Você odeia mulheres que considera mais bonitas?

Fonte: Zero Hora Digital

Jornalista britânica lança polêmica ao afirmar que é detestada simplesmente por ser bonita.

A jornalista britânica Samantha Brick decidiu investigar porque algumas mulheres eram más com ela sem nenhuma razão aparente. A polêmica conclusão se tornou um dos temas mais comentados em redes sociais nesta semana. Samantha constatou que era alvo de mesquinharias simplesmente por ser bonita.

O artigo onde a jornalista comenta suas impressões foi publicado nesta semana no jornalDaily Mail. Samantha discorre sobre outros pontos negativos de ser uma mulher atraente, mas reforça que o tratatamento rude sem motivo é o que mais incomoda.

– Na semana passada eu estava caminhando com o cachorro e abanei para uma vizinha que passou de carro. Ela me ignorou. Perguntei a uma amiga se tinha feito algo errado. Minha amiga disse que a tal vizinha me detestava por me considerar uma ameaça -declarou.

Samantha ouviu a terapeuta Marisa Peer em sua reportagem. A médica, autora de livros sobre autoestima, confirmou as suspeitas que a jornalista sentia na própria pele.

– As mulheres costumam se comparar umas às outras usando a beleza como parâmetro, não suas conquistas. Isso pode fazer a vida das bonitas muito difícil. Tenho várias clientes que são modelos e as pessoas se surpreendem quando comento que a vida delas não é simples – disse a terapeuta.

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Que a amargura da ingratidão não entre em você!

Quem quer que ajude outro na esperança de que isto lhe será crédito de gratidão no coração ajudado, muito se frustrará; pois, quando a alma do ajudado é doente de amargura, inveja e déficit de amor, toda ajuda será humilhante, mesmo que a pessoa peça e agradeça, posto que no dia em que você não esperar [possivelmente em dia de necessidade sua], tal ou tais pessoas se levantarão contra você quase que com certeza.

Somente recebem ajuda como ajuda e com alegria grata os que tiverem entendido o espírito da Graça de Deus no Evangelho, ou aqueles que forem também capazes de, amando, fazerem a mesma coisa por outros, e sem esperar recompensa.

Todo ajuda que espere recompensa, ou que seja feita ao que a recebendo se sinta endividado ao que o ajudou, produzirá um espírito perverso. Acerca de tal espírito se teria que perguntar à pessoa amargurada pela bem recebido: “Por que a minha ajuda fez você me odiar tanto?” — Porém, se assim você fizer perderá toda razão e será odiado com “justa causa” pelo amargurado.

Entretanto, é bom que se diga que há pessoas que somente ajudam se o ajudado ficar se sentindo em débito. Nesse caso, tanto ajudador quando ajudado se merecem na amargura de dar e de receber.

Só vale a pena ajudar as pessoas se elas, à semelhança da recomendada ignorância de minha mão esquerda em relação ao que faz a direita, não sentir que o que recebeu ficou como crédito para o que ajudou, posto que o ajudador tenha se esquecido do bem como “bem” e dele só tenha a memória da alegria de ter podido ajudar.

Em geral a pessoa que mais odeia uma outra é a que foi muito ajudada; e, como disse, isso pode acontecer apenas em razão do espírito amargo de quem recebeu. Porém, entre essas pessoas encontram-se também as que se sentem ofendidas pelo referencial de vida e coração de quem ajudou, ainda que também possam se sentir mal por causa de simples inveja; ou mesmo em razão de se sentirem diminuídas pela necessidade de necessitar de ajuda.

Ora, apesar desses riscos estarem presentes em toda ação de ajuda, a recomendação do Evangelho é para se faça o bem sem esperar recompensa, sem fazer o outro sentir-se endividado, e sem “empréstimo”, pois, o ato de ajudar deve libertar o outro e não mantê-lo preso à “gratidão dos amargurados”, que é ódio.

Se eu fosse parar de fazer as coisas em razão do troco de amargura que posso receber [e já recebi aos milhares], há muito que minhas mãos teriam secado quanto a terem vitalidade para ajudar.

