13 perguntas que os evangélicos deveriam estar se fazendo

Sei o grau de crescimento das comunidades e grupos nas igrejas pelas perguntas que fazem.

Infelizmente as indagações que mais ouço depõem contra o crescimento e evidenciam um alto grau de infantilização:

Pastor, pode fazer tatuagem?

O que o senhor (?) acha do crente ir à danceteria?

Um cristão pode escutar música do “mundo”?

Essas perguntas nos mostram o quanto estamos autocentrados, distantes das grandes questões que afligem o mundo. Se quisermos servir nossa geração, precisamos de outros questionamentos. É a qualidade das perguntas que determina o nível do caminho.

Ofereço aqui outras investigações…

Por favor pergunte-se ao menos uma vez:

Se nossa igreja saísse desse bairro, ou endereço, será que a vizinhança teria saudades de nós, sentiria a nossa falta?

Os homossexuais se sentem acolhidos na minha igreja, como os outros pecadores?

Você trata os músicos, as crianças, os adolescentes, os jovens e o principal contribuinte da sua igreja com a mesma paciência?

Qual a pergunta que governa a preparação das mensagens da igreja: o que as pessoas precisam ou o que as pessoas querem?

Como uma pessoa que se sente um completo fracasso se sentirá quando entrar em nossos grupos caseiros e comunidade?

Você abraçaria um bêbado mal cheiroso que adentrasse a sua igreja, sua casa?

Quando você termina as reuniões de adoração comunitária você costuma avaliar  se gostou da reunião ou se cultuou de verdade?

Quando você escuta a mensagem da Palavra você pensa em como ela se aplica a sua vida ou na vida da pessoa que mais incomoda você?

Como você escolhe a comunidade em que congrega: pelo nome conhecido, pela proximidade da sua casa, pela qualidade da pregação ou pela fidelidade ao evangelho?

Os grupos da igreja e as pessoas que lá estão são lugares seguros para falar dos próprios pecados abertamente sem ser apedrejado?

A igreja tem um estilo de vida voltado para o amor ao próximo mesmo, (comunidade, bairro, rua) na forma de projetos que supram as reais necessidades das pessoas?

Qual é o grande tesouro da igreja? Templo, nome, história ou a cruz de Cristo?

A evangelização que praticamos  é proclamação de Cristo ou propaganda da denominação?

Qual a importância para o evangelho que eu faça esforços financeiros gigantescos para implementar uma comunidade da minha denominação em um lugar repleto de outras igrejas enquanto há lugares no mundo que nunca ouviram de Cristo e não tem um centavo do meu investimento?

Bom, acho que dá pra começar uma boa conversa assim.

Vamos crescer?

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.

Romantismo é um vilão disfarçado de anjo

“O amor é cego, mas o casamento abre os olhos.”

Ditado popular

Calma, calma, calma.

Antes que você me apedreje e atire meu cadáver aos cães permita que eu diga uma última frase: não sou contra o romance, sou contra o romantismo.

Há uma diferença gigantesca.

Romance acredita no final feliz como uma conquista, romantismo acredita na felicidade inevitável.

Romance tem decepção, romantismo tem expectativas realizadas.

Romance tem vilão e herói e frequentemente somos os dois, no romantismo o vilão são os outros, sempre.

Romance tem lutas e batalhas, romantismo tem sentimentos arrebatadores.

Romance faz lutar por dias melhores, no romantismo dias ruins são pesadelos insolúveis.

Quando começamos nossos relacionamentos, uma boa quota do que esperamos é erigida pelos folhetins televisivos e filmes de hollywood tipo “Uma linda mulher” ou qualquer comédia romântica que você costuma assistir para relaxar. O que você não percebe é que por detrás da história há um sentimento enganoso, de que encontraremos o “encaixe perfeito” para nossa vida.

Essa expectativa se mostra frustrada já no primeiro ano do casamento quando os hormônios da paixão cedem espaço a normalidade da vida e a realidade se impõe com seus dias claros e de sol e com seus dias nublados, frios e com chuva.

O luto pela morte da tese do “encaixe perfeito” é um divisor de águas de qualquer relação. Ou crescemos para o amor maduro ou carregamos a amargura da expectativa desfeita como uma quinta coluna que vai quebrar a relação como um cristal frágil.

O que digo sobre o casamento, vale para ministério, trabalho, profissão e tudo o mais.

Venho de uma linhagem pentecostal. Nessa tradição evangélica, um homem com Deus costuma ser visto como um super-homem. Assim é que o imaginário de quem o circunda pensa que ele tem total controle dos seus sentimentos, não pode chorar nem se exceder em nada e nem precisa se abrir com ninguém. Ele tem total vitória sobre o pecado. Sozinho ele vence todas as ambiguidades da sua alma. Ele sempre sabe o que fazer, não precisa perguntar para ninguém a não ser Deus é claro. Soa espiritual, atraente, sedutor? Trágico é quando se acredita nisso, pois é a maior fraude de todos os tempos e faz muitas vítimas! É preciso ler a Bíblia sem esse viés romântico.

Outro dia cheguei na livraria evangélica da minha cidade e uma das vendedoras, membro de igreja evangélica me perguntava sobre o que eu achava da Peppa, personagem do Discovery Kids que se tornou a última fixação das crianças. Eu perguntei a ela: qual o problema com a Peppa?

“Pastor, a Peppa é desobediente, egocêntrica e responde para os pais.”

Eu respondi: “Ah é? Então é melhor proibir seus filhos de lerem as histórias da Bíblia, pois tudo isso está lá também e muito mais!”

Quanto maior o romantismo, mais limitado é o amor. O verdadeiro romance de Deus escrito com letras vermelhas é feito de decadência, traição, fanfarronice e glória, morte e redenção. Quem ama no amor de Deus, ama para além das expectativas frustradas. Essa é a história da cruz, essa é a nossa história.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.