“Não podemos se entregar pros homem”

A perseverança que vem da graça de Deus dobra as resistências mais teimosas do mundo.

Dobra o conservadorismo. O conservadorismo é aquela ideia que diz que algo tem valor só porque é antigo. Gente que insiste no diálogo, na postura coerente triunfará sobre ele. Ouvi um pastor contar que os jovens de sua igreja queriam mover o piano de lugar, e colocar uma bateria no mesmo espaço. Ninguém se animava, pois todos temiam a reação da senhora que tocava o piano e que era uma mulher muito brava. O pastor não se sofreu e disse: Deixa comigo que eu dou um jeito! Então, todo domingo, ele empurrava o piano uns 50 centímetros, até que no fim de dois meses, o piano estava do outro lado do altar. O mesmo foi feito com a bateria. Começaram a colocar, o bumbo, o surdo, os pratos e os demais componentes, um a um durante as semanas que se seguiram, até que começaram a tocar. Ninguém reclamou. Às vezes o que nos falta é aquele tipo de garra que não briga, mas também não retrocede.

Dobra o preconceito. A primeira reunião de liderança que fiz na igreja onde pastoreio, tive que ouvir o presbítero dizer que naquela cidade, pastor não usava cavanhaque. Sem brigar, eu respondi que se fossemos caminhar em direção a esse tipo de regras eu também tinha as minhas. Quando ele ouviu algumas que não lhe agradavam respondeu: É, acho bom a gente esquecer esse assunto! Ali começou uma mudança.

Da mesma forma, Dunga ouviu que era o símbolo da derrota brasileira, mas acabou vencendo. Rogério Ceni ouviu que não podia bater faltas e pênaltis porque era goleiro, mas acabou quebrando muitos recordes. E Martin Luther King mesmo agredido e maltratado continuou sua marcha rumo aos direitos civis plenos aos cidadãos negros nos Estados Unidos.

Dobra o ódio. É inimaginável hoje pensar que no primeiro século, os romanos abandonavam crianças deficientes ou do sexo feminino em praça pública como um costume aceitável, que doentes eram deixados à míngua pelos seus familiares temerosos de morrerem contaminados pelas pestes que grassavam no império. Mas consideramos isso inaceitável porque cristãos cheios de amor fundaram orfanatos e inspiraram a construção de hospitais pelo seu zelo em cuidar dos abandonados e doentes. O amor perseverante triunfou.

Dobra a incredulidade. Ninguém ganhará sua família para o evangelho, abrindo mão de sua dedicação a Deus. É a consistência da nossa fé que comunica o quanto ela é importante. Se for importante para nós, ela colocará um elefante atrás da orelha de quem convive conosco.

Dobra a indiferença. Talvez as pessoas nesse momento estejam ignorando você porque você não se encaixe no perfil extrovertido, nem seja carismático como outros que parecem se dar bem. Mas, se você for firme em seus princípios, não demorará a ser uma rocha na qual outros se apoiam. Vi isso muitas vezes.  Espere e veja.

Dobra a pobreza. Um amigo que é missionário em uma região bem pobre do globo compartilhou comigo que a maior dificuldade que enfrenta no campo, não é a falta de recursos, mas o desafio de mudar a mentalidade dos nativos de querer receber tudo nas mãos. Simplesmente muitos não querem aprender a plantar e a construir suas casas. Querem comida e pousada prontas. Por outro lado quem com fé se posiciona dia a dia para vencer sua indolência acaba vendo as limitações da pobreza sendo vencidas.

Não importa quais resistências você tem enfrentado, peça a graça de continuar a Deus e veja as resistências mais teimosas do mundo se dobrando pelo poder de Deus.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

A graça de continuar

“Nós, porém, não somos dos que retrocedem e são destruídos, mas dos que creem e são salvos.”

Hebreus 10:39

Perseverança é o lado monótono da vida, são os passos pequeninos e repetitivos para realizar uma grande obra.