Por isso se diz: “Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem”.

Se você não sabe por que aqueles que você mais ajuda parecem ser os que menos olham para você com amor, então fique sabendo: pode ser assim mesmo, mas com você não tem que ser assim.

Nele, que nos ama doentes como somos,

Caio

O que revela e produz a cultura do palavrão

Meus leitores mais sábios logo se apressarão a apontar a pequenez do assunto que abordo diante dos grandes temas da humanidade. Dirão com razão que um ”glória a Deus” sonoro no templo, mas cheio de hipocrisia é pior que qualquer palavrão dito na crueza da hora. Dercy Gonçalves ficou conhecida como representante mor da irreverência brasileira disse certa vez que palavrão é “não ter cama nos hospitais”. Não lhes tirarei a razão, mas acrescentarei que não precisamos optar entre um e outro. Podemos evitar ambos sem prejuízo para nossas vidas.

Até os tempos da abertura política brasileira, lá pelos idos de 1985 tínhamos um ambiente altamente controlado quanto ao que se dizia no Brasil. A famosa censura. Chico Buarque teve que usar sua genialidade para dar vazão ao seu inconformismo com a ditadura com uma letra de duplo sentido que versava:

“Apesar de você

Amanhã há de ser outro dia

Eu pergunto a você onde vai se esconder

Da enorme euforia?

Como vai proibir

Quando o galo insistir em cantar?

Água nova brotando

E a gente se amando sem parar”

O duplo sentido de hoje não é mais o da genialidade, mas o da vulgaridade. Hoje não é fato incomum um adolescente levantar-se diante do professor e enfrenta-lo com um repertório impublicável de impropérios. Os textos  das novelas  que guardavam certos limites já não tem freios na língua. Os humoristas que antes insinuavam agora se apoiam no palavrão como atalho para fazer rir. Talvez o único setor de programas televisivos que ainda se preserva quanto ao tipo de linguajar são os telejornais.

Toda cultura possui certo tipo de palavras que se encaixa na categoria “palavrão”.  Será que isso é puro moralismo? Acho que não. Palavras são entidades vivas que carregam história e sentimentos dentro de uma cultura. Assim é que os palavrões funcionam como o esgoto dos  sentimentos negativos de uma cultura.  Às vezes literalmente.

Os defensores da cultura do palavrão se baseiam na ideia equivocada de que palavras são apenas palavras. Assim como na experiência humana existem condutas perversas, pensamentos perversos, há também a linguagem perversa. Não dizemos que pensamentos são só pensamentos. Assim como não diremos que palavras são só palavras. Elas sempre revelam algo e produzem algo.

Creem também apoiados na filosofia hedonista, que tudo que é sentido deve ser expressado e colocado para fora conforme essa pesquisa porque faz bem a saúde emocional.

Como discípulo, sou chamado a questionar minha cultura e me parece que através de uma leitura bíblica sem muito rigor já é possível discernir que a excelência da linguagem também é uma questão relevante na Palavra.

“Abençoem os inimigos: não haja maldição em suas palavras”. (1)

“Tenham cuidado na maneira de falar. Nunca saia da boca de vocês nenhuma besteira ou baixaria. Falem apenas o que é útil e que ajude os outros. Cada palavra de vocês deve ser um presente.” (2)

“Erramos quase toda vez que abrimos a boca. Se você achar alguém que não falha ao abrir a boca, está aí uma pessoa perfeita, com total controle da vida… Uma simples palavra pode parecer nada, mas é capaz de construir ou destruir quase tudo!” (3)

Palavras criam realidades, de pensamento, de clima emocional e afetivo. Quem defende o palavrão com base em pesquisas que dizem que ele alivia o stress talvez se surpreendesse com o fato de que bater em alguém também traz um alívio imediato, mas nem por isso recomendamos esse tipo de comportamento.

