anos.
Digamos que tenha se alfabetizado aos cinco.
Não leria 250 mil livros nem se encarasse três por dia, um pela manhã, um à tarde, um à noite.
Certos livros não precisam ser lidos por inteiro, é claro, sobretudo se não são de literatura.
Alguns são de consulta, uns valem só por causa de uma fatia do conteúdo, outros devem ser apenas percorridos, não lidos completamente.
Mesmo assim, é possível que Delfim Netto tenha lido 10% da sua biblioteca.
Ou seja: 25 mil livros.
Um portento.
Minha pequena biblioteca tem cerca de 2% dos livros do Delfim Netto, que inveja dele.
Quantos desses li? Mil? Dois mil? Não faço ideia, mas sei que, felizmente, minha capacidade de ler é bem inferior à quantidade de livros que me interessam.
Por isso, não posso perder tempo.
É preciso estabelecer critérios.
Os autores jovens, por exemplo.
Só leio um autor jovem quando ele fica velho.
Seria pouco inteligente perder tempo com um autor desconhecido, havendo tantos que são consagrados, mas que ainda não li.
Agora, se avanço até, digamos, a centésima página de um livro e concluo que não gostei, fecho- o com estrépito e o ponho de lado para a eternidade.
Antes não conseguia fazer isso, tinha de seguir aos bocejos até o ponto final.
Hoje, não mais.
O tempo urge.
Tempo, tempo, como vou gastar tempo estirando- me nas redes sociais, se ainda não li todos os 10 volumes da lavra de Churchill sobre a II Guerra, que estão a me desafiar em encadernação de couro tingido de vermelho, uma lindeza? Não posso trocar 50 páginas de Churchill por uma hora de Facebook, francamente.
Certos programas de TV também não valem um parágrafo de Ulisses, que tentei ler na adolescência e parei na frase vegetissombras flutuavam silentes na paz matinal.
Aquele paralelepípedo de papel continua esperando pelo dia em que me torne mais inteligente e entenda o que James Joyce queria dizer com tudo aquilo.
Suspeito que esse dia não chegará.
Há muita coisa para ler e, todos os dias, muita coisa é escrita e publicada, e assim mais aumenta a minha defasagem e a minha ignorância.
Esta semana saiu uma pesquisa a respeito disso, do hábito de leitura dos brasileiros.
A cada ano que se vai dezembro abaixo diminui a quantidade de brasileiros que leem livros.
O percentual bateu nos 28%, e esses leem, em média, quatro livros por ano.
Um a cada três meses.
Como será o iletrado brasileiro do futuro? Outro dia, tive um vislumbre dele, desse novo brasileiro.
O todo- poderoso da CBF, o ex- presidente do Corinthians, Andrés Sanchez disse numa entrevista que nunca lê, a não ser um único tipo de livro: sobre o Corinthians.
Disse ter 132 livros sobre o Corinthians em casa.
Eis a diferença: Delfim Netto e seus 250 mil livros de não ficção; Andrés Sanchez e seus 132 livros sobre o Corinthians.
Cada qual com seu acervo, cada qual com seus predicados.
Delfim Netto, um homem do passado; Andrés Sanchez, o brasileiro do futuro.
O Brasil tem tudo para vencer campeonatos de futebol.

*Texto publicado no blog do David Coimbra.

 

Filósofo e teólogo cristão fala a Veja

O filósofo e teólogo defende o cristianismo, a ressurreição de Jesus e a veracidade da Bíblia a partir de construção lógica e racional, e se destaca em debates com pensadores ateus

Marco Túlio Pires, de Águas de Lindóia
William Lane Craig: "Sem Deus, não é possível explicar a existência de valores e deveres morais objetivos"
William Lane Craig: “Sem Deus, não é possível explicar a existência de valores e deveres morais objetivos”(Divulgação)

“Se você acha que a religião é um conto de fadas, não acredite. Mas se o cristianismo é a verdade — como penso que é — temos que acreditar nele independente das consequências. É o que as pessoas racionais fazem, elas acreditam na verdade. A  via contrária é o pragmatismo. ‘Isso Funciona? Não importa se é verdade, quero saber se funciona'”

William Lane Craig

Quando o escritor britânico Christopher Hitchens, um dos maiores defensores do ateísmo, travou um longo debate nos Estados Unidos, em abril de 2009, com o filósofo e teólogo William Lane Craig sobre a existência de Deus, seus colegas ateus ficaram tensos. Momentos antes de subir ao palco, Hitchens — que morreu em dezembro de 2011. aos 62 anos — falou a jornalistas sobre a expectativa de enfrentar Craig.

“Posso dizer que meus colegas ateus o levam bem a sério”, disse. “Ele é considerado um adversário muito duro, rigoroso, culto e formidável”, continuou. “Normalmente as pessoas não me dizem ‘boa sorte’ ou ‘não nos decepcione’ antes de um debate — mas hoje, é o tipo de coisa que estão me dizendo”. Difícil saber se houve um vencedor do debate. O certo é que Craig se destaca pela elegância com que apresenta seus argumentos, mesmo quando submetido ao fogo cerrado.

