Jogos perversos em nome do amor

 Não existe palavra mais surrada nesse mundo do que o amor. Quando alguém fala sobre amor nestes tempos quase sempre está se referindo a desejo sexual.  Desse ponto de vista parece atrativo para as pessoas o caminho do amor, visto que o desejo não demanda nada mais do que se deixar levar pelo instinto. Só que a vida pelo instinto vai levando a alma para o abismo. Primeiro porque se relaciona com o outro como se fosse apenas carne, quando ele existe muito além do corpo, segundo porque instala no ser interior um processo de insensibilização cujo resultado é mais sexo e menos prazer.

Em razão desse falso amor essa geração adoecida e carente estabelece dinâmicas de relacionamentos destinadas ao fracasso. Gente órfã, tola e desavisada entra em jogos de infligir dor desnecessária no outro como padrão relacional. É uma troca de torturas que acabam viciando as pessoas que pensam que é assim que tem que ser. Alguns são capazes de arrastar relacionamentos perversos por toda uma vida, vivendo um inferno existencial indescritível.

Eis alguns jogos que você faria bem em fugir:

Se você me ama, aceitará as minhas grosserias.

Sustentando  que amor é um salvo conduto para externarem  todas as suas hostilidades interiores, estas pessoas manejam pessoas de bem a sua volta para suportarem todas as suas loucuras dizendo: se vocês me amam vão me aceitar como sou! Em certo momento de um estudo bíblico um jovem me perguntou: Pastor, nós não somos chamados a amar sem esperar retorno? Verdade, mas também é verdade que Jesus nos ensinou a importância da reciprocidade quando disse “Amem-se uns aos outros”. Nenhum ser humano suportará amar todo tempo sem algum tipo de sintonia. Além disso, o amor não suporta a miséria do ser amado. Quando Deus veio ao mundo através de Cristo, não somente declarou seu amor, mas convocou aos seres humanos a uma mudança a partir desse amor. Amor não é o caminho mais fácil, é o melhor caminho.

Se você me ama, permitirá que eu tenha acesso a todos os detalhes de sua vida.

Ora se Deus nos fez de tal forma que o acesso a nossa vida fosse algo que só nos podemos dar, é porque existem coisas que podemos escolher manter em segredo entre nós e Deus. Amores possessivos procuram devassar a vida alheia para satisfação egoísta e em alguns casos masoquista. Não devemos nos deixar levar por essa distorção, nem permitir que façam isso conosco.

Se você me ama, entenderá que minhas traições são uma necessidade não uma escolha.

Homens em geral, apoiados pela cultura confundem tendência para muitos parceiros sexuais com necessidade de muitos parceiros sexuais. Algumas mulheres compram essa mentira que acaba colando no imaginário feminino e acabam até se apaixonando por homens com um histórico de traições. Acreditam que o fato de haver muitas mulheres disputando aquele homem significa que ele é um artigo de alto valor. Atitudes como essas enfraquecem a fibra moral do homem e aprofundam as decepções na vida. Lembro  uma frase que meu professor de aconselhamento repetia: “não faça do seu casamento um hospital e de sua esposa uma enfermeira”.

Se você me ama, vai sempre concordar comigo.

A intolerância aos diferentes pertence ao bicho homem. O ódio a quem não é igual está aqui desde o começo e não acredito que será removido. O discípulo de Jesus não crê assim. O discípulo não negocia o evangelho, mas não entende que deve destruir quem é diferente. É tolice fazer-se inimigo por posições religiosas, políticas e clubistas. Será que não conseguimos demonstrar amizade permanente por quem não sustenta nossas opiniões?

Se você me ama, será inimigo dos meus inimigos.

Quem segue o evangelho, segue sempre em primeiro lugar a Jesus, depois a sua consciência. Mas alguns amigos creem porque compartilhamos afeto com elas que devemos incluir nesse  pacote  todas as suas antipatias. Ora, quando olhamos para Jesus, vemos que seu amor cruzava fronteiras estabelecidas pelas ideologias, interesses econômicos e preconceitos milenares. Os que o seguiam se surpreendiam e ficava atônitos mas é assim que tem que ser.

Se você me ama, vai sempre correr atrás de mim.

Existe um tipo de pessoa  que se faz de vítima e quer atenção total. Geralmente são pessoas extremamente mimadas e que se habituaram a ser o centro das atenções, então quando chegam a um lugar não admitem que alguém além delas tenha atenção. Essas pessoas falam que estão doentes quando não estão, estão sempre ligando, se fazem de endemoninhadas, e quando a pessoa que elas estão sugando, não lhes dá atenção elas se afastam cheias de ressentimento e amargura repetindo o bordão: Ninguém me ama, ninguém me quer.

Essas pessoas se não são detectadas e confrontadas podem adoecer toda uma comunidade que se esgota na tentativa de agradar o adulto não crescido. Sempre descontente carente e pedindo amor. O perigo é de que muitos sejam negligenciados e o grupo caia refém da mesma amargura de coração da pessoa. Precisamos dizer a estes que a fonte do amor está fluindo para alma eternamente carente, e ela está no Calvário.

Se você me ama, vai fazer tudo que eu quiser.

“Agradadores” cuidado! Amar significa também dizer não. Estabelecer limites. Os caçulas manhosos da vida chegam com aquele carinho manipulador e contrapõem o carinho ao ódio quando não veem atendidas suas demandas e exigências. Pais precisam dizer não, maridos precisam dizer não, namorados precisam dizer não, pastores precisam dizer não. Quando Herodes manda que Jesus se retire da Judéia, Ele manda um recado: Vão e digam para aquela raposa que eu mandei dizer o seguinte: “Hoje e amanhã eu estou expulsando demônios e curando pessoas e no terceiro dia terminarei o meu trabalho.”

Se você está sofrendo além do normal nos seus relacionamentos, talvez esteja na hora de você rever seus conceitos sobre o amor e abandonar esse barco doente. Pois Jesus foi o Mestre do amor, mas jamais se deixou levar pelas manipulações humanas.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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