Por que acredito que estamos voltando ao tempo das cavernas?

Está cada vez mais comum diálogos como os que seguem abaixo:

– Filha, por favor, podes comprar ração para o gato?

– Ah, não pai. Tenho vergonha.

– Mas filha, é tão simples, é só dizer assim: Que-ro ra-ção pa-ra ga-to!

– Ah, não, não vou, tenho vergonha.

Outro semelhante a esse.

– Pai, estou louco de fome. Pede um lanche pra nós?

– Pega o telefone e pede!

– Ah, não! Tenho vergonha.

– Ué, mas tu passas a tarde toda falando com teus amigos pelo Facebook, e não te anima a pedir um lanche pelo telefone?

– Ah, mas é diferente.

– Então vai ficar com fome. Está aqui o dinheiro, se quiseres pede tu mesmo.

– Então, vou comer as bolachas que tem na cozinha.

É uma grande contradição, mas a era das comunicações está produzindo gente que tem dificuldades básicas de interação humana. Não é nem de compartilhar seus problemas, é algo ainda mais fundamental, dirigir a palavra a outro ser humano.

O ser humano que se forma da experiência tecnológica, é ultrassensível (não consegue ouvir uma reprimenda sem entendê-la como um xingamento), é dependente da máquina (não fala sem a ajuda do celular ou computador) sem senso de realidade (vive sem saber a diferença entre internet e vida real) e despreparado para a frustração.

Ora, não posso deixar de concluir, com a amostragem de que disponho, que estamos voltando ao tempo das cavernas, só que essa caverna é solitária. Perdemos habilidades que conquistamos com anos de olho no olho e trocas de chimarrão. É a desgraça das relações, pois os relacionamentos que se formam a partir dessa realidade são mais falsos, mais descartáveis, mais frios e mais egocêntricos. Despreparados então, o que poderemos esperar das comunidades que formaremos. Como será nossa escola, nossas igrejas, nossos bairros e trabalho?

No bairro, digo com tristeza, não vejo mais crianças brincando. Elas compram o seu Playstation, que é cômodo para os pais e divertido pra elas e passam dias sem conversar e sem serem contrariados com opiniões divergentes, sem compartilhar nada.

No trabalho, muitas profissões fundamentais vão ficando sem herdeiros para o futuro, como a construção civil e a agricultura. Trabalho bom, é trabalho de caverna  escritório.

Nas igrejas, as pessoas vão de lugar em lugar procurando não se envolver, porque todo envolvimento tem custos e eles não querem pagar o preço. Tudo que não produz emoções rápidas e intensas é descartável.

E as escolas são o caldeirão desse atraso, onde esses egos mal formados não conseguem dar espaço um para o outro, brigam constantemente, e sem conseguirem se entender criam tribos urbanas impenetráveis a diferença e as vezes atacam-se por frivolidades.

Acho que está mais do que na hora da gente se preocupar e muito com esse fenômeno. Eu mesmo, fiz questão de reduzir minha jornada na internet, quero programar o “dia da desconexão” na minha casa ( um dia no qual ninguém acessará qualquer mídia especialmente a internet) e recomendar a quem se preocupa com os seus, colocar um limite nessa caverna que vai engolindo a todos.

Do contrário nossa indiferença nos converterá a todos em “unga-bunga” e a barbárie encontrará espaço cada vez maior no nosso dia a dia e não haverá polícia nem estado que possa conter.

Com preocupação…

O discípulo gaudério.

Um pensamento sobre “Por que acredito que estamos voltando ao tempo das cavernas?

  1. Esta é a triste verdade que temos enfrentado. E o pior de tudo, temos nos conformado com isso. Que possamos a cada dia buscar transformar nossa mente em relação aos exageros do mundo!

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