O teólogo evangélico é considerado um dos maiores defensores da doutrina cristã na atualidade. Craig, que vive em Atlanta (EUA) com a esposa, sustenta que a existência de Deus e a ressurreição de Jesus, por exemplo, não são apenas questões de fé, mas passíveis de prova lógica e racional. Em seu currículo de debates estão o famoso químico e autor britânico Peter Atkins e o neurocientista americano Sam Harris (veja lista com vídeos legendados de Craig). Basta uma rápida procura no Youtube para encontrar uma vastidão de debates travados entre Craig e diversos estudiosos. Richard Dawkins, um dos maiores críticos do teísmo, ainda se recusa a discutir com Craig sobre a existência de Deus.

Em artigo publicado no jornal inglês The Guardian, Dawkins afirma que Craig faz apologia ao genocídio, por defender passagens da Bíblia que justificam a morte de homens, mulheres e crianças por meio de ordens divinas. “Vocês apertariam a mão de um homem que escreve esse tipo de coisa? Vocês compartilhariam o mesmo palco que ele? Eu não, eu me recuso”, escreveu. Na entrevista abaixo, Craig fala sobre o assunto.

Autor de diversos livros —  entre eles Em Guarda – Defenda a fé cristã com razão e precisão(Ed. Vida Nova), lançado no fim de 2011 no Brasil, — Craig é doutor em filosofia pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e em teologia pela Universidade de Munique, Alemanha. O filósofo esteve no Brasil para o 8º Congresso de Teologia da Editora Vida Nova, em Águas de Lindóia, entre 13 e 16 de março. Durante o simpósio, Craig deu palestras e dedicou a última apresentação a atacar, ponto a ponto, os argumentos de Richard Dawkins sobre a inexistência de Deus.

Perfil

Nome: William Lane Craig
Profissão: Filósofo, teólogo e professor universitário na Universidade de Biola, Califórnia
Nascimento: 23 de agosto de 1949
Livros destacados: Apologética Contemporânea – A veracidade da Fé CristãEm Guarda, Defenda a fé cristã com razão e precisão; ambos publicados no Brasil pela editora Vida Nova
Principal contribuição para a filosofia: Craig foi responsável por reformular o Argumento Cosmológico Kalam (variação do argumento cosmológico que defende a existência de uma primeira causa para o universo) nos seguintes termos: 1) Tudo que começa a existir tem uma causa de existência. 2) O universo começou a existir. 3) Portanto, o universo tem uma causa para sua existência.
Informações pessoais: William Lane Craig é conhecido pelo trabalho na filosofia do tempo e na filosofia da religião, especificamente sobre a existência de Deus e na defesa do teísmo cristão. Escreveu e editou mais de 30 livros, é doutor em filosofia e teologia em universidades inglesa e alemã e desde 1996 é pesquisador e professor de filosofia na Universidade de Biola, na Califórnia. Atualmente vive em Atlanta, nos EUA, com a esposa. Craig pratica exercícios regularmente como forma de combater a APM (Atrofia Peronial Muscular) uma doença degenerativa do sistema nervoso que lhe causou atrofiamento dos nervos das mãos e pernas. Especialista em debates desde o ensino médio, o filósofo passa a maior parte do tempo estudando.

Por que deveríamos acreditar em Deus?Porque os argumentos e evidências que apontam para a Sua existência são mais plausíveis do que aqueles que apontam para a negação. Vários argumentos dão força à ideia de que Deus existe. Ele é a melhor explicação para a existência de tudo a partir de um momento no passado finito, e também a para o ajuste preciso do universo, levando ao surgimento de vida inteligente. Deus também é a melhor explicação para a existência de deveres e valores morais objetivos no mundo. Com isso, quero dizer valores e deveres que existem independentemente da opinião humana.

Se Deus é bondade e justiça, por que ele não criou um universo perfeito onde todas as pessoas vivem felizes? Acho que esse é o desejo de Deus. É o que a Bíblia ensina. O fato de que o desejo de Deus não é realizado implica que os seres humanos possuem livre-arbítrio. Não concordo com os teólogos que dizem que Deus determina quem é salvo ou não. Parece-me que os próprios humanos determinam isso. A única razão pela qual algumas pessoas não são salvas é porque elas próprias rejeitam livremente a vontade de Deus de salvá-las.

Alguns cientistas argumentam que o livre-arbítrio não existe. Se esse for o caso, as pessoas poderiam ser julgadas por Deus? Não, elas não poderiam. Acredito que esses autores estão errados. É difícil entender como a concepção do determinismo pode ser racional. Se acreditarmos que tudo é determinado, então até a crença no determinismo foi determinada. Nesse contexto, não se chega a essa conclusão por reflexão racional. Ela seria tão natural e inevitável como um dente que nasce ou uma árvore que dá galhos. Penso que o determinismo, racionalmente, não passa de absurdo. Não é possível acreditar racionalmente nele. Portanto, a atitude racional é negá-lo e acreditar que existe o livre-arbítrio.

