Discernindo os três tempos da vida

Nem todo o tempo é igual. Cada época da nossa vida tem características próprias e demandam uma atitude própria. Podemos observar isso na história de Israel. Durante muito tempo eles clamaram a Deus em razão da opressão que viviam, depois de uma longa espera vieram os tempos de libertação e após 40 anos o tempo de conquista. Assim acontece com nossa vida.

Há tempos de semear. Nesse tempo o que mais se requer de nós é reflexão. Os ciclos novos começam nessa época. É a faculdade que se inicia, uma nova oportunidade de trabalho, uma responsabilidade nova no ministério, de repente até uma vida de aposentado que começa. Todo novo ciclo demanda uma semeadura. Se não quisermos ter desapontamentos no futuro, precisamos refletir e agir com consciência. Que palavras, que atitudes, que decisões, que investimentos vou fazer? Tudo isso terá uma consequência lá na frente. Além disso, preciso pensar a intensidade do que farei, porque isso determinará o quanto colherei lá na frente.

A cidade onde moro, Pelotas, é uma cidade muito úmida. Como a maioria dos brasileiros tem muita gente aqui que quer logo ter sua casa própria. Na ansiedade de realizar o sonho muitas pessoas começam a construir impensadamente,  sem refletir. Então procuram gastar o mínimo possível e não investem muito no alicerce da casa. Depois que tudo está pronto não são poucos os que lamentam terem dado pouca atenção a base da casa, porque sem uma fundação caprichada a casa puxa uma umidade impressionante. E depois de construída a casa, não há mais como voltar atrás. Pensar não é perder tempo, é ganhar tempo. É semear com qualidade.

Se você está começando uma faculdade ou curso profissionalizante e quer ser bem sucedido, não deixe para caprichar no final, comece desde o primeiro dia de aula a buscar a excelência para colher lá na frente a oportunidade.

Há tempos de esperar. Nesse tempo o que mais se requer de nós é paciência. Como disse um conhecido meu, paciência é a ciência da paz. Imagine o semeador que planta em um dia e uma semana depois começa a colher. O que ele vai retirar serão apenas sementes novamente. Além de não conseguir nada novo, vai perder o que tinha.

Hoje em dia com o mundo instantâneo que criamos, ou seja, um mundo artificial. Pensamos que tudo funcionará com o apertar de um botão. O suco de anilina se faz na hora, o suco bom precisa de paciência. Os processos de Deus continuam valendo. Nada do que Deus faz é automático. Tome o ministério de Jesus como exemplo máximo. Ele teve que se tornar um pequeno feto  na barriga de uma jovem judia e esperar até os trinta anos quando irromperam a pregação e os milagres extraordinários. Pessoalmente não vi resultados do trabalho que realizei a não ser depois de 8 anos de espera.

Nesses momentos você é tentado a fazer coisas diferentes, mas muitas vezes tudo o que você tem que fazer é esperar. Quem trabalha com pessoas deve entender esse princípio de coração. Leva tempo para as pessoas mudarem de verdade. Pense em si mesmo. Quanto tempo você leva para mudar uma mania simples como roer as unhas? Imagine mudanças estruturais dentro das pessoas! Quem cria filhos, pastoreia pessoas e lidera uma empresa deve dar tempo para que o câmbio aconteça. Tudo dentro de proporções sábias é claro.

Você vai precisar esperar para ganhar apoio e influência, para receber uma promessa, para ver uma transformação real ou até para que um relacionamento quebrado seja restaurado novamente.

Há tempos de colher. Nesse tempo o que mais se requer de nós é energia. Tem gente que o fruto está maduro e eles ainda estão sonolentos, perdendo aquilo que está já por cair. Nessa época é momento de redobrar os esforços e trabalhar 110 por cento mais.

Pense…

Uma pessoa que quer aprender. É tempo de colheita.

Uma pessoa abre seu coração com você. É tempo de colheita.

Uma pessoa pede ajuda. É tempo de colheita.

