Sepulcros pintados ou vasos de barro?

Quando o pecado se torna um fenômeno objetivo e mensurável é por que como uma doença grave, ele já dominou o coração, a mente e o espírito.

O problema entre comunidades de seres humanos é a obsessão com aparências e com pecados visíveis. Enquanto isso os  não mensuráveis, ou seja, que não podem ser observados objetivamente, permanecem por longos anos alojados dentro do coração sem serem tratados, mas causando mal de maneira até pior.

Já vi igrejas inquisitoriais que tratam pecado sexual com requintes de detalhes para deleitar os ouvidos dos membros “santarados”, mas jamais vi alguém ser disciplinado por avareza, corrupção na política ou vaidade.

Quem pode quantificar a inveja, se ela pode ser disfarçada de “senso de justiça”?

Quem pode quantificar o orgulho, se ele voltar-se para seus questionadores chamando-os de “despeitados”?

Quem pode quantificar o partidarismo, se ele se justifica como “opiniões fortes”?

Quem pode quantificar a avareza, se o meu dízimo garante a leniência das lideranças?

Mas quem pode negar sua força devastadora?

O pecado que habita em nós, sempre encontra para si poderosas racionalizações.

Por isso o evangelho de Cristo tem na sua essência o exame de coração. O apóstolo Paulo ordena: examine-se o homem a si mesmo.

Pois o coração é o lugar onde começa e termina a verdadeira espiritualidade.

Quando Jesus faz referência ao adultério no coração, não tem por objetivo tornar a lei mais condenadora, mas tornar o exame mais profundo! Até por que atirar pedra nos outros não era uma prática que Jesus apreciasse.

Quando os judeus legalistas se empolgam com o apedrejamento de uma prostituta, a sua resposta: “quem não tiver pecado que atire a primeira pedra”, é outra linguagem para “olhem para dentro de vocês”.

Nossa preferência por quantificação de pecado tem razão no maior pecado de todos: o orgulho. Quantificando posso dizer quem está melhor, me sentir melhor do que os outros.

Quantificando, posso esquecer a assustadora tarefa de olhar para dentro de mim mesmo.

De minha parte quero seguir a Jesus, e liderar de dentro para fora. Para isso, levo muito a sério, perguntas que me fazem olhar minha alma, como as que seguem. Espero que ajudem você também:

Seu relacionamento com Cristo está crescendo em intimidade? Explique.

Você sente que está dando o seu melhor servindo aos outros? Por quê?

Você tem procurado conselho espiritual para tomar decisões importantes de sua vida?

Seu ministério tem sido feito com alegria ou se tornou um fardo pesado? Por quê?

O que as pessoas dizem sobre você como líder corresponde ao que você vê em si mesmo?

Você tem colocado o desejo de agradar a Deus acima do desejo de agradar as pessoas que ministra? Tem confrontado as pessoas com amor e na verdade de Deus?

Existe alguém na sua vida que você permite que repreenda você sem que você entre em crise?

Você tem sido leal aos seus companheiros de vida cristã, ou seja, não fala mal deles, mesmo quando eles não estão presentes?

Você tem sido pontual nos seus compromissos ministeriais da mesma forma que é pontual no seu trabalho?

Como está o seu ritmo de vida? Devagar, equilibrado ou acelerado?

Você tem separado um dia na semana para descansar de todo trabalho? Se não, por quê?

Quais são as maiores críticas que você ouve do seu cônjuge? Você já considerou que elas podem ser verdades?

Como você tem lidado com o fato de muitas vezes não ter seu trabalho reconhecido?

Quanto tempo você gasta por dia com internet e TV?

Você tem conseguido não fazer nada sem se sentir culpado?

Você tem guardado as confidências das pessoas, só falando com a permissão deles?

Você gasta o que ganha, gasta menos do que ganha ou gasta mais do que ganha? Por quê?

Há algum tipo de inveja no seu coração de algo material, dom, ou amizade que alguém próximo seu tem?

Você se percebe mais brando ou mais duro no trato com outras pessoas?

Qual foi a última palavra de encorajamento que você deu a alguém?

Para começar estas são boas, mas essa jornada não termina até que venha aquele que é perfeito.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

11 mandamentos para usar o Facebook sem insanidade

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“Use a mídia a seu favor, ou então ela vai usá-lo contra você mesmo.”