Tenho um amigo que até bem pouco tempo atrás  trabalhava em uma empresa que não se importava muito com o linguajar dos empregados. Ele testemunhava juntamente com outros colegas que o ambiente era carregado de hostilidade apesar do trabalho ser leve e bem remunerado. Ele pediu para sair e começou a trabalhar em outra empresa que orientava o comportamento recíproco dos empregados. Ele ganha menos, trabalha mais pesadamente, mas pessoalmente está mais feliz. Provando aquilo que parece a mim óbvio: palavras fazem muita diferença.

Lendo a Bíblia sob todos os pontos de vista parece ser coerente afirmar com tranquilidade que além de refletir uma realidade do coração a palavra também é causa do que acontece em nossa vida. Paulo adverte que “as más conversações corrompem bons costumes”. (4) O mesmo podemos dizer a respeito do uso do palavrão na boca do discípulo. Não pretendo escrever aqui algo popular. Até os cristão se acostumaram tanto a uma linguagem de baixo nível que qualquer pensamento diferente soa irritante e legalista. Mas acredito estar sendo fiel ao espírito da Palavra.

Quando escrevo não faço para defender uma conduta que é natural para mim, mas para lembrar a mim mesmo o tipo de vida que sou chamado. Devo confessar que nessa altura da minha vida tem sido mais difícil controlar a boca para não falar besteira do que eu gostaria.

O palavrão é o destino errado que damos aos nossos sentimentos negativos. Em lugar de abrirmos o coração, chorarmos, orarmos, simplesmente insultamos. Aquele que faz uso deles para desabafar logo não hesitará em usá-los (pois já se tornou parte da artilharia pessoal) em direção a outras pessoas.

O palavrão é a violência, a faca afiada das palavras. Ouvi muitas vezes o provérbio: paus e pedras poderão me atingir, mas palavras nada me farão. Mas que grande mentira! Elas ferem mais que paus e pedras. Basta ouvir as pessoas e suas histórias para saber.

Onde se estabeleça a cultura do palavrão, haverá certamente o insulto, o destempero, o reino dos instintos, o desprezo e a ferida mal resolvida, o que não é pouca coisa. Por essas e outras acho recomendável um discípulo cuidar do que fala, pois podemos ser incisivos sem sermos ofensivos, contundentes sem sermos condescendentes. Censura é ruim, mas autocensura é necessária.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)    Romanos 11:14

(2)    Efésios 4:29

(3)    Tiago 3:2-5

(4)    I Coríntios 15:33

A guria de Jairo e a prenda com uma baita sanguera

Mais uma tradução do Pastor Gaúcho do meu amigo Ander Alves

(Lucas 8: 41 ; 56)

Estava  Jesus, lagarteando com seus cupinchas tomando um chimarrão, e se aprochegou um guapo chamado Jairo, e o vivente não era pouca coisa tchê!

– Buenas! e me espalho xirú, te peço, que se aprochegue no meu rancho, minha guria anda pesteada, já anda na capa da gaita.

E uma prenda que andava numa sanguera já por 12 anos, já nãotinha mais um pila se quer, gastou tudo com com os doutor

E se aprochegando tocou o pala de Jesus.

E Jesus de vereda parou e deu-lhe um Grito

– Alapucha tchê! quem me cutucou?

Pedro disse:

– Capaz Jesus, com esse montarel de gente ai, todo mundo se espremendo.

A chinoca viu que não tinha escapatória, meio que rengueando de medo, falou:

Prenda – Jesus, eu tava numa sanguera braba, tava male mesmo tchê, mas toquei no teu pala e fiquei buenacha.

E no meio daquele entreveiro veio a notícia que a guria de Jairo tinha batido as bota.

Jesus disse:
– Não te mixa, fica tranquilito

E se aprochegando na casa de Jairo estava um bochincho, uma baita choradeira

Jesus disse: Mas Tchê! a guria não bateu as botas, só ta sesteando

E riram dele

Então ele mandou chisparem

Pegando na mão da guria disse: levanta tchê

E de vereda a guria viveu, mandou que trouxessem um cacetinho pra guria comer.

E os pais da guria ficaram mais felizes que véio de chapa nova.

O Evangelho traduzido para o “gauchês”

Excelente trabalho desenvolvido no Facebook pelo Pastor Gaúcho do guri de apartamento Ander Alves.