Para cada minuto de êxtase vitorioso houve mil horas de perseverança. Quem não conseguir entender isso, jamais realizará algo realmente significativo.

Quando falo realizar algo grande, entendo que não há nada realmente importante nesse mundo criado por Deus que não exija respeito aos processos. Não existem industrializações no Reino.

Ser libertado do Egito levou uma geração. Preparar o filho de Deus levou trinta anos. Preparar discípulos exigiu três anos. Um fruto saudável precisa tempo, um atleta precisa repetição.

O bom de tudo isso é saber que para perseverar não é preciso ter talento, basta continuar…

Gosto de pensar na perseverança como uma grande jornada.

Você vai ouvir aplausos, mas cuidado, não pare, eles podem tirar você da jornada. O diabo quando não pode arrancar nossas virtudes, coloca um espelho na nossa frente para nos perdermos narcisisticamente.

Você vai ouvir vaias, mas não se ocupe em ouvir tudo que estão dizendo. Você acaba se distraindo.

E na maioria do tempo haverá silêncio, talvez silêncios ensurdecedores. São os mais difíceis, afinal o que é pior que a monotonia para viciados em adrenalina como somos.

Imprescindível nesta caminhada é você não tentar perseverar. É isso mesmo. Não tente perseverar. Tentar é um álibi para desistir. Simplesmente, persevere. Repita a si mesmo: eu não sou do tipo que desiste!

Também não gaste sua energia com bravatas. Os maiores executivos que conheci primeiro faziam e depois falavam.

Mas não se esqueça de ter a plena convicção de que vale a pena. Afinal o que distingue um teimoso de um perseverante é o valor daquilo a que se apegam.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Será que minha igreja é um lugar seguro para falar a verdade?

“Na presença do Médico dos médicos, minha contribuição mais adequada talvez sejam minhas feridas.”

Philip Yancey

Nossos relacionamentos em comunidade são de uma superficialidade constrangedora. São beijos através do vidro, são abraços por telefone. Teatro ensaiado e previsível.  Falamos, mas não dizemos nada. Não gostamos, mas fazemos cara de quem está adorando.

Dizemos olá, como vai, tudo bem?

Falamos do jogo de futebol.

Falamos sobre as notícias de hoje.

Falamos sobre o passado.

Comentamos a pregação do pastor e como foi maravilhosa!

Defendemos nossa posição teológica com solidez.

Mas e o nosso coração, quando tem voz?

Como Adão depois da queda, nos escondemos atrás da falsa gentileza  do brasileiro que viciou em dizer “tudo bem” quando perguntado sobre sua vida. Mas, nem por isso deixamos de ser uma sociedade abusadora,  como estão aí os números da violência para revelarem nossa hostilidade mal disfarçada.

A pergunta que você certamente faz é: será que meu habitat de igreja é um lugar seguro para se falar a verdade? Deveria ser, pois uma comunidade que defende a pecaminosidade universal, jamais poderia se surpreender com pessoas menos que perfeitas. Enquanto não for, todos colocarão a sujeira para debaixo do tapete, e de vez em sempre, alguém tropeçará no tapete e todos ficarão surpresos com o que há por debaixo dele.

Pela minha experiência o que mais impede a transparência na igreja, é o espírito religioso. Aquela postura que Jesus falou quando ensinou: não julguem para não serem julgados. É a atitude superior que acaba com nossa verdadeira comunhão.

É triste saber que tem discípulos de Jesus que se sentem melhor contando seus problemas a um psicólogo ou psiquiatra, do que a um companheiro de jornada. Sim porque o crente normal é um chato que não sabe ouvir sem repetir chavões e sem julgar.

Outra razão, para nossas camuflagens, penso eu  é o divórcio entre verdade e amor. Ou somos xiitas da verdade que fritam os outros em nome de Jesus, ou somos discípulos água com açúcar que acreditam que o pecado não faz mal para ninguém. A palavra me diz que amor e verdade não podem ser separados. Ou acabam não sendo nem uma coisa nem outra.