1. Não baseie seu humor ou seu valor na quantidade de curtidas que seus compartilhamentos na rede possam ter! Se for assim está na hora de edificar sua identidade em uma base mais firme!

2. Lembre-se que a vida não é como publicam na rede. 90% das pessoas compartilham a melhor foto, os melhores momentos, os pontos altos o que pode fazer você pensar que sua vida real é uma grande porcaria. Mesmo assim…

3. Alegre-se com quem está alegre.

4. Não abra seu coração publicamente. Você não tem ideia da maldade humana escondida no coração de “amigos” da sua rede. Deixe para fazer isso quando estiver olhando no olho de outra pessoa, o que será bem menos arriscado.

5. Não faça publicações mandando uma letrinha, para quem lhe incomoda. Isso se chama covardia. Seja homem e mulher de verdade que fala para quem tem que falar.

6. Não exagere no número de publicações. Sério. Isso incomoda muito as pessoas. É o equivalente a um tagarela que não para de falar no nosso ouvido. Se você falar muito provavelmente será bloqueado.

7. Não morda a isca da polêmica. Você acaba ofendendo quem não queria, falando o que não devia e o espaço favorecerá ao argumento “ad hominem” e não ao pensamento produtivo, justamente porque esse espaço não se presta ao debate argumentativo.

8. Pesquise antes de publicar qualquer informação bombástica, você pode estar pagando um grande mico!

9. Quando for falar com as pessoas, aproveite esse privilégio único e desconecte-se. O Facebook é apenas uma ferramenta de comunicação e não a essência dos relacionamentos, se é que você ainda não percebeu.

10. Isso é o óbvio ululante, mas ainda precisa ser dito: estabeleça um horário para navegar. Olhar notícias dos outros o dia inteiro treinará sua mente para o pensamento interrompido (aquele que não consegue se aprofundar em nada) e para se tornar um fofoqueiro empedernido. Sua mente precisa de conteúdo sólido. E…

11. Pergunte sem fazer objeções, a quem está a sua volta, se acham que você está exagerando na dose!

Em uma dieta restritiva…

O discípulo gaudério.

Será que eu preciso de um avivamento?

“Mas o pai disse a seus servos: ‘Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem um anel em seu dedo e calçados em seus pés. Tragam o novilho gordo e matem-no. Vamos fazer uma grande festa e alegrar-nos. Pois este meu filho estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi achado’.“

Lucas 15:22-24

“Avivamento é o Espírito Santo enchendo um corpo prestes a se tornar um cadáver.”

D. M. Panton

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Os cristãos abusaram da graça. Ela se tornou álibi para o pecado, em lugar de recurso para a luta contra o mal que há em nós e fora de nós. Como o filho esbanjador, tomamos o que era nosso e fomos viver entre os porcos.

Mas Deus tem sempre o melhor para nós. Não duvide nunca disso. É na casa do pai que há dança, roupas novas, anel no dedo, calçados nos pés e bezerro cevado.

Mas a gente se esquece rápido, e acabamos fazendo nossas incursões pelo submundo sem sair geograficamente do templo ou da regra usual dos crentes. Só que lá dentro o espírito acusa o golpe!

Então cabe a pergunta: será que preciso de um avivamento? Leia e pense!

Se desobedeço a Palavra clara e manifesta de Deus e não sinto dor nenhuma por causa disso, então eu preciso de um avivamento.

Se a viver para Deus é para mim uma obrigação pesada e não um deleite, então eu preciso de um avivamento.

Se não lembro de ter ouvido a voz de Deus nos últimos tempos, então eu preciso de um avivamento.

Se quem está a minha volta não recebe da minha boca uma palavra de utilidade para a vida espiritual, então eu preciso de avivamento.

Se Jesus não domina minha admiração, afeto e atenção, então eu preciso de um avivamento.

Se a experiência de desânimo, queixa e descontentamento é uma constante em minha vida, então eu preciso de um avivamento.

Se a oração e apenas uma repetição robótica de palavras aprendidas, então eu preciso de um avivamento.

Se falar mal dos outros se tornou  um hábito incorrigível no qual ocupo meu precioso tempo, então eu preciso de um avivamento.

Se a dor e o sofrimento das pessoas nesse mundo imenso não povoa minhas preocupações, e minhas ações, então eu preciso de um avivamento.

