Alguns são culpados, todos são responsáveis

“Não há nenhum justo, nem um sequer”

Romanos 3:10

‎”Ah se tudo que realmente existisse, fossem pessoas más agindo insidiosamente em algum lugar, e tudo que precisássemos fosse separá-las de nós e destruí-las. Mas a linha que separa o bem e o mal cruza o coração de cada ser humano, e quem está disposto a destruir um pedaço do seu próprio coração?”

Alexander Solzhenitsyn

James Holmes 24 anos é o nome de mais um tímido e solitário americano, como foram também todos os outros americanos que mataram em Columbine, Virginia Tech, Chardon. Já nos habituamos a ouvirmos essas histórias das bandas de lá. Parece que é questão de tempo até que tenhamos notícias de um novo massacre do tipo. Será que são apenas coincidências? Os jornais dizem nas manchetes que o sucedido reabre um debate sobre o acesso fácil que os americanos têm as armas. As pesquisas revelam que o americano médio, fica chocado com as mortes, mas não muda convicção nenhuma em razão delas. Se quisessem evitar que a mesma história continuasse a se repetir como tem sido, a reflexão deveria ser diferente. Em razão da indústria da notícia, que ganha muito com reproduções cinematográficas a atenção acaba sempre se voltando para as vidas dos assassinos e os detalhes sobre a sociopatia deles.

O raciocínio individualista e os interesses econômicos acabam destruindo a capacidade de diagnóstico preciso. O problema é dele, não é nosso é o que se pensa. Cômodo, mas não  honesto. O fato é que não se pode isolar o problema de um homem do contexto onde ele vive.  Quando vejo esses crimes em série penso que é incrível que se passe por alto essa violência brutal que um adolescente  é exposto desde cedo na sociedade americana. Pelos enlatados televisivos que recebemos de lá podemos perceber o quanto um jovem precisa ser competitivo, popular, enquadrado em certo tipo específico de beleza para conseguir ter dignidade entre seus pares. Não é de estranhar que alguns reajam com outro tipo de violência, especialmente os tímidos que parecem não ter vez por lá. James Holmes será julgado culpado, mas todos são responsáveis.

Em outros tempos da história do Brasil, as famílias condenavam oficialmente as prostitutas chamadas de mulheres de vida fácil e esse moralismo acusatório parecia dar um ar de nobreza aos outros. Na verdade uma olhada na história dessas mulheres revela que não havia nada de fácil na vida que escolhiam, haja visto que em sua maioria esmagadora elas eram  órfãs, ou tinham sido abandonadas, quase nenhuma se prostituía por prazer. A hipocrisia era tanta, que o pai de família ao mesmo tempo em que se posicionava a favor da moral e dos bons costumes no discurso politicamente correto, era o mesmo que consumia os serviços carnais prestados pelas prostitutas. As prostitutas tinham culpa, mas todos eram responsáveis.

Dois anos atrás, Davi Silva líder do grupo Casa de Davi, veio a público assumir que durante anos mentiu sobre visões, experiências sobrenaturais e curas que testemunhou em encontros concorridos nos quais falou durante mais de 10 anos. A liderança do ministério apresentou sua confissão e pedido de perdão. Entre pedradas ressentidas e ofertas de perdão, não se ouviu nem se fez uma tentativa de reflexão sobre a responsabilidade da comunidade pentecostal em sua busca pelo sobrenatural como um fim em si mesmo, ou sobre o papel das multidões que honram as visões e as palavras “novas” mais do que a fidelidade e o caráter. Davi Silva foi culpado, mas a espiritualidade pentecostal também é responsável. Poderíamos para sermos justos mencionar os frequentes tropeços de pastores relacionados à  sexualidade nas igrejas tradicionais, que embora sejam zelosas e duras ao disciplinar não contabilizam na mesma ordem muitas restaurações.

Assim como não posso  desconsiderar que os problemas de caráter e temperamento que os meus filhos evidenciam no dia a dia  são de alguma forma minha responsabilidade, não posso deixar de perguntar a mim mesmo quanto dos problemas da universidade, do ambiente de trabalho, da igreja tem em mim um cúmplice seja pela omissão, seja pela ação desastrada. Gostamos de produzir monstros para legitimar nossa própria loucura.