Por essas e outras estamos perdendo as bênçãos necessárias da transparência.

A primeira carta de João no Novo Testamento, fala muito sobre andar na luz. Transparência é uma implicação prática de andar na luz.

O texto (1) de João nos fala de pelo menos três bênçãos que ela traz para a comunidade dos discípulos:

1. Verdadeira parceria. Existe muita gente solitária em grandes comunidades, apesar de frequentarem congressos, festinhas e até fazerem discipulado. Há também um fenômeno cada vez mais comum de amizades descartáveis.  O motivo é simples: os corações não estão entrelaçados, apenas as superfícies. Uma máscara que fala para outra máscara. É tempo de parar com o faz de conta. É tempo de levantarmos a bandeira da transparência comunitária para experimentarmos o verdadeiro amor.

2. Libertação do pecado. Todas as pessoas que Jesus curou nos evangelhos, saíram de suas cascas.

O cego de Jericó, não quis saber dos discípulos tentando fazê-lo calar a boca.

A prostituta perdoada, não teve nenhum problema de entrar em um covil de fariseus para estar aos pés de Jesus.

Zaqueu sabia bem que ninguém gostava dele, mas foi em frente no seu plano de encontrar a Jesus.

O leproso assustou a todos quando foi se achegando a Jesus saindo do meio da multidão.

Quem sai da casca, sai das trevas, do segredo, do orgulho, do amor as aparências e entra na zona da cura e da libertação!

3. Direção na vida. Quem se esconde vive uma mentira, que acaba por acreditar. E por acreditar em uma mentira, fica cego as consequências de seus vícios e atitudes malignas. As trevas o cegam diz a Palavra. Uma vida transparente, sabe onde vai, pois anda com humildade.

Não sei o que você vai fazer, mas se eu fosse você parava com o jogo de cena, e começava abrir o jogo.

E quem não tiver pecado, que atire o primeiro julgamento.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

O que vem depois da vaidade ?

Não foram poucas as vezes que ouvi o lamento das pessoas sobre o engano que produzem os falsos líderes que falam em nome de Deus!

“Como pode algo tão óbvio enganar a tanta gente!”

“Como o povão é ignorante! Pobres inocentes levados por esses lobos vorazes!”

“Falta educação para as pessoas. Do contrário não se deixariam levar.”

De forma apressada, a primeira vista, podemos deduzir que o estelionato feito em nome de Deus, ou em nome do ateísmo, é apenas uma questão de educação, afinal na cabeça de muitos a educação salva!

Engano gigantesco!

A palavra ensina, e o testemunho histórico confirma, que é o amor pelas ilusões perversas do próprio coração que leva o ser humano a crer no conto da carochinha. Tanto para crer nas boas intenções do Edir Macedo como para crer quem sabe na superioridade de alguma raça sobre as outras.

Como explicar que o povo alemão, altamente educado pode se fazer refém do nazismo por exemplo?

Ou como entender que na nação mais intelectualizada do mundo (a França), onde a leitura é o passatempo favorito, ainda sejam renitentes a mentalidade xenófoba como o caso da cigana extraditada por um governo socialista (o que?) e apoiado pela maioria do povo? Se quiser saber mais pode ler aqui.

Ora a resposta é que antes da propaganda e do interesse econômico, o motivo tanto do nazismo como do autoengano com os picaretas da fé está na vaidade do coração.

Paulo escreve na segunda carta aos tessalonicenses um texto elucidador: “Ele (o espírito o anticristo) fará uso de todas as formas de engano da injustiça para os que estão perecendo, porquanto rejeitaram o amor a verdade que os poderia salvar. Por essa razão Deus lhes envia um poder sedutor a fim de que creiam na mentira”.

A quem se sentir cheio de muitas luzes e discernimento, seria bom consultar seu próprio coração e ver se um elogio rasgado também não lhe põe a perder no caminho antes reto.

A sedução do inferno sempre começa com a vaidade do coração humano!

Sim, o engano está só um passo depois da vaidade.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.