A importância de dizer não aos privilégios

Outro dia fui comprar algumas coisas que haviam faltado para casa no supermercado. Deparei com duas irmãs na fé também fazendo suas compras para preparar o almoço. Acabamos nos encontrando novamente na fila do caixa. Elas já estavam ali quando cheguei e quando me avistaram me instaram insistentemente para que passasse na frente delas na fila: Passe na frente Pastor, elas me pediam. Agradeci a gentileza rejeitando o privilégio concedido e comecei a pensar que muitas vezes a vida nos oferece regalias e geralmente o cristão médio entende estas imunidades como indicativo da bênção de Deus. Mas a Bíblia não apoia esse raciocínio linear.

Em um episódio marcante, Naamã é curado de lepra por Deus através do profeta Eliseu. Sem poder conter-se de alegria e entendendo como dever de gratidão Naamã oferece  presentes para retribuir a bênção recebida, mas Eliseu rejeita contundentemente. Geazi seu discípulo não se conforma, vai atrás do líder militar sírio, mente que o chefe mudou de ideia  e recebe vestes e dinheiro mas acaba castigado pela mesma lepra que carregava Naamã. Eliseu conclui o episódio se pronunciando: “Este não era o momento de aceitar prata nem roupas, nem cobiçar olivais, vinhas, ovelhas, bois, servos e servas.” (1)

Qual foi o problema? Israel enfrentava uma crise sem precedentes que atingia desde o poder central até os recursos naturais. Todos sofriam e um profeta que carregava em si a mensagem de Deus não poderia destoar do seu povo. A Bíblia está cheia destes episódios de renúncia.

Jesus poderia ter passado pelo sofrimento da cruz totalmente entorpecido pela mistura que lhe ofereceram na cruz, mas preferiu enfrentar tudo absolutamente sóbrio.

Moisés tinha a oportunidade de pensar apenas no seu benefício individual e sua carreira promissora na potência mundial de seu tempo, mas abriu mão dele sem ressentimentos.

Nossa cultura tem exemplos suficientes de afrouxamento dos princípios e abuso de posição. Todos que ocupam algum tipo de poder acabam encontrando uma maneira de terem privilégios, às vezes sob a desculpa que deram muito duro para chegar ali. Estamos tão acostumados com isso que achamos uma extravagância o presidente Jose Mujica do Uruguai abrir mão de parte do seu salário e circular com um carro usado. A época não parece ser de abrir mão de benesses, mas de amealhar tantas quanto possíveis. Afinal se eles (os grandões) amontoam no atacado, que mal há em fazermos o mesmo no varejo?.

Nesse tempo a lição que falta aprender é a  de rejeitar privilégios.

Sim, cuidado com os privilégios, pois eles podem ser uma tentativa de comprar sua consciência para futuras barganhas.

Cuidados com os privilégios, pois eles podem retirar de você a sensibilidade que precisa para ministrar a um povo efetivamente.

Cuidado com os privilégios porque eles podem mandar uma falsa mensagem de que liderar é servir-se e não servir, atraindo para a liderança os tipos errados de líderes.

Cuidado com os privilégios, pois eles podem romper a fibra interior daqueles que se esforçam dia a dia para realizarem um bom trabalho.

Cuidado com os privilégios porque eles podem representar o seu enfraquecimento pessoal no preparo para a grande obra que Deus tem para você realizar.

Só o discípulo que entendeu que servir a Deus é o privilégio cósmico poderá rejeitar os privilégios desse mundo.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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