Os 4 lapidadores que precisamos

Esse post é dedicado a minha companheira de jornada: Claudia Goulart que tem conseguido a façanha de ser todas essas coisas para mim nestes 20 anos de casamento.

Paulo foi pela graça de Deus um homem fora do comum.

Líder nato, em todo lugar aonde chegou fundou uma igreja.

Estrategista, fincava essas comunidades em epicentros do mundo antigo o que facilitava o espraiamento da mensagem a cada canto do império romano.

Construtor de tendas, mestre da Palavra, escritor, místico e operador de milagres. A tal ponto lhe transbordavam predicados, que até mesmo Freud pai da psicanálise e ateu, teve que se render a grandeza da obra de Paulo quando escreveu que ele “permanece incomparável em toda a história.” (1) Suspeito que sua teoria da personalidade tenha sido inspirada na epístola aos Romanos.

Quando conhecemos um homem assim, é impossível que a gente não se pergunte sobre como foi sua formação. Porque é minha convicção que ninguém desenvolve seu potencial humano sem lapidadores. Vi na história de Paulo 4 tipos de pessoas fundamentais, e creio que embora um Paulo não surja a todo momento entre os humanos, se dermos as boas vindas a esses quatro tipos, seremos gente extraclasse. Ah, e veja se você também pode se tornar algum destes tipos na vida de alguém. Todo mundo precisa!

Vejamos quem são eles:

1. Precisamos de amigos pé no chão.

Aqueles que não deixam a mosca do esnobismo, da pretensão, da afetação, da artificialidade nos picar. São o tipo de pessoa que nos lembra que apesar dos nossos diplomas, do nosso bom emprego, do título de pastor, doutor, professor, ainda somos pó ou simplesmente o “Fabinho” como meus amigos de infância me conhecem.

São o tipo de pessoa que denuncia nossa impostura, nossa falsidade dizendo: pode parar que já te vi jogando bola de kichute furado, limpando o nariz com as mangas do blusão de lã, agachado jogando bolinha de gude com metade do traseiro para fora das calças.

A gente precisa lembrar-se de onde saiu, dos pecados que nos enredaram, para não levantar demais o tom de voz, não vender a mentira do super-homem ou da mulher maravilha que quase sempre fazemos. Paulo tinha nos apóstolos a memória que lhe dizia que ele havia sido “blasfemo, perseguidor e insolente.” (2)

Esse pessoal evita que nos tornemos juízes togados dos outros.

2. Precisamos de gente perturbadora.

Pessoas que enxergam nosso potencial e não admitem que a gente viva na mediocridade. Que nos desafiam (às vezes silenciosamente) a sermos melhores pais, que lembram pra nós que um dia subimos no púlpito do mundo e proclamamos como Martin Luther King: “eu tenho um sonho”. Que fazem perguntas constrangedoras como um dia ao ver minhas metas de vida escritas em um trabalho o professor Howard Dueck disse em toda sua brandura e profundidade: porque você não tem metas para sua família? Evidenciando para mim, meu mais puro egocentrismo.

Gente  como um mosquito, zumbindo no nosso ouvido nos mostrando que não fizemos nem metade do que poderíamos fazer. Gente que sabe que somos capazes de um 9, mas que estamos nos acomodando com um seis. Gente chata em alguns momentos eu sei, que a gente foge, mas que talvez devêssemos mantê-los sempre por perto.

Paulo tinha isso na figura rigorosa de Gamaliel, um grande rabino herdeiro do grande Hillel. (3)

3. Precisamos de gente “escada”.

À medida que envelhecemos percebemos como essa gente é rara. Pessoas que gostam de ver os outros vencerem. Esse pessoal sabe que o brilho de uma estrela não impede o brilho de outras estrelas. Que sucessos são para serem compartilhados. Que não é só o protagonismo que vale. Eu sei, ninguém foi educado para isso. Fomos ensinados a vivermos na selva, da sobrevivência do mais forte. Mas esses diamantes ainda se encontram por aí. E as vezes eles nem estão por perto, mas aprenderam a saborear o sucesso dos outros. E é maravilhoso.

Eles se emocionam com os louros do nosso triunfo como se fosse eles mesmos. Perto deles as alegrias são muito mais alegria. Eles abrem portas para nós, falam bem da gente quando não estamos presentes, nos promovem, nos defendem, e são incansáveis para ver a gente bem. Nos apresentam para quem pode nos ajudar. Essa gente não pode ser esquecida nunca.  Paulo teve Barnabé, que permitiu que ele fosse grande sem achar que isso lhe tirava a importância. Note como o capítulo começa com Barnabé e Paulo e termina com Paulo e Barnabé. (4)

4. Precisamos de “bebês”.

“As pessoas que mais dão trabalho são aquelas que não trabalham” é uma máxima verdadeira na igreja, e em qualquer lugar.

Pessoas problemáticas mudam seu modo de agir quando começam a cuidar de outras pessoas. Vi esse milagre acontecer muitas vezes.

Confesso que ás vezes tenho vontade de dizer na igreja: “não aceito reclamações de quem não está empenhado em cuidar de uma forma regular de outra pessoa espiritualmente”. Porque a percepção do que é importante e o que não é, só acontece quando a gente cuida de outras vidas.

Quando você vê de perto uma família que perde uma pessoa sofrendo com um câncer terminal, você entende que aquela roupa que você não conseguiu comprar no inverno passado não tem importância alguma.

Sim, se você não cuida de outras vidas meu amigo, você não sabe nada! Jamais entenderá a grandeza dos seus pais, o fardo de um pastor, o peso da chefia e a importância do discipulado. Paulo tinha Timóteo, com o qual vemos transparecer todo seu coração “paistoral”. (5)  Eu também tenho muita gente assim. Obrigado meus filhos espirituais da Igreja A Família de Deus em Pelotas, vocês me ajudaram a ser melhor de uma maneira que jamais sonhei.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério

(1)    Deus em questão. C. S. Lewis e Freud debatem Deus, Amor, Sexo e o sentido da vida. Armand M. Nicholi, Jr. Página 63.

(2)    I Timóteo 1:13

(3)    Atos 22:1-3

(4)    Atos 13:7;13;42

(5)    II Timóteo 1:3-7

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