Seis problemas que o perfeccionismo cria para você.

1984. No fundo da sala de aula há um aluno inquieto. Ele é do tipo que nunca consegue sentar. Vive cantando alto suas canções favoritas. Perde a aula, mas não perde a piada. A resposta na ponta da língua, mas fora do lugar custa vários passeios no temido SOE. Quando está presente ouve as aulas de lado, ao mesmo tempo em que interage com os colegas do fundão e coloca suficiente atenção na aula para conseguir sobreviver sem repetir o ano. Um aluno medíocre certamente.

1990. Seis anos depois é inacreditável que o mesmo cara agora com 18 anos entre em crise depois de ter conseguido obter “apenas” 9,9 na prova. “Porque não consegui um 10?” é a pergunta que o torturou durante uma semana. Ser o melhor, ser o primeiro era tudo que importava.

O que há em comum entre esses dois comportamentos opostos? O perfeccionismo. Em 1984, eu tropeçava nas minhas próprias inseguranças. Era o filho caçula que havia sido precedido por um irmão muito bem sucedido na escola. Não queria tentar fazer qualquer coisa parecida, pois talvez não suportasse a dor do fracasso.

Com a maturidade e autoconfiança desenvolvidas, me lancei em busca de provar minha própria capacidade. Queria recuperar o tempo perdido e mostrar para todo mundo que eu poderia fazer algo com excelência.

Conquistei algum respeito, mas infelizmente construí mais muralhas do que servi as pessoas ao meu redor. Assim é com o perfeccionista em crise. Depois de ter colocado a mão profundamente nessa ferida, consigo perceber o quanto deixei de ser. Veja as perdas do perfeccionismo e aprenda você também.

1. Perfeccionismo impede você de ajudar as pessoas a crescerem. Afinal se você estabelece um padrão inalcançável para si mesmo, certamente se sentirá um traidor de si mesmo, hipócrita, falso se tecer elogios a alguém que considera menos que perfeito. O que tenho aprendido nestes anos de abstenção e tem me ajudado é que não avalio as pessoas a partir do produto final, mas da evolução pessoal.

2. Perfeccionismo impede você de ser grato a Deus. Se você não está contente com quem você é, não estará grato com Aquele que o criou. Isso é a questão mais básica no louvor, sentir alegria de ser quem se é.

3. Perfeccionismo faz de você um peso difícil de carregar. Como somos todos produtos inacabados e o alvo do perfeccionista é algo ideal e acima da realidade, haverá sempre no perfeccionista em crise um quê de criticismo, de ver o lado ruim das pessoas, de não suportar defeitos alheios como não suporta os seus próprios. Outro comportamento que o afasta  das pessoas é a cobrança constante. São pessoas que não conseguem relaxar nunca. Não é de estranhar que as pessoas fujam da sua presença. Pobres dos filhos que são obrigados a conviver com pais assim.

4. Perfeccionismo adoece sua alma e seu corpo. Dores de cabeça, de estômago, paranoias, transtorno obsessivo compulsivo são o agravamento de anos imerso em uma atitude doentia. O pior é que tem gente com orgulho dessa neurose!

5. Perfeccionismo faz com que você tenha dificuldades de cumprir prazos. Afinal, se tudo tem que estar em um padrão alto de perfeição será impossível você ter o tempo necessário para tantas atividades durante o dia. Imagine que você está na faculdade e tem 10 matérias e quer tirar 10 em todas elas. Pode parecer um bom objetivo, mas certamente vai queimar você antes que você consiga perceber. Imagine que você quer ser perfeito no seu trabalho e ignorando limites faz vários serões durante o ano. Repentinamente seu corpo contra ataca e você precisa ficar fora de cena um mês devido a uma doença qualquer. Qual a sabedoria de tudo isso?

6. Perfeccionismo torna qualquer correção  uma sentença de morte ou declaração de guerra. Imagine, depois de todo esforço que a gente faz ainda receber uma crítica! É o fim da picada. Ou afundamos na depressão ou esganamos com nossas próprias mãos quem ousa dizer qualquer coisa para nós.

Mas eu creio no poder do Espírito Santo para nos libertar de padrões erráticos de pensamento.

Precisamos antes de tudo reconhecer nosso perfeccionismo.

Segundo, aceitar o conselho de quem está ao nosso lado quando diz que “o suficiente é o suficiente”.

Terceiro precisamos levar a sério o lugar de trevas existenciais que o pensamento perfeccionista está nos levando.

Quarto é preciso  entender de onde vem essas vozes de exigência desumana.

E por último é preciso deixar Deus nos ensinar a diferença entre excelência e perfeição. O sentido do mandamento “sejam perfeitos” na verdade significa “sejam excelentes”. Excelência é fazer bem feito com o tempo e os recursos disponíveis. Perfeição não existe desse lado do céu. E lembre: “O perfeccionismo é um perigoso estado de espírito em um mundo imperfeito.” Robert Hillyer

Um abraço  quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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