“Três guris na fornalha foram jogados, dançaram chula no meio do fogo sem se quer ser sapecados. E a xiruzada abriu o peito louvando por mais esta conquista, o fogarél da fornalha tava virado em faísca.”

Daniel 2

“Guria! não é bom dar do cacetinho dos meus piá para os cuscos. A prenda disse: Até os guaipeca comem do farelo que cai da mesa.”

Mateus 15:26

“Vivente! vê se te toca, se continuar errante vai acabar batendo as bota. Mas a barbada do Patrão Celeste é vida tchê.”

Romanos 6:23

” Tchê! não te falei, seja guapo, seja quera, não te mixa, não froxa. tamo junto na peleia.”

Josué 1:9

“Tchê! O diabo é um baita tramposo, rei dos trovador. Vigia vivente!”

João 8:44

E o Patrão Depois de ter finalizado mundão véio e o criaredo todo disse: Bah! tri bom né tchê?”

Gênesis 1:31

“Faceiro é o vivente que anda tranquilito no mas, esse conquista a estância.”

Mateus 5:5

“Ecoou uma voz do céu: Mas que tal! Esse é meu guri!”

Mateus 3:17

“Buenas! Tchê! Não anda atucanado, na casa do Patrão do céu há bastante pouso.”

João 14: 1 e 2.

“Todo vivente que o Patrão me dá. e esse se aprochega, capaz que largo o vivente de mão.”

João 6:37

“Quando um vivente mais perdido que cebola em salada de fruta, se arrepende e converte. Há uma festança no céu. Oigalê!”

Lucas 15:7

“E o anjo disse a Gideão: Mazá galo véio! Não te mixa! Vai tchê! Passa faca neles tudo.”

Juízes 6:11,16

“O coração faceiro, deixa a lata do vivente mais bonita que laranja de amostra.”

Provérbios 15:13

“Todo lugar que colocar a sola da tua bota, é teu tchê!”

Josué 1

“O vivente que trova fiado é guri do Diabo, pois o Diabo é o rei dos trovadores.”

João 8:44


Um bisturi usado para matar

“Se você acredita apenas no que você gosta do evangelho, e rejeita o que você não gosta, não é no evangelho que você acredita, mas em você mesmo.”

Agostinho de Hipona

“Por isso, todo mestre da lei instruído quanto ao Reino dos céus é como o dono de uma casa que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas”.

Mateus 13:52

“Procura apresentar-te a Deus aprovado como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.”

II Timóteo 2:15

“Como vocês podem dizer: Somos sábios, pois temos a lei do Senhor, quando na verdade a pena mentirosa dos escribas a transformou em mentira?”

Jeremias 8:8

Quando Paulo adverte seu discípulo Timóteo a manejar bem a Palavra da verdade certamente ele tem a preocupação com  a possibilidade contrária: manejar mal a palavra. A metáfora embutida no texto é a de um obreiro e sua ferramenta. A palavra é a ferramenta mais poderosa na vida do discípulo, mas  tudo que é poderoso, pode ser também perigoso.  O que estou procurando?  É a pergunta a ser feita antes de nos achegarmos a ela.

Manejar bem a palavra tem a ver com motivações do coração.

1. É preciso pensar se existe exibicionismo em mim. Soube do “tristemunho” de um pastor da vida real que sabia a Bíblia toda memorizada detalhe por detalhe, vírgula por vírgula. Costumava perguntar muitas vezes no meio de sua pregação coisas do tipo: Quem sabe o que diz: Levítico 19:3? A congregação intimidada não respondia nada. E ele gritava do microfone: Morra de vergonha! E então recitava o versículo palavra por palavra. No final da “apresentação”, todos ficavam profundamente impactados com a memória do pregador, mas não havia nenhum alimento espiritual em suas almas. Algumas pessoas da comunidade cristã  são culpadas como esse homem de utilizarem os versos da escritura para pavonearem-se diante da maioria ignorante que não se interessa pelo estudo. Elas citam um verso após o outro, e depois que obtém um conhecimento razoável e a admiração dos incautos, acham que tem direito a serem líderes e pessoas iminentes na comunidade de fé. Igualam conhecimento com vida com Deus, o que nesse caso não tem nada a ver. Vida com Deus é a vivência da palavra que se faz gente em meio a tensões e provações da vida. Não se ganha em cursos, mas na vida. Já vi gente que vai para cursos bíblicos cujo único objetivo é ter um diploma para impressionar. Esses acabam fazendo companhia para o diabo, que usa as Escrituras para o mal.