Precisamos aceitar que a vida é feita desses ciclos e respondermos com aquilo que Deus nos pede. Que Deus conceda a você o discernimento necessário para aproveitar o tempo que está vivendo.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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Quando o universitário se torna otário

“Eu não acredito mais nesses contos de fadas que as igrejas ensinam. Não sei como alguém pode acreditar em um deus que manda matar, que permite o mal no mundo. Para mim Jeová não é diferente de Buda, Shiva, Zeus, Rá. São todas criações humanas para projetar culpa sobre a vida das pessoas.”

Topei com uma declaração desse tipo  enquanto lia as notícias publicadas diariamente no Facebook.  Embora não represente palavra por palavra, é fiel ao pensamento do jovem que faz parte de minha rede de relacionamentos.  Fiquei intrigado com a mudança, pois já havia conversado com ele há poucos anos atrás e ele me parecia na época um cristão entusiasta. Logo descobri que ele recém havia entrado na universidade. Entrei em contato para tentar um diálogo, mas ele pareceu estar mais disposto ao insulto do que ao raciocínio. Repetia palavra por palavra os slogans  pseudocientíficos que se ouvem nas salas de aula das universidades. A situação dele me fez lembrar  muitos, que como ele são profundamente afetados em sua vida espiritual depois de ingressarem na faculdade.

Acostumados que estão as festinhas na igreja, a escola de dança na igreja, entretenimento na igreja, o jovem que entra na universidade não está nem um pouco preparado para a propaganda filosófica que está prestes a enfrentar. É comum depois de alguns meses nos bancos universitários vermos um crescente ar de arrogância e ceticismo e uma atitude desbocada  do outrora dedicado e firme alienado cristão. Ele parece se sentir traído por nunca terem dito a ele que tudo o que ele acreditava com sua vida são apenas contos de fadas.

Segue-se então uma sucessão de tropeços que o levam a se converter no “universitário otário” como eu também já fui um seminarista otário. Aqui vão alguns mitos dos quais ele se torna ingenuamente refém e que fazem com que ele viva em uma ilha de fantasia:

Ele acredita que faz parte da elite cultural do país.  Na cabeça da sociedade brasileira a faculdade está associada à respeitabilidade e capacitação embora o que possamos realmente afirmar é que ela é uma evolução na vida acadêmica, não mais do que isso. Sem dedicação pessoal  e superação é possível sair de lá da mesma maneira que se entrou, só um pouco mais arrogante, quando deveria ser mais curioso. Em alguns casos os estudantes acham que podem dar carteiraço, que seu diploma ou matrícula é o justo argumento contra qualquer questionamento. Uma triste reprodução do que muitos que ocupam cargos chaves no nosso país já fazem quando querem fechar uma desavença em seu favor.

Ele acredita que todos os saberes estão guardados entre quatro paredes. O ambiente de estudos sempre desperta o senso crítico e isso é bom, mas o hermetismo acadêmico que não consegue enxergar nada além da academia é péssimo. Em lugar de aprender a pensar ele aprende a repetir  frases esnobes.  Esquece por exemplo, que a maioria dos grandes empresários é caso de estudo em faculdade de administração não porque foram grandes acadêmicos, mas porque descobriram fora do gueto do conhecimento, novos conhecimentos e os transformaram em resultados. Um caso comum em que a vida informa a universidade em lugar do contrário.

O universitário otário, não consegue ver diferença entre fatos e o significado dos fatos. Não percebe que as descobertas científicas são ensinadas acrescidas de boa dose de filosofia. Tome-se como exemplo a já antiga descoberta de que cada parte do cérebro corresponde a uma função vital e que danificando uma parte do cérebro algo da vida emocional também pode morrer. Um ateu lê esse fato e interpreta através de sua filosofia materialista que isso significa que o corpo é tudo que há. Então o teísta toma a mesma informação e interpreta a partir do ponto de vista que alma e corpo estão tão entrelaçados que o que se faz no corpo afeta a alma e o que se faz a alma afeta o corpo. O mesmo fato, com dois significados diferentes.