O senhor defende em seu site uma passagem do Velho Testamento em que Deus ordena a destruição da cidade de Canaã, inclusive autorizando o genocídio, argumentando que os inocentes mortos nesse massacre seriam salvos pela graça divina. Esse não é um argumento perigosamente próximo daqueles usados por terroristas motivados pela religião? A teoria ética desses terroristas não está errada. Isso, contudo, não quer dizer que eles estão certos. O problema é a crença deles no deus errado. O verdadeiro Deus não ordena atos terroristas e, portanto, eles estariam cometendo uma atrocidade moral. Quero dizer que se Deus decide tirar a vida de uma pessoa inocente, especialmente uma criança, a Sua graça se estende a ela.

Se o terrorista é cristão o ato terrorista motivado pela religião é justificável, por ele acreditar no Deus ‘certo’? Não é suficiente acreditar no deus certo. É preciso garantir que os comandos divinos estão sendo corretamente interpretados. Não acho que Deus dê esse tipo de comando hoje em dia. Os casos do Velho Testamento, como a conquista de Canaã, não representam a vontade normal de Deus.

O sr. está querendo dizer que Deus também está sujeito a variações de humor? Não é plausível esperar que pelo menos Ele seja consistente? Penso que Deus pode fazer exceções aos comandos morais que dá. O principal exemplo no Velho Testamento é a ordem que ele dá a Abraão para sacrificar seu filho Isaque. Se Abraão tivesse feito isso por iniciativa própria, isso seria uma abominação. O deus do Velho Testamento condena o sacrifício infantil. Essa foi uma das razões que o levou a ordenar a destruição das nações pagãs ao redor de Israel. Elas estavam sacrificando crianças aos seus deuses. E, no entanto, Deus dá essa ordem extraordinária a Abraão: sacrificar o próprio filho Isaque. Isso serviu para verificar a obediência e fé dele. Mas isso é a exceção que prova a regra. Não é a forma normal com que Deus conduz os assuntos humanos. Mas porque Deus é Deus, Ele tem a possibilidade de abrir exceções em alguns casos extremos, como esse.

O sr. disse que não é suficiente ter o deus certo, é preciso fazer a interpretação correta dos comandos divinos. Como garantir que a sua interpretação é objetivamente correta? As coisas que digo são baseadas no que Deus nos deu a conhecer sobre si mesmo e em preceitos registrados na Bíblia, que é a palavra d’Ele. Refiro-me a determinações sobre a vida humana, como “não matarás”. Deus condena o sacrifício de crianças, Seu desejo é que amemos uns ao outros. Essa é a Sua moral geral. Seria apenas em casos excepcionalmente extremos, como o de Abraão e Isaque, que Deus mudaria isso. Se eu achar que Deus me comandou a fazer algo que é contra o Seu desejo moral geral, revelado na escritura, o mais provável é que eu tenha entendido errado. Temos a revelação do desejo moral de Deus e é assim que devemos nos comportar.

O sr. deposita grande parte da sua argumentação no conteúdo da Bíblia. Contudo, ela foi escrita por homens em um período restrito, em uma área restrita do mundo, em uma língua restrita, para um grupo específico de pessoas. Que evidência se tem de que a Bíblia é a palavra de um ser sobrenatural? A razão pela qual acreditamos na Bíblia e sua validade é porque acreditamos em Cristo. Ele considerava as escrituras hebraicas como a palavra de Deus. Seus ensinamentos são extensões do que é ensinado no Velho Testamento. Os ensinamentos de Jesus são direcionados à era da Igreja, que o sucederia. A questão, então, se torna a seguinte: temos boas razões para acreditar em Jesus? Ele é quem ele diz ser, a revelação de Deus? Acredito que sim. A ressurreição dos mortos, por exemplo, mostra que ele era quem afirmava.

Existem provas que confirmem a ressurreição de Jesus? Temos boas bases históricas. A palavra ‘prova’ pode ser enganosa porque muitos a associam com matemática. Certamente, não temos prova matemática de qualquer coisa que tenha acontecido na história do homem. Não temos provas, nesse sentido, de que Júlio César foi assassinado no senado romano, por exemplo, mas temos boas bases históricas para isso. Meu argumento é que se você considera os documentos do Novo Testamento como fontes da história antiga, — como os historiadores gregos Tácito, Heródoto ou Tucídides — o evangelho aparece como uma fonte histórica muito confiável para a vida de Jesus de Nazaré. A maioria dos historiadores do Novo Testamento concorda com os fatos fundamentais que balizam a inferência sobre a ressurreição de Cristo. Coisas como a sua execução sob autoridade romana, a descoberta das tumbas vazias por um grupo de mulheres no domingo depois da crucificação e o relato de vários indivíduos e grupos sobre os aparecimentos de Jesus vivo após sua execução. Com isso, nos resta a seguinte pergunta: qual é a melhor explicação para essa sequência de acontecimentos? Penso que a melhor explicação é aquela que os discípulos originais deram — Deus fez Jesus renascer dos mortos. Não podemos falar de uma prova, mas podemos levantar boas bases históricas para dizer que a ressurreição é a melhor explicação para os fatos. E como temos boas razões para acreditar que Cristo era quem dizia ser, portanto temos boas razões para acreditar que seus ensinamentos eram verdade. Sendo assim, podemos ver que a Bíblia não foi criação contingente de um tempo, de um lugar e de certas pessoas, mas é a palavra de Deus para a humanidade.