Se me sinto permanentemente vazio e abandonado por Aquele que um dia disse que jamais me abandonaria, então eu preciso de um avivamento.

Se não percebo, nem choro a decadência, que permeia o mundo ao meu redor, então eu preciso de um avivamento.

Se não movo um dedo por ninguém que não seja da minha família, então eu preciso de um avivamento.

Se estou mais indignado com o pecado dos outros do que com o meu, então eu preciso de um avivamento.

Se tudo que existe de verdade para mim é minha casa, minha saúde, meu trabalho, minha família, meu conforto, então eu preciso de um avivamento.

Mas se eu me levantar e voltar para a casa do Pai, então haverá um avivamento.

Em oração.

O discípulo gaudério.

Problemas de família: capítulo I.

“Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá.”

Mateus 12:25 

“Duas pessoas andarão juntas se não estiverem de acordo?”

Amós 3:3

Quando se trata de família o grande problema dos evangélicos é o mito da família perfeita. Na tentativa de aparentar, perdemos para os problemas.

A dificuldade que quero encarar nesse post é o da competição na família.

A família dos patriarcas é o melhor exemplo na Bíblia de como a parceria pode ser sufocada  em função da competição.

Vejam o que aconteceu à família de Abraão:

Sara e Hagar competiam dentro de casa e o resultado foi guerra milenar entre irmãos.

Isaque favorecia Esaú porque comia das caças que ele preparava, e Rebeca beneficiava Jacó por tê-lo sempre por perto e o resultado foi uma família partida ao meio.

Jacó e Esaú competiam pela bênção do pai, até que romperam definitivamente.

Jacó preferia os filhos mais novos e a esposa Raquel e o resultado foi ressentimentos que desaguaram na venda de José para os ismaelitas.

Raquel e Lia, competiam pelo amor de Jacó e o resultado foi infelicidade para ambas.

Enfim, ninguém ganha quando a competição é entre família.

Caímos na armadilha da competição em razão dos inúmeros estímulos que recebemos:

A dominação do homem durante anos de história gerou um contra-ataque. As mulheres via de regra  acham inconcebível a liderança masculina.

Por outro lado nossa cultura tende a desfazer dos valores masculinos e grande parte da nossa produção de telenovelas, seriados e filmes apresenta o homem enquanto gênero como um ser completamente fraco, mau caráter e caricato.

A maneira como fomos educados, também contribui para o problema. Pense por um momento. Qual foi a visão do sexo oposto que você recebeu dos seus pais? Pensou? Então você  vai perceber como ela dorme e amanhece com seus problemas com o seu cônjuge.

Entre muitas mulheres ouvem-se comentários que deixam escapar certo ar de superioridade sobre esse “ser primitivo chamado homem”.

Entre os homens a brincadeira em torno de quem manda dentro de casa é recorrente, a ponto de quem não tem a cabeça no lugar, acaba comprando briga com a companheira dentro de casa em nome de uma luta que simplesmente não tem razão de existir.

Sim, porque a luz da Palavra e dessa história de dor entre os sexos, não deveria mais caber a pergunta repetida em programas de auditório: quem é melhor, homem ou mulher?

Nosso caminho é só um: a parceria.

Mas esse é só o primeiro capítulo dessa conversa.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Filósofo Luiz Felipe Pondé explica por que deixou de ser ateu

Fonte: Veja

Jerônimo Teixeira

Luiz Felipe Pondé, de 52 anos, é um raro exemplo de filósofo brasileiro que consegue conversar com o mundo para além dos muros da academia. Seja na sua coluna semanal na Folha de S.Paulo, seja em livros como o recém-lançado O Catolicismo Hoje (Benvirá), ele sabe se comunicar com o grande público sem baratear suas ideias. Mais rara ainda é sua disposição para criticar certezas e lugares-comuns bem estabelecidos entre seus pares. Pondé é um crítico da dominância burra que a esquerda assumiu sobre a cultura brasileira. Professor da Faap e da PUC, em São Paulo, Pondé, em seus ensaios, conseguiu definir ironicamente o espírito dos tempos descrevendo um cenário comum na classe média intelectualizada: o jantar inteligente, no qual os comensais, entre uma e outra taça de vinho chileno, se cumprimentam mutuamente por sua “consciência social”. Diz Pondé: “Sou filósofo casado com psicanalista. Somos convidados para muitos jantares assim. Há até jantares inteligentes para falar mal de jantares inteligentes”. Estudioso de teologia, Pondé considera o ateísmo filosoficamente raso, mas não é seguidor de nenhuma religião em particular. Eis um pensador capaz de surpreender quem valoriza o rigor na troca de ideias.