Ele acredita que seus professores estão capacitados como um Papa da Idade Média a falar infalivelmente sobre qualquer assunto filosófico. O fato de seu professor de português estar bem embasado na gramática para ministrar suas aulas não quer dizer que o que ele diga sobre teologia seja bem fundamentado da mesma maneira.

Ele acredita que o fato de seu pastor não ser bom em filosofia significa que o evangelho não tem sentido como pensamento. Embora o evangelho não tenha por essência ser um sistema de pensamento, mas um jeito de viver, ele faz sentido com a realidade de como o mundo é e como as pessoas são. Jesus usava a lógica e sempre levou seus seguidores a pensarem através de perguntas que iam ao cerne das grandes questões da vida.

Ele acredita que nada daquilo que ele experimentou pela fé até chegar à universidade tem qualquer valor como experiência. Ele esquece que a maioria das realidades e sistemas humanos dos quais ele faz parte tais como banco, computador, relacionamentos se baseia no princípio da confiança simples, pois ninguém pode o tempo todo examinar cada detalhe da vida para ver se pode acreditar. Em algum momento terá de confiar.

Ele acredita que a coisa mais importante do mundo é ganhar o respeito dos seus colegas. Aqui se evidencia o complexo de vira-lata, que gerado por problemas de autoestima se acha sempre carente de aprovação e age caninamente a fim de se sentir gente, culto, integrado e inteligente. O cara esconde a família humilde, e sua ignorância pra poder sobressair-se.

Ele acredita que todos os grandes intelectuais hoje em dia são ateus. Pura propaganda! William Lane Craig, filósofo cristão renomado tem debatido a fé cristã com os grandes nomes do neo-ateísmo e demonstrado em alto nível a consistência das pressuposições básicas da Palavra. Você pode ver alguns dos seus debates aqui, aqui e aqui. Richard Dawkins  se nega a debater com ele com uma desculpa tão esfarrapada que não há outra alternativa a não ser pensarmos que ele teme o debate.

Ele acredita que a ciência é onipotente. Como se vê a ciência se constitui hoje em um ídolo moderno. Cremos que todas as soluções para nossas vidas virão dos laboratórios. Ora não sou um fanático, creio no valor da ciência e desfruto de cada coisa boa que ela pode me dar, mas também entendo que este universo com leis e racionalidade só poderia ser obra de um Legislador Inteligente. Só que mesmo depois de ter encontrado as respostas para todos os mistérios, haverá ainda mais mistérios e o desejo de transcendência inerente ao homem que pisa nesta terra só satisfeito no seu reencontro existencial com Deus.

Ele esquece que sua vida acadêmica tem tudo a ver com sua vida espiritual. O conhecimento que ele adquire não deve ser pretexto para pavonear-se, mas um instrumento de serviço a Deus servindo aos homens. Só assim ele fica livre das cadeias da vaidade que envolvem qualquer coisa “debaixo dos céus” que não tenha um sentido divino.

Creio que em resposta a tentação “otária”, nossas igrejas deveriam preparar mais seus jovens com uma abordagem consistente e equilibrada sobre as principais pressuposições de nossa fé e um entendimento dos principais ataques que elas enfrentam. Paulo descreve a batalha espiritual no nível intelectual quando afirma “usamos as ferramentas poderosas de Deus para esmagar filosofias pervertidas, derrubar barreiras levantadas contra a verdade de Deus…” (1) sem esquecer jamais que a principal apologética é a da vida com Deus que se explica e se elucida no amor cotidiano.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)    II Coríntios 10:3,4

11 fardos de um pastor que leva o evangelho a sério

Nunca fui de me queixar ou me fazer de vítima. O post que ora escrevo tem o objetivo de dar voz a minha realidade e de tantos outros amigos que são companheiros de luta há anos na causa da fé e são pessoas íntegras, inteligentes e acima de tudo apaixonadas.

Algumas experiências aqui são pessoais, outras ouvi. Para quem pensar que estou em lua de fel com o povo que lidero, digo o seguinte:  você não entendeu nada.