O textos da Bíblia passaram por diversas revisões ao longo do tempo. Como podemos ter certeza de que as informações às quais temos acesso hoje são as mesmas escritas há 2.000 anos? Além disso, como lidar com o fato de que informações podem ser perdidas durante a tradução? Você tem razão quanto a variedade de revisões e traduções. Por isso, é imperativo voltar às línguas originais nas quais esses textos foram escritos. Hoje, os críticos textuais comparam diferentes manuscritos antigos de modo a reconstruir o que os originais diziam. O Novo Testamento é o livro mais atestado da história antiga, seja em termos de manuscritos encontrados ou em termos de quão próximos eles estão da data original de escrita. Os textos já foram reconstruídos com 99% de precisão em relação aos originais. As incertezas que restam são trivialidades. Por exemplo, na Primeira Epístola de João, ele diz: “Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra”. Mas alguns manuscritos dizem: “Estas coisas vos escrevemos, para que o nosso gozo se cumpra”. Não temos certeza se o texto original diz ‘vosso’ ou ‘nosso’. Isso ilustra como esse 1% de incerteza é trivial. Alguém que realmente queira entender os textos deverá aprender grego, a língua original em que o Novo Testamento foi escrito. Contudo, as pessoas também podem comprar diferentes traduções e compará-las para perceber como o texto se comporta em diferentes versões.

É possível explicar a existência de Deus apenas com a razão? Qual o papel da ciência na explicação das causas do universo? A razão é muito mais ampla do que a ciência. A ciência é uma exploração do mundo físico e natural. A razão, por outro lado, inclui elementos como a lógica, a matemática, a metafísica, a ética, a psicologia e assim por diante. Parte da cegueira de cientistas naturalistas, como Richard Dawkins, é que eles são culpados de algo chamado ‘cientismo’. Como se a ciência fosse a única fonte da verdade. Não acho que podemos explicar Deus em sua plenitude, mas a razão é suficiente para justificar a conclusão de que um criador transcendente do universo existe e é a fonte absoluta de bondade moral.

Por que o cristianismo deveria ser mais importante do que outras religiões que ensinam as mesmas questões fundamentais, como o amor e a caridade? As pessoas não entendem o que é o cristianismo. É por isso que alguns ficam tão ofendidos quando se prega que Jesus é a única forma de salvação. Elas pensam que ser cristão é seguir os ensinamentos éticos de Jesus, como amar ao próximo como a si mesmo. É claro que não é preciso acreditar em Jesus para se fazer isso. Isso não é o cristianismo. O evangelho diz que somos moralmente culpados perante Deus. Espiritualmente, somos separados d’Ele. É por isso que precisamos experimentar Seu perdão e graça. Para isso, é preciso ter um substituto que pague a pena dos nossos pecados. Jesus ofereceu a própria vida como sacrifício por nós. Ao aceitar o que ele fez em nosso nome, podemos ter o perdão de Deus e a limpeza moral. A partir disso, nossa relação com Deus pode ser restaurada. Isso evidencia por que acreditar em Cristo é tão importante. Repudiá-lo é rejeitar a graça de Deus e permanecer espiritualmente separado d’Ele. Se você morre nessa condição você ficará eternamente separado de Deus. Outras religiões não ensinam a mesma coisa.

A crença em Deus é necessária para trazer qualidade de vida e felicidade? Penso que a crença em Deus ajuda, mas não é necessária. Ela pode lhe dar uma fundação para valores morais, propósito de vida e esperança para o futuro. Contudo, se você quiser viver inconsistentemente, é possível ser um ateu feliz, contanto que não se pense nas implicações do ateísmo. Em última análise, o ateísmo prega que não existem valores morais objetivos, que tudo é uma ilusão, que não há propósito e significado para a vida e que somos um subproduto do acaso.