2. É preciso saber quem estou querendo agradar. Caio Fábio escrevendo em seu opúsculo “Elias está nas ruas” revela bastidores da luta presidencial entre Lula e Collor, e como seus cabos eleitorais usavam a Bíblia para legitimarem suas candidaturas no longínquo ano de 1989: “Nos folhetos que ambos os grupos divulgaram abundavam expressões messiânicas do tipo: “ele tem cara de homem de Deus…”(dito sobre Collor ); “…tem que ser sustentado pelas orações do povo de Deus, como Moisés…” (dito sobre Lula); é sábio e justo como Daniel e José…” (dito sobre Collor); “…todo verdadeiro cristão tem que votar nas propostas de mudança de…” (dito sobre Lula)”. É impressionante que 23 anos depois esse mal ainda não foi curado. Um amigo meu uma vez foi convidado para pregar em uma igreja e falou sobre honestidade e tocou no tema “contrabando”, só que nessa igreja a grande maioria das pessoas vivia disso. Depois da reunião o pastor chamou ele e falou: “Irmão, você não pode falar isso aqui nessa igreja”. Quem usa a Palavra para bajular está prestando o maior desserviço a causa do Reino.

3. É preciso saber se há sede de sangue em mim. Alguns setores da igreja americana usaram a maldição de Noé sobre Cam para justificar o racismo, afirmando que a maldição seria a “negritude”. Uma péssima exegese a serviço da cultura racista do sul dos Estados Unidos.  Outras pessoas no mesmo tom usam a palavra para chamarem aqueles que não creem de “filhos do diabo”. Já é conhecimento geral que a Inquisição e as Cruzadas  contaram com justificativas “espirituais”. O que foi feito para curar se transforma em instrumento de morte.

4. É preciso saber se tenho a disposição para ir fundo. Ainda é comum  sob o verniz da superespiritualidade  a leitura  de afogadilho. Gente que abre a Bíblia a esmo e coloca o dedo em qualquer versículo e sem contexto algum sai falando o que bem entende.

Uma velha história que ouvi conta sobre um homem que procurava uma palavra de Deus para um momento difícil e recorreu a esse expediente. Ele abriu rapidamente sua Bíblia e colocou seu dedo em um versículo sorteado, e leu:

– Judas foi e enforcou-se.

Meu Deus o que é isso? Ele pensou.

Foi para a próxima tentativa e achou o seguinte:

– Vai tu e faze o mesmo. Ele então começou a entrar em parafuso.

Tentou uma vez mais e encontrou:

– O que tens para fazer, faça-o depressa.

O que aprendemos com isso, é que Deus não condescende com a preguiça mental, mas recompensa aos que buscam com humildade o entendimento de Sua Palavra.

5. É preciso saber se estou se estou vulnerável a ela ou se procuro defesa. Muitas vezes temos uma opinião sobre uma série de assuntos e caímos na tentação de procurarmos textos que “unjam”  nossa posição. O pior que podemos fazer é encaixotar a Palavra em algum “ismo”: marxismo, capitalismo, socialismo. Qualquer “ismo” é um sistema fechado e redutor. Deveríamos aprender a sermos honestos e esclarecermos quando estamos dando uma opinião e quando estamos apenas pregando aquilo que a Palavra ensina. Não é sem rir que me lembro de como todos os colegas e alunos em diferentes seminários que estudei e ministrei aulas, encontravam um texto bíblico para afirmar a singularidade e a natureza “bíblica” da sua igreja: a cidade que moraremos no céu é “quadrangular”, a igreja é uma “assembleia de Deus”, mas deve viver como “família de Deus” e por aí vai.