Vamos aos fardos…

1. Ter de explicar a toda hora que sua igreja não é a mesma que a do Edir Macedo, do Valdemiro Santiago e assemelhados.

2. Ter de suportar a cara de desconfiança da atendente da loja quando pergunta a sua profissão e você responde: “pastor”. A gente tem a impressão que alguém escreveu na nossa testa sem a nossa permissão: “vigarista”.

3. Ser o bode expiatório dos problemas que as pessoas estão passando. Problemas que se arrastam muito tempo acabam sendo debitados na conta do pastor. A mulher foi traída pelo marido e depois de pensar um pouco chega a conclusão que a culpa do “angu” é do pastor e decidem os dois sair da igreja. O pastor era muito fraquinho!

4. Expectativas de que os filhos do pastor, não vivam sua infância e adolescência e sejam seres super dotados espiritualmente que oram, pregam e dão conselhos como um obreiro veterano.

5. Desejo que o  casal pastoral sejam ambos, bem humorados, sorridentes, extrovertidos e que causem boa impressão a primeira vista.

6. Expectativa de que o pastor reúna em si todos os dons relatados na Bíblia. Que seja teólogo como foi Paulo, excelente pregador como foi Apolo, bom ouvinte como foi Barnabé e competente dirigente de música como foi Asafe, e de vez em quando como Jesus, entreter as crianças na Escola Bíblica Dominical.

7. Ter de ouvir brincadeiras tipo: “cansado do que, se pastor só trabalha domingo?”. Infelizmente as pessoas não veem que a maior parte do trabalho do pastor não é feita diante dos olhos dos membros da igreja. Aconselhamento nos lares, visita a doentes, discipulado um a um, preparo para estudo e pregação, planejamento de eventos são todas atividades que passam despercebidas dos olhares do membro comum da igreja.

8. Não ter a chance de estar em um dia ruim, chorar, se sentir ferido ou abandonado. Eu conheço uma nuvem de pastores que tomam omeprazol direto porque ninguém lhes dá o direito (nem eles mesmos) de expressarem o que estão sentindo. Um dia um amigo foi se abrir com um diácono da igreja e o diácono chamou sua atenção: “Que é isso pastor, o senhor não pode se sentir assim!.

9. A crença injusta e precipitada de que se há qualquer rumor sobre a vida pessoal do pastor deve ser verdade. O famoso bate e depois pergunta. Havia um boato em uma certa igreja, uma conversa de que o pastor andava com outra mulher, mas o que ninguém sabia ou deu-se conta é que era a mesma mulher, só que ela havia pintado o cabelo de loiro.

10. Não aceitar que o pastor tire férias, afinal Deus não descansa, então o pastor não deveria descansar já que ele tem ligação direta com o “homem lá de cima”. Além disso como um pastor pode descansar sabendo que milhares estão indo para o inferno…

11. O pensamento de algumas pessoas de que o lider espiritual, não tem sentimentos, nem expectativas de retorno nos relacionamentos. Muitas são as vezes em que o pastor não é visto como amigo pois habita o panteão das idealizações das pessoas o que certamente torna a vida dele um pouco mais difícil. As pessoas se sentem a vontade para agirem como em nenhum outro relacionamento: descompromissadas em palavras e ações. Bate que o pastor aguenta!

Sim há um outro lado que talvez você nunca pensou. Seu pastor também é gente.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Onde estão os cristãos?

Papa Bento XVI celebra a missa de Páscoa na Basílica de São Pedro no Vaticano. Neste domingo, os cristãos de todo mundo celebram o dia da ressureição .... Foto: AFP

João Pereira Coutinho, na Folha.com

Bento 16 é um diplomata: na sua mensagem de Páscoa, o papa apelou ao fim dos confrontos na Síria. E, com cautelas mil, teve ainda uma palavra de preocupação pelos cristãos do mundo inteiro, que sofrem pela sua fé e são perseguidos pelas autoridades locais.

O papa fez bem em levantar o véu. Mas um leitor interessado nos pormenores sórdidos da vaga anti-cristã -nomes, números, crimes etc.- deve ler a edição pascal da revista “The Spectator”. Que, dessa vez, dedica uma especial atenção aos cristãos do Oriente Médio. Primeira conclusão: os cristãos da zona não estão a gostar da “primavera árabe”.

