Porque acredito que a política partidária é a forma mais ineficaz de mudar o país

Política é a gestão dos negócios da cidade ou no grego “polis”. Ninguém deveria deixar de se preocupar com política, muito menos os cristãos, que são sal e luz. Os desavisados, porém acham que a única forma de fazer política é votando ou participando de um partido político. É preciso que esse erro seja corrigido, pois ele interessa a quem é conveniente nossa omissão. Mas primeiro quero direcionar minha atenção a responder a pergunta que deu origem a esse post.

Suponha que encontramos (como de fato há), um cidadão competente, com liderança e boas intenções e que deseja entrar para a política partidária. Quais são as barreiras que ele encontrará que a meu juízo travarão todo o seu potencial?

Primeiro, o contexto partidário. Ninguém poderá atuar como político com efetividade sem o apoio dos seus pares. E todos, eu enfatizo todos, os partidos tem figuras enraizadas há muitos anos em seus escalões com uma rede de apoiadores que precisam ser mantidos e interesses a serem defendidos. Se você não tiver apoio e o voto destes, não poderá se mover no ambiente que escolheu. E para obter esse apoio precisará abrir mão de alguns valores e projetos, ou morrerá na solidão e abandono. É só você observar.

Segundo, você nunca escalará um cargo importante como prefeito, governador ou presidente da república sem dinheiro. Propaganda é alma da eleição. Ou você já viu algum candidato novo e sem expressão conseguir vencer eleição? Políticos que se elegem sem máquina de propaganda são exceção a regra. E para obter dinheiro você precisará de fortes colunas econômicas para a campanha que não doarão dinheiro que eles ganharam a um alto custo apenas porque enxergam um bonito ideal. Eles são homens de negócio e eles vão querer fazer negócio. É o lado negro do princípio ganha-ganha.

Terceiro, uma vez eleito, seja para a câmara, seja para o executivo, você precisará de uma associação com várias pessoas para criar um fato novo. Vejamos o exemplo de Collor de Melo eleito democraticamente no ano de 1989 após anos de ditadura militar. Ele não caiu no impeachment porque o país foi tomado de uma sanha de honestidade. Longe disso. O que aconteceu foi que pelo temperamento impulsivo o então presidente, tentou atropelar o famigerado processo político. Resultado, ficou sem apoio e sem apoio foi fácil acabar com ele.

Ora, diante destas realidades perversas dessa política que nos desanima, creio que existem outras mil maneiras de se fazer política de maneira efetiva e que pode mudar realmente o nosso país. Veja algumas delas:

Pressão organizada. A ABRACCI,  (Articulação Brasileira contra a Corrupção e a Impunidade) mantém um controle da execução da lei de ficha limpa que é uma conquista da mobilização dos brasileiros. Políticos só respondem a mobilizações que envolva muita gente e com visibilidade.

Engajamento em causas de dimensões sociais amplas. Racismo, pobreza, abuso sexual, reintegração social são só alguns dos temas de interesse público que podemos nos envolver para fazer a diferença.

Participação na solução dos problemas do seu bairro não só quando o seu sapato aperta.

Essas são só algumas possibilidades para você derramar seu potencial político e não se alienar em seu individualismo egoísta, e ao mesmo tempo se livrar dessa máquina de produzir mentiras e engolir potenciais que se chama política partidária.

Sei que minha posição pode incomodar a muitos, mas está aberta a conversa, quem quiser chegar e falar será bem-vindo.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo e também cidadão gaudério.

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2 pensamentos sobre “Porque acredito que a política partidária é a forma mais ineficaz de mudar o país

  1. é inevitável expôr com sinceridade a opinião e não deixarmos de lado algumas amizades por causa disto, más não posso deixar de elogiar a autenticidade como que expõe suas convicções obrigado pela sua maneira de colocar seus pensamentos e . pela sua sinceridade
    um abraço quebra costelas

  2. Fabiano, muito legal o texto. Falando sobre política, lembrei de uma certa feita, que tu deste um estudo na igreja sobre política. Tu lembras? Também lembro que uma irmã ou irmão, não lembro ao certo, ficou meio decepcionado por que tu não ensinou ou disse em qual candidato ele devia votar. Este fato mostra a noção que muitas pessoas tem sobre política e o quanto, por estarem despreparadas, podem ser manipuladas por “maus políticos”… Um quebra costelas de duas volteadas e meia!

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