Creio que foi isso que Jesus quis dizer quando confrontou os judeus que desejavam a morte da prostituta, mas que se esqueceram de trazer o adúltero também, em uma atitude machista e discriminatória. Ele não disse que o pecado não era feio, só comprovou que todos eram responsáveis. (1)

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

(1)    João 8:1-11 e Levítico 20:10

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O “não” também faz bem para alma

Há um músculo na alma dessa  geração que está subdesenvolvido e comprometendo o andamento de uma vida normal. Estou falando da arte de dizer não a si mesmo.

Somos ensinados a jamais aceitar um “não” como resposta, mas seria desejável que disséssemos a nós mesmos com maior frequência um sonoro e decidido não.

Talvez se Ruben tivesse dito não ao seu ciúme, Jacó não tivesse precisado chorar de saudade de José 13 longos anos.

SE Davi tivesse dito não ao desejo de possuir a bela Bate-Seba, ele não precisasse enfrentar a dor de ver sua família virar pó diante de seus olhos anos depois.

Se Acabe tivesse aceitado que Nabote tinha direito a sua vinha, um homem de honra não tivesse sido morto tão covardemente.

Se Pôncio Pilatos tivesse dito não ao desejo de agradar aos seus superiores e se dar bem soltando Barrabas e prendendo Jesus, teria tido o encontro mais revolucionário de sua existência.

Se Judas tivesse dito não ao desejo de ter muito dinheiro, tivesse sido um instrumento histórico de divulgação das boas novas.

Se os fariseus e saduceus tivessem dito não a vaidade de serem grandes nomes no cenário religioso e ostentarem cargos atrativos aos olhos humanos, eles teriam visto a vida diante de seus olhos e teriam se alegrado.

Segundo o espírito desta época viver sem limites parece tão romântico. Mas se não houvesse limites de cores, de traços não haveria pintura, nem obra de arte. Se não existisse limite de tempo e pausa não haveria música. Se não existisse o limite das regras, não haveria a graça do jogo. O mesmo acontece no campo espiritual.

Através do ensino de Jesus e da observação da experiência humana é possível entender claramente que uma série de “nãos” bem colocados pode ser a diferença entre um futuro incrível e uma vida miserável.

Vejamos alguns problemas comuns do dia a dia. Praticamente 90 por cento dos problemas de dívidas das pessoas está relacionada a incapacidade de economizar. E economizar significa dizer não a si mesmo. Na mesma toada podemos falar da obesidade crescente da população mundial, dos crimes passionais, a ambição dos líderes nacionais. Nada foge a simplicidade do que Jesus ensinou como caminho do discipulado: dizer não a si mesmo.

Diz o elogio do descontrole na música popular:

“É meu defeito, eu bebo mesmo

Beijo mesmo, pego mesmo

E no outro dia nem me lembro.

É tenso!”

Todo mundo que eu vejo nas ruas canta e ri, mas quando é vítima não acha engraçado. Porque viver sem limites não faz bem.  Em uma geração que rejeitou o evangelho não fica nenhuma referência ética, apenas a sensação de que algo está errado. Talvez as pessoas acabem entendendo tudo errado em função do legalismo que formata a vida no princípio da camisa de força o que também não é bom.

Há também aqueles que agem como crianças mimadas e choramingam pelos cantos os “nãos” que dizem a si mesmos. Se crermos com entendimento não teremos razões para isso conscientes que pequenos “nãos” nos preparam para um grande “sim”.