Em seus ensaios, o senhor delineou um cenário exemplar do mundo atual: o jantar inteligente. O que vem a ser isso?

É uma reunião na qual há uma adesão geral a pacotes de ideias e comportamentos. Pode ser visto como a versão contemporânea das festas luteranas na Dinamarca do século XIX, que o filósofo Soren Kierkegaard criticava por sua hipocrisia. Esse vício migrou de um cenário no qual o cristianismo era a base da hipocrisia para uma falsa espiritualidade de esquerda. Como a esquerda não tem a tensão do pecado, ela é pior do que o cristianismo.

Como assim?

A esquerda é menos completa como ferramenta cultural para produzir uma visão de si mesma. A espiritualidade de esquerda é rasa. Aloca toda a responsabilidade do mal fora de você: o mal está na classe social, no capital, no estado, na elite. Isso infantiliza o ser humano. Ninguém sai de um jantar inteligente para se olhar no espelho e ver um demônio. Não: todos se veem como heróis que estão salvando o mundo por andar de bicicleta.

Quais são os temas mais comuns da conversa em um jantar desses?

Filhos são um tema recorrente. Todos falam de como seus filhos são diferentes dos outros porque frequentam uma escola que cobra 2 000 reais por mês mas é de esquerda e estuda a sério o inviável modelo econômico cubano. Ou dizem que a filha já tem consciência ambiental e trabalha em uma ONG que ajuda as crianças da África. Também se fala sempre de algum filme chatíssimo de que todos fingem ter gostado para mostrar como têm repertório. Mais timidamente, há certa preocupação com a saúde e o corpo. Reciclar lixo e, mais recentemente, andar de bicicleta também são temas valorizados. Sempre se fala mal dos Estados Unidos, mas Barack Obama é um deus. Fala-se mal de Israel, sem conhecer patavina da história do conflito israe­lo-palestino. Mas, claro, é obrigatório enfatizar que você é antissionista mas não antissemita, pois em jantar inteligente muito provavelmente haverá um judeu – apesar de serem muitas vezes judeus em crise consigo mesmos, o que é bem típico dos judeus.

Que assuntos são tabu?

Imagine dizer em uma reunião na Dinamarca luterana de Kierkegaard que algumas mulheres são infelizes porque não chegam ao orgasmo. Seria um escândalo. Simetricamente, hoje é um escândalo dizer que as mulheres emancipadas e donas de seu nariz estão mesmo é loucas de solidão. No jantar inteligente, você tem sempre de dizer que a emancipação feminina não criou problemas para as mulheres, que os homens aprenderam a ser sensíveis e que uma mulher nunca vai dar um pé no homem que se mostre sensível demais. Os jantares inteligentes misturam cardápios interessantes – pratos peruanos ou, sei lá, vietnamitas – com papo-cabeça, mas servem à mesma função que os jantares dos pais dessas pessoas cumpriam: passar o tempo. Os problemas amorosos, sexuais e profissionais são os mesmos, mas todos se acham bem resolvidos. Costumo provocar dizendo que há 100 anos se fazia sexo melhor. Tinha mais culpa e pecado, o que deve dar uma excitação tremenda. Hoje, todo mundo diz que tem um desempenho maravilhoso, e que vive uma relação de troca plena com seu parceiro ou parceira. Eu considero a revolução sexual um dos maiores engodos da história recente. Criou uma dimensão de indústria, no sentido da quantidade, das relações sexuais – mas na maioria elas são muito ruins, porque as pessoas são complicadas.

Quando começaram os jantares inteligentes?

A matriz histórica são os filósofos da França pré-revolucionária. Os saraus, os jantares em casas de condessas e marquesas eram então uma atividade da burguesia, ou de uma aristocracia falida, aburguesada. Eram uma das formas que a burguesia usava para constituir sua identidade, para mostrar que tinha cultura e opiniões. Mas era um grupo de vanguarda, que discutia as fraturas e crises do pensamento. Nos jantares de hoje, a inteligência tem a mesma função do vinho chileno.

Não há lugar para um pensamento alternativo nem na hora da sobremesa?

