A Senda Previsível dos Imprevisíveis

“Melhor é o homem paciente do que o guerreiro, mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade.” Provérbios 16:32

Nós adoramos os guerreiros. Anderson Silva, Jon Jones, Cigano e o pessoal do UFC seduzem cada vez mais seguidores que pagam um valor alto para terem a disposição as lutas sangrentas de MMA. Álbuns são vendidos, academias de jiu-jitsu e afins se multiplicam em todo o país. Que nação diferente seríamos se enxergássemos nosso homem interior como o mais terrível e incisivo oponente a ser finalizado e controlado.

O sistema que vivemos controla nosso descontrole com duas estratégias muito eficazes:

Primeiro somos ensinados a seguir cegamente nossas vontades, a realizar nossos desejos. “Siga o seu coração” é tudo que ouvimos. Depois de sermos educados em nossa infância dessa forma ficamos prontos para a segunda estratégia.

Somos ensinados a desejar o que o nosso sistema econômico e de valores oferece através de uma bem estudada propaganda. Assim é que não basta matar a sede, tem que ter sede de Coca-Cola. Não basta ser jovem e bonita, tem que ter os seios impregnados de silicone. Não basta ter o seu computador, tem que desejar um da Apple. E em casos extremos se você ficar muito irritado e tiver vontade de matar um mendigo pela razão de dois reais, você não encontrará barreiras de consciência dentro de si. E a razão é que você permitiu ser doutrinado pelo sistema.

Ora, seremos de pouca utilidade no Reino, se não tratarmos essa tendência enraizada de só fazermos o que temos vontade. Nosso propósito deve governar nosso apetite. Embora responder aos nossos apetites traga resultados em curto prazo, ao longo do caminho as perdas são muito maiores.

Na vida de Sansão é possível perceber as consequências de negligenciar nossos propósitos em favor de nossos apetites. Impulsivo, ele acumulou problemas que jamais foram resolvidos. Eis o que aprendemos dos seus erros:

Pessoas impulsivas nunca saem de relacionamentos problemáticos. O fato de não terem compromisso com nada, faz com que acabem decepcionando muita gente com o comportamento volátil. Se você tem problemas com todos, você é o problema. Conheci um rapaz que em um mesmo encontro se apaixonou por três meninas diferentes. A lição que tiro para mim é esta: não confie em seus hormônios. Por esta razão as pessoas não conseguem manter suas amizades por mais do que algumas temporadas ou motivadas por interesses fugazes.

Pessoas impulsivas perdem o respeito dos outros e o seu próprio. Um menino que vou chamar de Denilson, é a imagem da tragédia que é viver sob a força dos impulsos. Viciado em crack, ele foi desintoxicado quimicamente em uma clínica e enviado para um excelente centro de recuperação, auxiliado por psicólogos, médicos e pastores de alma em um ambiente sadio de fé, mas não conseguiu permanecer ali mais do que três meses. Limpo, bem alimentado, e amado ele preferiu voltar a catar lixo e roubar para sobreviver.

Pessoas impulsivas são altamente manipuláveis. Meu cachorro é um ser movido pelo instinto. Apesar de ser um poodle e ser um dos animais mais inteligentes que conheci, ele ainda é movido pelos seus apetites. Dia desses, ele se meteu embaixo de minha cama e não queria sair de jeito nenhum, então eu lembrei que ele gostava muito de cereais crocantes e tudo ficou mais fácil, foi só ele ouvir o barulho da caixa, que ele saiu correndo debaixo da cama e foi até onde eu queria que ele fosse. Isso acontece com seres guiados por instintos. Basta uma provocação, uma ameaça, uma oferta prazerosa que eles saem como animais irracionais para fazerem o que seus estômagos (ou outra coisa) mandam.

Pessoas impulsivas sofrem para dar um rumo a sua vida. Elas não tem história, porque não tem roteiro, não olham mapas e porque são em geral pessoas atraentes e sedutoras, mas o problema é que esse engano não dura muito.

Pessoas impulsivas acreditam em tudo que lhes dizem. Seu discernimento jamais é utilizado, e acabam caindo em qualquer mentira, pois tudo que eles veem são as cores da embalagem que lhes é oferecida ou então a bela melodia com que uma mentira é cantada.

Faríamos melhor se imitássemos o exemplo de Ulisses da lenda grega, que orientado por Circe, preparou-se para enfrentar sua aventura em direção ao mar habitado pelas sereias. Segundo a lenda nenhum homem resistia o canto das sereias. Apaixonados eles mergulhavam no mar atrás delas e acabavam mortos. Prevenido e certo de que não era diferente dos outros Ulisses providenciou para que seus companheiros tivessem os ouvidos tapados com cera e pediu para ser atado ao mastro principal do navio que dirigia. No momento em que enfrentaram as enganadoras sereias, ele ouviu o canto e clamou aos seus colegas que o retirassem dali, mas eles não obedeceram e foram capazes de obterem uma vitória épica.