A chave do equilíbrio é  o amor. Em cada momento minha pergunta diante das decisões que preciso tomar é: a luz da eternidade minha decisão traz a gloria de Deus, o bem para mim e para meu próximo? Nem sempre a resposta é simples, mas temos promessa de que Jesus estaria sempre conosco todos os dias e isso inclui nossas decisões mais intrincadas.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

A importância de dizer não aos privilégios

Outro dia fui comprar algumas coisas que haviam faltado para casa no supermercado. Deparei com duas irmãs na fé também fazendo suas compras para preparar o almoço. Acabamos nos encontrando novamente na fila do caixa. Elas já estavam ali quando cheguei e quando me avistaram me instaram insistentemente para que passasse na frente delas na fila: Passe na frente Pastor, elas me pediam. Agradeci a gentileza rejeitando o privilégio concedido e comecei a pensar que muitas vezes a vida nos oferece regalias e geralmente o cristão médio entende estas imunidades como indicativo da bênção de Deus. Mas a Bíblia não apoia esse raciocínio linear.

Em um episódio marcante, Naamã é curado de lepra por Deus através do profeta Eliseu. Sem poder conter-se de alegria e entendendo como dever de gratidão Naamã oferece  presentes para retribuir a bênção recebida, mas Eliseu rejeita contundentemente. Geazi seu discípulo não se conforma, vai atrás do líder militar sírio, mente que o chefe mudou de ideia  e recebe vestes e dinheiro mas acaba castigado pela mesma lepra que carregava Naamã. Eliseu conclui o episódio se pronunciando: “Este não era o momento de aceitar prata nem roupas, nem cobiçar olivais, vinhas, ovelhas, bois, servos e servas.” (1)

Qual foi o problema? Israel enfrentava uma crise sem precedentes que atingia desde o poder central até os recursos naturais. Todos sofriam e um profeta que carregava em si a mensagem de Deus não poderia destoar do seu povo. A Bíblia está cheia destes episódios de renúncia.

Jesus poderia ter passado pelo sofrimento da cruz totalmente entorpecido pela mistura que lhe ofereceram na cruz, mas preferiu enfrentar tudo absolutamente sóbrio.

Moisés tinha a oportunidade de pensar apenas no seu benefício individual e sua carreira promissora na potência mundial de seu tempo, mas abriu mão dele sem ressentimentos.

Nossa cultura tem exemplos suficientes de afrouxamento dos princípios e abuso de posição. Todos que ocupam algum tipo de poder acabam encontrando uma maneira de terem privilégios, às vezes sob a desculpa que deram muito duro para chegar ali. Estamos tão acostumados com isso que achamos uma extravagância o presidente Jose Mujica do Uruguai abrir mão de parte do seu salário e circular com um carro usado. A época não parece ser de abrir mão de benesses, mas de amealhar tantas quanto possíveis. Afinal se eles (os grandões) amontoam no atacado, que mal há em fazermos o mesmo no varejo?.

Nesse tempo a lição que falta aprender é a  de rejeitar privilégios.

Sim, cuidado com os privilégios, pois eles podem ser uma tentativa de comprar sua consciência para futuras barganhas.

Cuidados com os privilégios, pois eles podem retirar de você a sensibilidade que precisa para ministrar a um povo efetivamente.

Cuidado com os privilégios porque eles podem mandar uma falsa mensagem de que liderar é servir-se e não servir, atraindo para a liderança os tipos errados de líderes.

Cuidado com os privilégios, pois eles podem romper a fibra interior daqueles que se esforçam dia a dia para realizarem um bom trabalho.

Cuidado com os privilégios porque eles podem representar o seu enfraquecimento pessoal no preparo para a grande obra que Deus tem para você realizar.

Só o discípulo que entendeu que servir a Deus é o privilégio cósmico poderá rejeitar os privilégios desse mundo.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Estudo mapeia morte de jovens no Brasil

Fonte: Folha de São Paulo

Era 26 de março de 2010 quando o jovem Rafael Souza de Abreu, 16, virou mais um número para pesquisadores de segurança pública.

Nessa data, ele foi morto com oito tiros perto da casa de um amigo em Santos (SP).

Segundo seu pai, o operador portuário José de Abreu, e a Promotoria, o rapaz foi confundido com um ladrão de uma loja de roupas e foi morto em represália a um furto que não praticou.