Não. A gente teve anos de ditadura no Brasil. Mas, quando ela acabou, a esquerda estava em sua plenitude. Tomou conta das universidades, dos institutos culturais, das redações de jornal. Você pode ver nas universidades, por exemplo, cartazes de um ciclo de palestras sobre o pensamento de Trotsky e sua atualidade, mas não se veem cartazes anunciando conferências sobre a crítica à Revolução Francesa de Edmund Burke, filósofo irlandês fundamental para entender as origens do conservadorismo. Não há um pensamento alternativo à tradição de Rousseau, de Hegel e de Marx. Tenho um amigo que é dono de uma grande indústria e cuja filha estuda em um colégio de São Paulo que nem é desses chiques de esquerda. É uma escola bastante tradicional. Um dia, uma professora falava da Revolução Cubana, como se esse fosse um grande tema. Ela citou Che Guevara, e a menina perguntou: “Ele não matou muita gente?”. A professora se vira para a menina e responde: “O seu pai também mata muita gente de fome”. O que autoriza um professor a usar esse tipo de argumento é o status quo que se instalou também nas escolas, e não só na universidade. O infantilismo político dá vazão e legitima esse tipo de julgamento moral sumário.

Como essa tendência se manifesta na universidade?

O mundo das ciências humanas, em que há pouco dinheiro e se faz pouca coisa, é dominado pela esquerda aguada. Há muito corporativismo e a tendência geral de excluir, por manobras institucionais, aqueles que não se identificam com a esquerda. Existe ainda a nova esquerda, para a qual não é mais o proletariado que carrega o sentido da história, como queria Marx. Os novos esquerdistas acreditam que esse papel hoje cabe às mulheres oprimidas, aos índios, aos aborígines, aos imigrantes ilegais. Esses segmentos formariam a nova classe sobre a qual estaria depositada a graça redentora. Eu detesto política como redenção.

Por que a política não pode ser redentora?

O cristianismo, que é a religião hegemônica no Ocidente, fala do pecador, de sua busca e de seu conflito interior. É uma espiritualidade riquíssima, pouco conhecida por causa do estrago feito pelo secularismo extremado. Ao lado de sua vocação repressora institucional, o cristianismo reconhece que o homem é fraco, é frágil. As redenções políticas não têm isso. Esse é um aspecto do pensamento de esquerda que eu acho brega. Essa visão do homem sem responsabilidade moral. O mal está sempre na classe social, na relação econômica, na opressão do poder. Na visão medieval, é a graça de Deus que redime o mundo. É um conceito complexo e fugidio. Não se sabe se alguém é capaz de ganhar a graça por seus próprios méritos, ou se é Deus na sua perfeição que concede a graça. Em qualquer hipótese, a graça não depende de um movimento positivo de um grupo. Na redenção política, é sempre o coletivo, o grupo, que assume o papel de redentor. O grupo, como a história do século XX nos mostrou, é sempre opressivo.

Em que o cristianismo é superior ao pensamento de esquerda?

Pegue a ideia de santidade. Ninguém, em nenhuma teologia da tradição cristã – nem da judaica ou islâmica -, pode dizer-se santo. Nunca. Isso na verdade vem desde Aristóteles: ninguém pode enunciar a própria virtude. A virtude de um homem é enunciada pelos outros homens. Na tradição católica – o protestantismo não tem santos -, o santo é sempre alguém que, o tempo todo, reconhece o mal em si mesmo. O clero da esquerda, ao contrário, é movido por um sentimento de pureza. Considera sempre o outro como o porco capitalista, o burguês. Ele próprio não. Ele está salvo, porque recicla lixo, porque vota no PT, ou em algum partido que se acha mais puro ainda, como o PSOL, até porque o PT já está meio melado. Não há contradição interior na moral esquerdista. As pessoas se autointitulam santas e ficam indignadas com o mal do outro.

Quando o cristianismo cruza o pensamento de esquerda, como no caso da Teologia da Libertação, a humildade se perde?

