Irmãos, não somos fanáticos!

“…transformem-se pela renovação da sua mente”

Romanos 12:2

“Não sejam como o cavalo e o burro, que não tem entendimento, mas precisam ser controlados com freios e rédeas, caso contrário não obedecem.”

Salmos 32:9

“O zelo sem conhecimento é inútil.”

Provérbios 19:2

Quando acho que  já ouvi o suficiente, eu decido participar de uma reunião animada de jovens em uma igreja da cidade. Gente boa e ativa na igreja. Então assume a Palavra uma menina de uns 20 anos e já no começo da palavra tira do seu tesouro a preciosidade: “Gente nós  precisamos ser  adoradores fanáticos.” Não contente com isso, ela seguiu  incentivando aos presentes a repetirem: “eu sou um adorador fanático”.

Diferente do que costumo fazer, dessa vez eu havia optado em permanecer ali no fundão porque sei que pregadores novos como era o caso, ficam um pouco intimidados com pregadores… digamos, “mais experientes”.  E eu queria deixa-la mais a vontade.

Graças a Deus, ela não recebeu a resposta entusiasmada, característica da comunidade evangélica pentecostal, quando alguém diz algo que acende o povo.

Certamente o meu post não tem objetivo de fazer um ataque pessoal a ela, até porque, eu já tive vinte anos e já falei bobagem no entusiasmo da hora. Vou dar a ela o benefício da dúvida. Talvez ela não tenha ideia do que significa ser fanático.  Mas Deus é bom, de outra maneira eu não estaria aqui escrevendo para você ler, mas como o diabo é perverso, fica uma questão delicada que necessita de abordagem: o fanatismo.  Não sei quem escreveu, mas mandou muito bem quando definiu com precisão: “O fanático é aquela pessoa que não muda de ideia e nem de assunto.”

Claro que ao abordar o assunto é preciso não cair refém de algumas dessas asneiras falsamente intelectuais de que todas as religiões levam ao fanatismo e as guerras, e como quase todas as generalizações são burras assim trato essa: como uma ignorância que não vale o argumento. É como dizer que as facas não deveriam  existir porque matam muitas pessoas durante o ano. O fato é que o fanatismo está impregnado em todos os âmbitos da sociedade, embora  o fanatismo religioso seja  mais virulento e passional, porque trata da realidade mais básica do ser humano: sua espiritualidade. Mas não se engane, é uma doença humana. Você verá torcedores doentes por seu time, trabalhadores quase filhos da sua empresa, e aficionados por estrelas da música ao ponto da histeria.

O pessoal que se reunia naquele lugar era predominantemente jovem, e a intensidade é um grande fascínio para a juventude. Ajudados pelos hormônios e toda uma cultura que valoriza o viço e o novo, a galera se joga de corpo e alma na vida. São os mais propensos a exagerar na dose. Como muitas vezes não queremos “jogar um banho de água fria em ninguém”  acabamos calando a boca e expondo os extremistas ao outro lado do frenesi : a decepção. Pois o mundo de quemassim adoeceu espiritualmente acaba tornando-se pequeno demais diante da complexidade da vida, e uma hora ou outra acaba ruindo.

Sem dar as costas à paixão que faz parte da minha vida, afirmo com todas as letras que não fomos chamados para sermos fanáticos. Equilíbrio é bom, e Deus gosta.  Digo isso pelas seguintes razões que o evangelho nos dá:

1. Porque não podemos rejeitar nossa consciência e, portanto deixarmos de considerar sempre a possibilidade de estarmos errados. Somos amantes da verdade, perseguimos a verdade, procuramos a verdade, mas, não somos donos da verdade. Paulo se refere aos que se desviaram da fé como quem rejeitou a boa consciência.

2. Porque respeitamos o limite das pessoas e o nosso também. Jesus que é a referência máxima de nossa espiritualidade era um homem intenso, mas não nervoso. Ensinou seus discípulos a baterem seus pés e irem embora quando não quisessem mais ouvi-los, também deu exemplo quando chegando a uma aldeia de samaritanos foi-lhe negada a entrada e um de seus discípulos lhe sugeriu: vamos mandar fogo do céu pra ensinar essa gente e ele respondeu: “Vocês não sabem de que espécie de espírito vocês são, pois o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los” (1) A Palavra nos descreve a conversão com a palavra “metanóia” que significa mudança de mente, operada não por violência mas pelo trabalho de argumentação espiritual do Espírito Santo e não intimidação violenta.(2)

3. Porque fomos ensinados por Jesus a não acreditar em qualquer um que vem nos falar de Deus.(3) Fomos bem instruídos para sabermos que existem lobos e ovelhas em toda essa questão. E historicamente sabemos que tempos de prosperidade são ainda mais nebulosos, pois ninguém está arriscando perder sua vida pela fé. Nosso dever é examinar todas as coisas e reter o que é bom, sem credulidade e sem ceticismo.(4)

4. Porque consideramos bem a consequência de nossas escolhas. Nossa fé é sobrenatural, não irracional. Não vem de rejeitar as evidências, mas de observá-las e fazer uma escolha consciente. Cresce ao considerar motivações e atos a luz da palavra, de buscarmos uma postura ética diante do mundo vacilante.

5. Porque temos imaginação suficientemente grande para entender que a verdade de Deus é bem maior do que aquilo que tem o nome de Deus impresso ou do que qualquer templo ou atividade da igreja. Dois livros da Bíblia não levam o nome de Deus: Cantares e Ester. Muitos religiosos quiseram tirá-lo dali, tanto cristãos como judeus, mas eles permaneceram  para nos comunicar que Deus está presente e é honrado não somente nos momentos em que é mencionado mas onde pudermos encontrar os traços do seu caráter: como bondade, excelência, beleza e amor.

O fanatismo convém a líderes inescrupulosos a quem a falta de pensamento e o serviço neurótico é conveniente a sua sanha expansionista pessoal, mas não cabe aos discípulos de Jesus que são seres pensantes, pois sabem que encontrarão sempre pela frente uma vida dinâmica, situações novas, questionamentos novos. Por essa razão receberam a promessa de que o Espírito os levaria a toda verdade. Isso não é tarefa para maníacos, mas pra gente temente a Deus.

Que nem os números, nem as multidões, nem figuras carismáticas nos desviem dessa responsabilidade pessoal.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)    Lucas 9:55

(2)   João 16:8

(3)  Mateus 24:4,5

(4)  I Tessalonicenses 5:20,21

Um pensamento sobre “Irmãos, não somos fanáticos!

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