Confrontando a questão do adultério

Para quem gosta de altos papos e teorias, João o apóstolo vai logo  acabando com a enrolação e esclarecendo sobre a vida espiritual: aquele que não ama seu irmão que vê, não pode amar a Deus que não vê. Pronto falou! Quer dizer que somos fiéis a Deus sendo fiéis aqueles que vivem perto da gente e por extensão quer dizer também que ser fiel a Deus é ser fiel à esposa com quem escolhemos viver.

Por falar nisso a composição “Amiga da minha mulher” do Seu Jorge está bombando nas ruas e nas rádios. A letra diz assim:

Ela é amiga da minha mulher.

Pois é, pois é..

Mas vive dando em cima de mim.

Enfim, enfim..

Ainda por cima é uma tremenda gata, pra piorar minha situação.

Se fosse mulher feia tava tudo certo, mulher bonita mexe com meu coração.

Se fosse mulher feia tava tudo certo, mulher bonita mexe com meu coração.

[refrão]

Não pego, eu pego, não pego, eu pego, eu não pego não..

Não pego, eu pego, não pego, eu pego, eu não pego não..

A letra reflete um conflito comum a todo homem: seu propósito contra seus apetites. E para um discípulo de Jesus o conflito ganha contornos de batalha espiritual. É difícil que a gente participe de reuniões de homens na igreja onde eles possam admitir abertamente suas lutas nessa área, por isso faço questão de escrever sobre o assunto.

A primeira pergunta que devemos fazer a nós mesmos é: qual o meu nível de frustração no meu relacionamento conjugal? Alguém vai pensar que a  abordagem é um tanto negativa, mas não é. É realista. Porque não existe relacionamento nesse mundo que satisfaça todas as nossas necessidades afetivas, mas se o relacionamento não satisfaz nenhuma necessidade afetiva, estamos em perigo, e precisamos saber disso. A equação seria mais ou menos assim:

Alta frustração + longo tempo = Grande perigo

Esse seria o componente interno que favorece (embora não determine) o adultério. Na verdade aponta para a necessidade de procurarmos ajuda. O segundo componente é de natureza cultural, de sistema. Há muita propaganda em favor do adultério apresentada da seguinte maneira:

Banalização: ouvimos a todo momento que todo mundo está fazendo, e começamos achar que é verdade. Quando essa mensagem entra na nossa cabeça, nós começamos a balançar, porque somos seres com comportamento de massa. É só olhar o quanto seguimos a moda em suas diferentes expressões.

Romantização: aqui entra a força do folhetim, de Hollywood. Trair em geral é apresentado como um ato de liberdade e não como maldade.

Tiranização: nesse ponto a cultura quase que impõe o adultério. Você não vai conseguir, é o que eles dizem, não pode, é mais forte do que você.

Ridicularização: aqui sua sanidade mental e masculinidade é questionada. Você é chamado de “boiola”, “trouxa”, porque não aproveita uma oportunidade apresentada.

Omissão: somos apresentados a todas as “vantagens” do adultério, o novo, a aventura, a alegria, mas somos enganados, pois não nos mostram a decepção da família, a perda da confiança e a culpa que será carregada. Tudo o que Davi viu da janela do seu palácio foi o belo corpo nu de Bate-Seba, ah se ele tivesse visto a desonra na família, a morte, a vergonha, talvez a história fosse outra.

O  terceiro componente da questão, é a escada do envolvimento. Sempre digo aos homens e as mulheres também, que devem falar de qualquer nível de envolvimento que se estabeleça com o sexo oposto ao seu cônjuge. O mal se espalha nas trevas. Algumas etapas se dão até que uma traição se veja consumada. É claro que o que escrevo só terá utilidade a quem realmente procura se fiel, pois ao coração decidido a trair, de nada valerá. E o traidor profissional descerá a escada do envolvimento em poucos minutos. Eis a ladeira que você deve evitar:

1.            Troca de olhares.

2.            Troca de elogios.

3.            Saídas furtivas.

4.            Primeiros toques físicos.

5.            Intercurso sexual.

Você está decidido mesmo a ser fiel?

Então, não subestime pequenos envolvimentos.

Fale para o cônjuge qualquer movimento em falso com outra pessoa.

Não se engane achando que pode manter dois relacionamentos ao mesmo tempo sem conflito.

Não seja ingênuo, pensando que você pode brincar com o mal, e sair a qualquer hora. Você não tem tudo sob controle. A partir do momento em que você não segurou sua onda, você já perdeu o controle e está realmente em perigo.

Conselho do gaudério: dá um tranco de esporas no lombo desse potro selvagem dentro de ti pra não te lamentar depois.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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