Os gaúchos precisam de uma nova revolução

O Rio Grande do Sul masculino, de conexões profundas com o instinto guerreiro herdado dos seus antepassados parece se ressentir da falta de uma guerra.

A Bibiana do romance o Tempo e o Vento costumava dizer que a sina das mulheres do sul era esperar, chorar e fiar.

Não era à toa, pois o nosso estado enfrentou Revolução Farroupilha (1835), Federalista (1893), Revolta dos Maragatos (1923), Golpe de Estado liderado por Getúlio Vargas (1930).

Parte daqueles que participavam das pelejas não tinham sequer ideia da razão de estarem fazendo a guerra, apenas entendiam que era seu dever responder a convocação dos chefes de estado. Uma questão de honra, de macheza.

Depois da entrada e saída de Getúlio Vargas do poder nosso estado sossega o facho ao mesmo tempo em que um esporte bretão vai tomando conta do coração dos homens do estado: o futebol.

Pesquisas recentes dão conta que Grêmio e Inter, os dois polos da maior paixão esportiva no Estado, encabeçam a posição de torcedores mais fanáticos do Brasil. Parece que apenas transferimos nossa sanha guerreira do campo de guerra para o campo de futebol. Ali no campo de futebol transferem-se todos os elementos do campo de batalha: estratégia, coragem, virilidade, competição.  Só não há sangue. Pelo menos não havia. Era o que faltava para a perfeita substituição, é o que há agora.

Nossa obsessão pela guerra precisa de redenção!

Quando a Bíblia fala de guerra, ela despersonaliza a questão. Não é contra sangue que lutamos, mas contra entidades espirituais. Ao nosso redor e em nós. Acho que o Rio Grande poderia andar por esse rumo.

Talvez  possamos aprender a transformar o futebol como metáfora da vida e não metáfora da guerra. Transposição de obstáculos, superação dos limites pessoais, aceitação das perdas, para melhor aproveitamento das vitórias.

Quem sabe a identificação de novos inimigos.

Poderíamos nos indignar e fazer guerra pela vida inteira contra os resultados pífios da educação. Nossos filhos não estão aprendendo a interpretar textos. Não sabem raciocinar com lógica. Há muita gente sem paixão pela educação ocupando o cargo de professor. Gente que não gosta de gente.  Entrando em aula desejando que tudo termine o mais rápido possível. Ou conseguir uma vaga na secretaria. Essa sim seria uma linda peleia. Irmos para dentro das escolas, interessar-nos pelo que acontece com nossos filhos lá dentro. Não é uma questão só de salários.

Nosso sistema prisional poderia ser outro motivo da nossa luta. As penas brandas demais dependem de novas leis, os presídios desumanos demandam atitudes do poder executivo. Essa é uma peleia que vale a pena.

A reforma tributária é outra conversa que se arrasta, mas cada ano que passa pagamos um dia a mais de tributos. Já são cinco meses ao ano.

Isso só para citar três.

Só entendemos o quão mal educado somos até que o cachorro do vizinho venha fazer cocô no nosso pátio para então percebemos como o nosso próprio guaipeca é um mala sem alça para os outros. Está mais do que na hora de combater essa tendência arraigada de não nos importarmos com o mal até que ele chegue ao nosso quintal.

E por favor não me venham com essa lorota de que agora nas eleições é a hora de mudar a história. Essa é a maior ilusão pregada em verso e prosa. Nenhum povo muda sem a ativa participação diária de uma significativa parte da população.

Escolha uma boa causa e arregimente seu exército de inteligência, cordialidade e espírito guerreiro. E para de te fresquear e perder tempo com esse negócio de separatismo e superioridade gaúcha. Somos diferentes dos outros brasileiros, só isso. Precisamos é avançar.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

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