6. É preciso saber se não estou perdendo o bom senso.  Precisamos  sensibilidade as necessidades das pessoas e os momentos que estão  vivenciando. Você não vai ministrar em um velório e ler “Deus meu, Deus meu porque me desamparaste.” Também não vai a um casamento e dizer: “Nos tempos de Noé, casavam-se e davam-se em casamento”.  É como dar carne gorda a um convalescente, ou aspirina a um paciente terminal. Certa vez fizemos na cidade uma leitura pública das Escrituras na praça. Do ponto de vista cultural uma excelente iniciativa, mas como proveito espiritual eu tenho lá minhas dúvidas, pois da mesma forma que o etíope necessitou que Filipe o ajudasse a entender, uma pessoa sem contexto jamais obterá proveito das Escrituras. Imagine o que as pessoas  entenderam quando ouviram textos como: “Quem dera matasses os ímpios, ó Deus”, ou “Raça de víboras”?

Tão importante quanto ler, é como ler. Que as motivações do seu interior lhe sejam reveladas para que a verdadeira essência da Palavra seja vertida em seu coração. Na certeza de que temos tanta luz quanto queremos:

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério.

Vinhetas do amor de Dona Ida

“A mão que balança o berço, rege o mundo.”

Peter DeVries

As imagens que ficam retidas na memória são consciente e inconscientemente uma bússola para o nosso jeito de viver. Quem me conhece já terá ouvido muitas das histórias que vou contar sobre minha mãe, pois elas fazem parte da inspiração que tenho para viver. Essa mulher que gostava de teatro e música, que nunca se acomodou a miséria, que começou a trabalhar com 14 anos e sem ter qualquer curso superior chegou a ser a chefe dos registros acadêmicos de uma Universidade é uma coluna de amor em meu coração. Abro minha alma e apresento as cenas simples da minha vida que eu amo contar de novo.

A mãe é nosso primeiro contato com o mundo feminino. E definitivamente a Dona Ida me ajudou a andar em paz entre as mulheres. Nunca carreguei aquela carência doida que coloca os homens em temporada de caça permanente. Tive muitas amigas sem jamais confundir amizade com amor o que me ajudou a não deixar rastros de mágoas ao longo do meu caminho. Não que a mãe tivesse me dado qualquer orientação direta sobre isso, foi só a simplicidade de ser amado que me ensinou essas lições. Desejei desde meus oito anos ser pai, casei cedo, amo minha esposa e filhas porque a mãe me deu uma excelente primeira experiência do mundo feminino. Obrigado por essa felicidade mãe.

Aprendi com ela a tolerar os gostos diferentes dos meus filhos e das pessoas em geral. Não foram poucas as vezes que escutando som a todo vapor(!?) trancado no quarto naqueles anos 80, de Michael Jackson e Madonna quando minha mãe vinha me acompanhar dançando e curtindo o que eu curtia, não porque gostasse (agora eu sei) mas porque simplesmente aquilo me trazia alegria.

Um dia tomado de bobeira pré-adolescente cheguei em casa zombando de um colega de aula que chamávamos “Mosquito”,  porque  alguém durante o final de semana descobriu que ele vendia pulseirinhas para ajudar a família. Todos acharam não sei por que razão muito engraçado e intimidávamos  o guri chamando-o de camelô como se isso fosse uma ofensa. Minha mãe foi tomada de um ar solene e me disse com ênfase que carrego no meu coração: Meu filho, a gente jamais pode achar desprezível quem trabalha, não importa o que faça! Dali para frente enxerguei o trabalho com lentes reverentes.

Aprendi com ela os valores básicos da civilidade: ser honesto, íntegro e pagar minhas contas. Um dia voltando do supermercado me vangloriei com ela de haver sido esperto o suficiente para subtrair alguns brinquedinhos escondidos sem que ninguém me visse.  Descobri sem demora que aquilo não era esperteza era roubo mesmo. Minha mãe, como só uma mãe sabe fazer, desfilou um daqueles sermões expositivos acerca da feiura da minha atitude, destruindo meu orgulho despropositado a ruínas. Quando eu voltei a olhar aqueles brinquedos, eles queimavam em minha mão e em minha consciência de tal maneira que tive de jogá-los no lixo pela vergonha que senti. Obrigado mãe, o mundo naquele dia contabilizou um ladrão a menos.