Será que não deveríamos também, recorrer a todos os recursos disponíveis para que nossos apetites não controlem a grandeza de nossos propósitos? Eu creio que sim.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

 

 

Porque acredito que a política partidária é a forma mais ineficaz de mudar o país

Política é a gestão dos negócios da cidade ou no grego “polis”. Ninguém deveria deixar de se preocupar com política, muito menos os cristãos, que são sal e luz. Os desavisados, porém acham que a única forma de fazer política é votando ou participando de um partido político. É preciso que esse erro seja corrigido, pois ele interessa a quem é conveniente nossa omissão. Mas primeiro quero direcionar minha atenção a responder a pergunta que deu origem a esse post.

Suponha que encontramos (como de fato há), um cidadão competente, com liderança e boas intenções e que deseja entrar para a política partidária. Quais são as barreiras que ele encontrará que a meu juízo travarão todo o seu potencial?

Primeiro, o contexto partidário. Ninguém poderá atuar como político com efetividade sem o apoio dos seus pares. E todos, eu enfatizo todos, os partidos tem figuras enraizadas há muitos anos em seus escalões com uma rede de apoiadores que precisam ser mantidos e interesses a serem defendidos. Se você não tiver apoio e o voto destes, não poderá se mover no ambiente que escolheu. E para obter esse apoio precisará abrir mão de alguns valores e projetos, ou morrerá na solidão e abandono. É só você observar.

Segundo, você nunca escalará um cargo importante como prefeito, governador ou presidente da república sem dinheiro. Propaganda é alma da eleição. Ou você já viu algum candidato novo e sem expressão conseguir vencer eleição? Políticos que se elegem sem máquina de propaganda são exceção a regra. E para obter dinheiro você precisará de fortes colunas econômicas para a campanha que não doarão dinheiro que eles ganharam a um alto custo apenas porque enxergam um bonito ideal. Eles são homens de negócio e eles vão querer fazer negócio. É o lado negro do princípio ganha-ganha.

Terceiro, uma vez eleito, seja para a câmara, seja para o executivo, você precisará de uma associação com várias pessoas para criar um fato novo. Vejamos o exemplo de Collor de Melo eleito democraticamente no ano de 1989 após anos de ditadura militar. Ele não caiu no impeachment porque o país foi tomado de uma sanha de honestidade. Longe disso. O que aconteceu foi que pelo temperamento impulsivo o então presidente, tentou atropelar o famigerado processo político. Resultado, ficou sem apoio e sem apoio foi fácil acabar com ele.

Ora, diante destas realidades perversas dessa política que nos desanima, creio que existem outras mil maneiras de se fazer política de maneira efetiva e que pode mudar realmente o nosso país. Veja algumas delas:

Pressão organizada. A ABRACCI,  (Articulação Brasileira contra a Corrupção e a Impunidade) mantém um controle da execução da lei de ficha limpa que é uma conquista da mobilização dos brasileiros. Políticos só respondem a mobilizações que envolva muita gente e com visibilidade.

Engajamento em causas de dimensões sociais amplas. Racismo, pobreza, abuso sexual, reintegração social são só alguns dos temas de interesse público que podemos nos envolver para fazer a diferença.

Participação na solução dos problemas do seu bairro não só quando o seu sapato aperta.

Essas são só algumas possibilidades para você derramar seu potencial político e não se alienar em seu individualismo egoísta, e ao mesmo tempo se livrar dessa máquina de produzir mentiras e engolir potenciais que se chama política partidária.

Sei que minha posição pode incomodar a muitos, mas está aberta a conversa, quem quiser chegar e falar será bem-vindo.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo e também cidadão gaudério.

AULA DE DIREITO!

Uma manhã, quando nosso novo professor de “Introdução ao Direito” entrou na sala, a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:

– Como te chamas?
– Chamo-me Juan, senhor.
– Saia de minha aula e não quero que voltes nunca mais! – gritou o desagradável professor.

Juan estava desconcertado.
Quando deu por si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala.
Todos estávamos assustados e indignados, porém ninguém falou nada.

– Agora sim! – E- perguntou o professor – para que servem as leis?…

Seguíamos assustados, porém pouco a pouco começamos a responder à sua pergunta:
– Para que haja uma ordem em nossa sociedade.
– Não! – respondia o professor.
– Para cumpri-las.
– Não!
– Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.
– Não!!
– Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!
– Para que haja justiça – falou timidamente uma garota.

– Até que enfim! É isso… para que haja justiça.
E agora, para que serve a justiça?

Todos começávamos a ficar incomodados pela atitude tão grosseira…
Porém, seguíamos respondendo:
– Para salvaguardar os direitos humanos…
– Bem, que mais? – perguntava o professor.
– Para diferençar o certo do errado… Para premiar a quem faz o bem…
– Ok, não está mal porém… respondam a esta pergunta:
Agi corretamente ao expulsar Juan da sala de aula?…
Todos ficamos calados, ninguém respondia.

– Quero uma resposta decidida e unânime!
– Não!! – respondemos todos a uma só voz.
– Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?
– Sim!!!
– E por que ninguém fez nada a respeito?
Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para pratica-las?

– Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos.
Não voltem a ficar calados, nunca mais!

– Vá buscar o Juan – disse, olhando-me fixamente.

Naquele dia recebi a lição mais prática no meu curso de Direito.
Quando não defendemos nossos direitos perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia.

Vi no blog do Mario Marcos.