Assim, ele passou a ser um dos 8.686 adolescentes e crianças assassinados naquele ano e engrossou a lista que, desde 1980, aumentou 376%. No mesmo período, entre 1980 e 2010, os homicídios como um todo cresceram 259%.

Os dados são do “Mapa da Violência 2012 – Crianças e Adolescentes do Brasil”, pesquisa que será lançada hoje.

O levantamento analisa as informações do Ministério da Saúde sobre as causas das mortes de pessoas entre zero e 19 anos de idade.

O ritmo de crescimento da morte entre jovens é constante. Em 30 anos, só teve queda quatro vezes. Nos demais aumentou entre 0,7% e 30%.

Editoria de Arte/Folhapress

Um dado que chamou a atenção do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da pesquisa, foi quanto os homicídios de jovens representava no total de mortes. Em 1980, eles eram pouco mais de 11% dos casos de assassinato. Já em 2010, 43%.

“Os homicídios de jovens continuam sendo o calcanhar de aquiles do governo. Esse aumento mostra que criança e adolescente não são prioridade dos governos”, disse.

Entre os Estados em que houve maior aumento dos assassinatos de jovens estão Alagoas, com uma taxa de 34,8 homicídios por 100 mil habitantes, Espírito Santo (33,8) e Bahia (23,8).

Segundo Waiselfisz, vários fatores influenciam o aumento em determinadas regiões. Um deles é a interiorização dos homicídios.

“Antes, a maior parte dos crimes acontecia nos grandes centros. Agora, com a melhor distribuição de renda, houve uma migração da população e os governos não conseguiram implantar políticas públicas para acompanhar essa mudança”, disse.

Os Estados que apresentaram as menores taxas foram Santa Catarina, (6,4), São Paulo (5,4) e Piauí (3,6).

Para Alba Zaluar, antropóloga da Universidade Estadual do Rio, os dados devem ser analisados com “cuidado”, já que entre 2002 e 2010 houve uma melhora na qualificação das estatísticas sobre mortes. Ou seja, casos que antes constavam como “outras violências” nos dados oficiais passaram a ser homicídios.

“É muito complicado falar do aumento de mortes por agressão no Brasil como um todo”, afirmou Zaluar.

Waiselfisz diz que a pesquisa aponta que os problemas existem e serve de alerta para governos tentarem reduzir o índice, que já incluiu o assassinato do jovem Rafael.

Em tempo: quatro pessoas, sendo três policiais, foram acusadas pela morte do adolescente. Mas o julgamento ainda não aconteceu.

Você também é um dos corruptos?

“O caráter de um homem é o seu destino.”

Heráclito

Todos são corruptos? Não há ninguém íntegro, do judiciário, planalto e casa branca? Existem indícios que sim. Mas o que diremos de nós mesmos?

1. “Não usamos de engano”

As pessoas podem contar comigo quando digo sim a elas? Ou sou rápido em suspender compromissos em função de ofertas mais vantajosas que aparecem de última hora. Quem ouviu minha palavra, não precisa de minha assinatura?

2. “Temos esse ministério pela misericórdia que nos foi dada”

As pessoas tem uma imagem de mim que não condiz com a realidade? Quanto disso é imaginação delas e quanto disso é trabalho duro em meu marketing pessoal? Sou pronto a desfazer falsas expectativas quanta a minha vida intelectual, lutas pessoais, falhas de caráter?

3. “Recomendamo-nos a consciência de todos , diante de Deus”

Quando as luzes estão apagadas e ninguém me vê, quais são os pensamentos que ocupam preferencialmente a minha mente? O que entretenho e dou as boas vinda a minha alma na maior parte do tempo em que algo não me distrai? O que faço com o troco a mais que me dão, o que desejo a meu inimigo, o que faço para poder ser bem sucedido, o que falo sobre os outros quando não estão presentes? O que faço com o computador quando o patrão não está observando, o que faço com a vassoura quando a peça está vazia, o que digo sobre o real problema do carro que me entregaram esta manhã?