Muitas vezes naqueles dias de inverno rigoroso de Bagé, de tormentas elétricas, de céus escuros, ventos assustadores e de preguiças paralisantes, a Dona Ida me fazia levantar para ir  ao colégio. Não havia alternativa era escola ou escola. Eu me levantava quase me arrastando pensando: “é uma ditadora”. Só pensando é claro.  Talvez seja essa a razão pela qual debaixo do mau tempo da vida eu me resista sempre a desistir. Talvez aí tenha começado a ser construída a identidade que me faz repetir e tempos difíceis: “Eu não sou daqueles que retrocedem…”.

Quando minha mãe se aposentou, continuou trabalhando, conseguiu receber um bom dinheiro que lhe proporcionou aos 55 anos a compra do carro que ela nunca pode ter. Fiquei surpreendido e mais uma vez admirado com a disposição dela para aprender a dirigir e tirar sua carteira naquela altura da vida. E ela conseguiu. Viajava pelas estradas e pela cidade, com medo, mas sem recuar. Essa imagem faz com que a cada ano eu me imponha desafios que me deem frio na barriga, pois é isso que nos faz crescer.

No final do segundo grau (era assim que chamavam ensino médio na pré-história) decidi que faria Teologia e partiria para o Seminário. Naquela época eu recém havia completado meus 17 aninhos, mas tinha convicção do que queria. Mas também sabia que o desejo de minha mãe era de que fizesse uma carreira mais “segura” e tal e coisa. Sabia também que ela queria que o filhote continuasse no ninho, mas naquele momento ela fez valer a voz da sabedoria materna, e me deixou voar sem ataduras. “Meu filho, tu tens que fazer o que tu gostas” foi o que ouvi dela sempre escondendo as lágrimas. E lá fui eu para nunca mais voltar a casa. Obrigado mãe por cortar o cordão umbilical, me ajudou a voar alto.

Recordo do dia a dia da Dona Ida, levantando cedo, limpando toda a casa, que eu só contribuía para sujar, pois nunca dei qualquer ajuda significativa a não ser comprar o que precisava na venda, no tempo em que não era perigoso soltar uma criança na rua para fazer mandados. Depois disso ela cozinhava, sempre, todos os dias. Terminada a comida ela se vestia discreta e caprichosamente e se dirigia a universidade onde trabalhou durante quarenta anos ininterruptos sem faltar ou se atrasar. Ela voltava as 22:30h sempre de bom humor e nos ensinava: eu sou a única que teria direito de estar de mau humor em casa, e não estou, portanto não quero ninguém aluado aqui dentro. Sim, mãe, é incrível que eu nunca escutei nenhuma reclamação de tua boca, nem queixa por trabalhar, virtude que ainda tento copiar de maneira trôpega já que sou um resmungão recorrente.

Toda vez que eu cheguei a casa entristecido, fracassado e chorando, minha mãe sentou e sentiu comigo. Creio que ela me deu aulas básicas de aconselhamento pastoral  anos antes de eu entrar para o seminário. Com aquele exemplo Deus preparou uma vocação em mim.

Hoje tenho sempre em meu coração o propósito de não envergonhar jamais os meus filhos com minhas atitudes, de amar minha esposa fielmente e sacrificar o bocado em minha boca a favor deles porque as imagens do teu amor sacrificial tatuaram minha alma para sempre.

Muito obrigado.

Educando suas crianças no poder do evangelho

Postado originalmente no IProdigo via Hospital da Alma

“Eu sinto que estou criando pequenos hipócritas.” Muitos pais temem que seus filhos, uma vez que lhes ensinaram formas adequadas de comportamento, crescerão como crianças bem comportadas, mas sem o senso da necessidade da graça.

