Para abrir as portas do inferno onde você quiser.

“Também qualquer que disser a seu irmão: ‘Racá’, será levado ao tribunal. E qualquer que disser: ‘Louco!’, corre o risco de ir para o fogo do inferno.”

Mateus 5:22

“Não bombardeiem de críticas as pessoas quando elas cometem um erro, a menos que queiram receber o mesmo tratamento. O espírito crítico é como um bumerangue.”

Mateus 7:1

“A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira.”

Provérbios 15:1

“Façam tudo sem queixas…”

Filipenses 2:14

1. Uma Palavra Bruta.

Quando eu era guri lá em Bagé, eu aprendi essa lição em dois episódios distintos. Eis o primeiro. Como toda turma de antigamente, tínhamos como nosso ponto de encontro um grande cinamomo que ficava em frente a casa de um vizinho que, ora vejam a coincidência era pastor e também funcionário de uma grande estatal. Ele trabalhava a noite, e descansava durante o dia. O quarto dele ficava bem na frente da casa e quando ele queria dormir, nós fazíamos bagunça ao redor da árvore. Um dia depois de tentar dormir com aquele barulho sem sucesso, ele me chamou e disse assim: Fabiano, sei que tu és o chefe da galera, será que tu poderias me fazer um favor? Claro, eu respondi. Poderias pedir para o pessoal não fazer farra durante a manhã, pois eu preciso dormir e não consigo, com o barulho. Prontamente falei com o pessoal, e tudo foi resolvido. Na mesma época,  outro vizinho incomodou-se com nossa presença ruidosa. Só que foi por um caminho diferente. Recordo que era um estudante de veterinária com um filho pequeno. Ele saiu de casa gritando com Deus e todo mundo: Vocês não têm mais nada para fazer? Não sabem que estão acordando meu piá? Saiam já daqui! Ordenou ele em tom destemperado. Saímos todos silenciosamente, sem dizer uma palavra. Parecia tudo resolvido para ele. Parecia.  No dia seguinte, ainda mastigando sem engolir a grosseria, compramos rojões, que se vendiam em qualquer armazém de esquina e na calada da noite atiramos embaixo da janela onde ele dormia com o filho, para depois nos deleitarmos observando   ele enlouquecer de raiva na frente da casa sem avistar ninguém. Essas duas passagens ilustram bem como a palavra  grosseira, rude pode trazer o inferno a tona onde quer que você esteja: igreja, empresa, família e trânsito. Pode demorar, mas volta.

2. Uma Palavra Precipitada.

Quando a Bíblia condena o “julgar” ela não está se referindo a abrirmos mão do senso crítico. O discernimento é um imperativo para o discípulo de Jesus. O que Jesus condena é emitir juízos importantes sobre um assunto ou sobre uma pessoa sem ter conhecimento dos fatos. Estamos viciados em procurar informações na mídia sobre assuntos importantes e ás vezes o pior lugar para obter informação é a mídia. Quando possível, ligue, converse, informe-se. É demorado, mais difícil, mas quem disse que a porta do discipulado é ampla? Paulo Antônio da Silva, um homem humilde de Belo Horizonte viveu os últimos 15 anos de sua vida (cinco deles preso) sob o peso da acusação de estupro. Perdeu a liberdade, o emprego, a saúde e o contato com as filhas e a mulher. A semelhança com o verdadeiro criminoso o colocou no foco das acusações. Este ano depois do verdadeiro estuprador haver sido descoberto, ele respirou aliviado. O fato mostra como nossas certezas podem ser frágeis.

3. Uma Palavra de Murmuração.

A murmuração é dar razão ao ego quando nossa vontade não é feita. Todos têm expectativas em relação ao que a vida vai  oferecer, a todo momento em todo lugar. Quando essas expectativas não são contempladas, nos frustramos, e damos razão a essa frustração e como uma prima dona que não foi atendida em suas exigências de camarim, entramos em um estado de descontentamento crônico. Pense que você está chegando para uma festa. Você foi preparado para sentar em uma mesa em certa parte do salão. Chegando lá, bem vestido, em espírito alegre, você percebe que sua mesa foi ocupada por outra pessoa, e acaba precisando sentar em outro lugar longe de seus amigos. O ego descontente diz a si mesmo: acabou minha festa! E acaba mesmo. O restante daquele momento alegre acaba se tornando um peso para quem está a sua volta e para você mesmo. O problema com a murmuração é que um descontentamento ocasional acaba se tornando em um estilo de vida. O segundo problema é de natureza comunitária. As pessoas que estão ao seu redor tomam sua bandeira e tornam-se queixosos. E o terceiro decorrente deste último, é que os problemas são veiculados, mas nunca resolvidos porque o murmurador profissional acaba fugindo do confronto pessoal com quem resolveria ou poderia resolver o problema. E o pior de tudo, é que viciamos na murmuração a ponto de andarmos como um animal ferido gemendo feridas que não existem apestando os lugares onde pisamos com um estado de ânimo desalentador e desagregador. Se você tem alguma reclamação, não seja covarde, vá ao responsável falar. Já falou? Fale novamente. Mas não fique em um estado de inércia reclamatória. Vejo isso todos os dias no povo brasileiro. Reclamam dos políticos, mas não exercem nenhum tipo de ação de fiscalização ou propõe soluções para solucionar problemas.

4. Uma Palavra de Desprezo.

Nas versões antigas da Bíblia, o texto de Mateus era traduzido com uma expressão gutural do hebraico: Racá, que busca imitar (desculpem os mais sensíveis) o som de quem tira o escarro da garganta. Era uma palavra que expressava desprezo. É muito difícil, fugir do desprezo, mas é bom tentar. O desprezo é o motivo das guerras culturais de toda ordem dentro da sociedade. E parece que todos nós sentimos necessidade de odiarmos alguém. Tenho impressão que é uma maneira de nos sentirmos superiores. O velho e mau orgulho. Desprezamos pagodeiros, sertanejos, pobres, ricos, pentecostais, católicos ou que você quiser, sempre de um ponto de vista que possa nos fazer sentir melhores. Uma compensação para a nossa sempre empobrecida autoimagem. Mas quem é ferido de desprezo, raramente esquece. A música de uma artista que minha filha curte, diz: Quem está rindo agora? A jovem recorda o tempo em que os colegas a desprezavam por ser diferente e agora com o sucesso ela escreve para se vingar. Quem dera as únicas vinganças humanas fosse uma música ressentida. Mas não. O que nós vemos são guerras sanguinárias como as de Ruanda, que pelo desprezo dos belgas por uma etnia que compunha a nação causou um descontentamento que resultou em lutas sangrentas. O inferno aberto.

Se eu fosse você, cuidaria  para não abrir portas para o inferno na sua vida, pois uma vez abertas, são difíceis de fechar.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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