Sim. Eu vejo isso empiricamente em colegas da Teologia da Libertação. Eles se acham puros. Tecnicamente, a Teologia da Libertação é, por um lado, uma fiel herdeira da tradição cristã. Ela vem da crítica social que está nos profetas de Israel, no Antigo Testamento. Esses profetas falavam mal do rei, mas sem idealizar o povo. O cristianismo é descendente principalmente desse viés do judaísmo. Também o cristianismo nasceu questionando a estrutura social. Até aqui, isso não me parece um erro teológico. Só que a Teologia da Libertação toma como ferramenta o marxismo, e isso sim é um erro. Um cristão que recorre a Marx, ou a Nietzsche – a quem admiro -, é como uma criança que entra na jaula do leão e faz bilu-bilu na cara dele. É natural que a Teologia da Libertação, no Brasil, tenha evoluído para Leonardo Boff, que já não tem nada de cristão. Boff evoluiu para um certo paganismo Nova Era – e já nem é marxista tampouco. A Teologia da Libertação é ruim de marketing. É como já se disse: enquanto a Teologia da Libertação fez a opção pelo pobre, o pobre fez a opção pelo pentecostalismo.

O senhor acredita em Deus?

Sim. Mas já fui ateu por muito tempo. Quando digo que acredito em Deus, é porque acho essa uma das hipóteses mais elegantes em relação, por exemplo, à origem do universo. Não é que eu rejeite o acaso ou a violência implícitos no darwinismo – pelo contrário. Mas considero que o conceito de Deus na tradição ocidental é, em termos filosóficos, muito sofisticado. Lembro-me sempre de algo que o escritor inglês Chesterton dizia: não há problema em não acreditar em Deus; o problema é que quem deixa de acreditar em Deus começa a acreditar em qualquer outra bobagem, seja na história, na ciência ou em si mesmo, que é a coisa mais brega de todas. Só alguém muito alienado pode acreditar em si mesmo. Minha posição teológica não é óbvia e confunde muito as pessoas. Opero no debate público assumindo os riscos do niilismo, e sou muitas vezes acusado de niilista. Quase nunca lanço a hipótese de Deus no debate moral, filosófico ou político. Do ponto de vista político, a importância que vejo na religião é outra. Para mim, ela é uma fonte de hábitos morais, e historicamente oferece resistência à tendência do estado moderno de querer fazer a cura das almas, como se dizia na Idade Média – querer se meter na vida moral das pessoas.

Por que o senhor deixou de ser ateu?

Comecei a achar o ateísmo aborrecido, do ponto de vista filosófico. A hipótese do Deus bíblico, na qual estamos ligados a um enredo e um drama morais muito maiores do que o átomo, me atraiu. Sou basicamente pessimista, cético, descrente, quase na fronteira da melancolia. Mas tenho sorte sem merecê-la. Percebo uma certa beleza, uma certa misericórdia no mundo, que não consigo deduzir a partir dos seres humanos, tampouco de mim mesmo. Tenho a clara sensação de que às vezes acontecem milagres. Só encontro isso na tradição teológica.

Por que perdemos nosso precioso tempo com besteiras?

Escrevo com a imagem de César Cielo tricampeão mundial dos 50m rasos da natação, chorando copiosamente enquanto escuta o hino nacional como trilha da sua epopeia esportiva.

Imagino o que possa estar passando na cabeça dele. Sacrifícios colossais na busca por patrocínio, o dia a dia espartano, acordando cedo, treinando até o limite da força dos músculos, cuidados quase obsessivos com tudo o que come, e a imensa ansiedade que como fantasma de filmes de terror lhe sussurra: será que você é bom mesmo?

Como atleta, ele julgou que ser o melhor homem do mundo na água  durante ínfimos  21 segundos valia a pena o preço que pagou da vida inteira de dedicação. Pessoalmente jamais faria tanto por tão pouco, mas admiro atletas por um simples traço de caráter: eles pagam o preço por aquilo que eles julgam importante.

E você paga?

Para pessoas comuns, que compõem a quase maioria dos que frequentam esse espaço virtual, o que é importante pode ser resumido em algumas frases que ouço:

“Quero ter um relacionamento próximo com Deus.”

“Quero ser amigo do meu filho.”

“Quero ser um profissional de excelência.”

“Quero ser feliz em um relacionamento amoroso.”

“Quero ter liberdade financeira.”

Apesar de poderem falar sem pestanejar sobre o que realmente vale a pena,  quando eles olham o que fazem todos os dias como hábitos instalados em suas vidas percebem que não estão a caminho de construir nenhuma das coisas que julgam importantes.

Essa incoerência fatal nos leva aos nossos principais problemas..

Nos endividamos porque compramos bugigangas.