Pelo contrário: para muitos deles, a primavera virou inverno e a sobrevivência deixou de ser uma certeza. Conta a “Spectator”: nos inícios do século 20, os cristãos árabes representavam 20% da população total. Hoje, andam pelos 5%.

Existem casos para todos os gostos. No Iraque, por exemplo, a invasão americana de 2003 encontrou uma comunidade robusta de 1,4 milhões de cristãos. Passaram-se quase dez anos -e, em dez anos, aconteceu de tudo: a destruição de igrejas (70); a morte de fiéis (cerca de 1000); e a fuga de 800 a 900 mil do país. Hoje, dos 1,4 milhões iniciais, restarão uns 400 mil.

Na Síria, a situação não é melhor. Não apenas porque o país está envolvido numa guerra civil “de facto”; mas porque os rebeldes islamitas aproveitam o momento de luta contra o regime de Bashar al-Assad para fazerem outro tipo de limpezas religiosas. Só em Homs, 50 mil cristãos foram expulsos da cidade nos últimos dois meses de confrontos. Um número impressionante?

Nem por isso. No Egito, e só em 2010, 200 mil cristãos deixaram as suas casas em Alexandria, Luxor ou no Cairo. Esses foram os afortunados. Os menos afortunados foram mortos na passagem do ano em Alexandria (21) ou na capital (mais 27).

Claro que, perante este quadro negro, há motivos de esperança. Se os cristãos são perseguidos, massacrados ou expulsos dos países árabes, isso não significa que não encontrem abrigo na região. O leitor é capaz de adivinhar qual o pedaço do Oriente Médio onde a população cristã subiu 2.000% nas últimas seis décadas?

Se o leitor pensou na tolerante Gaza (ou na Cisjordânia), lamento desapontá-lo. Em Gaza, e desde 2007, metade da comunidade cristã também resolveu fazer as malas para não ter problemas com o Hamas. E, sobre a Cisjordânia, os 15% de cristãos estão hoje reduzidos a uns míseros 2%.

O país que tem servido de abrigo para a comunidade cristã é, acredite se quiser, Israel. Aliás, não apenas para os cristãos -mas para outras minorias perseguidas do Oriente Médio.

Eis o supremo paradoxo: Israel é um estado tão racista e intolerante que, na hora do aperto, é a escolha nº 1 das vítimas do racismo e da intolerância.

foto: AFP

A diferença que faz a ressurreição

A Ressurreição é a notícia mais revolucionária que o mundo já ouviu ! Qual o sentido da vida se não há ressurreição? Simplesmente ficamos com a sociedade e as sutilezas do desespero manifestadas na sexualidade sem freios, nos vícios crescentes, na hipocondria e na infantilidade da obsessão com a eterna juventude. Com a ressurreição temos um fato novo que transforma todo o projeto de nossa existência. Há muito mais do que um morto levantado, há uma nova realidade de vida.

O que ela nos comunica ?

1. A ressurreição significa que não há ponto sem retorno. É comum ouvir das pessoas bem ajustadas na sociedade: ladrão e vagabundo só matando! Infelizmente muita gente que trabalha com o ser humano também  faz seu trabalho com esse tipo de consciência que cedo ou tarde acaba sabotando qualquer possibilidade de mudança nas pessoas. Esse jeito de pensar se baseia no fato de que tropeçamos repetidas vezes em nossas próprias pernas, no entanto a ressurreição vem trazer a boa noticia de que apesar disso, tudo pode ser revertido. A nossa vivência da maldade humana no cotidiano deve ser infectada com o vírus da ressurreição caso contrário seremos os mais deterministas dos seres, sentenciando as pessoas a repetirem suas histórias de fracasso.  A ressurreição não é um fato que lembramos a respeito do passado que nos inspira. Não! É um poder disponível  para aquele que crer para fazer valer a reversão do mal para o bem pela graça de Deus.

