11 sinais de decadência de uma igreja local

“A primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la.”

Eduardo Galeano

Antes de você ler, entenda que quando falo de decadência, não me refiro a números. Uma igreja pode estar “bombando” numericamente, mas ser totalmente infiel ao projeto de Jesus. Nem todo aquele que me diz “Senhor, Senhor”… Você conhece o texto. Ao mesmo tempo que, uma igreja pequena não é necessariamente mais fiel.

1. Perder a preocupação com sua essência, para preocupar-se com sua permanência.

A igreja do Senhor está constantemente procurando ajustar seu foco naquilo que realmente importa. A essência de uma igreja é o amor transubstanciado em relacionamentos altamente comprometidos, missões, obras de amor e pregação fiel da palavra. Uma igreja que se perdeu preocupa-se em disputar com suas irmãs o espaço religioso. Teme perder o terreno. Pode até se impor mas não será mais igreja com o passar do tempo. A igreja que vive no sopro do Espírito não precisa se angustiar sobre sua continuidade, pois tem a promessa que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”  Quando se cuida das raízes o fruto é consequência. 

2. Substituir a paixão por Jesus, pela paixão por um líder carismático ou instituição.

Não se trata de vilanizar instituições, pois toda organização é instituição. Mas instituições podem ser sadias ou doentes. Igrejas doentes são apaixonadas pelo próprio nome. Ironicamente, da mesma forma como o catolicismo substituiu Jesus por Maria, o evangelicalismo tem substituído Jesus pela denominação. Mau sinal, sem ele nada poderemos fazer.  A conversa comum entre os membros da comunidade vaza a real paixão entre eles. A bondade do Senhor ou o carisma da liderança?

3. Deixam de ser abertos para mudanças para se tornarem os representantes do conservadorismo.

Não mudam linguagem, liturgia ou aplicação dos princípios bíblicos. O planejamento se tornou em plane-jumento. Tornaram-se odres velhos. São tão previsíveis quanto o especial do Roberto Carlos no final do ano.

4. Perdem a coragem de empreender e vivem das grandes conquistas do passado.

O papo da comunidade se torna em saudosismo dos velhos tempos.

5. Abandonam o poder do amor para usar a força do medo.

Ameaças tornam-se cada vez mais comuns na pregação. Controlam cada passo dos membros, e a liderança procura criar uma aura de distância para estabelecer um padrão de distância e mistério. Deixam de apascentar para a-pau-sentar.

6. Abandonam a preocupação por pessoas para preocuparem-se com multidões.

Aqui não me entendam mal. Igrejas devem crescer de forma sadia. Isso é bom e desejável. Mas quando as pessoas perdem-se na multidão, não conhecem e não são conhecidas algo de fundamental perdeu-se. Geralmente comunidades assim vivem de eventos. É fácil amar multidões, difícil é amar quem está perto.

7. Deixam de ouvir seus profetas para apedrejar seus profetas.

Profetas são homens e mulheres levantados por Deus para dizer à igreja aquilo que ela não quer ouvir. São como alguém já disse a reserva espiritual da igreja. Quando eles estão sendo apedrejados, ou quando a igreja só está “gostando” da pregação é sinal que o profetismo não passa por um bom momento. Tem gente incomodando o “status quo” em sua igreja? Não? É hora de colocar as barbas de molho.

8. As decisões não são mais dirigidas por Deus, mas dirigidas pelo dinheiro.

O inimigo tenta convencer a igreja de sua impotência por sua total ausência de recursos deste mundo:

Vocês não tem dinheiro suficiente!

Vocês não tem talento suficiente!

Vocês não tem pessoas o suficiente!

Se as decisões de uma comunidade dependem do dinheiro, então é o dinheiro quem manda.

Se o dinheiro manda, a composição da liderança da igreja será decidida pelo potencial financeiro, as pessoas serão tratadas de acordo com o dinheiro, o alvo da evangelização será determinado pelo dinheiro, os programas serão mantidos de acordo com sua lucratividade, enfim a alma da igreja será o dinheiro. E o deus será Mamom.

9. Sai a família cosmopolita entra a confraria de iguais.

 O cerne da missão de Jesus foi sair da sua “tribo celestial” e cruzar as fronteiras religiosas, geográficas e ideológicas para alcançar o coração humano.

Amar pessoas cuja única identificação é a imagem de Deus é o chamado da igreja. Não amar apenas aqueles que são da nossa cultura, ou seja, mesma educação e mesma classe social.  

Os imigrantes alemães fizeram isso quando chegaram ao Brasil, os americanos praticaram apartheid religioso, e algumas cartilhas de crescimento de igreja também estimulam a formação de uma confraria de iguais.

A confraria de iguais acaba se tornando um “beijo no espelho” conforme o Floriano Cambará da obra de Érico Veríssimo.

10. Perdem a preocupação pela saúde dos relacionamentos, para preocupação com a posição na hierarquia.

Em comunidades doentes as pessoas não se tratam pelo nome, mas pela posição que ocupam. A grande recompensa é a ascensão na escada hierárquica. Quando essa é a lógica, uma competição feroz acontece nos bastidores e a falsidade impera. Os problemas são jogados para debaixo do tapete. O evangelho no entanto nos diz que somos todos pródigos que receberam do Pai sandálias, roupas e anel no dedo. Quem gosta de meritocracia é o irmão mais velho da parábola.

11. Abandono da ênfase no servir para a busca do estrelato.

Talvez essa seja a principal razão da ausência evangélica na ação social destas igrejas. Não dá ibope. É trabalho sem glória.

Sempre faço um pergunta nas igrejas aonde vou: se a sua igreja saísse deste bairro, deste endereço, a vizinhança sentiria a falta dela? A resposta dirá muito sobre os caminhos que estamos trilhando.

Um abraço quebra costelas

O discípulo gaudério.

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