O problema da hipocrisia é maior em lares que enfatizam o comportamento ao invés do coração. Se o foco da disciplina e da correção é a mudança de comportamento, você perderá o coração. Essa abordagem faz com que o problema esteja no que eu faço, não no que eu sou.
De acordo com a Bíblia, o problema que temos é mais profundo que isso. O problema não está no que eu e você ou seus filhos fazem de errado. O problema não é que nós / eles mentem ou invejam, ou desobedecem. O problema é que você, seus filhos e eu somos mentirosos, invejosos; somos desobedientes.
Pergunte a si mesmo: Um homem é um ladrão porque ele rouba, ou ele rouba porque ele é um ladrão? Ele é um mentiroso porque ele mente, ou ele mente porque é um mentiroso? A resposta da Bíblia é que ele rouba porque ele é um ladrão, mente por ser um mentiroso, desobedece por ser desobediente. Este é o testemunho da Bíblia. “Desde o nascimento os ímpios se desviam, desde o ventre são rebeldes e falam mentiras.” (Salmo 58.3).
Alguém, às vezes, poderá perguntar: “Que tal abordar o comportamento que está errado dizendo-lhes para fazer melhor. Isso não faria parte de ser um bom pai?” A resposta, claro, é que tratar o coração não significa que você não tratará o comportamento, isso apenas lhe diz como abordar com o comportamento. Uma vez que o comportamento é o motivado pelo coração, eu tenho de falar do comportamento de forma que foque a mudança do coração e não simplesmente a mudança de comportamento.
Esta verdade pode ajudá-lo a manter o centro do evangelho na correção e disciplina. Você deve ajudar seus filhos a ver os problemas ocultos do coração que estão por trás das coisas erradas que eles fazem. Você terá conversas como esta:
– Filhinho, você sabe que eu estou preocupado que você mentiu para mim. Dizer a verdade é algo que é muito importante nas relações humanas. Se você não pode confiar em mim e eu não posso confiar em você, nós não temos nenhuma cola para manter nossa relacionamento. Você entende o que estou dizendo?
– “Sim” – ele diz, balançando a cabeça.
– Mas você sabe o que me preocupa ainda mais?
– Não.
– Minha maior preocupação com você é que você é justamente igual a mim. Nós mentimos porque achamos que contar uma mentira será melhor do que dizer a verdade. E, às vezes, nós amamos mais a nós mesmos do que amamos a Deus. É por isso que contamos mentiras.
É por isso que Jesus veio. Se a nossa necessidade era de alguém nos dizer o que fazer, Deus apenas teria enviado um profeta. O problema que temos é tão grande que só saber o que devemos fazer não é suficiente. Precisamos de um Salvador do nosso pecado e precisamos de alguém que tenha poder para nos livrar.
Se você tiver uma criança precoce, a conversa poderia ser assim:
– Você nunca contou uma mentira, papai?
– Bem, filhinho, há muitas maneiras de mentir. Podemos, às vezes, contar uma mentira fazendo alguém pensar algo sobre nós que não é verdade. Por isso, sim, às vezes, o papai conta uma mentira. Então, sabe o que eu preciso fazer?
– O quê?
– Eu preciso confessar o meu pecado a Deus. Deus diz que Ele vai nos perdoar. (1 João 1.9). E eu também tenho de pedir perdão a quem eu menti. E eu preciso pensar em quem eu estava amando mais do que Deus quando eu menti, e assim posso confessar esse pecado também. Sabe de uma coisa, filhinho? Eu preciso de Deus todos os dias, tanto quanto você. Eu preciso do Seu perdão. Eu preciso dEle para me mudar por dentro, e assim eu O amarei mais que tudo. Eu preciso de Seu poder para amá-Lo e aos outros mais do que eu me amo.
Cada oportunidade de corrigir o seu filho é uma oportunidade para confrontá-lo com a sua profunda necessidade de perdão e graça. Enquanto o comportamento for a sua prioridade você nunca terá espaço para compartilhar o que realmente importa: a esperança e o poder do evangelho. Se os seus filhos forem como cãezinhos adestrados eles se tornarão pequenos fariseus, limpos por fora e sujos por dentro.
Tedd Tripp