Será que minha igreja é um lugar seguro para falar a verdade?

“Na presença do Médico dos médicos, minha contribuição mais adequada talvez sejam minhas feridas.”

Philip Yancey

Nossos relacionamentos em comunidade são de uma superficialidade constrangedora. São beijos através do vidro, são abraços por telefone. Teatro ensaiado e previsível.  Falamos, mas não dizemos nada. Não gostamos, mas fazemos cara de quem está adorando.

Dizemos olá, como vai, tudo bem?

Falamos do jogo de futebol.

Falamos sobre as notícias de hoje.

Falamos sobre o passado.

Comentamos a pregação do pastor e como foi maravilhosa!

Defendemos nossa posição teológica com solidez.

Mas e o nosso coração, quando tem voz?

Como Adão depois da queda, nos escondemos atrás da falsa gentileza  do brasileiro que viciou em dizer “tudo bem” quando perguntado sobre sua vida. Mas, nem por isso deixamos de ser uma sociedade abusadora,  como estão aí os números da violência para revelarem nossa hostilidade mal disfarçada.

A pergunta que você certamente faz é: será que meu habitat de igreja é um lugar seguro para se falar a verdade? Deveria ser, pois uma comunidade que defende a pecaminosidade universal, jamais poderia se surpreender com pessoas menos que perfeitas. Enquanto não for, todos colocarão a sujeira para debaixo do tapete, e de vez em sempre, alguém tropeçará no tapete e todos ficarão surpresos com o que há por debaixo dele.

Pela minha experiência o que mais impede a transparência na igreja, é o espírito religioso. Aquela postura que Jesus falou quando ensinou: não julguem para não serem julgados. É a atitude superior que acaba com nossa verdadeira comunhão.

É triste saber que tem discípulos de Jesus que se sentem melhor contando seus problemas a um psicólogo ou psiquiatra, do que a um companheiro de jornada. Sim porque o crente normal é um chato que não sabe ouvir sem repetir chavões e sem julgar.

Outra razão, para nossas camuflagens, penso eu  é o divórcio entre verdade e amor. Ou somos xiitas da verdade que fritam os outros em nome de Jesus, ou somos discípulos água com açúcar que acreditam que o pecado não faz mal para ninguém. A palavra me diz que amor e verdade não podem ser separados. Ou acabam não sendo nem uma coisa nem outra.

Por essas e outras estamos perdendo as bênçãos necessárias da transparência.

A primeira carta de João no Novo Testamento, fala muito sobre andar na luz. Transparência é uma implicação prática de andar na luz.

O texto (1) de João nos fala de pelo menos três bênçãos que ela traz para a comunidade dos discípulos:

1. Verdadeira parceria. Existe muita gente solitária em grandes comunidades, apesar de frequentarem congressos, festinhas e até fazerem discipulado. Há também um fenômeno cada vez mais comum de amizades descartáveis.  O motivo é simples: os corações não estão entrelaçados, apenas as superfícies. Uma máscara que fala para outra máscara. É tempo de parar com o faz de conta. É tempo de levantarmos a bandeira da transparência comunitária para experimentarmos o verdadeiro amor.

2. Libertação do pecado. Todas as pessoas que Jesus curou nos evangelhos, saíram de suas cascas.

O cego de Jericó, não quis saber dos discípulos tentando fazê-lo calar a boca.

A prostituta perdoada, não teve nenhum problema de entrar em um covil de fariseus para estar aos pés de Jesus.

Zaqueu sabia bem que ninguém gostava dele, mas foi em frente no seu plano de encontrar a Jesus.

O leproso assustou a todos quando foi se achegando a Jesus saindo do meio da multidão.

Quem sai da casca, sai das trevas, do segredo, do orgulho, do amor as aparências e entra na zona da cura e da libertação!

3. Direção na vida. Quem se esconde vive uma mentira, que acaba por acreditar. E por acreditar em uma mentira, fica cego as consequências de seus vícios e atitudes malignas. As trevas o cegam diz a Palavra. Uma vida transparente, sabe onde vai, pois anda com humildade.

Não sei o que você vai fazer, mas se eu fosse você parava com o jogo de cena, e começava abrir o jogo.

E quem não tiver pecado, que atire o primeiro julgamento.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

2 pensamentos sobre “Será que minha igreja é um lugar seguro para falar a verdade?

  1. Gostei muito, realmente me sinto as vezes como que estivesse rodeada de amigos de Jó sempre querendo um resposta para oque estava acontecendo (respostas todas elas equivocadas), por isso não me sinto atraida a falar .

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