4. “Renunciamos procedimentos secretos e vergonhosos”

Resolvo meus problemas pessoais sendo leal a todos? Todas as pessoas com as quais tenho problemas conhecem meu pensamento e objeções aos seus atos, ou sabem pela boca de outros? Sou dado a sutilezas ou sou direto e claro no que penso e quero?

5. “Temos esse tesouro em vasos de barro”

Quanto tempo eu levo para admitir meu erro que já está evidente para todos? Quanto eu uso do meu poder de argumentação, racionalizações, manipulação emocional, vitimação e posição ministerial para evitar dizer aquelas terríveis e quase impronunciáveis palavras: Perdoem-me eu errei!

6. “Ao contrário de muitos, não negociamos a palavra de Deus visando lucro”

Sou pronto a tomar posição contra o erro mesmo que isso implique em risco para minha posição, minha conveniência financeira e minha reputação? Estou pronto a dar a cara a tapa tanto quanto espero quando sou injustiçado  outros tomem posição ao meu lado? Quanto sou solidário quando eu não ganho nada em me solidarizar?

7. “pois estamos tendo o cuidado de fazer o que é correto, não apenas aos olhos do Senhor, mas também aos olhos dos homens.”

Estou pronto a dar contas de minha vida, enfrentar perguntas difíceis sobre minha vida sexual, financeira e relacional? Acho humilhante ter que prestar contas aos outros das obras de minhas mãos?

Se depois dessa acareação eu ainda estiver de consciência leve então não é de se admirar que tudo que eu faça tenha investimentos, influência, estabilidade, confiança e o nome de Deus glorificado.

Um abraço quebra costelas.

(1)    Todas as citações encontram-se em alguma parte da segunda epístola de Paulo aos Coríntios.

Jogos perversos em nome do amor

 Não existe palavra mais surrada nesse mundo do que o amor. Quando alguém fala sobre amor nestes tempos quase sempre está se referindo a desejo sexual.  Desse ponto de vista parece atrativo para as pessoas o caminho do amor, visto que o desejo não demanda nada mais do que se deixar levar pelo instinto. Só que a vida pelo instinto vai levando a alma para o abismo. Primeiro porque se relaciona com o outro como se fosse apenas carne, quando ele existe muito além do corpo, segundo porque instala no ser interior um processo de insensibilização cujo resultado é mais sexo e menos prazer.

Em razão desse falso amor essa geração adoecida e carente estabelece dinâmicas de relacionamentos destinadas ao fracasso. Gente órfã, tola e desavisada entra em jogos de infligir dor desnecessária no outro como padrão relacional. É uma troca de torturas que acabam viciando as pessoas que pensam que é assim que tem que ser. Alguns são capazes de arrastar relacionamentos perversos por toda uma vida, vivendo um inferno existencial indescritível.

Eis alguns jogos que você faria bem em fugir:

Se você me ama, aceitará as minhas grosserias.

Sustentando  que amor é um salvo conduto para externarem  todas as suas hostilidades interiores, estas pessoas manejam pessoas de bem a sua volta para suportarem todas as suas loucuras dizendo: se vocês me amam vão me aceitar como sou! Em certo momento de um estudo bíblico um jovem me perguntou: Pastor, nós não somos chamados a amar sem esperar retorno? Verdade, mas também é verdade que Jesus nos ensinou a importância da reciprocidade quando disse “Amem-se uns aos outros”. Nenhum ser humano suportará amar todo tempo sem algum tipo de sintonia. Além disso, o amor não suporta a miséria do ser amado. Quando Deus veio ao mundo através de Cristo, não somente declarou seu amor, mas convocou aos seres humanos a uma mudança a partir desse amor. Amor não é o caminho mais fácil, é o melhor caminho.

Se você me ama, permitirá que eu tenha acesso a todos os detalhes de sua vida.

Ora se Deus nos fez de tal forma que o acesso a nossa vida fosse algo que só nos podemos dar, é porque existem coisas que podemos escolher manter em segredo entre nós e Deus. Amores possessivos procuram devassar a vida alheia para satisfação egoísta e em alguns casos masoquista. Não devemos nos deixar levar por essa distorção, nem permitir que façam isso conosco.

