Viver tem consequências!

Ouça os sussurros, para não ter que ouvir os gritos.

Anônimo

Meu irmão é professor de Português e Literatura em escola pública, e um dia me contou uma experiência de magistério que retrata a mentalidade desta geração.

Durante a realização de uma prova importante e decisiva do ano letivo, ele saiu da sala por uns momentos, e se posicionou imperceptivelmente na janela e durante o tempo que observava os alunos flagrou um deles colando na prova. Imediatamente ele recolheu a prova do aluno e decretou o que a todos os alunos é estabelecido, um zero bem redondo.

Para surpresa dele, o aluno ficou indignado com a “injustiça” e foi reclamar na diretoria. E pasmem, a diretoria lhe concedeu o que não concedia a ninguém: a oportunidade de fazer novamente a prova, diante do fato que ele era um pianista talentoso, e premiado na cidade. Por um momento foi suspensa a lei de causa e consequência.

Assim como esse menino muitos de nós caminhamos descuidados nessa vida porque recebemos um trato dentro de casa ou em algumas ocasiões que nos deu uma ilusão maléfica de que não importa o que façamos sempre é possível suspender as consequências. Apoiados pela sociedade da imagem, do texto fora do contexto, da leitura apressada, os filhos desta geração acreditam que sua vida pode caminhar a salvo da lei da colheita.

Viver tem consequências. O que nós somos não está desconectado do nosso passado. Tem gente que sonha com um amanhã mágico, espera que algo bom lhe aconteça, mas não sabe ou esquece que o amanhã tem a ver com hoje. Com esse pensamento mágico muitos correm as lotéricas, atiram uma moeda no chafariz e acham que a sua vida é apenas uma questão de sorte, do que lhes acontece, e não do que fazem acontecer.

Essa moçada bonita e cheia de oportunidades precisa aprender o óbvio: pensamentos, palavras e atitudes têm consequências, portanto é preciso solenidade, com o que cultivo em minha mente, com o que falo e as decisões que tomo, pois não são brincadeira de criança.

A serpente que falava com Eva, tentou tirar de sua cabeça que sua decisão teria desdobramentos definitivos e terríveis: “Certamente não morrerão!” foi o que ela ouviu. E você pensa que tem todo o tempo do mundo? Pode não ter. Você acha que dá para reconstruir? As vezes o que se fez não se faz mais, simplesmente porque nossas decisões moveram questões que estão fora do nosso controle, como o coração dos outros. Tem gente que um dia serviu a Deus e se afastou e pensa que controla o tempo e a vida e pensa que  voltarão assim que quiserem, só que não contam que talvez um dia não queiram mais.

Bruna Surfistinha, a prostituta que virou celebridade com a publicação de um livro sobre suas aventuras de alcova, conta em entrevista que a vida que abraçou foi um desaforo ao pai com o qual se relacionava conflitivamente, assim como muitos adolescentes normais. Só que a insolência acabou saindo do controle. Após ter saído da prostituição, ela sentiu que precisava reatar os laços fundamentais da família. Enviou cartas, sinalizou um desejo de aproximação de várias maneiras, mas tudo que recebeu foi o silêncio desesperador. Podemos ter controle sobre nossas decisões, mas as consequências não estão em nosso poder.

Às vezes fazemos como Asafe nos Salmos, olhamos para gente que pratica o mal, faz o que bem entende e nos parece que o sol brilha cada vez mais claro para eles. Entramos em conflito, questionamos a Deus, perdemos o foco. No entanto esquecemos que as consequências podem não ser vistas a olho nu, podem estar dentro de nós. O que nos tornamos pode ser o pior ou o melhor resultado de nossas escolhas.

Outras vezes nos iludimos com  o fato de que o mal não teve ação imediata em nossa vida, mas saiba ninguém que mexe com lixo fétido, pode ficar com as mãos limpas. Sempre fica algo com a gente que nossa própria cegueira impede de ver. Davi, foi para a cama com Bate-Seba, matou seu marido e tudo parecia estar muito bem, até que a verdade veio à tona e ele teve de responder pelos seus atos o restante de sua vida.

Deus perdoa nosso pecado, totalmente, absolutamente, e sem cobranças, mas a graça não anula suas implicações. O ladrão na cruz recebeu um novo amanhã, quando Jesus disse que estaria no paraíso, mas teve que pagar sua pena na cruz.

A pessoa que não assumiu responsabilidade pela vida, que ainda vive no jardim da infância da alma, tentará negar suas próprias escolhas, culpará alguém por sua situação, ou ainda pior, cometerá erros para tapar outros erros. É como aqueles que saindo de um relacionamento complicado, começam um novo relacionamento impensadamente porque não suportam corajosamente a consequência de suas escolhas anteriores. Isso é como diz o gaúcho, corcovear contra as esporas.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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