Por que importa se acreditamos no deus do cristianismo ou na ‘mãe natureza’ se na prática as pessoas podem seguir, fundamentalmente, os mesmos ensinamentos?Deveríamos acreditar em uma mentira se isso for bom para a sociedade? As pessoas devem acreditar em uma falsa teoria, só por causa dos benefícios sociais? Eu acho que não. Isso seria uma alucinação. Algumas pessoas passam a acreditar na religião por esse motivo. Já que a religião traz benefícios para a sociedade, mesmo que o indivíduo pense que ela não passa de um ‘conto de fadas’, ele passa a acreditar. Digo que não. Se você acha que a religião é um conto de fadas, não acredite. Mas se o cristianismo é a verdade — como penso que é — temos que acreditar nele independente das consequências. É o que as pessoas racionais fazem, elas acreditam na verdade. A  via contrária é o pragmatismo. “Isso Funciona?”, perguntam elas. “Não importa se é verdade, quero saber se funciona”. Não estou preocupado se na Suécia alguns são felizes sem acreditar em Deus ou se há alguma vantagem em acreditar n’Ele. Como filósofo, estou interessado no que é verdade e me parece que a existência desse ser transcendente que criou e projetou o universo, fonte dos valores morais, é a verdade

A ambição que falta

Ser ambicioso não é pecado.  Dependendo do tipo de ambição. Nossas ambições revelam nosso coração. O membro comum da igreja brasileira que nessa hora está participando de algum culto, se aproxima das reuniões com os mais diversos desejos:

Um lugar para mostrar seus dons

Ser paparicado

Conseguir algum bem material

Exibir conhecimento

Dominar

Ter uma igreja para ir no domingo à noite

Quando me converti há uns 25 anos atrás, a igreja carecia de contextualização, música de qualidade, conhecimento e  espaços na mídia. Hoje tudo isso mudou. Já conquistamos esses avanços ou retrocessos. No entanto isso tudo se tornou periférico diante do fato que ninguém mais fala ou procura ser uma pessoa cheia do Espírito Santo.

Jesus disse que esse presente está disponível agora mesmo para todas as pessoas. Disponível, mas ninguém quer, se julgarmos pelas “campanhas” e orações públicas que ouvimos. Raramente ouvimos do púlpito que isso faz toda diferença na vida de quem quer seguir a Jesus.

Gosto da passagem que fala do profeta Eliseu, que não desgrudava de Elias. Ele era um jovem ambicioso na melhor acepção da palavra. Ele queria uma porção dobrada do Espírito que havia em Elias também sobre sua própria vida. Quis e recebeu porque Deus se deleita mais que a qualquer coisa, em doar-se a nós. (1)

Ah, se essa se tornasse a ambição predominante em nossas comunidades, nossa vida seria certamente mais aventureira, pujante e relevante.

Por que deveríamos ter essa ambição?

1. Porque uma pessoa cheia do Espírito Santo, vê além dos fatos. Uma pessoa que vê fatos é apenas um jornalista genérico, mas uma pessoa que enxerga o significado dos fatos é um místico no melhor sentido da palavra. Paulo nos diz que pelo Espírito temos acesso e discernimento do por que as coisas estão acontecendo. Discernimos o propósito de Deus e as artimanhas malignas. Certamente seremos mal interpretados, mas em Deus sabemos. Enquanto os romanos viam o cristianismo apenas como uma religião perturbadora do império,  Paulo via uma batalha se desenrolando nas regiões celestiais. E nós no nosso tempo cada dia mais comemos na mão da imprensa e não buscamos em oração o entendimento do tempo que vivemos.

2. Uma pessoa cheia do Espírito Santo é sensível. Estamos em tempos de endurecimento e indiferença. A convivência e a exposição à perplexidade tem nos deixado calosos. Nossa urbanidade roubou nossa compaixão. Só no trono de Deus recuperaremos nosso coração.

3. Uma pessoa cheia do Espírito Santo realiza coisas que estão além de sua capacidade. Claro que é possível ver resultados sem Deus. É possível abrir uma igreja baseada em princípios de marketing. Como disseram alguns: “deus é uma marca poderosa”. Só que tem um detalhe, os resultados são marcados pela contenda, pela divisão, pela vaidade institucional, pela separação entre as pessoas e pela flagrante falta de amor. Semente ruim produz fruto ruim. Mas quem é cheio do Espírito produz fruto para Deus e com qualidade. D. L. Moody foi um evangelista surpreendente. Sapateiro e de origem humilde, entrou em ambientes universitários e empresariais com a mensagem do evangelho com desenvoltura incomum. Um dia um homem de origem nobre quis conhecer-lhe em razão da grande obra que liderava. Ao encontrá-lo e ouvi-lo falar com evidente limitação de vocabulário e expressão comentou: – Não consigo enxergar qualquer coerência entre a obra e o líder da obra. Ao que Moody respondeu: – Se o senhor visse alguma coerência entre mim e a obra que faço, ela seria apenas obra de homens! Mas como não vê, o senhor pode ter mais uma evidência de que essa é uma obra de Deus.