Entramos em crise matrimonial porque damos tempo a tudo menos para o nosso cônjuge.

Temos crises espirituais porque  buscar a Deus de verdade nunca foi uma prioridade para nós.

Nossos filhos são estranhos para nós porque nunca paramos para ouvir o coração deles.

Por que então gastamos nosso tempo em besteira?

Tenho percebido pelo menos cinco equívocos nas pessoas:

  1. As pessoas pensam que tudo vai dar certo não importando o que façam. É o otimismo cego. É fé na fé.  É querer colher onde não plantou.
  2. As pessoas simplesmente se resistem a mudar. Viciamos em comportamentos e rotinas que acabam se tornando vacas sagradas inamovíveis. Mudar causa dor, e a dor sempre nos assusta.
  3. As pessoas percebem que o que é importante não dá resultados imediatos. E somos uma cultura viciada que pede tudo para “ontem”.
  4. Somos mais impulsivos do que disciplinados. E o custo é sempre responder à pressão do momento em lugar de seguir um princípio claro.
  5. Queremos ficar bem com todo mundo. Todos têm um plano e uma expectativa em relação a nós. O desejo de ser popular acaba nos desviando das coisas mais fundamentais.  Se não tivermos nossa agenda programada, alguém forte se encarregará de fazer por nós.

Meu conselho a você é que pare de perder tempo e viva sua vida para glória de Deus, fazendo o que realmente importa, a começar por hoje.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Por que acredito que estamos voltando ao tempo das cavernas?

Está cada vez mais comum diálogos como os que seguem abaixo:

– Filha, por favor, podes comprar ração para o gato?

– Ah, não pai. Tenho vergonha.

– Mas filha, é tão simples, é só dizer assim: Que-ro ra-ção pa-ra ga-to!

– Ah, não, não vou, tenho vergonha.

Outro semelhante a esse.

– Pai, estou louco de fome. Pede um lanche pra nós?

– Pega o telefone e pede!

– Ah, não! Tenho vergonha.

– Ué, mas tu passas a tarde toda falando com teus amigos pelo Facebook, e não te anima a pedir um lanche pelo telefone?

– Ah, mas é diferente.

– Então vai ficar com fome. Está aqui o dinheiro, se quiseres pede tu mesmo.

– Então, vou comer as bolachas que tem na cozinha.

É uma grande contradição, mas a era das comunicações está produzindo gente que tem dificuldades básicas de interação humana. Não é nem de compartilhar seus problemas, é algo ainda mais fundamental, dirigir a palavra a outro ser humano.

O ser humano que se forma da experiência tecnológica, é ultrassensível (não consegue ouvir uma reprimenda sem entendê-la como um xingamento), é dependente da máquina (não fala sem a ajuda do celular ou computador) sem senso de realidade (vive sem saber a diferença entre internet e vida real) e despreparado para a frustração.

Ora, não posso deixar de concluir, com a amostragem de que disponho, que estamos voltando ao tempo das cavernas, só que essa caverna é solitária. Perdemos habilidades que conquistamos com anos de olho no olho e trocas de chimarrão. É a desgraça das relações, pois os relacionamentos que se formam a partir dessa realidade são mais falsos, mais descartáveis, mais frios e mais egocêntricos. Despreparados então, o que poderemos esperar das comunidades que formaremos. Como será nossa escola, nossas igrejas, nossos bairros e trabalho?

No bairro, digo com tristeza, não vejo mais crianças brincando. Elas compram o seu Playstation, que é cômodo para os pais e divertido pra elas e passam dias sem conversar e sem serem contrariados com opiniões divergentes, sem compartilhar nada.

No trabalho, muitas profissões fundamentais vão ficando sem herdeiros para o futuro, como a construção civil e a agricultura. Trabalho bom, é trabalho de caverna  escritório.

Nas igrejas, as pessoas vão de lugar em lugar procurando não se envolver, porque todo envolvimento tem custos e eles não querem pagar o preço. Tudo que não produz emoções rápidas e intensas é descartável.

E as escolas são o caldeirão desse atraso, onde esses egos mal formados não conseguem dar espaço um para o outro, brigam constantemente, e sem conseguirem se entender criam tribos urbanas impenetráveis a diferença e as vezes atacam-se por frivolidades.