2. A ressurreição significa que podemos ter uma esperança viva para o futuro.

A Esperança que se resume a esta vida,  é uma esperança morta. Ansiamos por mais, e ansiamos porque há mais. Não há nenhum desejo no coração do homem que não possa ser satisfeito. O ser humano tem fome porque existe algo que se chama pão, o ser humano tem sede porque há algo que se chama água, e o ser humano anela vida eterna porque existe ressurreição!

Isso significa que nossa vida tem sentido, que nossa consagração vale a pena, que nossos esforços envidados para servir a Deus não são jogados fora, ainda que na perspectiva imediata pareçam sem sentido.

3.  A ressurreição nos comunica que somos responsáveis de lutar contra todas as manifestações de morte neste mundo.

Se abrimos nossos olhos e enxergamos esse mundo podemos ser esmagados pelo cheiro de morte.  Pela ressurreição podemos crer que: a verdade vencerá a mentira, que o amor vencerá o ódio e que a alegria vencerá a tristeza. Diante disso, não podemos ser menos do que ativos.

Observemos que todas as testemunhas da ressurreição correm para contá-la. Se crermos de fato, não podemos andar nessa timidez que muitos andam por aí. Os cristãos de hoje elegeram a dúvida como virtude, o que é uma inversão de valores que só interessa ao diabo, além de nos imobilizar para lutar contra os valores anti-vida. Enquanto gastamos nosso tempo com polêmicas sem fim, não fazemos o arroz com feijão que fizeram os apóstolos e que virou o mundo de cabeça para cima novamente.

4.  A ressurreição nos ensina que a morte existencial é o caminho da ressurreição existencial.

Algumas mortes existenciais na Bíblia: Moisés e sua fuga para o deserto, Pedro e sua negação, Rute e a morte na sua família, Jó e a perda para chegar a ver a Deus.

Pessoas que não melhoram são pessoas que não querem morrer.

Como pode a mulher se tornar mãe, se não morrer para a vida de menina?

Como pode o ministro se tornar um canal de bênção se não deixar o pecado?

Como pode alguém ser bem sucedido no que faz se não morrer para a vida de playboy?

O que hoje você precisa pregar na cruz para que a ressurreição venha se manifestar em você?

Quando fui disciplinado em função de uma série de atitudes arrogantes não me esqueço de um professor que ante meu desespero e dor  disse: Fabiano você acha que o plano de Deus é tão frágil? Pude experimentar essa realidade por mim mesmo. Os problemas não tem o poder de nos destruir !

Alguns estão vivendo a Sexta-feira: decepção, traição, abandono, humilhação. Mas creia que o domingo vai chegar.

5. A ressurreição nos comunica que o amor mesmo que traído, vilificado, cuspido, destratado, injustiçado permanecerá vivo embora pareça morto, porque Deus é amor.

Haverão os aproveitadores e vendilhões do templo, mas haverá gente que atirará as bancas no chão.

Haverão aqueles que venderão a alma ao sistema, mas haverá gente boa que Deus levantou.

Haverão aqueles que no ódio conquistarão o respeito de muitos, mas os justos resplandecerão na presença de Deus.

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério.

 

A Eterna Cruz de Sempre

Caio Fabio

A Cruz da História é somente a da Crucificação.

A Cruz é o que vem antes de tudo, inclusive da Crucificação.

O Cordeiro de Deus foi imolado antes da criação de qualquer criação.

Por essa mesma razão Aquele que tem o poder de “abrir o Livro e lhe desatar os selos” é o Leão de Judá, a Raiz de Davi, mas quando essas faces são procuradas por João — que antes chorava muito em desesperança (Ap 5:4-5) —, quem ele vê é um Cordeiro “como havia sido morto”.

Nós cristãos pensamos que nossa salvação veio do sofrimento de Jesus por nós!

Sofrimento não salva, apenas amargura e mata!

Nossa salvação não vem da Crucificação, mas da Cruz!

A Crucificação é um cenário!

A Cruz é o sacrifício eterno que teve na Crucificação apenas o seu cenário histórico!

Quando Paulo diz que só se gloriava na Cruz, ele não nos aponta um espetáculo histórico, o qual ele nunca nem perdeu tempo em “descrever” como evento martirizante e agonizante.

