Acertando as contas com papai!

“Ele fará com que os corações dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos para seus pais; do contrário, eu virei e castigarei a terra com maldição.”

Malaquias 4:6

Um amigo meu cujo pai era músico de primeira, às vezes encontrava seu pai chorando enquanto tocava o violão. Intrigado ele perguntava o que estava acontecendo. O pai respondia: Filho, apesar dos muitos anos ainda sinto saudades do meu pai. Quando toco lembro-me dele.

Perdi meu pai no dia 23 de julho, não faz um mês. E esse é o primeiro ano que não tive ninguém para ligar e cumprimentar no dia dos pais. Quando era criança eu ansiava tanto por ele, que sua ausência provocava um caos no meu relacionamento com os outros. Foi Cristo quem pacificou meu coração. Aprendi a memória seletiva. Fiquei apenas com as boas lembranças sem repisar o que passou. Agradeço a Deus pelo que foi, e celebro o que virá.

Digo estas coisas para reforçar uma verdade, que Freud evidenciou, mas que qualquer observador atento poderá concluir: o pai é a coluna afetiva na alma da gente. Ansiamos por paternidade. Nosso relacionamento com ele afeta nossa teologia, nossa capacidade de liderança, nosso trabalho e nossa paz. Por mais injusto que isso possa parecer, o pai afeta a alma do filho mais do que a própria mãe. Lutamos por sua aprovação, brigamos com sua condenação, procuramos por ele em tudo que fazemos.

O GNT, canal por assinatura produz um daqueles raros bons programas da TV, chamado “Em Busca do Pai”. Ali são tomados depoimentos de várias pessoas que demonstram de forma comovente como o pai é central na nossa formação humana. Milton Gonçalves conta como seu reencontro com seu pai foi decepcionante após um abandono aos seis anos de idade. Ele declara: “Um pai não tem o direito de abandonar seu filho.” Logo em seguida o programa mostra a vida de um historiador que desconhece seu pai. A angústia de não saber nem ter ideia de quem é seu pai é evidenciada no lamento que ele faz: “Mesmo sendo pai, ainda hoje o dia dos pais é um dia difícil.”

Por força dessa experiência tão comum em uma sociedade em que as mães dão de 10 a zero nos pais, que os filhos ficam tão vulneráveis a outros pais perigosos:

Namorados canalhas

Traficantes.

Líderes abusivos.

Filosofias ateístas.

Como você se sente em relação ao seu pai? O que você sente vai liberar um destino para sua jornada. Antes de dar continuidade na sua vida, você precisa resolver essa questão central.

Alguns sentem ódio. Existem pais que palmilharam o caminho do inferno em suas vidas e foram especialistas em impingirem sua maldade sobre seus filhos. As marcas de sua perversidade é um peso para você. Mesmo assim para o bem de sua alma o único caminho de saída para o ciclo do ódio é a porta do perdão. Saia por ela. É uma decisão que Deus vai lhe ajudar a fazer.

Outros sentem idolatria. Às vezes a sombra de um pai altamente competente nos paralisa e assombra de tal forma que preferimos fugir de uma vocação, ou de tentar ser bem sucedido escondendo nosso medo por detrás de um comportamento transgressor.Pense nisso e liberte-se dessa imagem opressora para poder ser quem você é, pela graça de Deus.

Alguns sentem profunda decepção. A quem vive isso quero lhe dizer: lembre-se que seus pais herdaram também a limitação dos próprios pais. Lembre-se que você vai falhar também. Lembre-se que os pais que parecem ser perfeitos com os quais você compara seu próprio pai, na intimidade também revelam suas maldades.

Alguns sentem distância. Se você não consegue proximidade com seu pai, tenha cuidado para que você não transfira para todas as figuras de autoridade essa mesma distância. Abra seu coração para que alguém abençoado possa ser um pai substituto, um pai espiritual.

Alguns sentem saudades.  Fique em paz com suas saudades. Nem tente apagar isso do seu coração.  Simplesmente dê graças a Deus porque a saudade é o cheiro de vivências boas que nossa alma guardou dentro de si.

Alguns sentem culpa. Pelo que disseram ou  pelo que não fizeram ao pai que já não está mais aqui. Ora, na cabeça de quem fica parece que faltou mais um abraço, mais um beijo. Perdoe-se, pois Deus perdoa. Olhe para Jesus, pois Ele não vai te acusar.

Que o Senhor nos dê graça.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

 

2 pensamentos sobre “Acertando as contas com papai!

  1. Que lindo esta mensagem, sempre que leio ou ouço uma mensagem sobre paternidade, me emociono, mas não posso de deixar de agradecer a Deus pelo pai que tive, sempre lembro do seu carinho, dedicação e principalmente dos ensinamentos que me dava com tanta coerência e tranquilidade. Deus abençoe os filhos desta geração que possam ouvir e honrarem seus pais.

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