4. Uma pessoa cheia do Espírito vence suas tentações pessoais. Todos têm uma sombra que espreita suas ações. Pecados que insistem em perturbar de tempos em tempos. Não podemos ser definidos por eles. Nem achar que é normal uma vida persistente na derrota. A graça hoje é definida apenas como perdão, e neste caso como álibi para uma vida sem compromisso com Deus. Só que a Palavra me diz que a graça também é capacitação. Se Pedro continuasse negando a Jesus, nada de sobrenatural teria acontecido a ele e se Paulo continuasse a fazer a obra de Deus baseado na violência, tudo não passaria de uma ilusão. Uma vida cheia do Espírito apresentará vitória significativa sobre o pecado. Os padrões são altos, mas a graça também é abundante!

5. Uma pessoa cheia do Espírito não tem medo de cara feia nem dos homens, nem do diabo. O médico que testemunhou o martírio de Dietrich Bonhoeffer escreveu: “Nos quase cinquenta anos que trabalhei como médico, raramente vi um homem morrer tão inteiramente submisso à vontade de Deus.” Ninguém que tenha sido impressionado pela presença de Deus pode ceder ao deslumbramento ou a intimidação daqueles que usados pelas trevas tentam fazer-nos retroceder ou com seus elogios nos seduzirem.

6. Uma pessoa cheia do Espírito experimenta uma alegria que não pode ser entendida humanamente. Verdade seja dita. Se você for a um culto cristão não verá ali, na maioria das vezes qualquer coisa que possa impressionar humanamente falando. As pessoas não são brilhantes, a música não é melhor que a maioria das bandas que tocam em shows, e as dependências deixam muito a desejar por mais que haja esforço. Então a pergunta é: porque vemos pessoas que derramam suas lágrimas quebrantadas diante de uma canção simples, que servem a Deus com sacrifício de horas de conforto? Elas conhecem algo escondido por detrás da realidade visível. Elas conhecem o Espírito que dá vida a tudo. Se sua vida espiritual não tem isso, não é culpa das paredes ,nem da música ou do português ruim do pregador, é da falta de ambição espiritual.

7. Uma pessoa cheia do Espírito não é subjugada por problemas de auto-imagem. Há muito mimimi nas igrejas por causa de fofoca, oposição e crítica. Se você nunca viveu algo assim, um dia vai viver. As pessoas são abaladas por essas situações porque sua auto-imagem está baseada em fatores exteriores. Jesus antes de ser tentado foi cheio do Espírito. O diabo tentou questionar sua identidade, mas não conseguiu. Ele não precisava provar que era o Filho de Deus. Ele sabia. Nós também podemos saber, se fizermos da busca pelo Espírito nosso desejo ardente. William Booth, fundador do Exército da Salvação, pela graça de Deus começou uma revolução na Inglaterra com ações destinadas aos pobres e miseráveis esquecidos pela sociedade elitista. Ele teve que ler nos jornais muitas vezes  acusações ao trabalho que fazia como: “fanático”, “idealista infantil”, “socialista”, “destruidor da sociedade”, “enganador religioso”, “sonhador”, “canalha hipercrítico” entre tantas. Seus companheiros queriam que ele desse uma resposta. Ao que ele respondeu: “… daqui a cinquenta anos, pouco vai importar a maneira com a qual essas pessoas nos trataram. O que vai importar é o modo como nós lidamos com a obra de Deus”.

8. Uma pessoa cheia do Espírito é uma fonte de vigor espiritual para outros. Aqueles que entram em contato com alguém assim recebem um ânimo novo para sua caminhada espiritual. Certamente que não estou defendendo uma superespiritualidade que não vive seus momentos difíceis e tristes. Mas a mensagem geral de uma vida cheia do Espírito, é uma mensagem contagiante de força espiritual. Será que não é isso que sugere a promessa de Jesus quando diz: “aquele que vir a mim, do seu interior fluirão rio de água viva”?

9. Uma pessoa cheia do Espírito dá todo o crédito a Deus. Às vezes eu  fico perplexo pela falta de discernimento espiritual das pessoas que vão até a igreja dia após dia. Outro dia mesmo o senhor Valdemiro Santiago, líder de uma “igreja”  egressa da IURD fazia a defesa das acusações de uma reportagem encomendada pela Record que se sente ameaçada pela figura pitoresca que  está lhe roubando os fiéis. Ele tem todo o direito de se defender. O que me “revira as tripas”, é o narcisismo descarado com o qual ele faz sua defesa, falando do Ibope que sua aparição provoca. Só alguém cego espiritualmente não enxerga o que está absolutamente claro. Se fosse ele uma pessoa cheia do Espírito, apelaria a verdade e não a grandeza do seu ego. Porque uma pessoa cheia do Espírito tem zelo pela glória de Deus.

O que você tem de Deus (falo espiritualmente) é o que você tem buscado. Nada mais nada menos. Que tal você ser muito mais ambicioso?

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério.

(1) II Reis 2

Lamento de um discípulo manco!

“… só o crente é obediente, e só o obediente é que crê.”

Dietrich Bonhoeffer

“… quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra?”

Lucas 18:8

 

“Eu creio, mas me ajude a vencer as minhas dúvidas!”

Marcos 9:24

Ah! Se crêssemos de verdade que é o céu de delícias que nos aguarda, jamais chamaríamos a morte de um cristão de tragédia, mas de livramento.