Para ele a Cruz era “o mistério outrora oculto e agora revelado” — com todas as implicações da Graça em nosso favor.

A Crucificação estava exposta às interpretação dos sentidos humanos: “Este era verdadeiramente Filho de Deus” — confessava o centurião, perplexo com o modo como Jesus morrera. Também reagia assustado diante do fato que a terra tremia enquanto a escuridade envolvia subitamente a tarde daquele dia.

A Cruz, todavia, é infinitamente maior que a Crucificação. O Sangue que purifica de todo pecado não um líquido; é uma oferta de amor perdoador que existiu como tal ainda antes que qualquer forma de sangue tivesse sido criada.

A Cruz é uma eterna decisão de Deus com Deus. O Sangue Eterno é a Decisão da Graça!

Na história, o sangue foi derramado para manifestar aquilo que em Deus já estava feito!

Jesus Consumou o que Nele já estava Consumado desde a eternidade!

Na Páscoa, portanto, celebra-se o cordeiro simbólico que aparece desde o Gênesis. Ganha rito instituído no Êxodo, é praticado durante séculos e tem sua Realização Histórica na Crucificação. A Cruz, no entanto, é o Fator Criador por trás de toda criação: o Cordeiro de Deus foi imolado antes da fundação do mundo!

Nessa consciência o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.

Por isso é que eu posso caminhar sem medo.

Não procurarei aquilo que faz sofrer e que é pecado. Mas também não vivo mais as fobias e neuroses do pecado.

É a certeza da Graça eterna aquilo que nos dá paz para viver na terra. Sem o êxodo da Crucificação apenas como cenário para a Cruz como bem eterno que garante paz com Deus e vida na terra, ninguém tem paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.

A Crucificação é o Cenário exterior!

A Cruz tem que ser a Realidade interior!

A Crucificação revela a maldade humana!

A Cruz revela a salvação de Deus!

Quem crê é Justificado e tem paz com Deus. Além disso, já passou da morte para a vida!

Como você pode se tornar um Judas Iscariotes?

“Se você pega um cão faminto e o ajuda a ficar bem de vida, ele jamais o morderá. Essa é a principal diferença entre o cão e o homem.”

Mark Twain

Quando eu era guri, além dos chocolates que ganhávamos no domingo, também havia em alguns redutos do Rio Grande do Sul a queima do Judas. As crianças montavam um boneco de palha, pendurava-se em uma árvore qualquer, destruíam o boneco a pauladas e depois o queimavam. Pobre daquele que na época era batizado com esse nome, ainda que fosse Judas Tadeu, ficava marcado. Meu irmão conta sobre um estudante cujo nome era Judas e que na sua época pleiteava a presidência do grêmio estudantil universitário andando de sala em sala fazendo sua campanha. Em meio a conversa, um gaiato gritou no meio de uma das salas: Judas não! Ele vai nos trair. Coitado não conseguiu mais falar. Traidores ficam sempre marcados em qualquer momento da história, na maioria das culturas.

Não acredito que Judas Iscariotes tenha sido chamado por Jesus apenas para desempenhar o papel de traidor. O que aconteceu ao coração de Judas é o que pode, e acontece nos nossos corações.

Somos informados pelos evangelhos que Judas era um homem acostumado a lidar com dinheiro. Ninguém elege um tesoureiro sem que ele tenha alguma experiência com finanças. O apóstolo João escreve que ele costumava roubar dinheiro das ofertas que eram dadas ao grupo de discípulos para sustento do ministério itinerante que realizavam. (1)

Como qualquer outro discípulo, ele viu curas, milagres, libertações espirituais e um ensino consistente de Jesus sobre o Reino de Deus. Como qualquer outro cidadão de Israel oprimido pelo domínio romano naquela época, como a mãe dos filhos de Zebedeu que já brigava por posições, (2) como Pedro que se resistia a idéia da morte de Jesus na cruz, (3) ele sonhava com um reino político que faria todos os outros reinos da terra se curvarem diante da liderança dos apóstolos. Jesus por sua vez pregava o reino que acontecia no coração. Mas o que ele quis ouvir foi a promessa de uma utopia política.