Se você me ama, entenderá que minhas traições são uma necessidade não uma escolha.

Homens em geral, apoiados pela cultura confundem tendência para muitos parceiros sexuais com necessidade de muitos parceiros sexuais. Algumas mulheres compram essa mentira que acaba colando no imaginário feminino e acabam até se apaixonando por homens com um histórico de traições. Acreditam que o fato de haver muitas mulheres disputando aquele homem significa que ele é um artigo de alto valor. Atitudes como essas enfraquecem a fibra moral do homem e aprofundam as decepções na vida. Lembro  uma frase que meu professor de aconselhamento repetia: “não faça do seu casamento um hospital e de sua esposa uma enfermeira”.

Se você me ama, vai sempre concordar comigo.

A intolerância aos diferentes pertence ao bicho homem. O ódio a quem não é igual está aqui desde o começo e não acredito que será removido. O discípulo de Jesus não crê assim. O discípulo não negocia o evangelho, mas não entende que deve destruir quem é diferente. É tolice fazer-se inimigo por posições religiosas, políticas e clubistas. Será que não conseguimos demonstrar amizade permanente por quem não sustenta nossas opiniões?

Se você me ama, será inimigo dos meus inimigos.

Quem segue o evangelho, segue sempre em primeiro lugar a Jesus, depois a sua consciência. Mas alguns amigos creem porque compartilhamos afeto com elas que devemos incluir nesse  pacote  todas as suas antipatias. Ora, quando olhamos para Jesus, vemos que seu amor cruzava fronteiras estabelecidas pelas ideologias, interesses econômicos e preconceitos milenares. Os que o seguiam se surpreendiam e ficava atônitos mas é assim que tem que ser.

Se você me ama, vai sempre correr atrás de mim.

Existe um tipo de pessoa  que se faz de vítima e quer atenção total. Geralmente são pessoas extremamente mimadas e que se habituaram a ser o centro das atenções, então quando chegam a um lugar não admitem que alguém além delas tenha atenção. Essas pessoas falam que estão doentes quando não estão, estão sempre ligando, se fazem de endemoninhadas, e quando a pessoa que elas estão sugando, não lhes dá atenção elas se afastam cheias de ressentimento e amargura repetindo o bordão: Ninguém me ama, ninguém me quer.

Essas pessoas se não são detectadas e confrontadas podem adoecer toda uma comunidade que se esgota na tentativa de agradar o adulto não crescido. Sempre descontente carente e pedindo amor. O perigo é de que muitos sejam negligenciados e o grupo caia refém da mesma amargura de coração da pessoa. Precisamos dizer a estes que a fonte do amor está fluindo para alma eternamente carente, e ela está no Calvário.

Se você me ama, vai fazer tudo que eu quiser.

“Agradadores” cuidado! Amar significa também dizer não. Estabelecer limites. Os caçulas manhosos da vida chegam com aquele carinho manipulador e contrapõem o carinho ao ódio quando não veem atendidas suas demandas e exigências. Pais precisam dizer não, maridos precisam dizer não, namorados precisam dizer não, pastores precisam dizer não. Quando Herodes manda que Jesus se retire da Judéia, Ele manda um recado: Vão e digam para aquela raposa que eu mandei dizer o seguinte: “Hoje e amanhã eu estou expulsando demônios e curando pessoas e no terceiro dia terminarei o meu trabalho.”

Se você está sofrendo além do normal nos seus relacionamentos, talvez esteja na hora de você rever seus conceitos sobre o amor e abandonar esse barco doente. Pois Jesus foi o Mestre do amor, mas jamais se deixou levar pelas manipulações humanas.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Soro antiofídico contra a fofoca!

 

“O fofoqueiro vive na Síria e mata em Roma.”

Talmude Palestino

 “Não espalhem calúnias entre o seu povo. Não se levantem contra a vida do seu próximo. Eu sou o Senhor.”

Levítico 19:16

“Não fale bem do seu amigo se depois de ter começado com seu lado bom, a conversa acabe se voltando para falar do seu lado mau.”