Ah! Se crêssemos na Palavra quando diz que somos filhos amados, os cargos, hierarquias e os aplausos humanos não representariam nada para nós.

Ah! Se crêssemos que o mandamento de Deus é bondade de Deus para nós, não seríamos tão lentos, incompletos e resistentes para obedecer.

Ah! Se crêssemos na soberania de Deus, não perderíamos os cabelos, a saúde, a paciência diante dos problemas porque está tudo resolvido.

Ah! Se crêssemos que “no monte do Senhor se proverá”, não perderíamos uma noite de sono sequer pensando como poderemos sobreviver.

Ah! Se crêssemos no propósito de Deus conosco, não teríamos crises existenciais, vazio pessoal ou qualquer senso de inutilidade.

Ah! Se crêssemos no perdão pleno e definitivo, não viveríamos a produzir obras mortas e a fazer peripécias ministeriais motivadas pela culpa.

Ah! Se crêssemos na imagem de Deus em cada pessoa, não trataríamos o mendigo, o mau cheiroso, o gay, o ateu com desprezo.

Ah! Se crêssemos que Jesus edifica sua igreja, não procuraríamos tanto o auxílio do poder político para realizar a missão que Ele já nos deu tudo para realizar.

Ah! Se crêssemos na grandeza do Reino de Deus, não viveríamos a proclamar presunçosamente a centralidade de nossa visão, denominação e ministério.

Ah! Se crêssemos que a oração é uma porta aberta para o divino e o mistério de Deus, não seriam necessários incentivos ou muita pregação para as pessoas viverem a falar com Deus.

Ah! Se crêssemos que a nossa dívida perdoada por Deus era muito grande, não gastaríamos tanto tempo chafurdando na lama da amargura e da autocompaixão em razão das bobagens que nos fazem.

Ah! Se crêssemos que servimos ao Criador e Senhor do Universo não ficaríamos tão deslumbrados e tão cachorrinhos subservientes diante de autoridades, artistas ou celebridades.

Ah! Se crêssemos…

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Então você diz que entende da graça?

A graça é tão doce…

E você tão azedo.

A graça é tão abundante…

E você tão mesquinho.

A graça é tão inexplicável…

E você tão cheio de respostas prontas.

A graça é tão reticências…

E você tão ponto final.

A graça é tanta exclamação…

E você é ponto de interrogação.

A graça é tão disponível…

E você tão hora marcada.

A graça é tão imerecida…

E você sempre exigindo seus direitos.

A graça é tão desmemoriada…

E você é tão SPC.

A graça é tão nutritiva…

E você tão anêmico.

A graça é tão alvissareira…

E o seu sorriso tão amarelo.

A graça é tão de graça…

E você cobra até o último centavo.

A  graça é vida pura…

E você é pura… teologia.

A graça é tão espalhafatosa…

E você tão politicamente correto.

A graça é tão desconcertante…

E você sempre com o queixo levantado.

A graça é tão perfeita para os imperfeitos…

E você tão imperfeitamente perfeito.

A graça é tão povão…

E você tão faraó.

A graça é tão braços abertos…

E você sempre armado até os dentes.

A graça é tão aqui e agora…

E  você: um dia talvez.

A graça é tão carne e sangue…

E você tão palavras ao vento.

A graça é “está consumado”…

E você tão planejamento estratégico.

A graça é tão banquete…

E você sempre contando migalhas.

A graça é tão casa da gente…

E você sempre com cara de escravo.

A graça é tão guri jogando bolinha de gude de pé descalços…

E você é tão executivo de paletó e gravata.

Sim você que me olha

O que você realmente sabe sobre a graça?

Aí, do outro lado do espelho.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Mulheres perdem três horas por semana refazendo tarefas domésticas realizadas pelos homens

Sabe aquela história de que se você quer algo bem feito deve fazer sozinho? Ela parece a máxima de muitas mulheres, que não contentes com a divisão de tarefas domésticas com os parceiros, decidem refazer o trabalho executado por eles.

A louça e a roupa são as principais reclamações entre as 2 mil mulheres inglesas ouvidas em pesquisa realizada pela Sainsbury. Tem gente que reclama até a disposição das almofadas – mas isso é muita malice, né? Há, também, muito homem que adora cozinhar à noite e, apesar da comida deliciosa, deixa a cozinha beeem bagunçada — isso é bastante comum!

As reclamações chamam a atenção para dois aspectos principais: os homens estão mais participativos nos cuidados com o lar e as mulheres são mais perfeccionistas. Né?

As 10 piores performances masculinas na lida doméstica

1. Limpar bancadas

2. Organizar almofadas no sofá

3. Alisar o edredom

4. Limpar o forno

5. Não colocar fronhas em travesseiros

6. Não prender o lençol direito

7. Não organizar as gavetas

8. Não devolver objetos para o verdadeiro lugar de origem

9. Pendurar mal as roupas molhadas no varal

10. Guardar pratos molhados

Fonte: Blog Nem Lolita nem Balzaca
Postado por Tríssia Ordovás Sartori, às 7:42

Por isso os homens fazem tão poucas tarefas domésticas.