Acho que está mais do que na hora da gente se preocupar e muito com esse fenômeno. Eu mesmo, fiz questão de reduzir minha jornada na internet, quero programar o “dia da desconexão” na minha casa ( um dia no qual ninguém acessará qualquer mídia especialmente a internet) e recomendar a quem se preocupa com os seus, colocar um limite nessa caverna que vai engolindo a todos.

Do contrário nossa indiferença nos converterá a todos em “unga-bunga” e a barbárie encontrará espaço cada vez maior no nosso dia a dia e não haverá polícia nem estado que possa conter.

Com preocupação…

O discípulo gaudério.

Seis razões para o avanço do ateísmo entre jovens.

Richard Dawkins

Richard Dawkins

É fato, o ateísmo está crescendo entre os jovens: veja essa matéria. Gostaria de investigar algumas razões para isso a fim de trazer subsídios para pensarmos em um caminho de retorno e talvez de precaução. Eis o que venho pensando:

1. Cristãos e igrejas com projetos de poder e dominação. A todo o momento eu me pergunto como os ditos cristãos não conseguem perceber os delírios megalômanos dos seus líderes, e quão distantes seus projetos estão do que Cristo propôs e exemplificou nos evangelhos. Então não é de se admirar que “o Corpo de Cristo”, tão diferente dEle mesmo, cause repulsa nas pessoas. Como já ouvi alguém de fora dizer: Se esses que estão falando de Jesus serão os habitantes do céu, me desculpem mas prefiro ir para o inferno!

2. Pais ausentes. Já escrevi sobre isso, mas não canso de dizer. Uma geração sem pai está vários passos atrás na jornada espiritual de encontrar o Pai. Os novos ateus que encontro poderiam mudar a frase “não acredito em Deus” para “não acredito no meu pai” sem que seu discurso perdesse o sentido, justamente porque o pai é a (me desculpem o paradoxo da declaração) razão afetiva da descrença ressentida deles.

3. A propaganda de que a tecnologia resolve todos os problemas. Segundo a cartilha pós-moderna, tudo que eu preciso está ao alcance de um clique! Aquele jovem inexperiente com as reais exigências da vida e desconectado com seus mais profundos anseios compra essa mentira e pensa que está vivendo na ilha da fantasia da deusa tecnologia. A semelhança dos povos antigos que dependiam da presença do sol para a maioria das coisas importantes  que faziam e terminaram adorando-o, da mesma maneira o jovem do século XXI rodeia-se de bugigangas tecnológicas para tudo que julga fundamental e instintivamente adora no altar tecnológico.

4. Cristãos mal preparados nas universidades. Como diria C. S. Lewis, a boa filosofia deve existir, se não for por outra razão, que seja para combater a má filosofia. Poucas igrejas preparam seus jovens para o embate de ideias que enfrentarão na universidade. Sem preparo, ele acaba intimidado, e no coração começa a duvidar do que lhe foi ensinado. É uma guerra espiritual, pois uma ideia uma vez que conquiste a mente, governará o indivíduo. Está mais do que na hora das lideranças prepararem seus membros para o debate de ideias da universidade.

5. Selva de pedra. O salmo 19 diz que a criação é um livro que discursa sobre a glória e o desígnio inteligente de Deus. Um estudante de veterinária ao estudar os animais e a biologia me disse que não era possível descrer da existência de Deus diante de tamanho detalhamento no funcionamento do mundo animal. Parece que a rotina da cidade grande e suas estruturas de concreto cria uma cortina de fumaça nos olhos espirituais do homem. Tom Jobim faz uma preciosa confirmação dessa verdade quando diz: “A vida tem um sentido oculto, certamente. Fui criado em ambiente cético, de maneira agnóstica. Diante da natureza, sinto que toda a negação é ingênua, que Deus não nos teria criado para o nada”.

6. Desobediência aberta. “Se vocês obedecerem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor…” Uma verdade simples e objetiva é revelada no evangelho: é na obediência que conhecemos a Deus. Esse conhecimento é experiencial. E isso se dá quando eu aprendo e coloca a Palavra em prática na minha vida. A desobediência é uma forma de ignorar a Deus, e a prática de ignorar a Deus acaba dando a mente e ao coração a falsa convicção de que Deus de fato não existe.

Que essas questões nos forneçam pistas de um caminho alternativo para alcançarmos esses corações desalentados e talvez entendermos um pouco a nós mesmos.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.