Talmude Babilônico

A palavra fofoca soa simpática e inocente, mas é de longe uma prática de alto poder destruidor em qualquer ambiente. No Antigo Testamento o maledicente é chamado de rakhil que significa mercador de quinquilharias. Pessoas amarguradas, desavisadas ou vazias costumam falar dos outros. O grande poder destrutivo da fofoca é que aquilo que parecia uma conversa inofensiva pode ganhar contornos gigantescos de uma hora para outra se não formos sábios. Vamos ver algumas atitudes que podem nos ajudar:

  1. Saiba que nem todo fofoqueiro é mal intencionado. Falastrões ingênuos são mais inclinados a bater com a língua nos dentes. É preciso dizer-lhes a verdade com amor. Confrontá-los com a realidade que estão colocando sua vida e a dos outros em perigo.
  2. Guarde sigilo quando as pessoas pedem sigilo. O grande problema da confidencialidade é aquele princípio que a maioria usa em relação a segredos alheios: “eu vou falar só pra ti que é meu amigo” que se praticado por todos acabará revelando segredos em praça pública. Afinal de contas todos nós temos dois ou três melhores amigos.
  3. Seja totalmente transparente em tudo o que for de interesse público.
  4. Jamais fale assuntos importantes na presença de crianças. Só Deus sabe o que a imaginação e a língua solta de uma criança podem gerar.
  5. Quando você vir um conflito entre duas pessoas estimule que a pessoa fale face a face com o envolvido antes de trazer a questão a você.
  6. Quando alguém anunciar que estão falando de você não faça questão de saber a não ser que a pessoa queira esclarecimentos.
  7. Não faça comentários sobre informações que você não tem absoluta certeza de que são verdadeiras. Sempre cheque informações que você julga serem relevantes.
  8. Saiba que as grandes confusões têm muito a ver com a volatilidade das palavras. O tom de uma frase, uma palavra e o contexto mudam o sentido de toda uma questão.
  9. Se você tiver um problema com alguém e não quiser tratar diretamente com a pessoa, perdoe, fique quieto e não fale mais nada sobre o assunto, se não quiser ter problemas maiores.
  10. Mesmo que a pessoa que você conversa seja de confiança, não seja nunca, jamais, de maneira alguma, rápido em acreditar no que você ouve. Nunca a dúvida é tão útil como quando alguém vem trazer algum comentário sobre você ou alguma situação na sua comunidade. Não tome decisões nem atitudes baseadas no que você ouviu.
  11. Quando você tratou um assunto e resolveu, recuse-se a ouvir comentários que desenterram o problema novamente. Isso só fará surgirem novas desconfianças e elementos novos que você acabará desejando investigar e esclarecer em uma cascata justiceira sem fim.
  12. Não faça comentários de qualquer tipo com pessoas que falam demais. Elas usam suas palavras para dizerem aos outros aquilo que elas mesmas não tem coragem de dizer. Saiba que já o fato de ouvir está dando a estas pessoas a ideia de que você apoia o que elas estão dizendo. Como me ensinou minha mãe desde pequeno: “quem traz, também leva”.
  13. Quando o silêncio não for possível, exija linguagem clara. “Estão falando por aí” é um bom exemplo do que não pode ser aceito. Pergunte quem falou, quando falou e como falou. E faça quem falou assumir suas palavras.
  14. Seja lento para se ofender. Não leve muito a sério o que as pessoas falam quando sob forte emoção. Todos nós já dissemos bobagens que não refletem nossos sentimentos mais profundos.
  15. Zele para que seu encontros sociais não se tornem  um momento de fritura de tudo e de todos. É muito fácil deixar a conversa deteriorar e abrir espaço para o diabo. ”Põe um anjo na porta da minha boca” deve ser nossa oração.
  16. Perdoe de verdade. A busca da justiça deve ser superada pela misericórdia. Olho por olho e todo mundo ficará cego já falou Mahatma Ghandi.

E depois de ter feito tudo, ore, para que a verdade e a misericórdia continuem a caminhar juntas em sua comunidade.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.