Notas explicativas da Bíblia: Jesus e os vendilhões do templo

Dica do Samuel Murad no Facebook

Os saduceus representavam a elite que controlava todo o sacerdócio no tempo de Jesus. Retiravam esse nome de “filhos de Zadoque” sumo sacerdote da época de Salomão.  A purificação do templo que está acima ilustrada e contextualizada foi um ataque direto a sua administração gananciosa do templo. O imposto do templo era cobrado de cada jovem acima dos dezenove anos. O valor era de meio siclo, o que equivalia ao salário de um dia e meio de trabalho. Não se aceitava moeda estrangeira. Cada câmbio de moeda os cambistas cobravam o salário de um dia de trabalho. Um preço exorbitante! Tudo feito é claro em nome de Deus.

Além destes havia também os vendedores de animais que formavam outro bando de aproveitadores aliançados com os saduceus. Animais que eram comprados ou trazidos de fora geralmente eram rejeitados pelos inspetores do templo, forçando a compra dos peregrinos de um animal para sacrifício ali mesmo dentro do templo onde o custo chegava a um ágio dez vezes maior que seu preço normal. Um abuso evidente.

Sua plataforma era a seguinte: precisamos ter o controle político de todas as coisas a fim de impormos nosso projeto espiritual.

O projeto espiritual: com inteligência, prudência e diplomacia façamos o que Moisés mandou, tudo que ele silenciou dancemos conforme a música. A dimensão sobrenatural da fé estava morta neles.

Certa vez quando ministrava um curso de métodos de estudo bíblico, comentei com os alunos que a IURD não era igreja evangélica. Um aluno experiente na Bíblia, retrucou e disse que eu estava pegando pesado demais. Mas o silêncio daqueles que tem consciência do evangelho acaba por facilitar a ousadia dos maus e espertalhões.

Edir Macedo disse certa vez: por Jesus eu faço qualquer coisa, passo cheque sem fundo, digo mentiras, pra Ele vale até gol de mão. Outros sem tanto talento para os negócios tentam controlar o poder na igreja: são loucos por um cargo, quando possuem dinheiro querem controlar todas a decisões, são intimidadores, articulam-se politicamente para fazer o que querem, tentam fazer negócios com a alma do pastor, são os famosos “donos de igreja”. Esse é o caminho do poder.

Esse não é o nosso caminho.

Jesus não fez política, porque com esses mafiosos não se negocia, se denuncia. Ele sabia que estava arriscando sua vida, mas não titubeou. A ressurreição de Jesus é uma esperança para nós, pois mesmo que todos se corrompam o Espírito encontrará maneiras de levantar um povo só seu.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

1991

Camaleão do mal

Bandido dos mil disfarces

Câncer de infinitas metástases

Vírus letal em plena multiplicação

Quando remediado, sempre encontra nova mutação.

Infectando cada movimento que faço

Cada pensamento meu

Cada decisão minha.

Ele se esconde por trás de meu papel de vítima, que não quer admitir sua vilania

Ele se esconde por trás do vilão que demonstra ser superior a todos

Ora ele espreita meus diplomas, ora minhas conquistas.

Até na ignorância ele encontra onde se colocar.

Deleita-se nos elogios, mas rejeita as repreensões.

Seu negócio é ser primeiro

Em qualquer comparação

Não poupa ninguém

Do professor ao arquiteto

Do pecador ao santo

Da criança ao idoso

Ele é fugitivo do Éden.

Ele abriu a porta para Satanás

Tudo que ele quer é um esconderijo

Ele me diz:” tu és Deus.

Tu sabes o que é bom e o que é ruim.”

Ele faz da pobreza um troféu

Da riqueza um instrumento cruel

Na beleza coloca o gosto do fel

Engravidou o mundo de cada pecado

Seu DNA está em tudo

Quase onipresente

O único lugar que ele não entra é o céu.

Colocou na ira fogo destruidor para que todos fossem subjugados a sua própria razão

Deu conselhos a inveja: “toda a admiração para ti e ninguém mais”

Ensinou a avareza: “primeiro o teu, segundo os teus e tudo o mais”

À preguiça catequisou: “seu conforto e que se lixem os outros”

1991 ano do diagnóstico fatal: estado grave

Neguei, procurei cúmplices, me debati

Até reconhecer a doença que caminha comigo

Hoje lembro a mim mesmo

Cada dia

Que a cura ainda não veio

Apenas o tratamento

Graça pura

Graça amarga, tanto quanto maior é a minha enfermidade.

À cruz com ela, diariamente.

Até que chegue aquele que é perfeito

Você conhece?

Conhece.

Só não deu o nome.

Que Deus nos guarde de nós mesmos, e do nosso ORGULHO.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.