Conforme o tempo passava, Judas como o típico homem de negócios, foi astuto para antever os rumos que a vida de Jesus iria tomar, e não gostou nem um pouco. A palavra para o que aconteceu no coração dele era decepção. Espiritualmente ele se afastou cada dia mais daquele grupo de discípulos.

Nessa lógica, ele decide lucrar com sua decepção, afinal ele havia “perdido” três anos de sua vida em uma ilusão. Então vem a noite trágica. Em nenhum momento Judas admite a traição. Ainda que confrontado por Jesus na Ceia, ele nega e sai sem explicação dali. Talvez dentro dele houvesse alguma racionalização do tipo: “foi ele quem nos enganou primeiro” que mantivesse o sentimento de culpa em níveis toleráveis. Quando  ele volta à companhia dos discípulos sela sua traição com o beijo mais infame da história.

A dissimulação de Judas não é novidade nos registros da aventura humana, mas reforçam o fato de que um espírito traiçoeiro pode tomar a qualquer um, até mesmo quem anda perto de Jesus, até mesmo eu e você. Um espírito desleal se estabelece em razão da decepção com sonhos que se tornaram maiores do que tudo, cresce silenciosamente, escondido atrás de palavras de falsa espiritualidade e irrompe abruptamente surpreendendo a todos.

Porque nós também nos decepcionamos a todo o momento, quero desafiar você a ir à contramão desse espírito. As pessoas não existem (como gostaríamos que fosse) para cumprir nossas expectativas, que podem até ser legítimas e razoáveis. E toda vez que nos decepcionamos abre-se diante de nós uma encruzilhada: um caminho é o da vingança e amargura e o outro o da reinvenção pessoal. O caráter do discípulo se enraíza nesses momentos quando mesmo debaixo da dor de esperanças adiadas e não cumpridas, ele permanece leal, sincero, franco e honesto.

Seja leal.

Seja leal ao seu cônjuge. Quando for assediado por alguém, e em casa o tempo estiver sendo difícil, abra o jogo mesmo assim, pois é nas trevas que a traição floresce.

Seja leal aos seus amigos. Do tipo que eles precisam. Quando você ver que eles se afundam fazendo o que é mal, fale com franqueza e objetividade. Leais são as feridas feitas pelo que ama.

Seja leal ao seu patrão. Sim ao seu patrão. Se você não gosta de algo diga a ele pessoalmente, se acha que não convém não diga a ninguém. Nunca vi alguém leal sem espaço para trabalhar.

Seja leal aos seus colegas de trabalho. Não se preste ao papel patético de dedo duro.

Seja leal a quem lidera você espiritualmente. Diga o que pensa olhando nos olhos. Se não consegue mais respeitar a sua liderança, pegue seu chapéu e vá embora em paz.

Seja leal com quem trabalha com você. Não prometa mundos e fundos que você sabe que não vai cumprir. Não use as pessoas para passar por espertalhão. Afaste-se desse mal.

Seja leal a Deus. Lembre-se que Deus não se impressiona com pregações, citações inteligentes, ou canções bem ensaiadas. Seguir a Jesus é fazer o que Ele manda.

Seja leal até mesmo aos seus inimigos, aqueles que lhe querem mal. Afinal essa é a melhor forma de ser você mesmo.

Mas a essa altura talvez você esteja pensando: “quem não foi desleal alguma vez  na vida, afinal?”

De fato, Pedro e os demais discípulos fugiram como ratos assustados na hora em que Jesus foi preso. No entanto o que os separou de Judas é um exemplo perfeito da diferença entre remorso e arrependimento. O orgulho impediu que ele tomasse o caminho de volta. Ele preferiu sofrer o mal a reconhecer seu erro. Você pode fazer diferente… ainda.

Que nessa semana pascal possamos repensar nossas traições, pois o traidor trai sempre primeiro a si mesmo. E traição é caminho de destruição. Fique de olho!

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)   João 12:4-6

(2)   Mateus 20:20-28

(3)  Mateus 16:21-28